Notas iniciais
Peço desculpas pela demora para postar o capítulo kkkkk eu estive meio enrolada ultimamente. Mas agora é um capítulo novinho para vocês ♥

Sasuke sentia o sentimento de culpa o corroer por dentro. Enquanto encarava a porta roxa fechada, o celular que carregava no bolso parecia ficar mais pesado à medida que o tempo passava. Sabia que deveria ter mostrado as fotos a Sakura, mas simplesmente não conseguira reunir coragem em momento algum durante a semana que se passou.

Agora, toda vez que ele vigiava Sakura enquanto ela trabalhava, ele refletia se não seria melhor apenas mostrar as fotos e explicar o real perigo em que Sakura estava vivendo agora. Mas assim que ele a visse sair pela porta, sorrindo animada, ele desistiria como em todas as outras vezes.

— Sasuke – a voz distante de Hinata o despertou de seus pensamentos. Ele olhou para o lado e viu Hinata enrolando um cachecol rosa claro no pescoço. – Eu estou saindo agora. Tenho um encontro. Esse é o último cliente da Sakura-sama.

— Tudo bem, eu vou ficar de olho em tudo – Sasuke disse e se forçou a dar um breve sorriso. Hinata acenou e saiu porta afora. Uma corrente de ar gelada invadiu o consultório, fazendo Sasuke se encolher e desejar ter escolhido roupas mais quentes.

Depois de ter certeza que estava sozinho, Sasuke tirou o celular do bolso e mais uma vez começou a examinar as fotos. Procurava algum sinal do suspeito, algum reflexo, qualquer coisa, mas no final só conseguia enxergar o quanto ele e a garota pareciam felizes, alheios à presença de uma pessoa suspeita os espreitando.

— O que você está fazendo? – Sakura perguntou saindo da sala, sendo seguida pelo cliente que acabara de consultar com ela.

Sasuke bloqueou e guardou o celular rapidamente.

— Nada, só esperando você – Sasuke disse em um tom que ele julgou ser descontraído.

— Obrigado pela consulta, foi muito esclarecedora – o homem disse e apertou a mão de Sakura, fez um breve aceno de cabeça para Sasuke e saiu da sala. O vento frio invadiu o local pela segunda vez, fazendo Sasuke arrepiar.

— Ainda bem que eu me agasalhei direito – Sakura disse enquanto guardava as vestes roxas e pegava um casaco preto de aparência quente e um cachecol. – Acho que não vai demorar para a neve começar a cair.

— Nós vamos direto para casa? – Sasuke perguntou com esperança, ansiando pelo calor de um aquecedor.

— Vamos a algum restaurante jantar. Tem que ser alguma comida bem quente para que possamos ficar aquecidos – ela disse enquanto se encaminhava para a porta. Pela terceira vez, o vento frio invadiu a sala.

Sasuke levantou-se e a seguiu relutantemente para fora do ambiente aquecido. O vento frio queimou as bochechas de Sasuke e ele tremeu ligeiramente. Talvez, se ele e Sakura se apressassem, chegariam rapidamente ao carro e ele ligaria o aquecedor.

— Quero ir num restaurante próximo, então tudo bem se não pegarmos o carro? – Sakura perguntou sorrindo alegre. – Caminhar é bom para a saúde.

Com um sorriso forçado, Sasuke concordou com a cabeça e obrigou as pernas quase congeladas a se moverem. Será que ele congelaria antes de chegar ao restaurante?

No instante seguinte, um tecido quente fez contato com o seu pescoço. Sakura estava na ponta dos pés, enrolando o cachecol ao redor do pescoço de Sasuke.

— Sua blusa não é meio fina? Use meu cachecol, não é muito, mas deve te ajudar a aguentar o frio – Sakura disse de forma preocupada. Um sentimento quente se espalhou pelo corpo de Sasuke, deixando-o mais aquecido. Ajeitou melhor o cachecol e seguiu com Sakura até o restaurante.

