Unidos por Emma
12 Capítulo 11 - Adoção
Notas iniciais
Quando fevereiro chegou, Edward já estava acostumado à sua nova rotina: acordar, dar aulas, corrigir trabalhos, ler Jane Austen e dormir. Tudo que ele fazia era no automático. Tudo mesmo. Ele sentia muita falta de Bella em sua vida, mas não teve mais coragem de ir até ela novamente. Ver a sua garota naquele estado de debilidade era insuportável. Ele rezava todos os dias para que ela e o bebê ficassem bem. Ele nem sabia se o bebê já havia nascido, mas acreditava que sim.
Era um domingo, dia 7 de fevereiro, e ele estava sentado à mesa na casa de seus pais. O almoço de família dos Cullens. Porém hoje, era muito especial. Jasper e Alice receberam um chamado de um dos abrigos que visitaram a duas semanas dizendo que havia uma criança nova para eles conhecerem que se encaixava no perfil que eles procuravam. Eles iriam na manhã de segunda para conhecer a criança. Era felicidade pura a casa dos Cullens, e mesmo com a dor da saudade em seu peito, Edward se permitiu sorrir bastante naquele dia com a felicidade do irmão e da cunhada.
Na terça feira, então, todos os Cullens se reuniram para jantar na casa de Jasper e conhecerem a pequena Alisson Jane Cullen. Ela era uma menina linda, pele muito clara, olhos claros ainda não definíveis, cabelos castanhos com um tom avermelhado. Ela era pequena, segundo o histórico, tinha 9 dias de nascida, mas foi prematura. Ela já havia passado por uma revisão com Esme e aparentemente estava bem. Ela tinha sido entregue adoção pela mãe. que espécie de mulher faz uma coisa dessa, abandona um filho assim.
A menina estava agitada com o novo lar, chorava muito. Não se acalmava nem no colo de Esme que era a melhor com crianças, e deixava Alice super nervosa com medo de ser rejeitada pela criança que já amava. Quando chegou depois de passar em casa e tomar um banho, Edward se preparou para pegar a pequena no colo, mas Alice não queria deixar ninguém pegar e tentava acalmar a criança de qualquer jeito. Quando ela viu que nada funcionava e a menina continuava chorando ela entregou a Edward, que fora escolhido para ser padrinho da menina.
Foi instantâneo. Edward segurou a menina com o braço direito e com mão esquerda alisava sua cabecinha peluda. Começou a balançar e assoviar 'Imagine' para ela suavemente. Todos ficaram parados, admirados que a menina se acalmou e adormeceu nos braços do tio. Passados alguns minutos Edward foi até o quarto da pequena, que era todo em rosa, e a colocou no seu berço bem aconchegadinha. Ele sorriu e pegou a babá eletrônica levando para sala. Ao chegar estavam todos sentados ouvindo Jasper falar.
— Então foi isso. A mãe é menor de idade, engravidou de outro menor, então entregou a bebê para a adoção. — Jasper falou e tomou um gole de seu vinho.
— De certa forma — Rose falou — Foi melhor ela fazer isso do que abortar, ou criar a criança de uma forma errada. Vejo tanta coisa lá no estágio, situações que teria sido melhor terem tomado esta decisão. — Rose completou e Edward sentou ao seu lado no sofá
— Não sei não, Rose — Alice disse — São muitas as crianças que ficam sem serem adotadas por não estarem na maioria dos perfis, não sei se seria a melhor opção não. — Depois ela olhou Edward com os olhos brilhando — Obrigada Edward, só você conseguiu acalmar ela. Parecia que ela até já te conhecia. O que você cantou para ela?
— Imagine, dos Beatles. — Ele disse distraído — Eu também me senti muito bem segurando a Alie. — Eu disse falando o apelido de minha sobrinha.
— A música que aquela menina tocou no Natal, num foi? A prima daquele rapaz que você me apresentou no coquetel. Como é o nome dela... hum... Bella! — Rose falou e todos viram Edward mudar a sua expressão — Como ela está? Já teve o bebê?
— Sim, é Bella. Sim, foi a música que ela apresentou. Não sei Rose, no segundo dia de retorno as aulas ela ficou internada por complicações e não voltou desde então. — Ele disse sem graça olhando para as mãos.
— Foi ela que você foi visitar aquele dia filho? — Esme perguntou falando do dia que viu o filho na maternidade no mês anterior.
— Sim mãe. Ela ainda estava grávida ainda naquele dia. — ele disse e suspirou — não tive mais notícias dela. — Ele disse triste.
— Eu a admiro, ela é tão corajosa! Não sei se seria capaz de aguentar como ela. — Rose disse com amor e Edward ficou confuso enquanto Carlisle lhe lançou um olhar misterioso.
— Só porque ela é jovem? — Edward falou azedo — Se ela não quisesse engravidar teria tomado mais cuidado e não ter se deixado levar pelo momento. Ela tem que assumir as consequências mesmo! — Ele falou num tom que assustou a todos. Edward sempre fora um homem gentil em suas colocações nas conversas, porém ele estava morrendo de ciúmes e de raiva de Bella por ela ter ficado grávida de algum moleque que nem estava do lado dela assumindo suas responsabilidades.
