– Cobra? — Pedro vai até ele.

– Qual foi Pedro?

– O que você tava falando com a Karina que ela subiu correndo?

– A gente tava conversando, mas acho que ver você ainda é um choque para ela, não acha? — Cobra levantou as sobrancelhas, passou por Pedro e seguiu para o QG.

– Não, não acho. Eu amo a Karina. — Cobra para e se vira.

– Se amasse mesmo, contaria logo para ela.

– Eu não consegui e você sabe. — Cobra vai até Pedro, para em frente a ele e o encara.

– Eu sei, ela sabe, todos sabem, mas a Karina não entende. — Karina que passara como um furação pela sala se tranca no quarto e ouve a discussão de Pedro e Cobra.

– Eu sei, mas eu só queria que ela me escutasse.

– Pedro, você traiu a confiança dela. Quanto tempo você a enganou? Meu, acho difícil ela te perdoar.

– Eu sei. — ele funga. — Mas pelo visto ela tá bem mansinha com você não?

– O que você está insinuando? — Cobra chega mais perto.

– Eu não to insinuando nada.

– Acho bom mesmo.

– Por que tá achando que estou desconfiado de você?

– Olha aqui garoto, tu não me provoca. — Cobra se enraivece e parte pra cima de Pedro que caiu no chão.

– Qual foi Cobra? — Pedro empurra Cobra também.

– Pedro, na boa não provoca.

– Qual é? Tá com medo? — Pedro encara Cobra dando risadas.

– De você? Nunca. — ele muda o tom.

– Vem então? — Pedro chama Cobra para brigar.

– Não tem graça lutar com você.

– Como sabe? Nunca lutou. — Karina que agora estava na janela avista os dois e desce correndo, passando pelo pai e irmã que até agora não entendiam o que tinha acontecido, olham um para o outro e vão atrás dela.

– Parem. — Karina entra na frente dos dois e grita.

– Sai da frente Karina. — Cobra empurra a menina, mas ela o empurra de volta.

– Para Cobra, por favor.

– Para você, não é bom estar aqui.

– E nem vocês. — ela olha respirando fundo para o amigo e depois pelo canto do olho para Pedro.

– Ka, me deixa falar com você. — Pedro coloca a mão no braço da ex.

– Me solta, você eu resolvo depois. — ela desvia o braço e o empurra para longe de Cobra.

– Cobra, por favor vai embora. Por favor, deixa o Pedro em paz. — a menina pega no braço do amigo.

– O que está acontecendo aqui? — Gael grita quando ele e Bianca descem. — Tá bem capiroto? — ele vê Pedro no chão.

– Por favor Cobra. — Karina olha para o pai e depois para Cobra.

– Tá bom, tá bom Karina. Faz o que você quiser. — ele dá de ombros e se vira.

– Cobra, por favor. — escorre algumas lágrimas, mas ela limpa, se firma e volta até Pedro.

– Nada pai, era só dois idiotas brigando. — ela olha Cobra com raiva se afastando e depois abaixa até Pedro. — Você tá bem? — ela sorri torto.

– Tô Karina, obrigado. — ela mexe a cabeça em sinal de não precisa agradecer. — Eu te amo.

– Bom, já que tá bem vai embora por favor também. — ela levanta e limpa o restante das lágrimas.

– Mas Karina.

– Por favor Pedro, vai. — Bianca tenta chegar perto da irmã. — Sai Bianca daqui também. — Karina apenas olha para Pedro e sobe as escadas.

– O que foi aqui em capiroto? — Gael ajuda Pedro a levantar.

– Nada mestre, assim como sua filha disse. Nada. — ele limpa a poeiras das calças e começa a andar.

– Sei. — Bianca se intromete.

– Bianca, eu sei que a gente vacilou mas se acha que um dia a Ka vai no perdoar?

– Não sei Pedro, espero que sim. — ela sorri e eles se abraçam. — Acho melhor você ir agora.

– Tudo bem. — ele solta a ex-cunhada e segue seu caminho para casa deixando Gael e Bianca em frente a porta deles.

– O que você acha que aconteceu aqui?

– Não sei pai, mas acho que tem haver com a Karina. Eles não iam brigar do nada, ainda mais o Pedro que é tão alto astral.

– Pois é. — Gael coça a barba. — Bem suspeito.

– Vamos pai, vamos comer mesmo que a Ka não queira.

