Unidos Pela Dor
4 Capítulo 3
Notas iniciais
***
__Com toda essa confusão nem tinha reparado que está manchado de sangue__Diz o Doutor Rubens enquanto caminhava pelos corredores ao lado de Esteban.O hospital era imenso dividido em várias alas! Teriam que caminhar cerca de 10 minutos para chegar onde estava localizado o quarto de Maria...Iniciar uma conversa podia fazer com que fossem mais rápido, pois quando estamos distraídos o tempo voa! Assim Rubens o fez...
__Já até o tinha esquecido. Meu pai estava tão transtornado que também não reparou__murmurou Esteban
__Se ele reparar-se com certeza diria para você se limpar antes de se contaminar com a loucura da Maria__Risos__É sangue dela não?__Diz o Doutor Rubens
__Sim ele diria isso__Sorriu__Meu pai é muito exagerado e humorado!__Suspirou__Não merecia toda essa dor!
__Tudo ficará bem acredite! Seus pais são fortes e vão superar isso.
__Estou confiando nisso
__Mas..Diga-me o que fará com sua esposa?
__Minha esposa?
__Sim! Seu pai me contou tudo.Espero que não se importe e fique irritado por ele ter me contado
__Como me iria irritar? Você é meu amigo! E me alegro que esteja inteirado assim pode me aconselhar
__Agradeço pela confiança! me diz o que tem em mente
__Irei denunciar-la e anularei meu casamento.Ela irá pagar por tudo isso
__Faz bem, mas e Beatriz?
__Não sei o que fazer a respeito dela estou tão confuso
__Esteban ela não tem culpa das atitudes de Cristina é só uma vítima como você nessa história! Ela é uma criança que te ama muito e para ela você é o pai
__Tem razão ela não tem culpa.É minha filha apesar de tudo e espero que esteja bem, temo por ela porque esta com Cristina! Ela não está segura
__Acha que Cristina seria capaz de fazer algo contra a menina?
__Dela posso esperar tudo! Nunca demonstrou carinho pela menina e foi por atitudes assim dela que comecei a suspeitar que algo estava errado
__Quem é essa mulher Esteban? Com quem você se casou?
__Não sei meu amigo! Isso é o que me pergunto sempre.Por isso tenho que encontrar-la
__Irei ajudá-lo com isso! Conte...
__Rubens?__Interrompeu Esteban olhando fixamente para o corredor que acabará de entrar
__O que foi?
__Olhe ali
Rubens levou o olhar para o fundo do corredor encontrando uma mulher arrastando-se enquanto segurava-se nas paredes...
__Maria? O que ela faz fora do quarto? __O Doutor correu até o encontro de Maria visivelmente irritado.Esteban o seguiu
__Maria! O que faz fora do quarto?__Perguntou o Doutor Rubens e com um tom de voz elevado
Maria sustentava a expressão assustada enquanto segurava fortemente uma das janelas do corredor para equilibrar-se por ter uma das pernas engessada.Seus cabelos negros sedosos a altura dos seios estavam totalmente despenteados, seus olhos verdes penetrantes estavam inchados denunciando o quanto chorou.Em seus olhos não havia brilho eram cobertos pela dor tornando o verde escuro! Sua pele branca estava rosada com alguns imatomas roxos, sua boca bem desenhada estava seca, ferida e avermelhada e em suas bochechas tinham um leve coramento.Sim estava levemente corada e apesar de tudo estava incrivelmente bela.Esteban a observou fixamente e apenas desviou o olhar ao perceber o som grave da voz de Rubens novamente...
__Responda Maria!
Ela não respondeu apenas afastou-se e acabou desequilíbrando-se.Esteban a segurou pela cintura!
__Solta-me...Solta-me__Gritou Maria se debatendo nos braços de Esteban
__Venha Esteban acompanha-me até o quarto e a coloque na cama__Disse o Doutor adentrando o quarto.Esteban o seguiu com Maria no colo que ainda tentava se soltar.
__Irei chamar um enfermeiro para aplicar um calmante nela.Você fica aqui e tenta tranquilizar-la
Esteban Assentiu e Rubens logo se retirou deixando Esteban e Maria à sós!
