Unidos Pelo Caos

52 Nem Tudo Está Perdido


Notas iniciais
Gente, gente, Obrigada a todos que ainda acomapanham a fic. Como eu sempre digo, muita coisa acontece na minha vida e infelizmente não consigo dedicar meu tempo as coisas que amo fazer como escrever e entreter voces com minhas historias, Espero poder postar com mais frequencias... pois ja estamos quase no fim dessa fanfic que amei compartilhar com todas vocês; Tenham uma boa leitura e são seus recadinhos que me impusionam a continuar escrevendo ela. Bjkas

Apesar de ainda ser madrugada, todos os presentes continuavam acordados. Daryl que ainda me mantinha presa em seus braços finalmente me soltou. Se curvou para que seus olhos azuis ficassem da mesma altura dos meus e me segurou pelos ombros.

–Emily... A cidade esta sem proteção. Ainda tem muitos zumbies por aí atraídos pelo fogo e pelos tiros e todas as pessoas que sobreviveram estão aqui no abrigo.

–Eu entendo, Daryl... – eu respondi percebendo o que ele queria dizer.

–Os portões não vão aguentar. Vou precisar deixar você aqui. Promete que vai se cuidar? Promete que vai ficar bem?

Eu assenti cabisbaixa. Minha voz estava rouca pela falta de uso e pelo nó na minha garganta que crescia a cada instante.

Ele me deu um beijo na testa e caminhou até a porta.

–Daryl aonde vai? -Michonne perguntou a ele.

–Vou cuidar dos muros antes que apareçam mais.

–Eu vou com você. – ela respondeu. Em seguida ela e Daryl saíram trancando a porta.

Eu aproveitei o silêncio da sala e fui tratar das pessoas que precisavam de algum apoio.

Conforme o dia foi amanhecendo, o pessoal foi aos poucos saindo do abrigo, diziam que iam ajudar a arrumar a bagunça deixada lá fora da noite anterior. Daryl ainda não retornara. Devia estar em cima dos muros fazendo vigia. Aquele barulho e aquele fogo devia ter chamado atenção não só dos zumbies, mas de outras pessoas também.

Agora que eu parara para pensar no assunto... As pessoas que moravam ali não estavam felizes com a nossa presença. Martins e os outros que nos atacaram eram a prova viva disso. Era como se fossemos intrusos. De repente passei a olhar para elas como inimigas, como se fossem me atacar a qualquer momento.

Tentei afastar esse pensamento perturbador para longe, mas era quase impossível. Rick ainda estava ali com Judith em seu colo, ele também não havia dormindo. Aproximei-me com receio. Eu sabia que ele não me culpava pelo ocorrido, mas eu me sentia responsável mesmo assim. Era eu quem estava com Judith durante o ataque.

A essa altura, a menina já devia estar ardendo em febre, logo pararia de respirar e... e...

–Emi... Pode por favor, me dizer por quanto tempo ainda terei minha filha... Antes que ela... Se transforme.

Ouvir aquilo do Rick partiu meu coração. Ele estava inconsolável. Eu me aproximei mais e coloquei a mão na testa de Judith.

–Estranho... –murmurei.

–O que, Emily?- Rick perguntou com urgência. – O que é estranho, me diga?!

–É que já se passou várias horas e ela continua com temperatura corporal de antes.

–O que isso tudo quer dizer? –Rick me olhou com esperança.

Eu me afastei dele e corri até uma estante e comecei a abrir e vasculhar as gavetas. Uma hipótese havia surgido e eu precisava confirmar.

–Achei! – eu exclamei ao encontrar o que procurava. –Rick me deixa colocar esse termômetro na Judith, por favor.

Esperei uns dois minutos e tirei o termômetro. Marcava 36°C.

–Não se alterou? Continua igual. –eu me virei para Rick. – Pode parecer loucura o que vou dizer, mas acho que a Judith é imune. É só uma suspeita... Por favor, não quero criar falsas esperanças... No entanto precisamos confirmar pra ter certeza...

–Quer dizer que minha filha não vai virar uma daquelas coisas?

–Eu não posso confirmar, mas olha as evidências? Já se passou várias horas, era pra ela já está morta ou no mínimo com uns 40°C.

Rick se levantou e deitou a pequena que ainda dormia na maca.

–Ela pode então não ter sido atingida por um zumbie. Você disse que o Carl estava com ela, pode ter sido ele então.

Eu não respondi. Achei melhor não alimentar esperanças. No mundo cientifico primeiro precisávamos provar nossas teorias antes de afirmar algo e o sorriso que se formou em seu rosto era tão radiante que eu não queria interferir.

–Rick cuide de Judith, tudo bem? Eu preciso fazer algumas coisas, mas assim que puder eu volto.

Ele se aproximou de mim e me abraçou. Foi um abraço tão forte e tão puro. Suas lágrimas molharam meu rosto, mas eu não me importava. Levantei meus braços e o abracei de volta.

–Eu vou à enfermaria pegar alguns remédios pra cuidar da ferida dela. Eu já volto.

Secando minhas lágrimas que também escorriam o deixei e segui em direção à enfermaria, mas no meio do caminho fui chamada. Erguendo os olhos para o sol matinal vi que Daryl gesticulava por sobre a amurada. Subi com dificuldade as quinquilharias que serviam de barricada e logo estava em seus braços;

–Como ela está? –Daryl me perguntou com a voz preocupada.

–Não tenho uma resposta... ela ainda parece normal.

–Mas era pra ela está com...

–Febre, é, eu sei. Contudo ela continua estável. Acho q ela desenvolveu algum tipo de imunidade ao patógeno...

