Unintentionally (HIATUS)
16 Capítulo 16
Notas iniciais
– C...o...b...r...a. — ela tenta falar mas não consegue.
– Desculpa Karina, mas não dá.
– E por que não? Nunca tentou pra dizer. — ela respira fundo.
– Eu sei que não vai dar, só te faço mal.
– Não faz. — algumas lágrimas escorrem pelo rosto da menina.
– Faço sim, olha como você está. E por culpa minha. — ele bate no peito com autoridade.
– Consequência.
– Consequência? — ele sorri irônico.
– Sim. — ela abaixa a cabeça.
– Karina — ele pega o queixo dela e a faz olhá-lo — Aprende uma coisa.
– Me solta.
– Me ouve antes.
– Hum. — ela não reluta.
– Não sou e nunca serei homem pra você, entende isso de uma vez.
– E se eu não quiser? — ela morde a mão dele levemente.
– Vai sofrer e não quero isso pra você.
– E você acha que quero? — ela aponta e bate no peito freneticamente.
– Para. — ele pega as mãos dela e encosta a sua teste na dela. — Calma Ka. — ela chora freneticamente.
– Não quero ter calma Cobra.
– Mas precisa.
– Me responde uma coisa. — ele se afasta e solta as mãos dela.
– O quê?
– O que rolou não significou nada? — ela limpa com força os olhos azuis.
– Sinceridade? — tempo — Significou e muito, mas não sei.
– Não sabe por que? Porque sou uma filha de papai mimada que não sabe nada da vida.
– Não é isso Karina.
– Então fala o que é.
– Você é a única amiga que tenho e tive desde que cheguei aqui, não vou perdê-la por um momento de raiva, carência ou sei lá o que. — ele se vira de costas.
– Carência? — ela chora e ri ironicamente.
– Não sei Karina, naquela hora nos dois estávamos péssimos. A gente se ajudou.
– E vai desistir de me ajudar agora?
– Não. — ele limpa algumas lágrimas que escorriam.
– Então Cobra. — ela se aproxima indo de cachorrinho até o rapaz no final da cama e o abraça por trás.
– Karina por favor. — ele solta os braços dela de seu pescoço.
– Para o que?
– Disso tudo.
– Cobra na boa, faz o que você quiser. Não me importa, só me esquece quando sair daqui e bater bem a porta desse quarto. — ela grita e volta a se deitar para o lado esquerdo evitando assim contato visual.
– Não Karina, eu não vou fazer isso.
– Não me importa.
– Importa sim.
– Não.
Karina ficou virada enquanto Cobra apenas a observava pelo canto do olho sentado em uma das cadeiras em frente a cama em que a menina repousava. Os dois evitaram conversar durante um bom tempo e não trocaram nenhum palavra depois disso. A única vez que falaram foi quando um médico entrou para medir a pressão e os batimentos cardíacos da loira que não hesitou em se virar novamente assim que saiu do quarto.
Cobra queria falar e Karina também, mas o orgulho, raiva, mágoa, decepção um com o outro era grande demais para poderem se comunicar mais uma vez. Ele agora sentado com a cabeça apoiada nas mãos olhava para o chão pensando do que faria para ter a menina de volta sem nenhum ressentimento e ela fazia o mesmo deitada na cama grande e macia do hospital. A loira de vez em quando fungava e limpava as lágrimas pesadas que escorriam pelo rosto branco e rosado, porém não deixava que estivesse estampado eu sou uma fraca.
– Karina? — Cobra finalmente quebrou o silêncio.
– Ainda está aí? Pensei que já tivesse ido embora. — mentiu.
– Estou e vou continuar, mesmo que proteste.
– Não irei.
– Ótimo. — ele sorriu torto sem que a menina visse. – O que ainda quer?
– Você. — ele passou as línguas entre os lábios e a menina se sentou calmamente olhando fixo para o rapaz.
– E se eu disse que também? Faria alguma diferença? — ele mexeu no cabelo e não respondeu. — Não né? Nunca teria.
– Teria.
– E por que? — ela se sentou bem perto dele e o encarou.
– Porque por mais magoados que estivemos nunca conseguiríamos nos afastar. — ele passou a mão pelo cabelo loiro dela.
– Como sabe disso?
– Somos amigos desde o primeiro dia que nos vimos. — ele sorriu torto.
– É...somos. — ela deu um sorriso no mesmo tom que o dele.
– Apesar de discutimos e discordamos de várias coisas, você é muito importante pra mim.
– Você também, mas se precisar pensar e ter um espaço darei. — ela passou a mão fofa no rosto dele e depois apertou de leve o braço direito.
– Não preciso.
– Que bom. — ela sussurrou.
– Deve ser. — ele deu um sorriso malicioso e olhou para a boca da menina.
– Talvez. — ela respondeu ao sinal dele.
– Posso? — ele a puxou para mais perto.
– Pode. — ela respondeu calmamente.
Cobra deu-lhe um beijo daqueles que só ele poderia dar. Os de tirar o fôlego, a sanidade e o juízo de qualquer garota que o beijasse. Era intenso, sensual e quente coisa que Karina nunca teve. Cobreloa era como um fruto proibido do paraíso que sabia que a qualquer momento poderia estragar tudo, um erro certeiro, porém Ka não se importava com isso e sim no ápice do acontecimento. Ele também não esboçava arrependimentos depois de tê-la em seus braços.
