Unidos pelo futuro
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Sasuke sentia o cheiro de incenso vindo da casa de Sakura, o fazendo tremer por dentro sabendo que ela estava a poucos passos. Desde que pedira a ajuda de Sakura, não conversara mais com a vidente, e agora quanto mais pensava nisso, mais sentia que se precipitara. Quando a campainha tocou, Sasuke se assustou e por um instante, enquanto se dirigia até a porta, desejou e teve medo de que Sakura estivesse à porta.
O que ele viu à porta fez seu estômago borbulhar de raiva. Um casal de meia-idade estava de pé à porta. A mulher, de longos cabelos negros, sorria timidamente, agarrada ao braço de um homem com cabelos igualmente pretos e feições duras. Sasuke encarou seus pais, Fugaku e Mikoto, sentindo-se transtornado com a visão deles ali, vestidos com pesados casacos de frio.
— Não vai nos convidar para entrar? Está frio aqui fora – Fugaku perguntou rudemente. Sasuke afastou-se da porta, dando espaço para que os dois entrassem.
Mikoto fez menção de abraça-lo, mas depois desistiu, como se tivesse medo de encostar no filho e ele começasse a berrar. Os dois despiram seus casacos e os penduraram, um silêncio desconfortável pairando entre eles.
— Então, essa é a casa nova? – Mikoto perguntou tentando demonstrar simpatia. Sorriu para o filho, que continuou impassível. — É muito... aconchegante.
— É um pardieiro! Se você ao menos voltasse para casa, sua mãe me daria um pouco mais de sossego! – Fugaku exclamou com raiva. Estava no limite com a rebeldia do filho. – Não vai nos convidar para sentar?
— Não, porque espero que vocês não demorem – Sasuke respondeu secamente, o ódio borbulhando dentro de si.
— VOCÊ SE ATREVE A FALAR ASSIM COMIGO? – Fugaku berrou, o rosto tingindo-se de um vermelho vivo.
— Você veio até a minha casa sem ser convidado, tenho o direito de falar como quiser – Sasuke rebateu friamente. A mera presença do pai o despertava os piores sentimentos.
— Por favor, não briguem – Mikoto implorou, olhando do filho para o marido com os olhos marejados. – Nós viemos aqui apenas para conversar.
— Não estou interessado em conversas – Sasuke respondeu impassível. Não deixaria os pais comandarem sua vida que nem fizeram com o irmão.
— Viu o que te falei? Seu filho é um ingrato! – Fugaku continuava furioso, o rosto vermelho igual um tomate e a veia em sua testa pulsando em ódio. – Eu te alimentei! Te vesti! E agora você vira as costas para mim, seu ingrato.
— Fugaku, não fale assim. Sasuke é seu filho também – Mikoto pediu com a voz fraca. Não fora desse jeito que imaginara a visita.
— MEU FILHO? EU NÃO TENHO UM FILHO INGRATO IGUAL A ELE! MEU FILHO DEVERIA ASSUMIR A MINHA EMPRESA E APOIAR A MINHA CANDIDATURA E NÃO SAIR POR AI INVESTIGANDO CADÁVERES – Fugaku berrava tamanho era seu ódio, apontando o dedo na cara de Sasuke que até o momento mantivera a compostura, mas as palavras do pai o tiraram do sério.
— SE VOCÊ ACHA QUE VAI CONSUMIR A MINHA VIDA QUE NEM VOCÊ CONSUMIU A DE ITACHI, VOCÊ ESTA REDONDAMENTE ENGANADO! – Sasuke gritou com o pai, fazendo a mãe ir as lágrimas e o pai ficar ainda mais vermelho. Não ligava se o pai ficasse furioso, se a mão chorasse, eles eram os culpados pelo que tinha acontecido. – EU NÃO VOU DEIXAR QUE FAÇAM ISSO COMIGO!
Assim que gritou a última palavra, sua campainha tocou. O pai parecia louco para berrar mais coisas para Sasuke, mas seria incapaz de um ato indecoroso que prejudicasse sua campanha, na frente de uma pessoa desconhecida.
