Universidade Espacial – Fic Interativa
5 O Corredor
Notas iniciais
Manuela saiu da Sala do Silêncio preocupada. Não tinha mentido quando disse a Envy que a achava bonita, não mesmo. E não conseguia entender como uma meninaque parecia tão forte podia estar com um cara que não a tratava bem. Alguma coisa tinha nessa história.
A nave era realmente grande, pensou enquanto tentava achar o refeitório. Não que quisesse muito socializar, como George sugeriu, mas queria comer alguma coisa.
Passou por vários corredores e, realmente, aquele lugar era um labirinto. Gostaria de saber o que eram todas aquelas portas pelas quais passava. Algumas eram grandes e coloridas, outras tão pequenas que só daria para um ratinho passar. As paredes do corredor largo pelo qual passava tinha desenhos psicodélicos, e conforme andava o corredor ia ficando menor. Não sabia onde estava, mas estava começando a ficar nervosa e sem ar. Parou de andar e pensou em voltar, mas os desenhos a confundiam cada vez mais.
Manu não costumava ficar assustada nem nada do tipo, mas esse tipo de lugar era exceção. Sentia-se sem saída, presa. E foi nesse momento que apareceu uma garota.
Tinha cabelos cumpridos e negros, olhos esverdeados e lábios rosados. A menina de cabelos curtos já estava tão confusa que não sabia dizer se a garota era real ou não.
– Você é um anjo? – Manu achou sua pergunta um tanto idiota, mas naquele momento não conseguia filtrar as coisas que dizia.
A outra riu baixinho e respondeu com calma:
– Não sou um anjo, mas acho que você se arrependerá de várias coisas que tentar falar enquanto estiver nesse corredor. O desenho das paredes causa confusão no cérebro e o ar desse lugar têm substâncias alucinógenas.
– E sua beleza impede esses efeitos em você? – Ela até estava tentando filtrar as palavras, mas não parecia possível – Como se chama, anjo?
A outra riu mais ou pouco, menos envergonhada do que qualquer um que estivesse em seu lugar.
– Érica. Mas não acho que você vá parar de me chamar de anjo enquanto estivermos aqui, então o que acha de sairmos?
Manu apenas concordou e segurou a mão de Érica. Ainda estava aflita por causa do lugar, não sabia bem o que estava acontecendo e aquele ambiente parecia ainda encolher.
Érica apertou sua mão com mais força e falou:
–Você precisa se concentrar, não se perca no seu próprio cérebro. Já está acabando.
E quando finalmente voltaram para os corredores com paredes normais, Manu soltou a mão de Érica e se desculpou.
– Você não me ofendeu. – a outra sorriu – Não há razão para se desculpar.
– Como isso não te afeta?
– Tem umidade na substância, não a deixei chegar a mim. E as paredes não têm efeito algum sem essa droga.
Manu começou a se sentir desconfortável com toda a simpatia da outra.
– Por que me ajudou? – perguntou.
– Não seria legal de minha parte te deixar lá daquele jeito, não é?
A garota de cabelos curtos assentiu, mas logo depois ficou em silêncio.
– Você realmente não precisa ficar com vergonha, sabe? – Érica disse – Eu entendi que você não me diria aquelas coisas em seu estado normal.
– Talvez eu dissesse — Manu se esforçou para não parecer envergonhada – se eu tivesse alguma garantia de que daria certo.
– Nada sem risco vale à pena. – Érica lhe deu uma piscadinha com um dos olhos e foi para outro lado do refeitório.
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