–Mas isso é possível? –Daryl fez a mesma expressão de esperança do Rick.

–É tudo muito confuso, mas é possível sim. Ela nasceu depois da epidemia. Um patógeno como esse pode ter sofrido alguma alteração. Infelizmente só temos a Judith como evidência. Maggie está grávida, mas vai demorar até a criança nascer. –eu então percorri a cidade com o olhar cansado, já não dormia a várias horas.

Parecia que um tornado tinha varrido Alexandria. Apesar de ter pessoas ajudando na remoção dos corpos ainda havia muitos outros espalhados. Michonne se aproximou de nós dois e eu me soltei de Daryl.

– Alguma novidade? –ela perguntou taciturna.

–Agora que você tocou no assunto tem sim. – eu sussurrei. – As pessoas daqui não estão felizes com a nossa presença. Eu e Carol fomos atacadas por gente daqui mesmo. Elas fizerem um motim que deu errado. Se aproveitaram do fato de ter poucas pessoas cuidando da cidade.

– Eu disse que eles eram um grande grupo de babacas. Não sabem nem fazer um motim. – Daryl resmungou.

Eu suspirei, no entanto tive que concordar com Daryl.

– Por mim, iria embora daqui agora mesmo. Não quero dormir sabendo que alguém pode invadir minha casa só porque não foram com nossa cara. Mas temos a situação da Judith. – eu disse de forma analítica.

– Temos a Deanna. Podemos conversar com ela. – Michonne rebateu.

– E o que ela vai fazer? Vai prender todos dentro de uma cabana e passar o cadeado? As pessoas que atacam Carol e mim já estão mortas. Mas garanto que não eram só os três. Deviam ter mais. Quem abriu o portão, por exemplo? Os tiros que ouvimos?

–E o que faremos então? –Daryl perguntou;

– Eu não sei vocês, mas eu ainda tenho coisas pra fazer. No momento a única coisa que me importa é a Judith. Vou pedir para a Carol trazer algo pra vocês comerem. Até mais tarde.

Dei um beijo em Daryl rápido e desci do muro. Na enfermaria peguei um uma caixa onde coloquei vários remédios para infecção, inflamação e febre dentro. Porém a minha suspeita ainda tremulava na minha cabeça. Eu precisava confirmar a meu palpite. Se eu conseguisse provar que a imunidade era verídica eu salvaria vidas. Antes de sair da sala peguei uma agulha, um tubo a vácuo e um adaptador próprio pra coleta.

Chegando ao abrigo, Rick se levantou e se aproximou de mim.

– O que está fazendo com essas coisas na sua mão?!

–Desculpe, mas eu preciso de um pouco de sangue da Judith. Juro que não vou machuca-la.

Rick parecia resoluto, mas deixou-me coletar uma amostra que eu guardei no congelador de uma geladeira improvisada.

– Precisamos encontrar alguém infectado para fazermos o teste. O problema é que não podemos infectar alguém de proposito.

– E o que você pretende fazer? – Rick perguntou descansando as mãos na cintura.

– Eu vou sair com o Daryl... Vamos procurar alguém que tenha sido mordido ou alguém a beira da morte e vamos fazer o teste.

– Isso é loucura. Você nem ao menos tem conhecimento sobre biomedicina como espera criar uma cura? Ainda mais do sangue da minha filha! Ela não vai servir de experiência pra você Emily!

Eu suspirei, mas continuei calma.

– Rick eu não estou transformando a Judith em um rato de laboratório. De forma alguma! No entanto, não podemos mais viver fugindo, a Judith vai crescer sozinha num mundo onde todos de uma forma ou de outra serão mortos por esses malditos cadáveres. Ela não vai querer isso e eu também não.

Eu peguei uma bolsa vazia e coloquei vários utensílios médicos dentro. Eu iria atrás de uma possível cobaia e se Daryl não quisesse ir comigo eu iria sozinha.

Deixei Rick cuidando de Judith e segui até minha casa. Lá eu peguei algumas armas, roupas e mantimentos.

– Aonde você vai com essa expressão carregada de ódio? –Daryl pulou do muro e caiu de pé na minha frente.

– Você vem comigo? – eu perguntei.

–Mas aonde vamos?

– Só me diga se vem comigo Daryl. Confia em mim?

–Sempre. Vou pegar minha moto.

Eu esperei alguns minutos e logo ele voltou. Eu subi na garupa e deixamos a cidade com a luz do pôr do sol.

[...]

– Você ainda não me disse aonde vamos, Emi? –Daryl finamente perguntou. –Estamos indo buscar remédios pra Judith?

–Não. Estamos indo atrás de outra coisa...

–Se eu não te conhecesse diria que enlouqueceu. – Daryl sorriu.

A estrada continuava por muitas milhas e até aquele momento não encontrei sem um ser vivo. Apenas os zumbies. Suspirei tensa. Eu queria por um fim a tudo aquilo, mas sozinha era impossível. Abracei-me ao Daryl. Meu único conforto no momento e juntos continuámos seguindo até que a noite e o vento forte nos atingiu.

[...]

Um homem fortemente armado correu em direção ao grupo que o aguardava com ansiedade.

–Senhor, senhor. Estou ouvindo um barulho de moto vindo em nossa direção. O que faremos?

Um mulato de porte físico robusto virou-se para ele.

– Vamos lhes dar as boas vindas. – respondeu de forma séria.

Então fez um movimento com a cabeça que logo foi entendido por todos os presentes. Cada um pegou sua metralhadora e em movimentos coreografados se posicionaram de forma estratégica para verem a estrada sem serem vistos por quem vinha nela.

– Quem será que vem por aí...?