Eles entraram no restaurante quente e aconchegante e sentaram-se a uma mesa, um de frente para o outro. As bochechas de Sakura estavam vermelhas por culpa vento gelado, o que Sasuke achou realmente fofo.

— Eu acho que vou pedir Gyoza e você? – Sakura perguntou enquanto olhava o cardápio.

— Takoyaki e Donburi – Sasuke respondeu simplesmente. Esperou Sakura fazer os pedidos para perguntar algo que estava curioso. – Por que não fomos jantar na sua casa?

— Porque eu tenho que fazer compras. Você come como um mendigo – ela respondeu fechando a cara.

— Eu como igual um mendigo? Foi você que se entupiu no parque de diversões – Sasuke retrucou apontando o dedo para Sakura. – A mulher da barraca não sabia mais aonde colocar toda aquela comida.

— Que absurdo! Eu não fiz isso – Sakura respondeu, evitando o olhar de Sasuke. Sabia que naquela ocasião tinha comido demais.

Sasuke não respondeu nada, era inútil continuar naquela discussão. Resolveu prestar atenção no restaurante, mas isso não o ajudou muito. Para todo lado que o policial olhava, ele via casais jantando, sorrindo, tirando fotos. De repente, Sasuke se deu conta de que aquele jantar com Sakura parecia demais um encontro.

Olhou de soslaio para Sakura, mas ela parecia alheia ao que Sasuke percebera. Tentando manter-se calmo, ele tomou um gole do chá quente, que desceu queimando sua garganta, fazendo-o tossir e ficar com lágrimas nos olhos.

— Você está bem? – Sakura perguntou olhando-o de maneira preocupada.

— Ótimo! – ele respondeu desviando o olhar. Agora as pessoas o encaravam e ele só conseguia pensar que aquilo parecia demais um encontro.

— Seu jantar – uma garçonete anunciou, colocando os pratos na mesa. Sasuke sentia-se tão agradecido por poder encher a boca e não falar nada, que queimou a língua ao comer um Takoyaki inteiro.

— Você está meio afobado hoje – Sakura disse arqueando as sobrancelhas. Soprou um de seus Gyozas e o comeu satisfeita. – Já que parece estar meio perturbado, vamos conversar sobre a garota que nós salvamos.

Sasuke mastigou com afinco sua comida. O assunto estava indo para o caminho que ele e Sakura evitaram desde o dia que encontraram a garota. Será que ele enfim teria coragem de revelar as fotos?

— O nome dela é Temari, tem 25 anos e é professora de defesa pessoal. Irônico, não? – Sasuke perguntou ao ver a cara de espanto de Sakura.

— Ela está bem? – Sakura perguntou curiosa.

— Os médicos dizem que sim. Apesar da pancada na cabeça e dos ossos quebrados, ela está se recuperando bem – Sasuke respondeu. Respirou fundo, reunindo toda a coragem que possuía e olhou Sakura bem nos olhos. – Eu preciso te contar uma coisa.

— Sasuke? – uma voz anasalada chamou, fazendo o estômago do policial afundar. Tinha que ser bem agora. Karin aproximou-se sorrindo animada. Apesar do tempo frio, a repórter usava uma saia de couro curta, blusa fina e carregava um casaco no braço.

Sasuke enfiou uma colherada de comida na boca. Não estava no clima de conversar com Karin. Seus olhos encontraram os de Sakura, mas ela parecia ligeiramente confusa.

— Eu estive te procurando... VOCÊ! – Karin berrou a última palavra, fazendo todos do restaurante voltarem seus olhos para eles. Ela apontou o dedo indicador, que possuía uma enorme unha vermelha, dramaticamente na direção de Sakura.

A vidente olhou de Karin para Sasuke e discretamente apontou para si mesma, confusa. Sasuke fez toda a força que pode para não começar a rir.

— Nós nos conhecemos? – Sakura perguntou de maneira inocente e tomou um gole do chá.

— Não se faça de desentendida! – Karin grasnou injuriada. Suas narinas estavam dilatadas e esbranquiçadas por causa da raiva. – Tem noção da humilhação que me fez passar?