— Você deveria abrir a porta – Mikoto disse enxugando os olhos em um lenço branco.
Sasuke respirou fundo para se acalmar e seguiu até a porta, a abrindo com mais força que imaginava. Sakura se encontrava parada ali vestindo um casaco acolchoado e calças de veludo, sorrindo fracamente. A imagem de Sakura fez o alivio percorrer pelo corpo de Sasuke e por um instante ele se esqueceu da presença dos pais. Soube naquele exato momento que a garota sabia o que estava acontecendo ali.
— Sasuke-kun, eu vim te... – ela parou no meio da frase, fingindo falsa surpresa ao olhar para os pais de Sasuke. – Desculpe, eu não sabia que estava com visitas.
— Eles já estavam de saída – Sasuke disse um tanto atordoado pela repentina visita de Sakura. E desde quando ela o chamava de “Sasuke-kun”?
— Pelo visto estamos sendo expulsos – Fugaku disse irritado, mas a cor de seu rosto tinha voltado ao normal. – E por causa de uma garota de cabelo rosa.
— Oh! – Sakura exclamou surpresa e apontou para Fugaku. – Você não é Uchiha Fugaku, dono das Companhias Uchiha e candidato a deputado?
— Sim, sou eu – Fugaku disse estufando o peito em orgulho. Ele virou-se para o filho e sorriu com desdém. – Pelo menos parece que alguém por aqui reconhece o meu trabalho.
— É claro que eu não me esqueceria do senhor, porque por sua culpa o centro comunitário do bairro foi derrubado! – Sakura falou com selvageria, assustando as outras três pessoas. – Tem noção de quantas coisas você tirou dos outros?
— Eu não sei do que você está falando – Fugaku se defendeu, olhando horrorizado para Sakura.
— Não sabe do que eu estou falando? Por sua causa o centro comunitário do bairro foi destruído para você construir aquela monstruosidade de prédio e você vem me dizer que não sabe do que eu estou falando? Eu deveria chamar a imprensa e dizer tudo que eu o ouvi berrar para o seu próprio filho – ela disse em tom ameaçador, fazendo Fugaku e Mikoto recuarem assustados.
— Ouça sua fedelha, se você acha que vai... – Mikoto começou, mas Sasuke estendeu a mão para cala-la. Estava em choque pela reação de Sakura, mas por dentro, seu coração vibrava de felicidade.
— É melhor irem embora, eu tenho um compromisso – Sasuke falou secamente. – Eu não pretendo cancela-lo por causa de vocês.
— Você prefere ficar com gentinha da laia dela? – Mikoto perguntou apontando Sakura com a cabeça.
— Vão embora – Sasuke disse simplesmente. Puxou Sakura para dentro liberando o caminho para que os pais passassem.
Os dois pegaram os casacos com ar de superioridade e partiram sem dizer adeus. Só quando o ronco suave do motor foi ouvido e o carro deu partida e deslizou suavemente pela rua que Sasuke soltou uma forte gargalhada.
— O que aconteceu? Está parecendo o dia que eu te conheci – Sakura disse observando Sasuke gargalhar. O nariz dele franzia a cada nova gargalhada e Sakura achava aquilo bem fofo.
— Foi... a primeira... a primeira vez... – ele tentou dizer, mas outra crise de risos o invadiu. Depois de alguns minutos ele conseguiu se recuperar. – Foi a primeira vez que vi meu pai se encolher feito um cachorro assustado.
— Bem, eu sei que é seu pai, mas ver ele faz o meu sangue ferver. Ele destruiu nosso centro comunitário – Sakura disse indignada, fazendo Sasuke sorrir.
— Você me salvou de uma boa. Teve uma visão que eles apareceriam por aqui? – Sasuke perguntou curioso. Realmente parecia que Sakura já sabia o que estava acontecendo.
— Não. Eu... bem... ouvi gritos – Sakura disse desconcertada. Estava lendo e bebendo um chocolate quente quando os gritos invadiram sua casa. A principio não entendera bem a situação, mas depois percebera que vinha da casa de Sasuke e em um impulso resolveu intervir. – Vou entender se ficar bravo por ter me intrometido, só que eu não aguentei ouvir e não fazer nada.