Os dois ficaram juntos por vários e vários minutos, até que a menina pedisse um tempo para respirar e tomar o fôlego que perdeu com o rapaz. Eles respiram aceleradamente olhando fundo nos olhos um do outro e sorriam timidamente. Karina chegou a se soltar nos braços de Cobra e o amigo se desfazer da cintura fina e elegante da loira. A atração dos dois passava disso, uma paixão escaldante talvez. Um amor proibido com certeza, mas em primeiro lugar uma amizade mais do que verdadeira e sincera.
– Acho melhor eu ir antes que seu pai chegue e veja isso. — ele olhava para a boca rosada da menina.
– Melhor mesmo, não sei se terei fôlego para respirar essa noite.
– Se precisar volto aqui e reponho. — ele riu.
– Pode me dizer como se você apenas o tira? — ela riu e bateu levemente em seu ombro.
– Sei lá, tentar né? — ele virou a cabeça e mostrou a língua.
– Deve ser. — ela repetiu o ato do amigo.
– Bom Ka, boa noite. Durma bem. — ele lhe beijou a testa.
– Boa noite, igualmente Cobra. — ela o abraçou. — Obrigada por tudo.
– Eu que tenho de agradecer e principalmente — ele pegou nas mãos dela e o olhou fundo nos olhos azuis piscina da menina. — Por acreditar em mim e tentar fazer com que eu seja uma pessoa melhor.
– Sempre acreditei Cobra. — ela sorriu e ele também, então se abraçaram novamente.
– Olha só o que temos aqui. — Gael e Dandara abriram a porta do quarto e se depararam com a cena.
– Que foi pai? — os dois se soltam e Karina olha para o teto enquanto Cobra coça a cabeça disfarçando qualquer coisa.
– Nada. — ele e Dandara riram.
– Temos uma notícia Ka. — Dandara deu um sorriso enorme e olhou para Gael que já olhava para a namorada.
– Qual? — Karina levantou uma das sobrancelhas e foi de encontro aos olhares de Cobra.
– A Dandara está grávida filha.
– O quê? Sério isso?
– Sim. — os namorados se beijam felizes.
– Que demais pai. — Karina solta um ar de felicidade e Cobra a abraça.
– Sim.
– Parabéns Dandara...Gael. — Cobra faz um movimento do Muay Thai a Gael.
– Obrigado Cobra. — o mestre devolve o movimento de respeito.
– Nada. — tempo — Eu já vou indo, tava me despedindo mesmo da Karina não é?
– É...sim. — ela sorri fracamente.
– Boa noite Karina...Dandara e Gael.
– Boa noite Cobra. — Dandara sorri, pega na mão de Cobra e faz um carinho em forma de agradecimento.
– Boa noite Cobra e obrigado. — ele balança a cabeça em forma de mostrar Karina.
– Não precisa agradecer. — Cobra dá um tchau com a mão para Karina e sai do quarto em direção ao QG.
Dandara, Gael e Karina conversam sobre como seria a vida deles depois que a menina saísse do hospital e fosse de volta para casa. A namorada do mestre voltaria a morar com ele e João viria junto, porém estavam pensando em se mudar para outro lugar maior para que todos ficassem mais acomodados e confortáveis. A loira concordou e disse que tudo daria certo para todos. Eles estão sorriem juntos e logo se abraçam.
A noite vai decaindo, mas o papo família dos três nunca acabava. Assim que um assunto terminava iam para outro e assim por diante de tão entrosados e felizes que estavam naquele momento. Cobra e Karina tinham se acertado, e Gael e Dandara estavam a espera de um novo bebê que logo seria a alegria da casa onde morariam. A loira não ligou nem para o que Bianca, Duca e Pedro iriam achar, mas sabia que o ex-namorado poderia visitá-la quando bem entendesse com a desculpa de que fosse ver João, seu melhor amigo.
– Bom filha acho melhor eu e Dandara irmos embora, está ficando tarde. — Gael pega na mão de Karina.
– Tudo bem pai, está tarde mesmo. — ela sorri.
– Minha linda, obrigada viu? — Dandara abraça Karina.
– Pelo que?
– Por aceitar, não sabíamos como iria reagir mas nos surpreendeu com seu aceitamento.
– Que isso Dandara, vou amar ter uma nova irmã ou irmão. — eles riram.
– Que bom minha linda.
– Vamos? — Gael se levanta, dá um beijo na filha e pede o braço a Dandara.
– Sim. — ela sorri beija Karina no rosto e sai com o namorado.
– Bom noite filha.
– Bom noite Ka.
– Boa noite gente.
Depois da saída de Cobra, Karina conseguiu se concentrar na conversa que Gael e Dandara estavam tendo sobre como seria as coisas a partir daquele momento, porém assim que saíram tudo que tinha se perdido dentro de sua memória voltou com força total. Ela pensava em tudo que viveram e no passaram, as discussões como hoje e logo depois as desculpas e pazes, as decepções e em seguida o consolo, entre outras coisa.
Karina colocou um dos dedos na boca e mordeu uma unha.
– Ah Cobra, sei não em. — ela riu ironicamente, se virou de lado e dormiu profundamente.
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