Universidade Shadow Falls
1 Uma nova fase
Notas iniciais
Aqui estou eu, arrumando as malas para ir para a faculdade. Ainda bem que eu consegui terminar o colégio sem repetir nem um ano, palmas para Kylie Galen.
Mas, uma coisa tenho que admitir, o fato de que estou indo para a faculdade é tão assustador quanto acordar às 3 horas da madrugada TODA noite. Mas já que a teoria da minha analista é de que isso é algo temporário quem sou eu pra discordar de uma pessoa velha e formada.
Ouço então alguém batendo na porta.
–Pode entrar — Digo em voz alta.
–Filha, já terminei de fazer o jantar, quer ajuda para terminar de arrumar as malas? – Diz minha mãe.
–Toda ajuda é bem-vinda! Pode arrumar e trazer aquelas meias ali pra mim? – Digo apontando para as meias em cima da penteadeira.
–Claro! – Diz ela entusiasmada.
Paro e começo a observar minha mãe. Ela é de longe a pessoa mais gentil e bondosa que eu conheço, além de fazer as melhores comidas que meu paladar já apreciou ela ainda te ajuda com seus planos mais legais. Lógico que nunca deixou que meu horário de chegar em casa fosse depois das 10 da noite, mas, nem tudo é perfeito né.
Ainda com o pensamento de ficar longe dela por um bom tempo percebo que uma lágrima está prestes a cair e recupero o fôlego logo. Prometi que não iria chorar, estou indo a caminho de provavelmente uma das melhores fases da minha vida, (tirando os estudos) estou a menos de 24 horas de me tornar uma caloura e sei que verei minha família de tempos em tempos, então pra que chorar?
Concentrando-me finalmente na mala quase pronta termino de arrumar a parte das blusas, ficando enfim apenas o canto das meias, vazio.
Ouço um barulho de carro vindo do lado de fora, provavelmente meu pai que acabara de chegar do trabalho.
–Mãe, o que vai ser a janta? – Pergunto ainda concentrada nos barulhos do carro – Mãe??
Viro em direção a penteadeira para repetir a pergunta para minha mãe, mas ela não está mais lá, e sim os pares de meias alinhados lado a lado. Olho ao redor do quarto procurando pela mulher, mas ela simplesmente evaporou.
–Mais um vácuo adicionado ao currículo, uhu. – Digo com o mínimo de entusiasmo possível.
Vou até a penteadeira para pegar as meias, e as guardo no seu cantinho reservado. Fecho e coloco a mala embaixo da cama. Podendo finalmente ir comer.
–Vamos descobrir o que tem nesse jantar.
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Sou filha única então somos apenas 3 pessoas em casa, eu, meu pai e minha mãe. Logo, a casa não é tão grande, mas possui 2 andares. Na parte de cima os quartos e o banheiro, e embaixo a cozinha, sala, sala de jantar, quintal e garagem. Nada muito grande, nem muito pequeno.
Moro aqui desde que me entendo como gente. Todas minhas lembranças estão presentes naquela casa, até alguns fabulosos desenhos que fiz na parede quando menor ainda estão ali. É tão bom ter lembranças assim, é uma nostalgia tão boa.
Prestes a descer as escadas sinto um calafrio. A temperatura mudou repentinamente e tenho a sensação de que meu corpo virou chumbo, pois não consigo me mexer de tão pesada que estou.
Totalmente paralisada, tanto de medo quanto por não conseguir me mexer, ouço atentamente cada som no ambiente, e então segundos depois volto a conseguir mexer.
–Meu Deus, o que acabou de acontecer aqui? – Murmuro ainda ofegante.
A temperatura voltou a ser normal, o ar voltou aos meus pulmões e meu corpo voltou a ter um peso humano. Me sinto tonta e pra que não role de escada abaixo dou um passo pra trás, caindo direto no chão. E após alguns segundos sentada no chão ouço meus pais abrindo a porta da frente.
