Unidos Pelo Caos
54 Éramos um único ser.
Notas iniciais
A general Eloise Marchal pediu que a seguíssemos alegando que o que ela nos mostraria, faria com que mudássemos de ideia quanto a ajudá-la. Sem muitas opções disponíveis aceitamos acompanhá-la.
Ela saiu da sala de vidro e foi na frente, eu e Daryl logo atrás e o soldado armado em nosso encalço. Enquanto caminhávamos, Daryl e eu prestávamos atenção a tudo e todos ao nosso redor na expectativa de que surgisse uma oportunidade de fuga, mas o lugar era absurdamente grande e havia milhares de portas e corredores.
— Entrem. – disse ela finalmente parando de caminhar e abrindo uma porta.
Receosa, olhei para Daryl.
— Estão esperando o que? Entrem!
Daryl pegou minha mão e juntos, entramos. A apreensão era enorme, meu coração palpitava com tanta força que chegava a doer. Mas eu encontrava conforto ao me concentrar apenas no calor que emanava da mão suada de Daryl presa a minha. Com passos lentos entrei na sala. Surpresos, nos deparamos com uma sala de aula onde muitas crianças ouviam uma mulher que devia se a professora contar uma história.
— Estão vendo? – a general sorriu ao ver nossas caras de espanto. – Aqui não fazemos prisioneiros. Aqui nos ajudamos às pessoas.
Eu ainda não estava convencida e ela pareceu ler meus pensamentos.
— Venham, tem mais coisas que quero mostrar a vocês.
[...]
Com a guarda baixa, deixamos que ela nos guiasse por toda a extensão onde conhecemos a maternidade, a sala de pesquisas e a horta. Eu estava deslumbrada com tudo que víamos, parecia ser um conto de fadas. Então quando a expedição acabou paramos no refeitório para descansar.
—Devem estar com fome depois de tudo que viram, vou pedir que lhes tragam algo para que vocês comam. Já volto. Raphael venha comigo.
— Mas senhora, eu tenho que vigiá-los; – o soldado falou.
Eloise lançou um olhar bondoso e ao mesmo tempo zombeteiro para nós antes de respondê-lo.
— Não se preocupe... confio neles e mesmo que não seja o caso, eles não iriam longe. E eles também devem ter um tempo pra pensar em nossa proposta.
O soldado assentiu e a seguiu.
Eu e Daryl ficamos pasmos com aquele voto de confiança dado a nós, se é que realmente foi isso mesmo que aconteceu.
Aproveitei esse momento para conversar com Daryl.
— O que achou Daryl? – perguntei.
Ele me fitou com seus olhos azuis e desconfiados. Ficou pensativo por um momento, mas logo me respondeu.
— Me parece um bom lugar... é como se o mal nunca tivesse chegado até aqui... Como se a vida continuasse normal. Se nós já tivéssemos a cura...
Eu respirei fundo. Olhei para os lados: a general e o soldado ainda não havia voltado e naquele momento estávamos sozinhos no refeitório.
— Daryl... eu acho que encontrei a cura. Calma, calma. – eu me apressei a acrescentar quando ele fez um gesto brusco.
— Que?!
— Lembra o que aconteceu com a Judith? Ela não sofreu a transformação depois que foi arranhada por aquele zumbi. Nem febre sentiu. Mas sabemos que esse é o principal sintoma. Então decidi sair de Alexandria com você para encontrar alguém já contaminado ou alguém que pudéssemos contaminar. Alguém sem escrúpulos. Então eu colocaria uma dose do sangue dela.
— E mais alguém sabe disso?
— Não... mas acho que o Rick desconfiou.
— Emily... se isso for possível... Eu nem sei o que dizer quanto a isso. – Daryl parecia maravilhado e ao mesmo tempo atônito. Ele sorriu e vi em sua íris um brilho cristalino de esperança que há muito tempo não via naquele olhar que tanto eu amava.
Antes que eu pudesse responder, a general retornou e não estava sozinha, trazia consigo um homem idoso.
— Senhores este é Donald Cooper, acho que se lembram dele.
Assim que ouvimos o nome, Daryl e eu nos levantamos em respeito. Estávamos diante de ninguém menos que o presidente dos Estados Unidos em pessoa.
— O senhor Cooper ainda é nosso presidente já que não teve mais eleições depois que tudo começou. É ele quem manda no lugar.
Se ainda havia mais algum motivo para desconfiar, naquele momento eu esqueci. A presença do presidente comprovava que estávamos realmente em uma base do governo.
— Então era aqui que o senhor tava quando começou todo esse inferno? – Daryl perguntou a ele de maneira depreciativa pouco se importando com a pessoa que estava a nossa frente.
— Daryl... não é assim que se fala com o pres... – eu tentei corrigi-lo, mas ele me interrompeu.
— Dane-se Emi. Esse cara só tem titulo. Enquanto centenas estavam morrendo nesse inferno ele estava seguro aqui.
Eu arregalei os olhos, constrangida. Sabia que Daryl não se importava com status e nem hierarquia, mas quando se está em um lugar desconhecido cheio de pessoas armadas...
Para minha surpresa, o presidente começou a rir para descontrair a minha frustração.
– Tudo bem, tudo bem, ele está certo. Quando tudo isso começou meus assessores me jogaram dentro de um helicóptero e me trouxeram pra cá. Tentei comandar as tropas daqui, mas esse vírus é incurável e só trouxe mortes. Além de mim, há outros governadores e parlamentares dentro dessa base. Enquanto não encontramos a cura vamos levando a vida da melhor maneira possível.