— Não tem problema, foi de grande ajuda – ele respondeu e o silêncio pairou entre os dois. Sasuke se deu conta de que ele nunca a encontrara em uma situação natural, tipo em um café ou em um barzinho, sempre a encontrava com alguma coisa estranha acontecendo.
— Quer sair para beber? – Sakura perguntou repentinamente, pegando Sasuke desprevenido. – Eu já ia sair mais tarde mesmo para beber com a Hina-chan e o Naruto-kun, então eu imaginei se você gostaria de ir.
— Você chamou o Naruto para beber? – Sasuke perguntou desconfiado. Não gostava nada daquela amizade entre os dois.
— É porque a Hina-chan é super apaixonada por ele, então eu tento dar uma força sem ficar muito na cara, entende? – Sakura explicou um pouco constrangida. Não se sentia bem contando o segredo de Hinata, mas não queria que o rapaz tivesse a impressão errada.
— Entendo. Se você me der licença, vou trocar de roupa para irmos – Sasuke disse sentindo-se repentinamente feliz.
Uma hora depois, os dois adentravam no bar, olhando a sua volta, procurando algum sinal de Naruto e Hinata.
— SAKURA-CHAN! – Naruto gritou de uma mesa mais ao fundo, acenando e sorrindo. Seu sorriso congelou ao ver a presença de Sasuke logo atrás de Sakura. Os dois se aproximaram da mesa. Naruto estava sentado ao lado de Hinata, que parecia envergonhada e satisfeita. – Eu não sabia que você viria Sasuke, ainda mais na companhia da Sakura-chan.
— Ah, ela me chamou porque somos vizinhos – Sasuke respondeu enquanto ele e Sakura sentavam lado a lado. Não tinha a menor intenção de mencionar a briga.
— Vizinhos? Por que não me contou isso antes? – Naruto perguntou com indignação ao mesmo tempo em que acenava chamando uma garçonete.
— Posso ajuda-los? – a garota de cabelo loiro longo preso em um rabo-de-cavalo perguntou sorridente. A plaquinha de identificação no seu uniforme informava que seu nome era Yamanaka Ino.
— Vamos pedir Soju? – Naruto perguntou, recebendo respostas animadas de Sasuke e Hinata.
— Eu vou pedir um refrigerante – Sakura disse sorrindo sem graça.
— Você me chama para beber e chegando aqui não vai beber? – Sasuke perguntou descrente.
— É que eu não me dou muito bem com álcool – ela continuou sorrindo sem graça. A verdade é que Sakura tinha medo do que faria se bebesse demais.
— Traga Soju para ela também – Sasuke disse para Ino, que acenou e saiu antes que Sakura protestasse. Ao receber o olhar de desagrado da vidente, Sasuke sorriu de lado. – Se me chamou para beber, então vai beber.
— Sabe você ainda não respondeu minha pergunta. Por que ainda não tinha me contado sobre ser vizinho da Sakura-chan? – Naruto insistiu olhando feio para Sasuke.
— Só te vi no trabalho, que está um caos ultimamente. Não tinha como parar no meio da investigação e dizer: “A propósito, sou vizinho daquela vidente louca” – Sasuke respondeu simplesmente, sorrindo quando as bebidas chegaram.
Naruto serviu as doses nos copos e entregou um para cada. Sakura aceitou com os dedos trêmulos.
— Vamos virar a primeira dose de uma vez! – Naruto disse animado e Sasuke e Hinata vibraram. – Quando eu disser três! UM... DOIS... TRÊS.
— Seja o que Deus quiser – Sakura murmurou e virou a dose de Soju. A queimação familiar tomou conta de sua garganta e ela fez uma careta.
— ISSO! – Naruto bateu o copo na mesa com empolgação e o encheu de novo. Sasuke e Hinata o imitaram.
— Bebe mais Sakura-sama – Hinata disse empolgada. Era impressionante como a garota era fraca para bebida. Acabara de beber uma dose de Soju e já estava falando normalmente na presença de Naruto.