— Eu realmente conheço essa garota? – Sakura perguntou em um sussurro audível para Sasuke, que soltou uma risada fungada, sem se conter.

— No bar, lembra? – Sasuke perguntou rindo. Aos poucos a compreensão se formou no rosto de Sakura e ela se virou animada para Karin.

— É claro! Você é a garota do papel higiênico na bota! – Sakura respondeu com entusiasmo. Àquela altura, Sasuke fazia tanto esforço para não sucumbir às gargalhadas que chegava a doer.

— Não tinha nenhum papel higiênico na minha bota! – Karin vociferou. Sentia-se mais humilhada apenas olhando para a cara daquela garota.

— Mas tem agora – Sakura disse em tom inocente.

Automaticamente, Karin desviou o olhar para a bota, para sentir-se estúpida logo depois. Nada estava preso em sua bota. Sasuke agora já não conseguia segurar o riso. Jogou a cabeça para trás e riu com gosto. Sakura sorriu ao ver o policial rindo, achando fofo o jeito que o nariz dele franzia a cada nova gargalhada.

— Não acredito que você caiu de novo – Sakura disse balançando a cabeça em negação enquanto ria.

— Sabe, eu vou entrevistar os seus pais amanhã – Karin disse com o último fio de dignidade que restava. Jogou o cabelo para trás com ar de superioridade e sorriu falsamente para Sakura. – Os pais de Sasuke simplesmente me adoram.

— É como dizem: um gambá cheira o outro – Sakura disse de maneira sábia, fazendo Sasuke ter outro acesso de risos. Ele não conseguia nem ter fôlego para participar da discussão.

— E eu posso saber quem é você? – Karin perguntou em um tom de falsa indiferença. Queria enforcar aquela maldita garota de cabelo rosa.

Sakura tirou um pequeno cartão roxo do bolso e o entregou para Karin. A repórter o leu e deu um muxoxo irônico.

— Vidente? Você não tem moral para falar dos outros – Karin debochou, jogando o cartão em cima da mesa. Ela se virou para Sasuke e sorriu. – Eu sei que tivemos nossas diferenças no passado, mas não precisa ser assim agora.

— Desculpa, mas não estou interessado – Sasuke disse secamente enquanto secava os olhos. Desde o dia no bar que ele não ria daquele jeito.

— Por que você não deixa essa vidente e vem jantar agora comigo? – Karin insistiu, dando um sorriso ainda maior.

Sasuke ficou estático. Ele não poderia contar a Karin que estava protegendo uma testemunha, tinha certeza que isso seria manchete amanhã. Também não tinha nenhuma desculpa para se livrar rápido o suficiente dela. Lançou um olhar de desespero a Sakura, mas ela estava encarando Karin.

— Ele não vai jantar com você porque estamos no meio de um encontro – Sakura disse de maneira simples. Segurou uma das mãos de Sasuke que estava em cima da mesa e sorriu radiante. – Nós somos namorados, não é querido?

— Sim – Sasuke respondeu desconcertado. Não ousava olhar para nenhuma das duas, tinha certeza que estava igual um tomate de tão vermelho. O toque de Sakura era macio e quente.

— Pode ter certeza que eu me lembrarei dessa traição nos meus próximos artigos sobre a policia! – Karin rugiu. De maneira teatral, ela secou os olhos, jogou os cabelos para trás e saiu do restaurante como se estivesse mortalmente ferida.

— Sabe, ela poderia ser uma atriz se não fosse repórter – Sakura disse divertida. De repente, ela se deu conta de sua mão segurando a de Sasuke e sentiu as bochechas corarem. Soltou a mão com delicadeza e sorriu envergonhada. – Me desculpe por isso. Eu só queria espanta-la.

— Está tudo bem – Sasuke respondeu e deu um sorriso de lado. Ainda conseguia sentir a mão suave de Sakura segurando a sua. – Eu apenas não entendo o porquê de você ter agido assim.

