Unidos pela Liberdade
11 The Weird One
Pov. Vincent
Os seguranças trouxeram o homem aos empurrões e o colocaram sentado em uma cadeira de metal, retirando o capuz.
Seu olhar parecia distante e se alternava muito rápido observando tudo ao seu redor, suas mãos não paravam de se mover, suas pernas sacudiam frenéticamente, ele parecia ser um drogado.
– Isso aqui tem cara de clínica de reabilitação? — Sebastian pergunta irônico. Que ótimo, o festival de piadinhas vai começar, não consigo evitar de revirar os olhos.
– Qual a situação? — Christine pergunta
calma e com seriedade, intimidando o segurança. Ela vai ser um problema.
Não me entendam mal, mas eu sei que as chances de vitória são minúsculas, então pretendo escapar assim que puder.
Mas, Olivia já deve estar preparada para qualquer tentativa. Aposto que todos nós temos um GPS, ela seria burra se não fizesse isso. Eu já tinha certeza da existência do meu, na prisão em que estava, colocaram um chip em alguma parte do meu corpo.
Então, supondo que os outros também tenham os rastreadores, se tentarem fugir, não existem aliados, por isso eu estou analisando as possíveis ameaças.
– Esse homem atirou em um delegado e matou outros três civis, seria normal se ele não tivesse gritando o nome da Tartarus. — O agente diz em tom profissional.
Algo está errado, esse homem não parece o tipo de pessoa que tem ligações com criminosos ou até mesmo com a Tartarus. Qualquer ser com o mínimo de inteligência consegue perceber que essa exposição foi planejada e outros fatores como o olhar perdido e o movimento frenético das mãos indicam uso de drogas, a pele está sem brilho, as olheiras profundas, os olhos estão inchados. Privação de sono é uma hipótese e isso leva uma suposta tortura.
Juntando os fatos, temos um suposto sequestrador e torturador que usou de intensa tortura psicológica e privação de sono para quebrar a mente e a resistência da vítima, e depois de algum tempo passou a ministrar drogas a ela, que foi induzida a cometer o ataque, mas antes preciso confirmar uma teoria.
– Tire a blusa. — Digo com autoridade e vejo os olhares se virarem para mim.
– C...omo? — Ele parece estar com medo e então ordeno novamente.
– Tire a blusa. — Digo firme e o homem olha para o chão e então retira sua
blusa e não me surpreendo com o que vejo.
As costas tinham cicatrizes que indicavam queimaduras e havia ferimentos mais recentes que se assemelhavam a ferimentos de chicote.
– Quem fez isso em você? — Gustav pergunta e o homem olha novamente para o chão.
– Um homem. — Ele responde tentando desviar o assunto.
– Seja mais específico, "queridinho". — Evelyn diz irônica.
– Ele vai me matar se descobrir. — Ele responde e seu medo é quase digno de pena.
– Fale logo, não queira despertar a minha raiva, ou a deles. Pode ter certeza de que vai acabar morto. -Matthew diz sem paciência. Ele é outro que pode ser um problema, mas vamos ignorar minha mente paranóica pelo menos por hora.
– Nós vamos te proteger. — Evelyn diz fingindo preocupação com a vida daquele homem, arrancando olhares descarados dos agentes presentes, que eram discretamente provocados por ela.
E pensar que estou sendo obrigado a conviver com companheiros sem a mínima noção de senso.
Quase tenho vontade de rir, ninguém está protegido aqui, embora nada tire da minha mente que Matthew acha que os "agentes da lei" estão do nosso lado, apenas posso rir mentalmente da sua inocência.
– Certo, eu falo. — O homem diz, então a porta é aberta e Olivia entra triunfal, seguida por vários agentes que apontam as armas para todos os lados,podem criticar o jeito dela agir,mas que ela faz entradas retumbantes isso ninguém pode negar.
– Olá, queridos.- Acho que ela se contagiou com o senso de humor da Evelyn ou o do Sebastian.
– Diretora Madford, a que devemos o desprazer de sua vinda? — Evelyn diz com um falso sorriso amigável, a carranca de Olivia foi impagável e pela primeira vez desde que cheguei aqui tive que conter o riso e isso faz com que todos olhem para mim mas logo recupero a postura.
– Pode começar. — Digo autoritário embora por dentro estou gargalhando.
– Começou a dois meses, eu era um membro ativo da Tartarus. Na Tartarus existe uma hierarquia e eu era um caçador. Minha função era caçar membros traidores. — O homem começa seu relato.
Eu sei relativamente pouca coisa da Tartarus, o básico da hierarquia. Sei que os caçadores são liderados por inquisidores que são basicamente "juízes " dentro da Tartarus.
– E o seu inquisidor? — Matthew pergunta e vejo que ele também sabe de algo.
– Inquisidora na realidade, e ela era minha esposa, nós fomos para Jerusalém para descobrir informações sobre nosso alvo. — O homem responde.
– Quem era seu alvo? — Christine pergunta.