— Não me chame de Sakura-sama quando estamos fora do trabalho. Me sinto uma velha – Sakura resmungou e encheu o copo outra vez.
— Vamos virar de novo! – Naruto disse animado.
Sakura choramingou, mas acabou virando a outra dose de Soju. Depois de mais duas doses, já não estava tão preocupada assim com o que faria se ficasse bêbada. O que quer que fosse não poderia ser tão ruim assim, poderia?
— Sakura-chan, faça uma previsão para mim! – Naruto pediu sorrindo bobamente.
— Você vai me pagar? – Sakura perguntou erguendo as sobrancelhas e tomando outra dose. Naruto caiu na gargalhada ao ouvir a resposta.
— Você está bem? – Sasuke perguntou enquanto tomava um gole da bebida. Mesmo que a conhecesse há pouco tempo, não conseguia imaginar Sakura respondendo daquele jeito.
— Eu estou ótima! – ela exclamou e serviu outra dose no copo. Sasuke fez menção de pega-lo, mas Sakura o arrebatou antes dele. – Perdeu a noção do perigo seu puliça? Não se tira a bebida de uma mulher que prevê o futuro!
— Mas eu estou realmente achando que era melhor você ter ficado no refrigerante – Sasuke disse e tentou tirar o copo das mãos de Sakura, mas ela tomou a bebida antes que ele o pegasse.
— Só que o negócio é que eu não me importo – Sakura respondeu dando de ombros e pegou a garrafa de Soju. – Ah! Está no final. Ô GARÇONETE! – Sakura berrou fazendo os três pularem assustados. Ino se aproximou da mesa com um sorriso vacilante. – Traz outra rodada que hoje eu estou pro crime!
— Sakura-sama – Hinata chamou com a voz fraca, mas Sakura a ignorou.
— Você é das minhas Sakura-chan, se é pra beber, vamos beber – Naruto incentivou e sorriu largamente.
— Você é um tapado Naruto – Sakura falou apontando o dedo para o policial, que a olhou sem entender nada. – Não se da conta dos sentimentos da Hina... AI! – ela berrou de dor quando Sasuke beliscou seu braço com força. – Que porra você está fazendo? Um policial agredindo uma civil? Quero fazer uma denuncia!
— Suas bebidas – Ino anunciou trazendo mais quatro garrafas verdes de Soju.
Sasuke olhou espantado Sakura pegar a garrafa, servir outra dose e beber. Entendia agora o porquê de ela ter falado que não ia beber no inicio. Ela se transformava em um demônio assim que o álcool adentrava seu corpo.
— Eu não te chamei para beber? Por que está me olhando com essa cara de idiota? – Sakura perguntou rudemente e encheu o copo de Sasuke. – Se eu te chamei para beber, então beba!
— Ela sempre age assim quando bebe? – Sasuke perguntou para Hinata, que apesar de quieta, tinha as bochechas coradas e sorria feito besta olhando para o Naruto, que agora disputava quem bebia mais rápido com Sakura.
— Todas as vezes que a vi ingerir álcool o resultado foi catástrofe. Ela se torna um furacão humano – Hinata disse e começou a rir, como se o que ela tivesse dito fosse uma piada excelente.
Observando Hinata rir igual idiota e Naruto e Sakura apostando quem bebia mais, Sasuke percebeu que era o único que ainda tinha um pouco de sanidade. Mas ela não duraria muito tempo.
— Sasuke? – uma voz anasalada o chamou, fazendo Sasuke sentir o horror o invadir. Finja que não ouviu assim ela vai embora, Sasuke pensou consigo mesmo. – Sasuke! É você mesmo!
Uma mulher de longos cabelos ruivos e olhos vermelhos contornados por um óculos de armação preta praticamente se jogou em cima de Sasuke, enlaçando-o no pescoço com os braços.
— Faz tanto tempo que não te vejo que estou desconfiada que anda me evitando – ela disse e riu afetada.
— Saia de cima de mim Karin – Sasuke pediu impaciente.
