Notas iniciais
Alma do desespero. o poder de pessoas com essa alma faz com que elas criem e controlem sombras e matéria negra.

Logo ao começo do dia, Cíntia e Thomas estavam indo para suas salas de aula, que ficavam no lado oposto de onde ficava o portão do orfanato. Por terem quase a mesma idade, eles foram para a mesma sala. O que não era algo bom para acontecer, pois a Darlene também era dessa sala.

Quando entraram juntos na sala, Cintia já percebeu que aquele trio de garotas estava olhando fixamente nela, o Thomas sentou na última carteira na primeira fileira, por puro medo, como as três estavam do outro lado da sala, a Cintia sentou na carteira que estava na frente da carteira que o Thomas usava, já que ele era o único que ela conhecia naquele lugar horrível. Isso foi algo que a Darlene não gostou de ver.
Depois que todas as aulas acabaram, todos foram comer mas o Thomas estava sem fome, então ele foi ao seu quarto enquanto a Cintia ia ao refeitório, depois de pegar sua comida e levar à mesa, a Darlene e suas duas amigas sentaram à sua frente.

— Oi, lembra de mim?

— ...

— Pode falar.

Ela gaguejou e tremeu de tanto medo que tinha do que podia acontecer:

— O q-q-que você quer?

Todas as três riram:

— Desculpa, pode falar mais alto?

A Cíntia perguntou de novo:

— O que você quer? Você já roubou o meu par de sapatos. E eles eram muito caros.

— Ah... Eu tinha imaginado isso, eu fiquei bonita com eles não é?

O modo como a Darlene estava se demonstrando superior à Cíntia a deixou reprimida:

— Por que você está me fazendo mal desse jeito, sendo que eu não te fiz nada?

A Darlene ficou irritada com essa pergunta e por isso a puxou pelo colarinho da camisa e a deixou deitada na mesa do lado do prato, os olhos dela ficaram vermelhos de sentido sanguinário.

— Eu falei pra você não ficar perto do meu namorado!

A voz dela chamou a atenção de muitas das crianças e dos adolescentes que estavam em volta delas e se levantaram das mesas só pra ver o que iria acontecer. Mas o que aconteceu não foi o que eles queriam, pois um dos seguranças do orfanato foi avisado sobre oque estava acontecendo. Então ele separou aquelas garotas da Cíntia, mas a Anael lhe deixou assustada quando falou "não perde por esperar" enquanto saíam de perto dela.
Tudo isso deixou a Cíntia sem fome, então ela saiu. E foi andando até o parque pequeno que ela se perguntou quem era o namorado daquela maluca, mas como não conseguiu pensar em ninguém, ela simplesmente sentou em um dos balanços do parque, olhando para o muro alto do orfanato.

— Sabe balanços não foram feitos para que os adolescentes usassem.

Ela virou para o lado de onde a voz vinha e viu que um rapaz alto de cabelo longo e moreno estava falando com ela

— Estou pensando aqui sobre uma coisa...

— Eu vi o que aconteceu no refeitório.

— Todo mundo viu.

— É... Mas vim aqui pra falar que você tem que se distanciar do Thomas, ele é o "namorado" da Darlene, mesmo eles não sendo namorados de verdade.

Ouvir aquilo deixou a Cíntia preocupada

— E ela acha que eu estou dando em cima do Thomas?

— Ela é meio louca... Esqueci de pedir uma coisa...

— O que?

— Comida, esse orfanato me deixou em jejum, tenho que ficar o resto do mês sem comer, e só posso beber agua uma vez por dia.

— Por quê?

— Alguém roubou um monte de comida da geladeira e colocaram a culpa em mim.

E por pura curiosidade ela perguntou:

— E foi você?

— Não. Mas eu já tinha feito isso antes.

— Por quê?

— Você é uma pessoa curiosa demais — Ela ficou corada de vergonha e ele achou aquilo tão fofo que acabou rindo, logo depois ele respondeu — Eu sou uma pessoa meio ansiosa e quando fico desse jeito começo a sentir muita fome.

Acabou que ela também riu sobre aquilo.

— Meu pai era assim também, eu achava estranho porque a alma dele era a alma azul, a alma da paciência

— A alma da pessoa não demonstra o que ela é. Não nesse mundo.

Enquanto os dois conversavam, alguém estava tirando fotos dos dois, escondido atrás de uma das portas de saída do edifício principal do orfanato.

Horas depois, no quarto do Thomas:

— Durante a aula toda eu percebi que você estava com medo de alguém, quem era?

Para que o Thomas não soubesse o motivo de seu medo, a Cíntia fingia não entender sobre o que ele falava:

— Não entendi.

— Eu vi que algo ou alguém estava lhe dando medo durante a aula. Só quero saber o que era. — Ela começa a sentir medo de falar sobre aquilo. — Ah... Foram três garotas, certo?

— Não sei do que você está falando.

— Você está com medo agora, e pela minha alma do medo, consigo ler sua mente por isso. — Ouvir isso deu mais medo para a Cíntia — Agora posso até ver a cena que te deu mais medo e desespero, os corpos dos seus pais, dilacerados a facadas, as tripas do seu pai estavam largadas ao lado do corpo dele, e o corpo da sua mãe... Até lamento pelo estado em que morreu. — Ela começou a sentir desespero pelo que ele poderia falar depois disso e pediu para que parasse — Ok, eu paro agora, já que percebi que foi a Darlene... Aquela garota só me traz problemas.

Notas finais
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