— Ah... isso é... não é como se eu a odiasse entende? É porque eu percebi que você se sente incomodado na presença dela – Sakura respondeu de maneira sincera, pegando Sasuke desprevenido.

Sem saber o que responder, o policial terminou de comer sua refeição em silêncio. Sakura também não demonstrara nenhum sinal de querer conversar e os dois se mantiveram em silêncio até entrarem no carro.

— Você está certa – Sasuke disse de repente enquanto prendia o cinto de segurança. – Eu realmente me sinto incomodado na presença dela.

— Eu posso perguntar o por quê? – Sakura perguntou observando Sasuke dar a partida no carro. Estava ansiosa para saber mais sobre o rapaz que entrara em sua vida de maneira turbulenta.

— Eu a conheci quando ela ainda estava na faculdade. Ela era bonita, inteligente e divertida e eu me apaixonei por ela – Sasuke disse de maneira séria enquanto dirigia. – Realmente me apaixonei, entende?

— Sim – Sakura respondeu em um sussurro.

— Eu até cheguei a comprar um anel de noivado. Estava tudo programado, eu iria fazer a proposta no meio de uma viagem romântica que estávamos marcando juntos – Sasuke fez uma pequena pausa e olhou para Sakura. Ela parecia prestes a chorar. – Ei! Eu não estou te contando isso para você sentir pena de mim e chorar!

— Desculpe! – ela pediu rapidamente e deu uns tapinhas em suas próprias bochechas. – Eu sou emotiva demais. Continue.

— Três dias antes da viagem, eu cheguei a casa onde morávamos juntos e ela estava na cama com outro cara. Na época eu fiquei bem ferido e magoado. Ela corria atrás de mim querendo meu perdão, mas eu apenas fugia. Acho que até hoje ela ainda acredita que as coisas possam voltar ao normal – Sasuke disse pensativo enquanto estacionava o carro na frente da casa de Sakura.

— E é por isso que você se sente desconfortável? – Sakura perguntou enquanto abria a porta do carro.

— O que? Não! – Sasuke respondeu rindo. Sakura abriu o portão e os dois subiram para a varanda. – Eu me sinto desconfortável porque ela é uma péssima repórter. Manipuladora.

— Então por que você me contou tudo isso? – Sakura perguntou franzindo o cenho e abrindo a porta de casa.

— Porque eu me sinto confortável conversando essas coisas com você – Sasuke respondeu de maneira simples, fazendo o coração de Sakura bater descontroladamente sem que ele soubesse.

Sasuke acordou no meio da noite sem ter noção de que horas eram. Levantou-se do sofá e seguiu até a janela, observando a rua com atenção. Desde que recebera as fotos, Sasuke acordava pela madrugada e ia observar a rua da janela, mas para seu alivio, ele nunca via nada de suspeito. Hoje não era diferente, com exceção de que pequenos flocos de neve caiam suavemente do céu e se depositavam no chão, pintando a paisagem com pequenos pontos brancos.

Sorriu de lado e estava pronto para voltar ao sofá quando ouviu um barulho. Apurou a audição e percebeu que se tratava da voz de Sakura. O seu celular informava que eram 03h da manhã, então com quem ela estaria conversando tão tarde da noite?

Ele seguiu em silêncio pelo corredor, pé ante pé, até chegar à porta do quarto de Sakura. Colou a orelha na porta e se concentrou para ouvir o que estava acontecendo ali.

— Você sumiu por todo esse tempo. Eu estava preocupada – a voz de Sakura falou. Sasuke esperou ouvir a resposta de outra voz, mas ela não veio. – Você deveria me avisar que ia sumir assim! – Será que Sakura estava conversando no celular? E quem sumira sem avisar?

Apertou com mais força a orelha contra a porta, mas estava tudo silencioso. Será que ele estava imaginando coisas?

— Eu não acredito! Por que não me contou antes que descobriu seu nome? – a voz de Sakura quebrou o silêncio. Ela conhecia alguém com amnésia? – Eu sei que saí correndo quando tentou me contar, mas eu estou no meio de uma investigação do Psicopata Silencioso.

