Universo Paralelo
20 Capítulo XIX
Notas iniciais
POV Maxon
Quando percebemos que América não estava conosco, já tínhamos chegado ao abrigo. E nem tinha sido a família dela, a minha, ou a de Lucca. Foi um guarda.
– Cadê a Ames?- desse o Soldado Living.
–Ah, ela está bem atrás de...- Celeste não terminou pois nessa hora todos nos viramos e não a vimos ali.
Todos começamos a chama-la, mas ela não aparecia. A Rainha Magda e as princesas brasileiras ali presentes começaram a chorar, enquanto minha mãe, a Rainha Katrina e Tatielle tentavam conforta-las. Quando eu disse que iria procura-la lá fora, Christoper Living, me barrou e me forçou a ficar ali.
–Mas alguém tem que procura-la!-protestei.
–E serei eu- ele respondeu- Enquanto isso vocês ficam aqui e esperam- antes que qualquer um de nós pudesse protestar ele saiu e trancou a porta do abrigo.
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Ficamos ali pelo que pareceram horas, antes de um guarda qualquer abrir a porta e dizer que já podíamos sair. Todos já tínhamos dormido, acordado, comido, bebido, jogado cartas, e dormido novamente.
Assim que o guarda disse aquilo todos saíram em uma avalanche do abrigo procurando por Christoper Living. O encontramos na porta da enfermaria, andando de um lado para o outro, parecendo preocupado.
–Chris, cadê a Ames?- May perguntou com a voz chorosa.
Assim que ele se virou pra nós, pude ver seus olhos dourados levemente avermelhados e uma trilha úmida que lágrimas tinham deixado em seu rosto, além de uma mancha escarlate na parte da frente do uniforme de guarda e nas mãos.
–O que aconteceu com você?- perguntou apavorada a filha mais nova dos monarcas brasileiros.
– Não é meu sangue-ele respondeu com a voz embargada- É da Ames- ele sussurrou, mas todos ouviram mesmo assim. Fiquei estático.
–Como assim da Ames?- gritou a Rainha Magda já recomeçando a chorar.
Christoper abriu a boca pra falar, mas fechou-a novamente e só fez uma aceno na direção da porta da enfermaria, antes de sentar em um banco ali perto e por a cabeça entre as mãos.
Antes que alguém mais pudesse dizer algo, Magda e as filhas correram para a enfermaria. Tatielle, Katrina e a minha mãe tentaram segui-las, mas uma enfermeira apareceu.
–Desculpe senhoritas, mas somente a família pode entrar.
Elas assentiram e se juntaram a nós, que estávamos rodeando o Soldado Living, esperando ele se acalmar para nos contar o que tinha acontecido.
– Depois que eu saí do abrigo e comecei a procurar a Meri- ele começou- Eu fiquei procurando se acha-la por uns quinze minutos, sem encontrar nada. Eu estava procurando no segundo andar perto do escritório do Sr. Shalom quando eu escutei alguém gritar “Então quer dizer que nunca foi uma senha? Era uma chave e estava ai o tempo todo?”, e estava vindo do escritório. A porta estava trancada, mas eu arrombei e encontrei um dos assaltantes com uma faca na garganta da Ames- ele fez uma pausa longa para respirar fundo. Estávamos todos em um silêncio chocado. Ninguém ousava interromper. Christoper fechou os olhos e vi que suas mãos estavam tremendo. Quando voltou a abri-los, seus olhos estavam vagos e ele encarava o nada, relembrando a cena- Nós nos enfrentamos um pouco antes de ele enviar uma faca no estômago a América e ela cair no chão desacordada- nesse momento todos prenderam a respiração- Eu...- ele respirou findo- Eu dei um tiro nele e trouxe ela pra cá o mais rápido que pude.
–E como ela está agora? Como está a minha filha?- perguntou o Rei Shalom.
– A única coisa que sei é que ela ainda está desmaiada e que os médicos precisaram fazer quinze pontos na facada- ele respondeu, sussurrando- Me desculpe senhor- ele disse com um fiapo de voz. Shalom olhou inquiridor pra ele- Não consegui impedir que a América levasse uma facada. É tudo minha culpa.
–Não, não é Chris- Shalom disse firme, embora todos víssemos os olhos cheios de lágrimas- Se você não tivesse chegado, é provável que eles tivessem matado a América. Graças a Deus você chegou e ela só se machucou.
Ele assentiu, mas não parecia convencido.
–Vou descançar um pouco. Se ela acordar me avisem- o guarda se virou e foi embora, com os ombros caídos.
Ficamos todos em silêncio por uma meia hora, esperando alguém sair da enfermaria com alguma notícia sobre América. Celeste ficou tão entediada que dormiu, então Shalom mandou um dos guardas que passavam por ali levarem-na para o quarto.
Quando a Rainha Magda e as filhas, Kenna e May, saíram da enfermaria deram a notícia que fez o meu mundo cair.
América estava em coma.
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