– Alejandro Al Sayf. — Merda,eu conheço ele e Matthew suspira.
– Conhece Al Sayf? — Pergunto a Matthew.
– Eu enfrentei aquele filho da puta em Trípoli, em 2013, na minha primeira missão e ele tem uma mão bem pesada. — Matthew diz bravo. Alguém ali não sabe lidar com derrotas.
– E você...de onde conhece Alejandro? -Matthew me pergunta.
– Em 2014 na minha última missão antes de ser preso, eu fui enviado para o Irã, meu contratante tinha ordens explícitas para que eu matasse
Alejandro e eu fingi ser seu amigo até que o incriminei e o deixei para ser enforcado no Irã. Desde então não sei mais dele.- Digo sério, Alejandro me causou muitos problemas.
– Como você incriminou ele? — Christine pergunta, mas logo contorno.
– Não importa, afinal, ele está vivo. — Digo indiferente.
– Continue. — Olivia ordena e o homem continua.
– Alejandro estava atuando na Síria assassinando líderes do estado islâmico e grupos rebeldes contra o governo sírio, mas alguns desses grupos eram membros da organização. — O homem continua.
– Quem contratou ele? — Olivia pergunta.
– Pelo que descobrimos, os Russos também sabem da Tartarus e estão eliminando membros da mesma e na ânsia de aumentar o poder deles na Síria, contrataram ele e forneceram armamentos. — O homem diz e Olivia diz para sua assistente.
– Tente marcar uma reunião conjunta com os líderes das agências de segurança da Rússia. — A assistente anota tudo no tablet. Olivia faz um sinal com a mão e o homem continua.
– Nós o interceptamos em Palmira e houve um confronto inicial, ele logo escapou, depois de uma semana nós o rastreamos em Tel Aviv e ali eu fui emboscado. — O homem diz cabisbaixo.
– O que aconteceu? — Evelyn diz, parecendo mais interessada na história.
– Nós ficamos durante uma semana em Tel Aviv e bem... Fui esmagado em pouco tempo e após confronto minha mulher me atacou. Descobri que ele tinha seduzido ela revelando de propósito sua localização e ....- O homem é interrompido pelos risos altos de Evelyn e Sebastian.
– Perae, então no final das contas ele enganou você, te espancou na luta e ainda transou com a sua mulher. Meu Deus, você é muito corno. — Sebastian diz rindo enquanto se apoia em Evelyn que também ri e completa.
– Migo,ela te largou porque: pau pequeno. Você era ruim de cama ou os chifres que ela deve ter te deixado anteriormente incomodavam? — Evelyn diz rindo logo em seguida e Sebastian gargalha junto com ela. Eles parecem drogados ou bêbados, talvez até as duas coisas.
– Alejandro me manteve como prisioneiro usando as mais brutais torturas sádicas e minha mulher também. Transaram na minha frente... — Diz ele, suspirando. — Foi assim por um mês, até que Alejandro se cansou e prendeu minha esposa, a torturando até a morte. Meu destino teria sido o mesmo, mas ele tinha outros planos. — Mais suspiros. — Ele passou a usar tortura psicológica intensa e passou a me drogar, me tornei um viciado em menos de três dias e depois disso ele me pagou uma passagem para cá e me mandou trazer uma mensagem para vocês. — O homem termina e levanta o braço com uma inscrição que pelo que parece foi entalhada na pele por algo pontiagudo.
A frase provavelmente era árabe تأتي لي و سيتم الكشف عن أسرار e eu não sei nada de árabe.
– Tati li w sayatimm alkashf ean 'asrar. — Olivia diz e todos olham para ela sem entender nada e ela logo responde.
– "Vinde a mim e segredos serão revelados" é a tradução. — Olivia responde e Sebastian sem perder a chance faz uma piadinha.
– Obrigado, Olivia Tradutor. — Olivia revira os olhos.
– Não pode ser tão fácil assim. — Diz Christine.
– Se ele está nos chamando é porque está confiante e pelo que conheço, ele deve ter um plano e milhões de variáveis para ele. — Digo analisando a situação.
– Vamos limpar o chão com a cara dele, ele vai ver. — Matthew diz, vou me lembrar de nunca deixá-lo com raiva. Aquele ali é rancoroso.
– Mas como ele esta em Israel,vou ter que contatar o Mossad* para poder enviar vocês. — Olivia diz em tom profissional. — E quanto ao nosso colaborador, ele vai para uma prisão segura.
O homem permaneceu indiferente à notícia e abaixou o olhar.
– Oi, tiozinho, posso fazer uma pergunta? — Evelyn pergunta com um sorriso cínico.
O homem acena a cabeça positivamente e me surpreendo com a cara de pau da Evelyn.
– Então, quando você viu o carinha pegar sua mulher na sua frente ele era bom no que fazia? — Evelyn termina a frase com um sorriso malicioso.
– Que pergunta desnecessária Evelyn. — Christine diz e o resto faz uma poker face lendária e eu, como não sou diferente, também me permito fazer uma poker face.
Fale com o autor