O acampamento estava bem mais agitado do que o normal. Campistas andavam de um lado para o outro, pegando suas armas e vestindo armaduras. Tirei minhas próprias conclusões: Ou estamos em estado de ataque de um exército inteiro de monstros, ou algum meio-sangue encontrado fora trazido para o Acampamento Meio-Sangue. E as duas hipóteses são muito ruins.
Eu ajudo na organização do acampamento, verifico se os chalés estão organizados, dou avisos, tenho de procurar o nosso oráculo, a Janne (que me dá muito trabalho)... Faço tudo isso — com a colaboração de Quíron — para mais ou menos oitenta e dois campistas. Não estou afim de mais um para ficar de olho. Além disso, Quíron me disse sobre a próxima grande profecia... Ele comentou que envolveria uma cria de Zeus — no caso, eu — e mais dois meio-sangues novatos.
Até então, não recebemos nenhuma notícia sobre mais semideuses perdidos pelo estado. Há vários sátiros a procura de algum há um bom tempo, pensamos em mandarmos campistas nessa busca, mas o acampamento está com poucas pessoas. Se quisermos vencer nessa tal "guerra", precisaremos de bem mais do que isso.
Tomei coragem e fui até o anfiteatro onde se encontrava a maioria dos campistas, fazendo uma roda em volta de algo. O barulho de pessoas conversando, gritando ou rindo era perturbador. Passei por meio da multidão com facilidade, quando me viram, deram espaço para que eu pudesse passar.
Engoli um seco.
Sabe aquela história de eu não querer mais um para ficar de olho? Não era apenas um semideus. Eram dois. Um garoto — aparentemente bonito — de olhos acastanhados com a pele meio bronzeada e cabelos castanhos. Usava bermuda jeans clara e uma camiseta polo branca. Seus tênis Nike eram num tom azul-marinho. Seu rosto estava estampado com uma expressão de desânimo.
O outro rapaz parecia alguns anos mais velho que o anterior... Uns dois a mais, talvez minha idade? Era mais alto, tinha cabelos platinados, quase brancos. Olhos azuis claros. Usava calças e camisa social preta. Tinha uma cara de ser apenas mais um playboy — o que já era normal no chalé de Afrodite —, mas me foquei no outro garoto.
Espero que ele não seja filho de Zeus, pensei, me referindo ao primeiro.
Quíron levantou a mão sem dizer uma só palavra, como se pedisse silêncio. Ninguém percebeu. Ele me olhou e entendi imediatamente.
— Fiquem quietos! — grunhi alto o suficiente para que todos escutassem. Os campistas ficaram em silêncio esperando minhas ordens. — Quíron, diga-nos: Quem são esses carinhas aí? — apontei para os dois rapazes.
— Ah, claro — ele disse, um tanto quanto satisfeito. — Este é Alex Mapeli, ainda não fora reclamado— disse ele apontando para o moreno, que corou — Assim como Lucky Smith.
— Talvez isso aconteça hoje a noite, na fogueira. — concluiu um garoto do chalé de Apolo.
— Se o juramento que fizemos com os deuses ainda estiver à tona, talvez — falei.
— Não haverá pega-bandeira? Temos um prato cheio desta vez! — disse uma garota do chalé de Ares.
Houve um murmúrio gigante, em especial, no grupo dos filhos de Ares.
— Sim, teremos pega-bandeira hoje à tarde. — respondo, irritada.
Troquei olhares com os rapazes.
— Estão dispensados! — disse Quíron, vindo na minha direção — Tente mostrar à eles como as coisas funcionam por aqui. Por favor.
Assenti. Voltei-me para os garotos.
— Olá! Sou Flávia Charallo, sou a conselheira do meu chalé e líder dessas coisas de organização aqui no acampamento.
— Chalés? Acampamento? — perguntou o mais velho, Lucky — Onde estamos?
— Deuses... — respirei fundo — Vocês ainda vão me dar muito trabalho.
— Ei, acabamos de chegar. Pega leve com a gente — interveio Alex.

Respirei fundo novamente.

Levei-os até a casa grande. Alex não parava de olhar para o segundo andar.

— O que há lá em cima? — ele perguntou.

— É onde fica o Oráculo dos Delfos. Bem... é onde a Janne deveria ficar, apesar de que ela quase não passa por lá... — respondi — Ela começa a se contorcer, saí uma fumaça verde de sua boca e começa a dizer a profecia do momento, mas não se lembra de nada enquanto faz isso. Simples.

— Isso parece... Estranho. — ele disse.

Abro um sorriso.

— Tudo aqui é estranho no começo, mas depois vocês vão se acostumar.

Terminei de apresentar o restante do acampamento para eles incluindo os chalés, o refeitório, banheiros, arena, tudo. Foi realmente cansativo. Quando estávamos prontos para irmos até o refeitório para o almoço... Percebo uma luz verde vinda das minhas costas. Viro-me.

— Alex... Você... — tento dizer.

Alguns campistas que estavam por lá o olharam, assustados. Ajoelharam-se no chão, demonstrando repeito.

— O que foi? Por que estão me olhando?! — Alex perguntou, sem entender.

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.