Em silêncio, ainda prestando atenção nos barulhos do andar debaixo percebo que meus pais não escutaram nada do que acabara de acontecer aqui, e continuam sua conversa.
Me apoio e consigo me levantar. Olho ao redor ainda cheia de medo, e levanto meus pés para ter certeza de que ainda tenho o controle do meu corpo. É, acho que o mundo voltou a rodar, ou melhor, o meu mundo voltou a rodar.
–Kylie, você não vai descer pra jantar não? – Grita minha mãe.
–J... já vou!
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Chego finalmente à sala de jantar. Minha mãe está na cozinha e meu pai sentando à mesa falando ao telefone. Puxo logo a cadeira e me sento, já que ficar em pé não me parece mais seguro.
–Onde está a Kylie? – Fala minha mãe, saindo da cozinha com os pratos na mão. – Ah, você está aí! Finalmente. – Diz ela ao me ver em seguida.
Dou um sorriso, e tento me concentrar na comida. Não vou deixar que algo me deixe sem fome na véspera da minha ida à faculdade. Nem que esse algo tenha feito com que eu não conseguisse me mexer, e nem respirar por uns instantes.
–Fiz sua “comida” favorita! – Diz ela toda entusiasmada.
Ela fez hambúrguer, que com certeza, é meu lanche/comida favorito(a).
–Como se sente jantando hambúrguer antes de se tornar uma caloura? – Pergunta meu pai desligando o telefone.
–Olha, são coisas que eu nunca imaginei que fosse fazer de uma vez só. – Respondo.
–Pois é Kylie, pois é. – Responde ele, dando risada.
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Já jantando, meus pais começam a conversar sobre a universidade e finanças, entre eles. O suficiente para me deixar de fora do assunto, mesmo sendo que quem vai para a universidade sou eu.
Começo a pensar sobre o que aconteceu comigo minutos atrás. Não sei se devo falar sobre isso com meus pais. Isso resultaria em duas possíveis chances, que são: eles ficariam preocupados e indecisos sobre me deixar sozinha em uma universidade, já que meus “hábitos” noturnos estão mais frequentes, e agora essa sensação totalmente maluca. Eles me levariam direto para a analista maluca, e universidade, nem pensar. E também a segunda chance que é que eles achariam que estava começando a ficar maluca e me levariam para analista, ou até coisa pior. Vendo bem, parece que eu não tenho muita escolha.
–Kylie? Você está ouvindo? – Pergunta minha mãe.
Fiquei tão concentrada nesses pensamentos que esqueci totalmente que estava jantando.
–Ah, sim, eu estava só... Pensando. É que são muitas coisas para pensar agora. – Digo sorrindo.
–Como em terminar de comer e depois lavar a louça, não é? – Diz meu pai apontando para seu prato, já vazio.
–Como assim? Uma jovem que está indo para a universidade, se preparando psicologicamente para livros e mais livros, tendo que lavar louça? – Respondo sarcasticamente.
–É uma despedida, querida. – Diz minha mãe.
Logo em seguida se levantam, pegam papéis do outro lado da mesa e vão para a sala. Provavelmente resolver mais assuntos chatos.
Trato logo de terminar de comer, para já me livrar da louça. E então meu celular apita. É uma mensagem de Sarah, minha melhor amiga.
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Não vou poder ir me despedir, viajei com meus pais
de ultima hora. Vai ir amanhã msm?
Recebida ás 20:33
Como assim? Vou amanhã de manhã,
viajou pra onde?
Enviada ás 20:33
Casa da minha avó, festa de niver surpresa
volto na sexta
Recebida ás 20:34
Merda, preciso falar com vc
Urgente!
Enviada ás 20:34
Fala agora! Oq é?
Recebida ás 20:35
Tem q ser pessoalmente
Enviada ás 20:36
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Guardo o celular, e vou ir lavar a louça logo.
Como a Sarah fez isso comigo? Ela é a única pessoa com quem consigo falar disso sem me sentir tão estranha, preciso contar pra ela, e tem que ser logo!
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