Ao ouvir de novo a palavra “cura” me esforcei para não olhar Daryl. Eu ainda não podia confiar totalmente neles, quem sabe o que fariam com Judith caso fosse capturada...
– Bom, vamos comer então? – o presidente falou e na mesma hora um alarme soou barulhento.
Como uma coreografia ensaiada, centenas de pessoas começaram a entrar no refeitório e logo uma fila se formou.
– Nós precisamos entrar na fila para comer? – perguntei insegura.
– Não, minha querida, hoje vocês são nossos convidados. – disse o presidente segurando em meu ombro. O gesto não passou despercebido por Daryl que se contentou em apenas olhar feio.
Sentamos novamente nas cadeiras e logo uma moça trouxe nos os pratos contendo uma sopa de tubéculos.
– Essas batatas vêm das nossas hortas. – o presidente disse orgulhoso.
— Aposto que não foi senhor quem plantou, não é? – Daryl alfinetou de novo.
— Realmente... nunca peguei numa pá para plantar, esse trabalho deixo para o pessoal responsável pelas hortas. – o homem respondeu ainda bem humorado.
Cooper cortou um pedaço de batata de seu prato e estendeu a colher para mim.
— Prove esse aqui. Veja como a comida está gostosa.
Eu, sem jeito tentei recusar, mas ele insistiu.
— Tudo bem, então. – abri a boca e comi a colherada que ele me oferecia. Um pouco do caldo rolou pelo canto da minha boca e rapidamente ele passou a mão para limpar.
— Hum-Hum. – a general pigarreou de maneira desconfortável. O presidente percebendo o que fez desculpou-se e voltou a se concentrar em seu prato. Mas antes lançou um olhar cheio de significado para mim.
Vermelha de vergonha, tentei disfarçar virando-me para Daryl.
— Daryl, meu amor, como está a sopa? – olhei de relance para o presidente que percebeu a minha indireta.
— Já comi coisa melhor, mas está bom sim.
Depois de terminamos a sopa em silencio a general nos levou a um quarto de casal.
— Durmam hoje aqui, amanhã cedo venho buscar vocês e espero que já tenham a resposta para minha proposta. Durmam tranquilos, aqui ninguém lhes fará mal, eu garanto. – Obrigada. – respondi.
Quando estávamos somente nós dois no quarto, revistamos os cantos em busca de câmeras e microfone escondidos, mas não achamos nada.
— Eu vou aproveitar que tem um chuveiro quente e vou tomar banho. – eu disse enquanto ele se sentava na cama.
— Tudo bem. – Daryl me respondeu sucinto e logo percebi algo errado.
— O que foi? – eu parei no meio do caminho.
— Aquele velho barrigudo gostou muito de você.
Eu sorri.
— Ele tem bom gosto... Mas eu tenho mais ainda porque escolhi você para ser meu parceiro. – respondi abraçando ele por trás.
— Na verdade fui eu que escolhi você. – ele me respondeu sorrindo e percebi que consegui animá-lo de novo.
— Eu me lembro muito bem, senhor Dixon, que eu entrei naquela barraca por contra própria. – provoquei.
— Claro que não... – ele rebateu, desta vez me puxando pra frente onde cai no seu colo. – eu te peguei no colo e te arrastei para dentro.
Nossos rostos estavam muito próximos. Fazia um tempo em que não ficávamos a sós daquele jeito. Eu podia ver todas as linhas de sua face... as pequenas rugas que começavam a surgir em sua têmpora...
Eu diminui o espaço que ainda existia entre nós e lhe beijei. Um beijo terno e sensual. Daryl respirou fundo e em seus olhos ardia uma paixão adormecida que parecia ter despertado com meu toque.
Ele me puxou para e intensificou o beijo. Perdi-me naquele momento e já não importava onde estávamos e se sobreviveríamos depois dali. Eu só me importava com aqueles lábios presos aos meus. Colados. Amassados. Apaixonados.
Daryl tirou minha blusa e em seguida meu sutien. Seus lábios desceram de meus lábios para meu pescoço nu e em seguida para meus seios. Eu me contorci de prazer ao sentir sua lingua roçando com delicadeza meu corpo. Eu me ajeitei em seu colo e tirei sua jaqueta e depois sua blusa. Minha boca percorria seus lábios, seu pescoço, seu torço... enquanto minhas mãos fincavam nas suas costas de forma voraz.
— Eu te amo Daryl. Eu te amo.
Minhas palavras pareciam ter dado sinal verde pra ele, pois após ouvi-las, seus toques e suas caricias se intensificaram. Ele me jogou na cama e tirou o restante da minha roupa enquanto eu tirava as suas. Daryl me ergueu e me encaixou no seu quadril enquanto eu me segurava em seu pescoço. Ele caminhou em direção ao banheiro comigo ainda presa a ele. Ligou o chuveiro e água quente caiu sobre as minhas costas.
Não pude deixar de soltar um grito de prazer com a sensação. Daryl riu baixinho ao fincar seus dedos nas minhas nádegas. Ele caminhou até fazer as minhas costas baterem na parede. Senti-me presa entre a parede fria e o corpo ardente dele. A água quente caindo sobre nossas cabeças me fazia esquecer de todo o resto. Naquele momento, só havia Daryl e eu e nada podia nos atingir ou nos assustar. Nós éramos um único ser.
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