Unilateral | jjk + pjm
1 Capítulo Único
Jeon Jungkook
As palavras ainda ecoavam por minha cabeça. Quatorze meses já se passaram desde que você me disse que iria casar, mas essas palavras ainda pairam em minha volta e ecoam como gritos em torno de mim. Não é sua culpa, Jimin, jamais foi. Você não poderia ser culpado por eu ter me apaixonado tão perdidamente.
Deveríamos ser melhores amigos, deveríamos olhar um para o outro apenas de forma fraternal, mas eu extrapolei todos os limites e passei a te enxergar com um outro olhar, um outro sentimento. E isso me confundiu por meses, talvez anos, mas quando tudo esclareceu a notícia mais bombástica que eu poderia receber simplesmente caiu em cima de mim com toda força que poderia.
Se fosse considerar errado tudo que sentia, então deveria me afastar e fingir que nunca ao menos nos conhecemos. Contudo, como poderia fazer isso? Você é uma das pessoas mais importantes da minha vida, não é como se eu tivesse aprendido a viver sem a sua presença, sua alegria contagiante, seu sorriso doce e sua risada tão escandalosa que não saberia viver sem, os conselhos tão incríveis, os abraços confortáveis.
Não fui ensinado a viver sem você e nem mesmo gostaria de aprender isso. Sério, eu não quero te perder.
Mas, também, não é como se eu enxergasse um futuro muito bom para nós dois. Você vai casar e eu estarei fadado a ser sempre o melhor amigo, aquele que sempre te apoiou, cuidou de você e sarou as feridas que outras pessoas te deixaram. É, acho que já me habituei a isso.
Doze meses atrás a situação piorou ainda mais, quando fui chamado para ser o padrinho do seu casamento. Eu sorri para você, mas tal sorriso me causou cicatrizes internas que talvez nunca me abandonem, e enquanto assentia para aceitar o convite, queria apenas correr para um canto e chorar por toda a dor que aquilo estava me causando.
Os dias arrastaram-se lentamente, sofri em silêncio em todos eles. Sorria para você enquanto me destruía por dentro, te abraçava desejando-lhe tudo de bom enquanto me sentia ser lentamente cortado por pequenas e afiadas navalhas. Tudo doía, mas nada eu podia fazer além de apoiá-lo. Você merecia isso, você estava feliz, e eu não era egoísta o bastante para impedi-lo de desfrutar do melhor momento de sua vida.
Não me opus a uma sequer escolha que você tenha feito, tendo em vista o quão bem seu noivo o fazia. Talvez eu jamais pudesse te fazer sentir o que ele fazia e estava tudo bem. Não estar bem, também está bem.
Mesmo te amando, te fazendo rir e te dando tudo de mim, sabia que a paixão que você nutria por ele não tinha como ser transferida para mim. Não quando era aquilo que você queria. Era ele e somente ele que fazia seu coração acelerar, as mãos tremerem e o estômago gelar enquanto borboletas flutuavam dentro dele.
Era ele que fazia você sentir tudo que você me causava. E, novamente, estava tudo bem, não estava?
Talvez não, é o que penso devido meu coração acelerado e aquela dor que aperta meu peito toda vez que vejo vocês juntos. Sim, quero te ver feliz, mas isso não significa que não me machuque todos os dias pensar o quanto gostaria de estar no lugar dele.
Em qualquer bom clichê quando você tem um melhor amigo e se apaixona, ele também se apaixona por você. Ou pelo menos é isso que acontece nos livros e nos filmes, mas... isso aqui é vida real, não é? Como eu iria esperar que você também se apaixonasse por mim? Como eu iria esperar isso quando estou parado em um altar, sendo seu padrinho de casamento ao invés de seu noivo?
Cada palavra que escuto vinda do cerimonialista sinto que meu coração se quebra ainda mais, mas não é como se eu pudesse resolver isso ou fazer qualquer coisa a respeito. A única coisa que posso fazer é te desejar toda a alegria do mundo.
Viver um amor unilateral não é fácil. Nunca foi. Nunca será.
Mas se eu ao menos puder te ver feliz, então isso será o bastante para mim.
Lembro-me quando anos atrás você teve sua primeira desilusão amorosa, você veio correndo chorar em meus braços, Jimin, mas não tinha nada que eu pudesse fazer além de te abraçar e dizer que ficaria tudo bem. Naquele dia, onde chovia incessantemente, não somente do céu como também de seus olhos, pretendia contar-lhe meus sentimentos, mas as palavras ficaram presas em minha garganta, como se o peso de dizê-las fosse maior que o sufoco que me causavam ao ficarem guardadas dentro de mim.
Porque eu posso sobreviver com esse sentimento ruim dentro de mim, mas não sem a sua presença, sendo melhor amigo ou o que for.
No instante em que o homem perguntou a ele se ele aceitava casar-se com você e ouvi o primeiro sim da noite me senti ainda pior, mas já estava feito e agora não tinha motivos para que simplesmente acabasse. Vocês sorriam um para o outro e estavam com os dedos entrelaçados, era nítido o quanto se amavam.
Então te perguntaram e você também aceitou, afirmando que aceitaria mil vezes se fosse necessário.
Quando perguntaram se alguém tinha algo contra quis abrir minha boca para falar algo, mas outra vez preferi quase sufocar com meus sentimentos do que os expor e estragar o melhor dia da sua vida.
Porque mesmo doendo você ainda era minha prioridade, e era nítido que sempre seria.
Eu sempre te colocaria em primeiro lugar.
É o que fazemos quando amamos alguém, não é? Bom, dizem que sim.
Ainda torço pelo dia que vou te superar, que vou encontrar alguém que possa retribuir meus sentimentos, mas por enquanto apenas dói, apenas me machuca muito.
E então vocês finalmente estavam casados, nós fomos para a festa e eu precisei segurar por mais tempo o meu sorriso falso. Você veio até mim e agradeceu minha presença, eu te abracei e disse que te amava e queria vê-lo feliz, você retribuiu meus sentimentos, mas não foi capaz de ver que o jeito que eu te amava era diferente do seu perante mim.
Também não reconheceu que minha estranheza significava infelicidade e que minhas palavras cortavam minha garganta e também meus pensamentos. Você apenas estava feliz demais para ver, e outra vez tudo permanecia bem.
Enquanto você estivesse feliz, tudo sempre estaria bem.
Ao menos me mantinha em paz pensar assim.
Fale com o autor