Universo Tom
10 Capítulo 6
"Hello
It's me
I was wondering if after all these years
You'd like to meet
To go over
Everything
They say that time's supposed to heal ya
But I ain't done much healing
Hello
Can you hear me?
I'm in California dreaming about who we used to be
When we were younger
And free
I've forgotten how it felt before the world fell at our feet
There's such a difference
Between us
And a million miles (...)"
Estava todo um clima romântico, entretanto eu tinha deixado de ser o caçador para me tornar a caça. Eliana tinha puxado a mim. Aquele era um jogo de sedução perigoso no qual eu não gostaria de ficar por baixo. Eu recusava-me a isto. Todavia... Sentia que se a expulsasse do quarto ou iriam desconfiar de algo errado ou no mínimo a magoaria. Pensei rápido e a abracei nos movimento abraçados ao som da música que estava a tocar.
—Que deu em ti?
Ela sorria perturbada com o meu modo de agir e me soltou antes mesmo da metade da música e sentou na cama.
—Quer conversar sobre algo?
—Me diz tu. Não sou eu a estar no quarto de outra pessoa a esta hora da noite.
—Falas como se nós dois não tivéssemos transado duas vezes nas últimas 24h, mas whatever!
—Tenho medo que misture as coisas princesa.
—A esta altura do campeonato me vem com essa?
Sentei-me junto a ela e segurei em sua mão relembrando aquilo que já tínhamos falado desde o começo.
—Temos um acordo Eli. Na cama seremos apenas homem e mulher, então...
Ela nem me deixou terminar o que ia dizer e me cortou logo.
—Então quer dizer que pra eu estar aqui no teu quarto é preciso ter sexo? Nossa! Mamãe estava certa!
Ela ria sarcástica.
—Certa no quê?
—De que és ninfomaníaco. Será que só pensas em me comer?
—Eu não disse isso princesa...
Mexi em seus cabelos macios e perfumados percorrendo sua face.
—Acontece que só tenho medo de que mistures as coisas.
—Eu sei separar tudo bem, mas acho que é o senhor que não consegue.
Ela me olhou de um jeito como se entrasse em minha alma e lê-se todos os meus pensamentos. Eu estava a me apaixonar pela garota que em aparência lembrava a mãe, mas de feitio era toda eu. Talvez seja por isso que seja tão atraente e me fascinava. Ela tinha sido feita por mim e pra mim.
—Eli, eu...
Me inclinei na direção dela com minha mão a deslizar de sua face para a nuca. Ela se aproximou mais e nos beijamos.
—Me desculpe... Podes sim dormir comigo. Não faremos nada se não quiser.
Vi-a se levantar. Pensei que ia embora, mas na verdade apenas diminuiu a luminosidade do quarto desligando a luz e deixando apenas a do banheiro acesa dando ao quarto um clima ainda mais romântico do que a música que estava a tocar. Os 6 minutos daquela música duraram toda uma eternidade. Naquela noite apenas dormimos abraçados. Sua cabeça estava repousa em meu braço. Ela adormeceu antes de mim. Foi o tempo suficiente para que eu dormisse a admirando sua beleza e acordasse sem ela ali. Fiquei a pensar que talvez fosse um sonho, mas depois que despertei e olhei em redor vi que as possibilidades daquilo ter acontecido eram grandes. Naquela noite, mesmo que por poucos minutos estava um filha a ser aninhada pelo pai que velava seu sono como se ela fora uma criança.
No dia seguinte ao notar que estava sozinho no quarto e com o aparelho de som desligado eu telefonei para minha esposa Rubi. Ela logo veio me enchendo de perguntas a ver se eu tava bem, como tinha passado a noite, mas no fim a tranquilizei e disse que precisaria passar mais um ou dois dias para resolver a situação do empréstimo que eu havia pedido ao banco. Se tudo desse certo poderíamos comprar uma colheitadeira nova e eu ensinaria o Ricardo a pilotar uma máquina moderna. Apesar dele não ser maior de idade é importante para a formação de um homem que pilote máquinas e essas coisas.
No café da manhã a Jazmín parecia animada e tinha um grande sorriso estampado na cara como se aquele fosse o dia mais feliz da vida dela.
—Que foi filha? Parece que viu um passarinho verde...
—É que estando na mesa assim, só nós quatro, parecemos uma família de novo!
Respondeu ela a pergunta da mãe e vi que era hora de eu intervir.
—Meu anjo, somos uma família e nunca deixamos de ser apesar de tudo o que aconteceu. Apenas algumas coisas mudaram e mais gente entrou pra ela. Apenas... Somos uma família moderna.
—Mesmo assim... Eu sentia falta disso.
Ela parecia um docinho, mas a Amber cortou nosso momento a dizer que precisava se apressar pra levar ela pra escola. Eliana ainda não havia trocado uma palavra sequer desde que acordou. Ela e Amber ainda estavam nos meus planos para depois que eu resolvesse a situação do empréstimo.
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