Universo 131518.060521 - O Descanso Infinito
1 Em Silêncio Eterno
-Mas que cansaço... — Era isso o que ele pensava ao acordar.
Ele nasceu cansado. Não havia uma razão para isso, mas o peso do mundo parecia repousar sobre seus ombros desde o primeiro suspiro. Não era apenas cansaço físico, mas algo mais profundo, como se o próprio ar estivesse sempre mais denso ao seu redor. Cresceu, e o cansaço o acompanhava, como uma sombra fiel que nunca se afastava. Ele tentou entender, tentou lutar contra aquilo, mas essa sensação nunca diminuiu.
-Mas que cansaço... — Era isso o que ele pensava durante o dia.
Ao longo dos anos, procurou a razão de seu sofrimento. Buscou consolo nos livros, nos vícios, nas religiões. Talvez fosse uma maldição, talvez um destino. Mas nenhuma resposta parecia o aliviar. O cansaço estava em sua carne, em seus ossos, em sua mente. A cada passo, o mundo parecia se arrastar mais devagar, enquanto ele se afundava cada vez mais na exaustão.
-Mas que cansaço... — Era isso o que ele pensava ao ir dormir.
Com o tempo, ele percebeu que não havia mais como continuar assim. Havia algo dentro dele que queria se libertar daquele peso. Então, algo inesperado aconteceu. Em sua busca desesperada por respostas, ele encontrou o impossível. Um poder, infinito e imensurável, que lhe foi concedido sem questionamentos. Era a chave para a verdadeira liberdade, uma liberdade além de qualquer compreensão. E ele, cansado de tudo, aceitou.
O poder era indescritível. Ele sentiu sua mente se expandir, sua alma se dilatar. Era onipotente, capaz de moldar o universo ao seu desejo, de recriar tudo que conhecia, de criar o que não conhecia.
Mesmo assim, ele decidiu se deitar. E dormir.
Neste momento a última sombra de cansaço desapareceu. Ele não queria mais nada. O desejo de mudar o mundo se desfez como fumaça. O desejo de entender, de lutar, de questionar... tudo desapareceu.
Dormiu como nunca antes. Dormiu com a paz de quem alcançou o fim da jornada. E enquanto ele descansava, o universo continuava, mas ele não se importava. O cansaço eterno se transformou em um sono eterno, onde não havia mais pensamento, mais desejo, mais dor. Ele se fundiu com o silêncio. O descanso o tomou por completo.
E então, ele simplesmente se perdeu. Não existia mais. Não havia mais necessidade de ser. O descanso foi o fim. E assim, o infinito permaneceu em silêncio.
Fale com o autor