Unidos Para Sempre - H2, Drinny, R/L
8 Assombro
Notas iniciais
– Ginny mas o que raio se passa contigo?! Ficaste completamente louca! Tu tens noção sequer do que... Oh meu Merlin, Ginny! Estás parva tu!
Ron entrou a berrar pela porta d'A Toca.
– Deixa-me explicar!- Ginny tentava desesperadamente agarra-lo pelo braço.
– Ron!- gritava Harry.
– Mas o que diabos se passa aqui?- perguntou Molly, vinda da cozinha.
– Mãe!- gritaram ambos os filhos ao mesmo tempo.
Ron levou a mão à cabeça:
– Eu até tenho vergonha de contar...
– Ron! Acalma-te!
– Harry, mas como é que podes estar assim? Ela traiu-te. Vocês estão casados há anos, Harry! Como é possível isto acontecer?! — Ron berrava cada vez mais alto. — Tu és meu amigo e ela minha irmã. E com ele? Não! Porq...
– Eu já sabia!
Houve uma longa pausa até Arthur a interromper:
– Mas alguém nos pode explicar o que se está a passar?
Nesta altura já toda a família Weasley se encontravam na sala, primeira, segunda e terceira gerações.
– Tu... — começou Ron, num sussurro.- Tu já sabias?
– Ronronzinho, acalma-te...- Luna passou-lhe a mão pelo o peito que subia e descia com velocidade.
– Vai ter com os gémeos Katrina.- pediu Harry.
– Tu. Já. Sabias?!
– Ela contou-me tudo Ron... Logo no início. E eu aceitei. Ao princípio foi estranho como está a ser para ti. Bem... Não exactamente igual. Mas bastante estranho. Depois, com o tempo, fui-me habituando e, para dizer a...
Neste momento a campainha tocou. Ninguém se mexeu. Tocou outra vez.
– Fica quieto.- ordenou Luna a Ron antes de ir abrir a porta.- Mione! Oh meu Merlin, és mesmo tu? Entra, entra! Oh, as saudades que tínhamos de ti!
A silhueta de Hermione apareceu na esquina da porta. A estranheza estava estampada na cara dela.
– MÃE!
Katrina correu até Hermione.
– Oooh minha preciosa!
Hermione e Katrina abraçaram-se.
– Está tudo muito calado por aqui... — comentou Hermione.
– Oh! — gritou Molly como se tivesse acabado de acordar. — Desculpa Hermione! — agarrou-a pelos braços. — Estás tão grande. Ai! Como crescem!
Arthur concordou com um sorriso.
– Dá cá um abraço! — gritou Molly, abraçando-a sendo seguida imediatamente por Arthur.
Quando as pessoas pareciam mais relaxadas e prontas a cumprimentar Hermione, esta diz:
– Que faz o Malfoy à porta?
Instantaneamente, Ron avança em direcção à porta mas Harry e George conseguem agarrá-lo de modo a impedi-lo.
– Mas o que é que aquele filho d'um...
– Ron! Olha as crianças! — interrompeu Luna.
– Elas que se vão embora! Estas coisas não são vergonhas que elas possam ouvir.
– Vergonhas?! — Ginny chegou-se à frente. — Vergonhas! Olha, Ronald Weasley, tu podes ter vergonha de variadas coisas que fazes! Mas isso é contigo! Eu não tenho vergonha daquilo que fiz!
– Acabou-se! — gritou Molly, de repente. — Agora já chega! Primeiro tu — apontou para Ron. — vais-te sentar a bem ou queres que vá aí? — Ron sentou-se. — Temos visitas! Um bocadinho de respeito!
Depois com a voz muito mais suave pediu a Hermione:
– Querida, desculpa isto tudo... E vocês! — apontou para toda a família Weasley. — Não vêem a vossa amiga há anos e é assim que a recebem? Venham cá cumprimentá-la! Reunimos-nos todos para este momento e agora vocês estão a comportar-se como ridículos e a estragar tudo! Venham dizer olá!
De repente, Hermione ficou rodeada por cabelos ruivos.
– Tínhamos tantas saudades!
– Cada vez mais linda!
– Porque foste?
– Estás bem Ron?
– Achas? Desculpa isto Hermione. — abraçou-a fortemente. — Nem imaginas as saudades que todos tínhamos.
– Hermione!
– Ginny!
– Que saudades! Temos muito que conversar.