Sasuke congelou ao ouvir o que Sakura dissera. Aquilo era informação confidencial! Ela não podia sair por ai falando para quem quisesse. Colocou a mão na maçaneta e estava pronto para abrir a porta quando a voz de Sakura cortou mais uma vez o silêncio.

— Eu sei que não sou policial, mas eu não quero discutir isso agora! Quero que me conte o que você descobriu – Inconscientemente, Sasuke prendeu a respiração, tentando ouvir pelo menos uma palavra da estranha pessoa com quem Sakura falava, mas o quarto dela estava no mais absoluto silêncio. Estava quase desistindo e indo dormir, quando a voz de Sakura o prendeu na porta outra vez. – Então seu nome é Itachi?

O estômago de Sasuke afundou. Itachi... ela realmente dissera esse nome? Várias lembranças apareceram na mente de Sasuke. Itachi o carregava nas costas e contava uma história engraçada, fazendo Sasuke gargalhar. Os dois jogando vídeo game e comendo porcarias enquanto os pais estavam fora. Itachi erguendo o diploma no ar com orgulho, sendo aplaudido por Sasuke. Itachi de terno em sua posse como presidente da companhia, sorrindo satisfeito. As gradativas olheiras que apareceram no rosto belo de Itachi. Sua falta de apetite. A tristeza que o consumia. Itachi dentro de um caixão, todos chorando a volta do rosto que um dia fora belo.

Sasuke sentiu as pernas fraquejarem e os olhos se encherem de lágrimas. Segurou-se a porta, sentindo a tristeza e a dor o invadirem.

— Uchiha Itachi? – a voz de Sakura perguntou assustada. – Então você é irmão dele...

Sasuke ouviu passos na direção da porta, mas suas pernas estavam fracas demais para sair dali. Sakura abriu a porta de supetão, dando de cara com um Sasuke pálido, com lágrimas nos olhos.

— Sasuke-kun... – ela disse com voz fraca. – Você ouviu tudo o que eu disse?

Sasuke não respondeu. Olhava para dentro do quarto, a procura do irmão mais velho. Como Sasuke suspeitara, era incapaz de ver o irmão morto.

— Onde ele está? – Sasuke perguntou secamente a Sakura. Ela apontou para a própria cama enquanto lágrimas escorriam pelo rosto da garota. – Eu queria poder te ver nii-chan.

— E-Ele também g-gostaria que você o v-visse – Sakura gaguejou enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto. Seus olhos estavam vidrados em um ponto fixo da cama. – Você se lembra agora do que aconteceu? – Sakura perguntou para o fantasma que só ela podia ver.

Sasuke não conseguiu ouvir a resposta, mas pelas lágrimas que rolavam pelo rosto de Sakura, sabia que Itachi lembrara-se do que aconteceu.

— Eu acho que p-posso ajudar – ela gaguejou para o fantasma enquanto secava os olhos. – P-por f-favor, possua o meu corpo.

— O que você está fazendo? – Sasuke perguntou preocupado, segurando o braço de Sakura. Ela se soltou e sorriu tristemente.

— Dando a chance de você e seu irmão conversarem – ela respondeu simplesmente. Fechou os olhos e por alguns instantes se manteve assim. Quando ela abriu os olhos, Sasuke notou que algo estava diferente.

Ela se aproximou lentamente, esticou a mão e tocou a testa de Sasuke com o dedo indicador e o dedo do meio, empurrando a cabeça do policial um pouco para trás. Involuntariamente, lágrimas formaram-se nos olhos de Sasuke e ele abraçou o corpo de Sakura.

— Nii-chan – ele chamou com a voz embargada. Os braços de Sakura se fecharam em volta de Sasuke.

— Eu estou aqui Sasuke – a voz de Sakura respondeu, mas Sasuke sabia que quem dizia aquilo era o seu irmão.

