Unidos por Emma
2 Capítulo 1 - Vida
Notas iniciais
Quando maio chegou, Bella estava em êxtase. Faltavam duas semanas para o ano letivo acabar e ela embarcar na realização de seus sonhos. Aquela era a última semana de provas finais, que ela sabia que tinha ido muito bem em todas, e também já havia se candidatado nas 3 opções de universidade em que podia se arriscar, pois eram em Seattle e tinham programa de bolsas integrais. De fato, a melhor seria a Universidade de Washington, que era a única onde poderia fazer a graduação dupla como era seu sonho.
Sendo assim, naquela sexta–feira, depois da última prova do Senior Year de sua vida, Bella foi feliz cumprir seu turno de trabalho. Ao chegar na sua PA ela olhou para o lado e riu. Leah fazia uma bola enorme de chiclete azul revirando os olhos para algum cliente chato que estava em sua linha. Ao ver Bella, ela colocou a ligação no mute e se inclinou na direção da amiga.
— Sério, minha primeira ligação do dia tinha que ser a porra de uma velha louca que tem 7 gatos? — ela disse secamente e suspirou – esse turno vai ser longo pelo visto! — e sentou–se corretamente antes que a supervisora do turno a visse.
— Calma Lee, vai dar tudo certo, sempre dá. Lembre-se: Hoje é sexta feira! — Bella disse sorrindo para a amiga para que ela se animasse também. — Vamos sair hoje gata! — e jogou um beijo por cima do ombro para Leah enquanto ligava o sistema e iniciava seu trabalho.
— Eu te amo Bells! — Leah disse sorrindo, devolvendo o beijo para a amiga e reativando a ligação da velha louca.
E assim o turno seguiu tranquilo, sem muita novidade. Claro, sempre tinha aquelas ligações que tiravam Leah do sério e faziam Bella e outras atendentes rirem de suas expressões. Trabalhar ali podia ser muito estressante as vezes, mas com Leah era sempre divertido. O turno tinha mais 3 meninas, Bree, Lauren e Jane, além da supervisora Jessica. Jessica era aquele tipo de mulher seca, que se acha melhor que todo mundo e adorava enfatizar isso enquanto fazia sua ronda nas PA’s. Bella não ligava muito, fazia o seu trabalho e dava tudo certo, mas a Leah era a Leah, ela ligava, e sempre dava umas respostas irônicas para a supervisora. Porém, nunca nada era suficiente para que ela desse uma advertência a Leah.
Bella conseguiu esse trabalho de call center aos 15 anos para começar a juntar dinheiro para seu fundo universitário. Ela trabalhava das 16 às 20h30 de segunda a sexta, lá ela conheceu Leah Clearwater, a amiga mais improvável que Bella poderia ter. Agora aos 17 anos, Bella já tinha conseguido economizar uma boa grana e feito um bom fundo para despesas extras quando estivesse na faculdade nos próximos 4 anos.
Enfim, as 20h30 o turno acabou e as amigas se ajeitaram para irem comer na pizzaria da cidade. Sim, em Forks só tinha uma.
Bella tem a pele clara e macia em toda a extensão do corpo, herdou os olhos cor de mel da sua vó, que quando ela se irritava muito ou estava muito feliz ficavam muito intensos e escureciam um pouco chegando a um castanho amendoado. Seu rosto é levemente arredondado, como um formato de coração, nariz pequeno e arrebitado, lábios finos e rosados. Seu corpo tinha uma estrutura magra tornando todas as suas curvas pequenas (seios e bumbum) e cintura fina. Nesta noite ela usava uma calça jeans clara, uma batinha de mangas ¾ florida com fundo verde claro, cachecol preto e allstar que um dia foi branco e agora era encardido. Pegou sua mochila e colocou sobre os ombros e soltou os cabelos que havia prendido para trabalhar melhor. Eles eram castanhos avermelhados, longos e levemente cacheados a partir do ombro até o alto da região lombar. Bella os enrolou em cima do ombro esquerdo, fazendo eles cobrirem o seio terminado no começo da barriga, enquanto saia do prédio comercial com Leah ao seu lado.
Leah era quase seu oposto completo, a única coisa que dividiam eram a cor dos olhos, o mesmo tom de mel. De resto, Leah possuía curvas acentuadas, pele morena, cabelos com cachos mais intensos e bem escuros que hoje estavam presos em um afropuff no alto de sua cabeça. Ela tinha as feições com traços indígenas e afrodescendentes. Ela usava uma bermuda jeans escura, uma camisa polo amarela, allstar preto e bolsa transpassada. Podia ser quase verão, mas isso não mudava nada naquele lugar, ali era sempre frio e úmido, só variava a intensidade a depender da estação.