– É verdade.
– Mione...
– Olá Harry. Como estás?
– Bem. E tu? Como tens passado?
– Bem.
Abraçaram-se. Um abraço ao princípio desconfortável e no fim idêntico a peças de puzzle. Um abraço interrompido por Arthur:
– Disseste que um Malfoy está à nossa porta? — perguntou a Hermione.
– Sim, o filho do Lucius. — respondeu, quebrando o abraço.
– Huum? Que será que quer?
Começou a dirigir-se à porta.
– Onde vais? — gritou Ron, quase derrubando Luna que se encontrava sentada ao seu colo. — Vamos ver se percebi... Não estão a pensar trazê-lo para dentro.
– Ora Ron! — admirou-se Molly. — Não está propriamente calor lá fora!
– Se não começar a nevar brevemente admiro-me! — comentou Arthur.
Depois de se cumprimentarem, Arthur trouxe Draco para dentro.
Katrina nunca tinha visto um cabelo daquela cor. Tinha uma franja desarrumada e o cabelo estava, no seu geral, despropositadamente despenteado. O homem tirou a capa quente deixando-a repousar sobre o braço. Tinha uma camisa branca que deixava transparecer os músculos definidos e aumentava a brancura da sua pele o que contrastava imediatamente com o vermelho quente das pessoas daquela casa. Tinha calças pretas.
– Oh meu Merlin filho! Deves estar regelado! Vem aquecer-te à lareira. — Molly tocou-lhe no braço para o levar a outra sala mas Draco encolheu-se ao toque. — Vem... Talvez possas esperar lá, estamos a ter mais ou menos uma reunião de família. De certo compreenderás.
– Não, mãe — começou Ginny. — Ele pode ficar.
– Não filha, é um assunto de família.
– Ele está enterrado nisto até à ponta dos cabelos! — resmungou Ron, entre dentes, olhando o louro com um olhar ameaçador.
– Bem... Se quiseres ficar então vem e aquece-te.
– Não será necessário, Srª Weasley. Eu estou bem.
– Não estás coisa nenhuma! — gritou Arthur. — Estás a tremer de frio.
Arthur arrastou-o até à lareira e voltou para perto de Molly ainda a tempo de ouvir um "obrigado" de Draco.
Houve uma pausa. A tensão permanecia no ar.
– Eu estou à espera que alguém se explique. — disse Arthur.
– Queres que alguém se explique? — perguntou Ron de forma retórica. — Oh, eu explico-me. O que se passa é que a tua filha anda a dormir com o Malfoy!
Arthur ficou petrificado tal como Molly. Tal como toda a família Weasley. Tal como Hermione. Até mesmo Malfoy, ele tinha pensado numa forma mais suave para dizer aquilo, com certeza existia uma forma mais suave. Apesar de observar claramente as reacções de choque na face dos indivíduos da sala, Katrina não entendia a implicação que aquele facto tinha.
– Ginny... — começou Molly. — Isto é verdade?
– É. — confirmou-lhe Ginny.
Vieram lágrimas aos olhos de Molly.
– Filha... Tu és casada.
– Não Molly... É isso que estava a tentar explicar. — Harry foi para o meio da sala. — Eu sabia de tudo. A sua filha foi impecável. Ela nunca me traiu. A verdade é que nós deixámos de gostar um do outro, de forma natural. Quer dizer, nunca irei deixar de gostar dela, não é? — Harry puxou Ginny para um abraço apertado. — Mas não era a mesma coisa... Nós estamos casados há pouco mais de 3 anos. E apercebemos-nos pouco depois de casarmos que este casamento tinha sido um erro, tínhamos sido... Aham... Pressionados, por assim dizer... E não nos amávamos o suficiente para sermos marido e mulher. Ela contou-me da sua relação com Draco. E eu aceitei. Nós estamos casados somente por papel. Já não temos nenhuma relação amorosa. — de repente os olhos chocados de Hermione cruzaram os de Harry, então ela corou imediatamente.
– Aliás, não é nada de importante. Não é preciso fazer escândalo. É só um caso "de uma noite". Não envolve sentimentos mais profundos. — acrescentou Ginny.
– Pooois... Nisso terei de discordar. — contrapôs Harry. — Eu já não conto uma noite, nem duas. E em relação aos sentimentos, vejo que se continuam a enganar.
– Cala-te Harry, eu é que sei! Pára de opinar!