– É vamos. — os dois entram, fecham a porta e sobem as escadas.

Karina voltou ao quarto mas o deixou aberto caso o pai ou a irmã quisessem entrar, mas nenhum dos dois se atreveu a passar pela porta com medo do que a menina pudesse falar ou fazer. Eles até chamaram a menina para comer, mas a recusa comeram mesmo sem a companhia da loira que chorava de raiva, medo e desgosto na cama, porém logo depois ela vai olhar pela varanda e fica ali até que a mais velha chegasse perto.

– Sai Bianca, fica longe de mim. — ela limpa as lágrimas restantes.

– Desculpa. — Bianca sorri torto e se senta na cama.

– Desculpa? Bianca, tu vai precisar de muito mais do que desculpa para falar comigo. — a mais velha então se cala e começa a mexer no celular, observando os passos da irmã.

– Pai, posso jantar? — a loira grita do quarto.

– Claro filha, claro. — Gael vai até a porta, passa a mão no rosto da filha e eles vão até a cozinha.

– Obrigada.

– De nada.

Bianca enquanto estava sentada na cama pensou em tudo que fez para e pela irmã. Sentia remorso, culpa, raiva, mas sabia que mesmo que tivesse mentido muito à Karina ela fez algo que a fizesse bem. Pedro era um garoto e que realmente se apaixonou pela sua irmã, coisa que nunca tinha acontecido antes pela aparência e gene dela. Chegou a rir do começo quando ele apanhava em troco da loira dar uma change e depois da Ribalta com o escândalo de Jade no palco.

– Karina, posso te fazer uma pergunta? — Bianca chegou na cozinha apreensiva.

– O que você quer em? — a mais nova se virou para ela.

– O quanto ama o Pedro? — ela sussurrou no ouvido de Karina, o que fez o que algumas lágrimas escorressem.

– Não o amo e nem você. — Karina empurra a irmã que cai no chão.

– Karina, o que você fez com ela? — Gael corre até Bianca que olha para a irmã enquanto recusa ajuda do pai.

– Deixa pai, é só assim que ela resolve as coisas porque não sabe se defender de outro jeito. — Bianca se levanta e chega bem perto dela. — Um dia você vai me agradecer. — a atriz então volta ao quarto.

– Agradecer? Nunca. — Karina grita da cozinha.

– Calma Karina. — Gael a faz ficar sentada.

Enquanto isso Cobra no QG derrubou vários dos suplementos e quebrou um computador com a fúria que estava tanto de Pedro como de Karina por defendê-lo e mandar o único amigo embora. Não estava acreditando nisso e nem que ela tenha feito de fato a coisa que ele menos esperava dela, depois da noite que tiveram. Apesar de não ter significado tanto para eles, tinha consciência de que poderia atrapalhar muita coisa e machucar ambos.

– MAS QUE DROGA! — ele gritou e chutou uma cadeira que foi para perto dos colchões.

– MAS QUE DROGA! — Karina falou baixo quando o pai virou as costas.

– MAS QUE DROGA! — Pedro disse quando fechou a porta do quarto.

Karina parecia ter traído Pedro com Cobra, mas eles estavam separados e nada a impedia. O ex-namorado dela subentendeu que ali existia algo entre os amigos e quis tirar a limpo o que não deu muito certo. Já o amigo da loira via ali uma situação um tanto complicada. A menina estava triste e profundamente confusa, e precisava de alguém que lhe desse apoio e carinho, porém sem ter ou acontecer algo demais, o que aconteceu, mas ele estava disposto a mudar isso caso precisasse.

Karina depois de conversar e explicar para o pai o que acontecera na rua e durante o dia esperou que Bianca dormisse para entrar em seu quarto e também descansar, mas assim que entrou percebeu que ela estava acordada e decidiu voltar a sala, porém a irmã disse que poderia ficar, que não iria falar mais ou se intrometer com a loira a menos que deixasse ou quisesse. Entretanto Ka, ainda suspeitou e desconfiou da atriz, mas com tantas coisas passando pela cabeça, apenas se trocou, jogou-se na cama e dormiu profundamente.

– Nana nina não. — Cobra repetia cheio de ódio e socou um espelho que se partiu em micro pedaços. — Ah Karina, vai pensando que vai ser assim que vai me tratar. — mas ele não ligou para o sangue que escorri de sua mão e continuou a rir.