Pov. Vincent

Depois que todos nós concordamos com nossas tarefas, cada um foi realizar a sua. Me direcionei até a cozinha e comecei a minha arte. Com certeza a Christine estava puta comigo, mas eu realmente não estava muito preocupado com isso, mesmo ela sendo a única que conversou comigo verdadeiramente quando estávamos indo nos encontrar com os outros.

Tirei o meu blazer e arregacei as mangas, coloquei um avental que tinha na gaveta e comecei a abrir todos os armários e verificar os materiais disponíveis. Podia ouvir as câmeras que seguiam os meus movimentos minunciosamente. Respirei fundo e continuei preparando meu Coq au vin* com toda a calma do mundo. Eles não perdiam por esperar, eu estou de volta.

Podia ouvir de lá da cozinha, os gritos de nojo que Evelyn dava no banheiro, patética. Gustav, que ficou responsável por lavar a louça, acabou adiantando a limpeza da sala enquanto a louça acumulava. Os outros estavam espalhados pela casa, mas eu tinha certeza que aquela risada escandalosa era da Christine, juntamente com a do Sebastian. Não quero nem imaginar como está lá embaixo com aqueles dois, mas logo todos iam terminar tudo, não tinha muita coisa devido ao pouco tempo que estávamos na casa.

Onde que eu vim parar? Não posso negar que a companhia é até agradável, mas se a Olivia pensa que isso tudo nos levará à algum lugar, ela está muito enganada. Odeio com toda a minha alma falar isso, mas nós não somos páreo para a Tartarus, estou nesse ramo a muito tempo, sei bem do que estou falando. Com certeza ela tomou uma decisão impulsiva e pessoal, estava na cara, aquela ali não sabe mentir.

Depois de um tempo, ao colocar tudo na grande mesa de jantar já montada, gritei:

– Podem vir, está tudo pronto, amigos! — Terminei com um sorriso cínico.

Foi só falar em comida que todo mundo apareceu.

– Bon appetit! — Sentei e todos me acompanharam.

Jantamos calados, cada um apreciando o seu prato, até que Christine fala:

– O que vamos fazer? Eles claramente esperam resultados.

– Serei sincero. — Começo — Isso é tudo uma grande perda de tempo, da nossa parte e da parte deles. Não temos chance.

– E eles esperam que a gente faça o que mesmo, nessa casa vigiada do caramba? — Pergunta Evelyn.

– Presos aqui que a gente não vai fazer nada mesmo. — Completa Sebastian.

– Eu posso arrumar um jeito de controlar as câmeras, mas isso ainda não elimina a pergunta principal. O que mesmo que a gente vai fazer depois? A gente pode até arrumar um jeito de sair, mas continuamos dependentes das informações que eles já coletaram. — Diz Christine.

– Com certeza a Olivia vai nos entregar alguma pasta com algumas informações, isso é o mínimo que ela poderia fazer. — Digo eu.

– Que ótimo! Fui de um extremo a outro. Antes trabalhava por conta própria e agora dependo do meu antigo inimigo. Que ironia da vida! — Reclama Evelyn.

– O jeito vai ser esperar então. Queria terminar logo com isso, ainda tenho assuntos pendentes. — Diz Gustav, recolhendo os pratos para começar a lavar.

De repente, ouvimos um estrondo. A porta tinha sido arrombada e agora, na nossa sala, tinha um homem tatuado e encapuzado, sendo escoltado por vários seguranças. Então dou meu melhor sorriso e digo:

– Ora, ora, o que temos aqui?

Glossário:

Coq au vin- prato típico da culinária francesa. Feito com carne de galo e vinho tinto.