Harry revirou os olhos.
– Mas Ginny, se é só um caso banal não podias escolher alguém melhor? — riu-se George. — Estou-me a rir porque a cara do Ron está muito engraçada! Hahaha! Mas realmente também não sou muito fã disto.
– Ninguém tem de ser fã disto! A vida é minha! — gritou Ginny.
– Mas filha, — começou Molly. — tu percebes as implicações que isto terá a nível social. Tu estás casada, o Malfoy tem uma família completamente diferente da nossa. — Molly olhou Draco. — Tenho a certeza que a tua família não sabe deste caso.
– Tem razão. — respondeu-lhe Draco.
Arthur chegou-se à frente.
– Agora está feito. — aproximou-se de Draco. — Isto irá saber-se mais cedo ou mais tarde, será contado pelos miúdos ou será descoberto naturalmente. Tendo a vida que tens, não sei se estás pronto para assumir isto publicamente. Afinal... Apesar de, por acaso, sermos sangue puro damos-nos com Sangues de Lama — apontou Hermione, ironicamente. — E os meus melhores amigos são Muggles. Verdadeiros Muggles. Que dirá a sociedade?
– A minha vida está orientada e, contrariamente ao meu pai, eu não dependo da sociedade para a viver.
– Mas ninguém está a ver o mal aqui? — Ron gritou. — Ele pratica magia negra, tal como o pai e toda a sua familiazeca suja! E já nos esquecemos que lutou ao lado de Voldemort, Harry? E de tudo o que nos fez? Ele é um arrogante, chato e intragável.
– Lembraste que ele manteve uma posição neutra na guerra, lembra-te que nos salvou a pele e nem conseguiu matar Dumbledor. Aliás ficaria admirado se aquele rapazeco conseguisse matar uma galinha.
– Vê lá se queres que te mostre alguns troques, oh Testa Cicatriz.- retorquiu Draco.
– Hahahaha! Era giro ver isso!
– Mas... — interrompeu Ginny. — Quanto à parte de ele ser arrogante, chato, intragável e devo acrescentar a criatura mais irritante conhecida pela humanidade é sem duvida verdade.
Ginny sorriu para Draco. E, quando viu que este se conteve para não responder de volta, o seu sorriso ficou ainda mais aberto.
– Ela é a Ginny! É a nossa irmã! — gritou Ron. — Não podemos permitir isto! Sabes o que vai acontecer Ginny? Ele é um Malfoy! Ele deixar-te-à no momento em que se fartar de te ver as pernas abertas. Ele só te está a usar para sexo.
– CHEGA! — gritou Arthur.
Mas nesse momento a mão de Ginny Weasley já tinha estalado na cara de Ron.
– Não me fales assim! — uma Ginny vermelha e com lágrimas a encher-lhe os olhos apontava o dedo a Ron. — Não me falas assim, ouviste? Vê como me falas Ronald, eu sou tua irmã. Vais-me respeitar! Eu não deixo que fales comigo assim.
Mais uma pausa.
– Acabou. Filha, — Arthur chegou-se ao pé de Ginny. — nós educámos-te de maneira a tu distinguires o certo do errado. Fizeste a tua escolha e espero que estejas preparada para viver com as consequências. Mas, por favor, e isto terão todos que respeitar. Eu não quero ouvir mais nenhum comentário em relação à vida sexual da Ginny. — Arthur apresentava uma cor de pele semelhante à do cabelo de Ginny, e semelhante à do seu se este não estivesse já, na sua maioria, branco. — Filha... Apesar de... Aham... Racionalmente. Eu saber que tens uma vida... Sexualmente... Activa, — parecia que as palavras lhe custavam a sair. — serás para sempre a minha menina pequenina. E, por mais que eu não queira, faz-me muita confusão falar disto como se não fosse nada. Eu realmente não quero saber quantos homens tens ou não na cama. Ai meu Merlin! Pouco me importa, não me interessa! — Arthur abanou a cabeça como se quisesse expulsar algo do cérebro. — Tu lá sabes aquilo que fazes, meu anjo. Não iremos mais falar disto, principalmente não desta forma! Agora, vamos almoçar. — Arthur cheirou algo. — Não vos cheira a queimado?
– AII O PATO!- gritou Molly, voltando-se bruscamente e correndo até à cozinha. — OH MEU MERLIN! Os patos...
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