— Edward! Você não pode falar isso. Você não sabe o que aconteceu com ela! — Rose exclamou indignada e levantou -se encarando o irmão. — Você não conhece a sua história! Tem mulheres que simplesmente não podem escolher fazer sexo com proteção ou não! — ela gritou e todos levantaram quando Edward gargalhou levantando também.
— Isso é loucura Rose, hoje em dia, as mulheres são muitas espertas! Que tipo de mulher hoje engravida sem querer? — Ele disse com sarcasmo e raiva e ela que ficou transtornada.
— As que são violentadas Edward! Elas não podem se defender e muitas engravidam – ele estacou — Naquele dia, no coquetel, você estava certo! Eu a conhecia! Ela já frequentou meu setor de trabalho em julho. Ela foi vítima de violência sexual! — Ela disse fuzilando os olhos dele — Nem todo mundo tem a vida perfeita que nós temos Edward! — Ela disse com humor negro vendo-o desmoronar.
Com essa declaração o chão de Edward sumiu.
Violência sexual.
ESTUPRO!
Seus olhos encheram de lágrimas e ele cambaleou, sentando-se novamente enquanto sentia cinco pares de olhos lhe encarando. Rose saiu da sala, acompanhada de Esme e Alice e seu pai se aproximou dele.
— Filho! — Ele disse sentando ao seu lado
— Pai, eu... — Ele piscou e uma lágrima caiu — Eu não imaginava! — Ele disse e o pai o abraçou. — A minha Bella, pai! — disse enterrando o rosto no peito do pai.
— Eu sei, filho. É terrível isso! — Ele disse consolando o filho mais novo e fazendo sinal para o mais velho trazer uma bebida para o irmão.
— Pai, o senhor sabia disso? — Edward falou se afastando do pai e olhando em seus olhos.
— Sim filho, soube naquele dia mesmo no hospital. Ofereci a interrupção da gravidez e ela recusou. — Ele disse e Edward o olhou indignado. — Eu não podia contar!
— Pai, você me deixou pensar e falar coisas horríveis dela sabendo a verdade! — Ele levantou de repente. — Eu vou embora. Estou sufocando aqui. Dê tchau a todos por mim. Me desculpe! — e foi embora.
Jasper só viu o vulto do irmão passando pela porta quando voltou com um copo de uísque nas mãos. A família não entendia muito bem a reação de Edward e julgavam seu comportamento, até que Carlisle esclareceu a todos os sentimentos de Edward em relação à garota durante este tempo.
Edward passou os dias seguintes sem falar com ninguém da família. Nem mesmo respondia as mensagens mais longas, deixando apenas eles saberem que estava vivo. Ele só atendeu o irmão umas duas vezes na semana para ir ajudar com Alisson, a menina parecia apaixonada pelo tio pois só se acalmava quando ele estava por perto. Ele percebeu que a menina tinha os olhos amendoados que lembravam alguém. Quando estava com ela, ele se permitia sorrir um pouco já que sua vida estava uma bagunça.
No sábado, porém, ele recebeu uma convocação para uma reunião em família. Pensou em recusar, não queria encarar todos, principalmente Rose. Mas o assunto o fez aceitar, era algo a ver com sua sobrinha então ele iria. Ao chegar para jantar na casa de Jasper e Alice naquela noite o clima estava pesado. Alisson dormia no bebê conforto e todos estavam na sala conversando. Alice parecia ter chorado muito estava com o rosto inchado demais. Aconteceu algo grave. Ele ficou tenso.
— Boa noite! — ele disse sentando no braço da poltrona onde o pai estava sentado. — O que houve?
— Agora que estão todos eu vou falar sem rodeios — Jasper falou e todos assentiram — A mãe biológica da Alisson entrou com um pedido para reaver a guarda da filha. — Ele disse e todos na sala ficaram chocados.
— Como assim!? — Carlisle e Edward exclamaram juntos. — Ela não pode fazer isso, Alisson é nossa! — Carlisle completou.
— Pode sim — Jasper disse e Alice soluçou — Ao que parece, a menina foi entregue sem o consentimento dela. — ele suspirou abraçando a esposa.
— Isso é o que ela diz — Alice vociferou entre as lágrimas — Ela não vai levar a minha filha embora!
— O que a justiça disse? — Edward perguntou seco pousando o olhar na sobrinha. — Não podem concordar com isso!
— Disseram que ela tem direito a requerer a criança de volta se ficar comprovado que o que ela disse é verdade. — Jasper falou, hesitou um pouco antes de completar — A audiência para ela provar a sua inocência é segunda, às 9h aqui no Forúm Familiar de Seattle.
— Seattle? Mas Alisson não veio de Port Angeles? — Rose falou pela primeira vez
— Sim, mas tanto a mãe quanto nós moramos aqui. — Jasper respondeu. – Bom, eu queria saber se vocês estarão conosco na audiência? — Jasper perguntou exasperado.
— Com certeza, filho! Todos nós lutaremos por Alisson. — Carlisle respondeu prontamente e todos assentiram.