Os outros três voltaram sua atenção para a nova pessoa na mesa, sentada no colo de Sasuke. Naruto engasgou com a dose de Soju e começou a tossir feito um louco, fazendo Karin desgrudar os olhos de Sasuke e olhar as outras pessoas na mesa.
— Como sempre você está com o Naruto, mas quem são essas duas criaturinhas desagradáveis? – Karin perguntou apontando para Hinata e Sakura.
— Para a sua informação, nós duas temos nome. E se você não reparou, tem um pedaço de papel higiênico preso na sua bota – Sakura cochichou de maneira bem audível, fazendo Karin pular do colo de Sasuke e começar a analisar as botas.
— Mas não tem nada aqui – Karin exclamou confusa, ainda olhando as botas.
— Gente trouxa acredita em tudo né, Sasuke-kun? – Sakura perguntou e começou a gargalhar. – Eu sou demais.
— Acho que deve ser melhor nós irmos – Sasuke disse tentando se levantar, mas Sakura o puxou de volta pelo braço.
— Vamos beber um pouco mais, Sasuke-kun— ela enfatizou o nome dele e sorriu para Karin. Só não entendia porque duas Karins a olhavam de volta.
— Eu te conheço de algum lugar – Hinata falou quando Karin abriu a boca pronta para esbravejar com Sakura.
— Tenho certeza que me conhece, eu sou repórter – Karin respondeu cheia de si, estufando o peito com orgulho. – Uma das boas, devo dizer.
— Você não é aquela repórter que caiu em um buraco durante uma transmissão ao vivo e mostrou a calcinha em rede nacional? – Hinata perguntou em duvida, analisando bem o rosto de Karin, que ficou vermelha feito um tomate.
Ao seu lado, Sakura gargalhava, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Sasuke respirou fundo, tentando não sucumbir às gargalhadas, mas o som fungado que Sakura fazia quando respirava era demais para ele. Quando deu por si, os dois estavam apoiados um no outro, gargalhando alto.
— É ela sim – Naruto informou rindo e tomou outra dose. – O pessoal da delegacia quase morreu de rir no dia que isso aconteceu.
— Pelo visto, vocês não estão em um nível para uma conversa decente e civilizada. Eu te vejo depois, Sasuke-kun — Karin informou, mas Sasuke continuou apoiado em Sakura, gargalhando. Com o pouco de dignidade que lhe restava, Karin se dirigiu para longe da mesa.
Depois que Karin se foi, o clima na mesa melhorou ainda mais e várias outras rodadas de Soju foram servidas, sendo Sakura, Naruto e Hinata os que mais estavam bebendo.
— Dônde você cohece aguela louca? – Sakura perguntou com a voz pastosa e enrolada. Soltou uma risada ao se ouvir falar. – Decupa, a lingua não robedece.
— Você tá doidona, Sakura – Hinata disse e começou a rir, as bochechas ficando ainda mais coradas.
— Ela é uma das repórteres que infernizam a minha vida – Sasuke respondeu fazendo força para não rir.
Sakura estava completamente bêbada. As bochechas estavam rosadas e ela parecia fazer um enorme esforço para focalizar Sasuke, chegando a ficar vesga no processo. Sakura sentia as pálpebras pesadas e decidiu fecha-las por alguns segundos, só para descansar. Em questão de instantes, ela estava apagada e roncando na mesa do bar.
— Acho melhor levar ela para casa – Sasuke disse para Naruto e Hinata. Os dois concordaram com um aceno de cabeça. – Vocês vão ficar bem?
— Sim, eu vou levar a Hina-chan para casa – Naruto respondeu com a mesma voz pastosa de Sakura, e sorriu alegremente. – Ou talvez ela me leve para casa, não sei quem está pior que quem aqui.
Olhou para a garota dormindo na mesa e uma pergunta veio a sua mente: Como levaria Sakura para casa se estava sem carro? A resposta veio em um clarão em sua mente.
— Naruto, me ajude a colocar a Sakura nas costas – Sasuke pediu. Naruto levantou cambaleando e deu a volta na mesa.