— Tem notícias do seu primo? — Leah perguntou enquanto elas atravessavam a pista. A pizzaria ficava no quarteirão da frente, elas iriam andando e depois voltariam para pegar seus transportes, Bella a velha caminhonete Swan e Leah a sua moto.
— Sim, nos falamos hoje. Ele está muito feliz porque hoje assinou o contrato de trabalho como advogado lá na Volturi Lawers. É o que ele mais queria. Estou feliz por ele. — Bella disse enquanto viravam a esquina.
— Isso é legal, vocês merecem ser felizes. — Leah disse docemente. Ela não conhecia muito o Emmett pois quando elas se tornaram amigas ele já estava na faculdade. Mas a Bella lhe contou a história dos Swan’s e em como ela e Emmett eram ligados e Leah frequentou alguns feriados na sua casa e o conheceu, e assim se tornaram amigos também.
— De fato. Você também Lee. Sério, você devia tentar a vaga na comunitária — Bella disse enquanto elas entravam na pizzaria movimentada e procuravam um lugar para sentar – Eu sei que você pode ser mais que call center pro resto da vida Lee. — ela falou sentando numa cadeira numa mesa próxima a porta que não estava reservada e nem ocupada.
— Num sei Bella, essa coisa de estudar algo, não sei se é pra mim. Mas realmente estive pensando em um curso técnico com algo que eu goste... — Leah disse esticando o braço para chamar o garçom mais próximo — tipo, mecânica, você sabe como eu gosto disso.
— Sim, eu sei, e acho uma ótima opção para você! — Bella disse sorrindo e a amiga sorriu de volta.
Quando o garçom chegou elas pediram uma grande de portuguesa e margerita e ficaram conversando sobre a mudança de Bella. Bella se mudaria para Seattle no início de junho. Esse era o prazo para receber a resposta das faculdades. Ela iria no verão porque a UW tinha um minicurso de música muito bom que ela queria participar se passasse nesta faculdade. Enquanto conversavam, o celular de Bella tocou.
— Oi mãe!
— Oi Bella, onde você está?
— Tô na pizzaria com a Leah, mãe. Te mandei uma mensagem. – Bella revirou os olhos.
— Ah, eu não vi, meu celular descarregou. Não demore muito ok? Eu vou sair com um cara então não me espere acordada.
— Certo, mãe. Bom encontro!
Desligou o celular e guardou no bolso da calça.
— Sabe, as vezes eu tenho inveja de sua mãe, a vida dela é mais agitada que a nossa. E nós que somos as jovens aqui! — Leah bufou com olhar pensativo.
— Ei, você não tá saindo com o Sam? — Bella perguntou
— Ah, não tô mais não, ele é um pé no saco! Fora que nem é bom de cama – Leah disse revirando os olhos — Até que enfim! — ela exclamou quando a pizza chegou – hoje demorou viu – ela disse ao garçom que ficou constrangido.
— Desculpem, hoje estamos com menos um lá na cozinha. Aqui as bebidas de vocês — ele se desculpou e colocou as bebidas na mesa, Coca para Leah e Soda para Bella – Com licença! — e saiu da mesa delas.
— Vamos comer, porque agora que eu percebi como eu tô com fome. — Disse Bella colocando o primeiro pedaço de sua pizza marguerita na boca – Hum! Que delícia! — ela gemeu ainda mastigando.
— Affs Bells, você geme como se tivessem transando com a pizza! — Leah exclamou fazendo Bella corar com o comentário e revirar os olhos.
Elas seguiram comendo e conversando. A amizade delas fluía com facilidade. Quando Leah chegou na vida da Bella ela estava se sentindo sozinha com saudades do primo e Leah nunca tivera alguém com quem compartilhar seus segredos. Leah perdeu o pai com 5 anos e a mãe meio que enlouqueceu depois disso. Logo, ela e Bella tinham muito em comum quando o assunto era mãe complicada. Leah tinha um irmão menor, de 17 anos, que estudava na escola de Bella. Leah tinha terminado os estudos ano passado, mas não se candidatou para faculdades pois não podia deixar o irmão sozinho com a mãe. Sue não conseguia cuidar nem de si mesma. Quando terminaram, dividiram a conta e rumaram para o prédio comercial para pegarem seus transportes.