O final de semana da família foi carregado de sentimentos. Todos estavam tensos com a audiência do dia seguinte. Ansiosos para conhecer a mulher que se dizia mãe de Alisson e saber se ela estava mentindo ou não. Torciam para que fosse mentira e tudo acabasse de uma vez. Jasper contratou um ex colega de faculdade, Marcus Volturi, para representar a sua causa no processo. Eles foram colegas de quarto por anos e se tornaram amigos. Inclusive a irmã dele, Tânia Volturi era apaixonada por Edward a muito tempo e eles chegaram até e sair algumas vezes, mas nada passou disso.
Na segunda feira, as 8h30 todos os Cullens estavam juntos numa sala reservada no fórum. Eles não podiam ter nenhum tipo de contato com a outra parte, somente os advogados podiam se comunicar antes da audiência. Na verdade, hoje seria mais para a genitora de Alisson justificar seu ato de abandono ou, como no caso, justificar a sua versão dos fatos. Em todas as audiências, Alisson seria trazida ao tribunal e mantida sob proteção até o fim da audiência onde retornaria com os Cullens para casa até o dia da audiência final onde seria decidida a guarda definitiva da menina.
Um oficial de Justiça entrou na sala deixando todos mais tensos ainda. Jasper segurava Alice pela cintura que tinha a cabeça em seu ombro, mas ela não estava chorando. Esme e Carlisle estavam sentados com as mãos dadas sobre o colo de Esme. Rosalie andava de um lado a outro da sala. Edward estava diante da janela olhando o céu, pedindo a Deus que tudo aquilo acabasse bem. ele nunca foi muito religioso, mas acreditava em Deus e em seu poder. O oficial pediu para que o acompanhássemos até a sala da audiência. Marcus já se encontrava lá.
A sala era pequena. No centro havia um púlpito comprido com três lugares sendo o do meio mais alto. O lugar da Juíza Strongs. Do lado direito ficaria a promotora do estado, Sra Langdon, e a esquerda as testemunhas. Ao lado do lugar da promotora havia uma mesa com computador onde ficaria o escrivão Sr Smith. De frente para este púlpito, haviam duas mesas médias com três cadeiras cada uma voltadas para a juíza.
Marcus Volturi estava na primeira cadeira da mesa de direita e cumprimentou todos os Cullens antes de nos acomodarmos. Alice e Jasper sentaram ao lado de Marcus, com Alice entre os dois. Os outros quatro sentaram-se nas quatro cadeiras atrás da mesa da direita. Elas ficavam afastada da mesa cerca de dois metros. Do outro lado da sala a arrumação era a mesma, só que lá não havia ninguém a não ser o advogado sentado na mesa. Foi quando Edward percebeu que aquele advogado era muito familiar. Era Aro Volturi, irmão mais velho de Marcus, com ele tinha um escritório.
A promotora e o escrivão entraram acenando para todos e sentaram em seus lugares. Depois foi anunciada a entrada da outra parte e todos os Cullens olharam para porta. Entrou primeiro um grupo de quatro pessoas, dois casais, todos muito jovens que se sentaram na primeira fileira atrás da mesa. Quando Edward olhou mais atentamente para eles reconheceu as duas garotas ali e um dos caras.
Uma era Angela, uma aluna sua, que estava amparada pelo rapaz que ele não conhecia. A outra garota estava com uma cara muito séria, mas quando viu Edward ficou muito surpresa, assim como a Angela. O rapaz ao lado da outra moça era um rapaz que lhe parecia muito familiar, mas ele não lembrava de onde. Ele voltou a olhar a moça morena e teve uma epifania. Lembrou onde a tinha visto, no quarto de Bella quando foi visitá-la na maternidade antes de Emma nascer.
Emma! Não podia ser! O karma é um filho da puta!
Edward balançou a cabeça em negação querendo dizes a si mesmo que aquilo era sua imaginação. Bella não faria aquilo. Faria?!
Então ele se virou para porta novamente e viu o que nunca imaginou ver. Nem em seus piores pesadelos ele poderia supor aquela tragédia. Ele viu Emmett entrar na sala imponente, porém com um semblante cansado. Ao seu lado, Edward não estava preparado para o que viu.
Ela estava pálida, quase translúcida, seus olhos estavam com olheiras enormes, fundas e roxas que até pareciam maquiagem. Ela estava muito magra e aparentava uma fraqueza terrível. Ela vestia um vestido verde escuro com mangas 3/4 que ia até o seu joelho.
O vestido parecia ter sido justo na parte de cima algum dia, mas agora dançava no corpo da garota enquanto ela caminhava. A parte de baixo abria em uma saia evasê. Ele tinha detalhes em renda preta na barra e Edward imaginou como ele seria perfeito para um jantar romântico e não um tribunal.
Ele respirou fundo antes de olhar nos olhos de Bella quando ela já estava bem próxima de onde ele se encontrava.
Quando as esmeraldas dos olhos de Edward encontraram o mel dos olhos de Bella só identificaram uma coisa:
Dor!
Fale com o autor