Com muita dificuldade, ele e Sasuke conseguiram colocar uma Sakura relutante, que queria continuar dormindo na mesa, nas costas de Sasuke.
— Pague a minha parte e a de Sakura e amanhã eu acerto com você – Sasuke disse e começou a andar carregando Sakura.
— Me liga se algo acontecer – Naruto gritou enquanto Sasuke se afastava com Sakura nas costas, bafejando puro álcool em seu pescoço.
— Você é pesada para o seu tamanho – Sasuke resmungou e ajeitou Sakura melhor em suas costas. A vidente cruzou os braços no pescoço de Sasuke com força. – Você vai me matar sufocado assim.
Sasuke caminhou devagar pelas ruas de Konoha, levando Sakura consigo. Ocasionalmente ela resmungava alguma coisa, mas logo voltava a dormir. Agradeceu por ser resistente ao álcool e não ter bebido tanto assim. Jamais carregaria Sakura se não estivesse em boas condições.
Andou por uns vinte minutos, até dobrar em uma esquina e chegar à rua dos dois. Avistou a casa de Sakura, pintada de azul-claro do lado da sua e sorriu de alivio, agora faltava pouco. Caminhou até o portão de Sakura e o empurrou com o pé. Por um milagre, o portão estava aberto.
Subiu os degraus até uma varanda cheia de vasos com flores. A porta estava trancada, fazendo Sasuke xingar.
— Sakura, onde está a chave da sua casa? – Sasuke perguntou alto e balançou Sakura em suas costas para acorda-la.
— Está dentro da minha bolsa – Ela respondeu de maneira mole e voltou a dormir.
Sem ter o que fazer, Sasuke colocou Sakura com delicadeza no chão e começou a vasculhar a bolsa da garota. Era mais normal do que Sasuke esperara. Tinha maquiagem, espelho, uma escova de cabelo, dinheiro, cartão, camisinhas... Camisinhas? Por que ela saía por ai com camisinhas na bolsa? Sasuke pensou sentindo as bochechas esquentarem.
Enfim achou um chaveiro cheio de chaves e testou uma por uma na porta, até ela abrir. Procurou um interruptor e acendeu a luz antes de pegar Sakura no colo e entrar na casa da vidente.
A casa também o surpreendeu. Estava na sala de estar e ela era limpa e organizada, cheirando fortemente a incenso. Um sofá caramelo estava disposto em um dos cantos da sala, assim como uma estante abarrotada de livros e uma TV presa a parede. Achou melhor colocar Sakura no sofá ao invés de sair pela casa procurando o quarto da garota.
O sofá era grande e parecia confortável, o que fez a consciência de Sasuke pesar menos por não procurar o quarto. Deitou Sakura com delicadeza e a observou dormir. Parecia uma boneca quando estava quieta assim. Como se soubesse o que Sasuke pensara, ela abriu lentamente os olhos.
— Você está em casa – Sasuke informou ao ver o olhar confuso de Sakura. – Eu te trouxe e agora vou para a minha casa, ok?
— Não vá – Sakura pediu segurando um pedaço da calça de Sasuke – Eu não quero ficar sozinha.
— Eu vou estar a poucos passos de você, na casa ao lado, lembra? – Sasuke argumentou tentando se desvencilhar do aperto de Sakura, mas ela colocou mais força nele.
— Não me deixa. Deita aqui comigo, senão os maus espíritos virão me pegar – ela implorou. Parecia uma criança com medo do escuro.
— Tudo bem, vou ficar com você até dormir – Sasuke respondeu sem entender os seus motivos para concordar com aquilo. Deitou do lado de Sakura no sofá e a mesma colocou a cabeça em seu peito, o fazendo de travesseiro.
— Obrigada – ela agradeceu e fechou os olhos ficando com uma expressão serena.
Sasuke a observou dormir. Ela parecia em paz dormindo em seu peito. Fechou os olhos rapidamente, porque eles estavam arranhando e ardendo de cansaço, carregar Sakura até ali não fora uma tarefa fácil, ainda mais estando alcoolizado. Mal percebeu quando caiu no sono com Sakura em seu peito.
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