— Já fazem dois anos desde a última vez que eu falei contigo – Sasuke disse sem conseguir controlar o tom de amargura em sua voz. Desvencilhou-se do abraço e encarou os olhos verdes de Sakura. Eles estavam opacos.

— Eu sei. Perdoe-me por deixa-lo sozinho – Itachi pediu com sinceridade. Quando vira Sasuke parado na porta, ele se lembrou de tudo que aconteceu, sendo invadido por um sentimento de culpa e tristeza.

— Você poderia ter conversado comigo! Eu teria te ajudado – Sasuke disse enquanto as lágrimas desciam por seu rosto. – Eu teria te ajudado. Por que você se matou? – ele perguntou e soluçou alto. Seu peito parecia prestes a explodir tamanha a tristeza que sentia.

— Me desculpe, eu me arrependo por ter feito aquilo e te deixado – Itachi disse com sinceridade. Segurou os ombros de Sasuke e o encarou seriamente. – Eu queria ter visto o homem maravilhoso que você se tornou, eu me arrependo por ter saltado daquele prédio.

— Se você estava sofrendo tanto assim, por que não me procurou? Por que aguentou tudo sozinho? – Sasuke perguntou enquanto mais e mais lágrimas escorriam por seu rosto. Todas as lágrimas que Sasuke guardara desde a morte do irmão despencavam por seu rosto.

— Eu queria ter te procurado naquela época, mas tudo que eu estava sentindo era turbulento e depressivo. Eu não tive a coragem para te procurar. Por favor, perdoe-me – Itachi disse e agora lágrimas escorriam pelo rosto de Sakura.

— Eu amava você nii-chan. Ainda amo – Sasuke disse e abraçou uma segunda vez o corpo de Sakura.

— Eu também amo você Sasuke – Itachi respondeu e afagou o cabelo do irmão mais novo. A sua direita, uma luz branca começou a brilhar fracamente e ele sabia que se não fosse agora, perderia a única chance de ter paz. – Eu tenho que ir agora.

— Não me deixe de novo – Sasuke pediu fracamente e abraçou com mais força o irmão.

— Eu não vou te deixar. Eu vou estar sempre olhando por você – Itachi se soltou do abraço do irmão e o encarou com profundidade. – Eu tenho que ir para que eu não me torne um mau espírito. Mas saiba que eu sinto muito orgulho de você.

Enquanto Sasuke chorava copiosamente, ele observou os olhos opacos de Sakura se tornarem brilhantes mais uma vez. Ela olhou para o lado e a compreensão preencheu seu rosto.

— Eu vou sentir sua falta – ela disse para seu irmão com a voz embargada. Sasuke não soube o que Itachi disse, mas fez Sakura rir por entre as lágrimas e acenar afirmativamente com a cabeça.

Quando as lágrimas de Sakura se intensificaram, ele soube que seu irmão finalmente fora descansar em paz. Limpou as lágrimas que teimavam em sair de seus olhos, sentindo um misto de tristeza por nunca mais poder falar com Itachi e felicidade porque agora ele descansaria.

— Sasuke-kun – Sakura chamou com a voz embargada.

O policial ignorou o chamado. Sentia-se incapaz de olhar para o rosto da vidente, temendo começar a chorar se seus olhos encontrassem os dela.

— Sasuke-kun eu não sabia que ele era seu irmão – ela disse tristemente, mas Sasuke continuou impassível, fingindo que a garota não estava ali. – Se eu soubesse, eu... eu...

Sasuke saiu do quarto sem dar oportunidade para Sakura terminar o que ia dizer. Deitou-se no sofá e ficou feliz por Sakura não o seguir até ali, dando espaço para que Sasuke absorvesse o que acontecera. Lágrimas quentes escorreram de novo pelo rosto do policial enquanto ele pensava no irmão morto. Quando finalmente Sasuke conseguiu adormecer, já era de manhã. Sonhou todo o tempo com o dia em que seu irmão, consumido pela depressão, pulara da janela de sua sala no último andar da empresa da família.