__Acalme-se por favor__Diz Esteban abraçando forte Maria que continuava a se debater
__Solta-me tenho que sair daqui..__Gritava Maria
__Não vou solta-la até que acalme __Diz Esteban ainda a abraçando
__Eles vão me dopar, não quero ajuda de ninguém,não quero agulhas em mim___Ela voltou a chorar
__Não vão te dopar está bem!
__Eu sei que vão! Você não entende...Solta-me por favor__Diz um pouco mais calma
__Não vou deixar que o façam.Irei solta-la, mas você me promete que ficará calma e não tentará fugir?
Ela assentiu e Esteban a soltou aos poucos
__Não chore mais!__Disse Esteban deslizando as pontas dos dedos na pele delicada de Maria para secar suas lágrimas como minutos antes tinha acariciado sua mãe.Maria estava cabisbaixa
__Se eu tivesse motivos para sorrir__sussurrou Maria elevando o olhar para encontrar o de Esteban
__Eu também não tenho! Mas busco encontrar-los...
Ela o analisou por uns segundos e o afastou
__Odeio-te__Murmurou Maria o encarando
__A mim? Mas porque?
__Me trouxe para este lugar! Me prendeu aquí...
__Porque age assim?Porque empenha em acabar com sua vida?
__Esteban San Román?__chamou a voz de um enfermeiro que adentrava o quarto impedindo que o silêncio começasse já que Maria não demonstrou nenhuma intenção de responder a pergunta de Esteban
__O que deseja?__Perguntou Esteban afastando-se de Maria
__O Doutor Rubens o está chamando com urgência em sua sala!__Informou o enfermeiro
__O que houve? __Diz Esteban sem disfarçar seu nervosismo
__Não sei do que se trata ele apenas me disse para o chamar com urgência e pediu para vim aplicar um calmante...
Maria arregalou os olhos
__Não!__Interrompeu Esteban__Não irá aplicar nada nela! Não é necessário...Ela não tentará mais fugir__Diz olhando para Maria que apenas assentia
__Mas senhor...
__Já disse que não! Acompanha-me até o Doutor que falaremos sobre isso...__Disse enquanto caminhava até a porta com o enfermeiro logo atrás
__Esteban!__Chamou Maria impedindo que nosso galã deixar-se o quarto para levar o olhar de encontro com o daquela mulher tão misteriosa
__Um dia te contarei__Concluiu Maria
Esteban nada disse, apenas acenou positivamente e se retirou ao lado do enfermeiro que tentou acompanhar-lo.Sim tentou pois Esteban praticamente corria pelos corredores! Estava novamente dominado pelo nervosismo...Temia por sua mãe e chegou a amaldiçoar o hospital por ser tão grande e complexo...
Depois de mais ou menos 5 minutos, Esteban chega a sala de Rubens totalmente ofegante encontrando um homem negro elegante vestido formalmente com um terno, ele teria por volta dos 35 anos e estava acompanhado de Antônio onde os dois mantinham uma conversa de extrema importância com o Doutor Rubens.O enfermeiro preferiu aguardar do lado externo da sala.
__O que houve? Aconteceu algo com minha mãe? __Perguntou preocupado
__ Tranquilo Esteban sua mãe está bem.Quero lhe apresentar o Delegado Sanz
__Muito prazer...Esteban San Román__estendeu a mão em comprimento ao elegante homem
__Jorge Sanz...O prazer é meu__Respondeu o Delegado aceitando o comprimento ao pegar na mão de Esteban
__Me avisaram que queria falar comigo com urgência Rubens__Aproximou-se Esteban sentando-se na cadeira mais próxima
__Sim é verdade.O chamei porque o Delegado Sanz apareceu aqui o procurando para falar contigo de algo importante
__Não entendo! Do que se trata?
__Senhor San Román eu e minha equipe fomos a um determinado local onde estava acontecendo uma troca de tiros, felizmente não houve feridos e acabamos predendo alguns dos homens...