— Bells, como Renée está com a sua mudança? Digo, ela sabe que você não pretende voltar depois da faculdade né? — Leah perguntou quando elas chegaram na caminhonete.
— Não sei Lee, quando conversei com ela, ela não pareceu ligar muito pra notícia. Eu me importo com ela, mas não posso me sacrificar por ela não, tenho que ir atrás dos meus sonhos. — Bella disse abrindo a porta do motorista e jogando a mochila no banco do carona. — Ela vai ficar feliz agora que não vai mais precisar cuidar de mim, eu acho – Bella disse suspirando e sentando no carro.
— Cuidar de tu? — Leah exclamou debochada – Bem menos viu Bells! Boa noite gatinha! — Leah disse jogando um beijo por sobre o ombro, que era a marca registrada das duas.
— Boa Lee, se cuida tá, domingo nos vemos no penhasco. — Bella disse dando partida na velha Chevy enquanto Leah montava a ‘India’, a moto que fora de seu pai a anos atrás.
Bella fez seu caminho para casa tranquilamente. Ao chegar na frente da casa branca quase no fim da rua estacionou suspirando. Seus últimos dias ali e logo começaria uma nova vida. A casa era simples como as outras daquele bairro. A pintura externa tinha sido branca, porém com o passar do tempo foi acinzentando devido à chuva constante daquela cidade. Tinha uma pequena varanda com um balanço antigo ali onde sua vó costumava ficar no fim da tarde fazer tricô conversando com seu avô. Ao lembrar seu peito apertou de saudades. Já faziam 10 anos e ainda doía pensar neles.
Bella suspirou e entrou na casa escura, logo acendendo a luz do hall e da sala. Ela odiava o escuro. Deixou sua mochila no primeiro degrau da escada e foi para a cozinha beber um copo d’agua e se certificar de que tudo estava limpo e arrumado. Ela sorriu quando viu a louça para lavar. Renée não mudava mesmo. Ela lavou e secou a louça cantarolando uma música qualquer. Depois de trancar a porta e desligar as luzes do térreo subiu para seu quarto segurando a mochila com uma mão.
A casa era simples: sala, sala de jantar, cozinha e lavanderia no térreo; no primeiro andar havia 3 quartos e um único banheiro. O quarto de Bella ficava no meio do corredor, era pequeno como os outros, mas aconchegante. As paredes eram de fundo branco com adesivos de notas musicais para todos os lados, uma escrivaninha com uma prateleira socada de livros, um notebook perdido no meio dos papéis, um armário e a cama de solteiro com um criado mudo ao lado. Bella largou a mochila na cama e conferiu as horas, eram 21h50. Ela deixaria sua dissertação para amanhã. Ela estava fazendo resumos de diversas obras literárias para aprimorar a escrita para a faculdade.
Pegou sua necessaire e seu pijama e rumou para o banheiro. Prendeu o cabelo em um coque, escovou os dentes, tomou banho. Vestiu seu pijama: um suéter velho e uma calça de moletom e voltou para seu quarto. Mandou uma mensagem para Leah para saber se ela tinha chegado bem em La Push. Era meia hora pela estrada, Bella sempre se preocupava com os horários que Leah saía da cidade para ir para casa. Mas amiga sempre dizia que sabia se cuidar e que ninguém mexeria com ela. De fato, até o momento nada tinha acontecido. Após checar o seu e–mail, Bella colocou o celular para carregar e deitou-se para dormir. Devido ao cansaço, dormiu rapidamente.
No sábado pela manhã, cerca de 7h da manhã, Bella acordou descansada. Havia dormido um sono sem sonhos e não acordou durante a noite, tinha dormido muito bem. Pegou sua necessaire e foi fazer sua higiene matinal, lavando os cabelos no banho. Vestiu um short jeans e uma camisa de flanela azul e seu allstar tradicional. Secou o cabelo com a toalha, o penteou e o deixou secar naturalmente. Desceu para a cozinha para preparar o café, mas estacou no pé da escada ao ver a correspondência do dia anterior no balcão, coisa que ela não reparou na noite anterior. Ali estava um envelope todo branco com um brasão da UW, a Universidade de Washington. Os olhos de Bella encheram de lágrimas, mas ela respirou fundo. Pegou o envelope tremendo e conferiu seu nome nele. Era pra ela mesmo, era a hora da verdade. Abriu com cuidado e leu as primeiras linhas. Só então permitiu que as lágrimas em seus olhos descessem sem controle.
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