Unidos pela Liberdade
3 Proposta II
Pov. Evelyn
Terminei de pentear os meus cabelos com uma escova que o diretor de segurança me arrumou, ele tenta insistentemente me conquistar, mas eu não sou uma mulher fácil, não teria graça. Durante os meses que estive aqui, consegui maquiagem, escovas de dente e pastas de qualidade, papel higiênico com alta absorção, absorventes internos e etc.
Minha mãe me ensinou desde cedo que nós precisamos não só de beleza, mas também de inteligência para saber como usar esse artifício. Serei sincera, eu me aproveito dele, mas ele nunca sequer me tocou. Coitado, ele não tem nenhuma chance. Homens são idiotas no geral, mas o Rupert ultrapassa todos eles. Ele merece uma medalha de burrice extrema.
Esses meses que passei aqui não me afetaram fisicamente, continuo com o mesmo peso de sempre, mesmo rosto, cabelo, unhas e maquiagem de sempre. Quem me vê hoje pensa que eu nem estive presa durante todos esses meses infernais, na companhia daquele homem nojento e grudento.
As pessoas não entendem, não sou uma prostituta barata, sou extremamente seletiva, só me envolvo realmente com homens que me deixam instigada e seduzida, o resto é o resto.
E amor, querida Evelyn? Eu não me importo com o amor, nem sei como é, mas sei que nos destrói, nos deixa fracos e vulneráveis.
Nasci na Rússia e vivi a maior parte da minha infância em um orfanato, viver lá não era fácil, era quase uma competição para ver quem seria adotado primeiro, as regras eram muito rígidas e eu sempre segui minhas próprias regras, pelo menos os meninos assumiam a culpa (viu como são burros desde crianças).
Fui adotada por uma ladra russa que foi uma mãe incrível para mim, me ensinou todos os seus truques e me levou para morar nos EUA com ela. Eu fui feliz.
Mas então, fui capturada e minha mãe morreu tentando me salvar. É impressionante como o mundo dá voltas, meses atrás estava vivendo uma vida feliz e agora, mesmo fisicamente não parecendo, eu estava um caos, quebrada por dentro, de luto.
Meu admirador me despertou de meus devaneios:
– Linda, uma mulher quer falar com você.
– Obrigada por avisar, Rupert.
– Estou aqui sempre que precisar, mas digamos que quero certas recompensas em troca. — finalizou a frase com um grande sorriso malicioso.
Que nojo. Meu Deus, que homem asqueroso, devo pegar Aids só de falar com ele, respirar o mesmo ar.
– Fica pra próxima, querido. — dei meu melhor sorriso falso.
– Estou esperando ansiosamente.
Ele me pegou pelo braço e me conduziu até uma sala, lá tinha uma mulher que usava um lindo terninho preto e carregava uma pasta de couro.
– Bom dia, senhorita Vanov. Meu nome é Morgana Clint, preciso que me acompanhe.
– Posso saber para o que?
– Só se quiser perder seu tempo, você não tem escolha mesmo.
Pov. Gustav
A sensação de vazio me dominou durante todos esses meses que passei na prisão, o ódio já tinha passado muito tempo atrás. Não sentia ódio do governo, ou da polícia, sentia isso do meu pai, que me transformou no que sou hoje. E se estou preso, é porque não gui uma boa pessoa.
Resumindo, não tive como escolher meu próprio caminho, assim que nasci, fui destinado a herdar o império que o meu pai construiu. Por causa disso, ele me treinou.
Não posso dizer que não gosto do que faço, seria mentira. Eu gosto, é como todos dizem, é melhor abraçar a sua natureza do que negá-la.
Sempre fui mais fechado com todos, poucos realmente me conhecem, ou talvez até ninguém. Como estava dizendo, meu pai me colocou aqui e o motivo? Se salvar. Isso que é um exemplo de pai.
Fugir nem passou pela minha cabeça em todos esses meses, sabia que não conseguiria passar por todos esses seguranças, foi questão de lógica, inclusive, acho que a minha pena diminuiu devido a um bom comportamento.
Acho que o único sentimento que eu sentia era saudade, saudade das minhas telas, tintas, minha liberdade de escolha em minhas pinturas, era uma sensação ótima.
Muita gente acha que se você tem um pai asqueroso, você terá obrigatoriamente uma mãe maravilhosa, que substitui o pai em todos os sentidos. Isso não é verdade. Minha mãe não passa de uma prostituta barata, interesseira e que nem sabe pronunciar o meu nome da forma correta.
Meu treinamento foi bem pesado, meu pai sempre esperou a perfeição e eu sempre fui idiota o bastante para querer sempre a aprovação dele. Acho que com o tempo percebi o tanto que fui idiota, mas mesmo assim nunca tive coragem de discordá-lo, precisei de um empurrão, que foi a minha prisão. Quando sair daqui, ele receberá uma vingança dolorosa, que planejei durante todos esses meses.
Nunca tive nenhuma namorada, sou tradicional com essas coisas, gosto de relacionamentos sérios, se for para me comprometer com alguém, tem que ser com uma pessoa especial e que eu ame. E não, não sou gay.
Olhei para a minha cela e estava imunda, só tinha um vaso sanitário que era limpado uma vez a cada dois meses, uma cama sem lençol e uma luz fraca que precisava ser trocada logo, meus cabelos já passavam dos ombros em cachos rebeldes que precisavam ser aparados.
Ouvi vozes que ficavam cada vez mais nítidas, era dos policias que sempre me acompanhavam, mas eu nem sabia seus nomes.
– Pode vir, Collins, você tem visitas – disse um deles.
Eu não pronunciei uma palavra, apenas me levantei da cama e estendi as minhas mãos, esperando ser algemado. Depois eles me guiaram pelos grandes corredores com milhares de celas, parando em uma porta com a placa "sala privada", abriram a porta e me deixaram lá, na presença de um homem vestido em um terno impecável e sob medida.
– Olá, senhor Collins. Meu nome é Chuck Jones, sou agente sênior da CIA. Eu vim para levá-lo até Washington, temos uma proposta para lhe fazer.
Olhei nos olhos do agente e apenas levantei da cadeira que estava sentado. Ele entendeu a mensagem e consentiu. Você não perde por esperar, "papai".
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