__Onde o Senhor quer chegar com isso?__Interrompeu Esteban
__Uma das pistolas aprendidas que estavam com esses homens está registrada em seu nome
__O que? Mas como?
__Certamente Cristina levou sua pistola quando fugiu e deve ter vendido para um desses rapazes__Disse Antônio
__Sim pai pode ter sido isso...não tem outra explicação!
__Vim para pedir que vá o mais breve possível à delegacia para recolher sua pistola e esclarecer do porque essa arma estava em outras mãos__Disse o Delegado
__Amanhã estarei lá e aproveitarei para fazer uma denúncia__Afirmou Esteban
__O Estarei esperando Senhor San Román...Bem, agora tenho que ir__O Delegado levantou-se e após comprimentar a todos se retirou e o enfermeiro que aguardava a fora adentrou a sala.
__O que faz aqui?__Perguntou Rubens ao ver o enfermeiro
__Eu pedi que me acompanhar-se até aqui Rubens__Manifestou-se Esteban
__O Senhor Esteban não deixou que aplicar-se o calmante na paciente Maria
__O que aconteceu com ela?__Perguntou Antônio
__Eu e Esteban encontramos a Maria tentando fugir, ela estava arrastando-se pelos corredores e quando Esteban a deteve começou a gritar e debater-se__Explicou Rubens
__Eu disse para levarem a corda!__Sorriu
__Pai..__O olhou com reprovação
__Porque não permitiu que aplicassem o calmante Esteban?__Perguntou Rubens
__Eu já havia a tranquilizado e prometi que não deixaria que a dopasem se ela não tentasse mais fugir...Fizemos um acordo e ela aceitou! Ela só está com medo Rubens
__Ok está bem...Pode retirar-se não é necessário a aplicação__Rubens disse para o enfermeiro que apenas assentiu e se retirou
__Se eu fosse vocês não confiava nessa mulher__Murmurou Antônio
__Pai ela não é louca, apenas está com medo do que sente! Ela guarda alguma mágoa ou dor...Tenho certeza que ela vai cumprir o acordo
__Tudo bem, não falo mais nada!__Sussurrou Antônio
__Concordo contigo Esteban! Bom mais tarde passarei por seu quarto para vê-la, agora vou ver como segue sua mãe. Vocês deveriam ir para casa descansar
__Não sairei daqui__Afirmou Antônio
__Antônio sua presença aqui não é necessária! Não há nada que você e seu filho possa fazer a não ser esperar.Vá para casa e descanse para está bem amanhã quando sua esposa despertar, Assim você poderá também acompanhar Esteban até a delegacia
__Rubens tem razão pai! Hoje o dia foi duro para nós dois...Passamos e estamos passando por momentos dolorosos.Precisamos descansar, está com a mente aberta para decidir o que faremos. Temos que está bem para a mamãe
__tudo bem me convenceram, mas quero que me ligue se ocorrer algo. Entendido?
__Prometo que ligarei se algo acontecer__Diz Rubens
__Tudo resolvido só vamos acompanhar-lo para que possamos nos despedir da minha mãe antes de seguir para casa
__Como Quiser
***
Esteban encontra — se no momento deitado sobre os lençóis brancos de uma das camas do quarto de visitas.Optou por não está em seu quarto de costume para não recordar Cristina! Mas como esquecer-la? A única causa de tanta dor.Hoje foi um dia daqueles que sim merece o título "Pior dia da minha vida", mas Esteban não o considerava por pensar em não ter mais "vida" estava morto e ao mesmo tempo vivo! Morto por já não saber sua própria identidade o seu "eu". Sua vida sempre foi a base de enganos e mentiras que sempre o levaram a dor.Como superar? Do mesmo modo que superou quando descobriu que era adotado? A verdade é que uma dor jamais pode ser superada. Em algum momento vai voltar a doer talvez com menos intensidade ou com mais força.Apenas nos resta aprender suporta-las, mas mal sabia Esteban que recordaria esse dia que estará marcado para sempre, mas o recordará com amor! Afinal tudo tem seu lado positivo
No quarto Esteban pensava em Maria. Sim a mulher estranha misteriosa.Recordava suas últimas palavras "Um dia te contarei"...Palavras que o deixou intrigado.Ela escondia algo! Um dia seria revelado? Esse dia seria na manhã seguinte? Ou será que esse dia estará mais longe do que Esteban pensava?
Uma coisa era certa! Surpresas esperavam nosso protagonista...
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