Unidos Por Shakespeare

1 Unidos por Shakespeare


Ela tentaria mais uma vez. Tentaria mais uma vez chamá-lo para sair.

— Grissom? Você tem um minuto? ela disse na porta da sala.

— Claro Sara... Entre! disse.

— Está fazendo o que? disse Sara se sentando.

— Estou terminando alguns relatórios para entregar... ele disse erguendo os papéis.

O perfume suave dela estava torturando-o por dentro.

— O que deseja então Sara? perguntou Grissom à mulher.

— Eu queria saber se você aceita jantar comigo? ela perguntou a ele.

— Não... ele respondeu.

— Por que não? Vamos sair... Ver o que acontece... ela tentou novamente.

— Não Sara... tomou fôlego. Eu não sei o que fazer...

Sara olhou-o fixamente. Lágrimas saltaram dos olhos e passearam pelo rosto da morena. Demonstrando fraqueza, ela chorou.

— Sara... ele disse. Por favor... Não chore.

— Como não? ela perguntou.

— Sara porque me quer tanto? Por quê? ele perguntou.

— Talvez o que eu mais queira seja os seus lábios nos meus. Talvez o que eu mais queira seja o seu corpo no meu nas tardes frias de inverno. Talvez o que eu mais queira é ficar, as vinte e quatro horas do meu dia, colada em você. Talvez o que eu mais queira é te beijar a cada momento que me sentisse só ou que ficasse brava com algo. Talvez te ter aqui ela pousou a mão sobre o coração. seja um sonho bobo e infantil. Talvez seja ilusão. Talvez eu sonhe demais. Talvez eu deva acordar e ver que você não me ama.

Grissom ouvia tudo atentamente. As palavras que ele guardava há anos começaram a sair. Palavras de amor e perdão.

— Eu aprendi que ignorar os fatos não os altera... Eu aprendi que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas está permitindo que essa pessoa continue a magoar você... Eu aprendi que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas... Eu aprendi que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa... Eu aprendi que a vida é dura, mas eu sou mais ainda... Eu aprendi que as oportunidades nunca são perdidas, alguém vai aproveitar as que você perdeu... Eu aprendi que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar... Eu aprendi que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito... Eu aprendi que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorrem quando você esta a escalando... Eu aprendi que quanto menos tempo tenho mais coisas consigo fazer.

— Shakespeare... Sara disse.

O silêncio sobreveio.

— Me diga Sara... Diga-me que ninguém aproveitou as minhas oportunidades perdidas. Diga-me que meu ancoradouro não se tornou amargo. Diga-me que a felicidade não foi aportar em outro lugar. Pois eu te amo Sara! enfim ele dissera as três palavras que estavam entaladas em sua garganta há muito tempo. O amor cura as feridas e não o tempo. Você é perfeita, pois eu me apaixonei loucamente por você. Eu sou duro e insensível, mas é meio jeito. É assim que fico quando estou perto de você. Tentando não cair no desejo e fazer besteira. Não posso mudar o que sinto, mas eu posso dizer o que sinto e por quem sinto e tentar me ter uma ultima chance. E quando digo que quanto menos tenho mais consigo fazer, eu quero dizer que quanto mais te perco mais providencias consigo tomar para te recuperar.

— Repete? ela disse sorrindo.

— Repetir o que? ele perguntou.

— Tudo isso que você disse! ela exclamou.

— Não posso dizer novamente, mas eu posso simplificar... ele disse feliz por ela ter gostado.

— Então simplifique! ela sorriu.

— Eu te amo Sara... ele disse.

Ela sorriu, se é que é possível, ainda mais.

— Eu também te amo Grissom... Mas como vou saber se tudo isso é verdade? ela perguntou.

— Duvide da luz dos astros... Duvide que o sol tenha calor... Duvida até da verdade... Mas confia no meu amor! ele disse.

— Shakespeare... ela sorriu de lado.

— Sim... ele afirmou.

O silêncio seguiu.

— Você acredita que te amo agora? ele perguntou.

— A verdade que não te amo com os meus olhos que vêem em ti mil defeitos. Grissom sorriu com a outra citação de Shakespeare. Mas com meu coração que ama o que os olhos desprezam...

— Acho que Shakespeare vai nos unir...

— Você acha? ela sorriu e o beijou. Um beijo guardado por anos. Um beijo quente e firme.

— Se eu pudesse descrever a beleza dos teus olhos e enumerar teus atributos em épocas vindouras... Diriam: o poeta mente! A Terra jamais foi acariciada por tal toque divino. Sara disse.

— Definitivamente Shakespeare vai nos unir.

Unidos num só por Shakespeare? Não por ele em si, mas pelos pensamentos que retratavam exatamente o que eles sentiam um pelo outro.

FIM

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