Unidos, Mas Em Constante Perigo
24 O fim
Notas iniciais
Deixem rewiens, por favooor!
O silêncio pesava naquela sala como se todos ali presentes estivessem diante do cadáver de um ente muito querido.
Mas era pior do que isso. Aquele silêncio representava o funeral da humanidade.
Os Escolhidos estavam em choque. Tudo fora em vão. Só poderiam matar ou Cronos ou Voldemort. O que acabasse sobrevivendo governaria o mundo da maneira mais horrorosa que encontrasse.
Acabado.
E aquele silêncio era a facada final, onde a arma branca ia se aprofundando bem lentamente no coração dos doze jovens, que passaram por tanta coisa para ver o planeta sucumbir em terror diante de seus olhos.
_ T-tem que haver outra maneira... – Travis foi o primeiro a falar, ele gaguejava.
_ E há. Mas não se animem. – pediu Dumbledore, depois esclareceu: – A outra maneira de matar Voldemort é destruindo as Horcruxes, como Harry já deve ter explicado, mas até conseguirem destruí-las o mundo já teria sido dominado pelo Lorde, de canto a canto. Para matar Cronos, só descobrindo seu ponto frágil, que o conecta com sua humanidade, Luke, pois, como também já devem saber, ele se banhou no Rio Estige, e isso, convenhamos, é fora de condição.
_ O que a gente faz, Professor? Por favor, o senhor deve ter uma ideia! – Hermione começara a chorar. Ela odiava quando as possibilidades estavam totalmente contra ela.
_ A única coisa que me vem em mente é que é melhor termos apenas um deles no comando, não os dois. – o diretor de Hogwarts realmente não tinha um plano B. – Devem escolher qual matar.
_ Temos que destruir Voldemort. – Annabeth nem pensou duas vezes. – Luke ainda está dentro de Cronos, talvez, se conseguirmos contato com ele, podemos...
_ Podemos o quê? Pedir piedade? – Percy interrompeu furioso. Ele estava totalmente destruído. Seu maior medo sempre fora que algo machucasse as pessoas que amava, que conhecia de vista, que eram humanas como ele, que eram seus colegas na escola normal e no Acampamento, enfim, pessoas de boa índole. O filho de Poseidon tinha medo de não poder fazer nada para impedir uma destruição dessas, e era exatamente o que ocorria. Além de que Annabeth, a garota por quem ele embarcara em tantas roubadas e por quem nutria um sentimento mais forte que ele próprio, estava defendendo o patife que causaram todas as desgraças da vida dele, e, acredite, foram muitas. Por essa razão, Percy estava fora do sério, encarava a loira com uma raiva jamais vista: — Em Annabeth? Responda! Ah, já sei! Você e Thalia, que conhecem Luke tão bem, podem pedir a ele uma mansão em Praga para as duas viverem enquanto o resto do mundo sofre com esse apocalipse.
_ Sabe que eu nunca faria isso! – a filha de Zeus disse ofendida.
_ Tem razão, desculpe. – Percy se virou para a filha da deusa da sabedoria, ele esperava que ela negasse, como Thalia, mas a garota não falou nada, só olhou pra baixo, envergonhada. – Mas você faria, não é? Você o ama. Você ama nosso inimigo número um não importa o quanto ele se esforce para tornar a vida dos humanos, dos seus familiares, dos seus amigos, a minha, a sua, verdadeiros infernos!
_ Para, Percy, por favor. – a loira sussurrou.
_ Por que não vai lá e diz para ele que mudou de lado? É isso que você quer, que todos querem, um final feliz com a pessoa amada. Você pode ter isso, é só dizer a Luke que se cansou de pertencer ao lado perdedor.
_ EU NUNCA DISSE ISSO! – a semideusa gritou.
_ Não é preciso! Você quer terminar a história com seu herói. E Luke é esse cara. – Percy falou e todos encararam Annabeth, ela continuou calada. – Viram? Nem se dá ao trabalho de negar. Gosto disso em você: sua sinceridade é comovente.
_ Para, Percy. – Sarah puxou Percy pelo braço, mas ele não quis nem saber:
_ E mais uma coisa: EU TE AMO. Sou louco por você e todo mundo já percebeu, eu, claro, fui o último a entender que nem paixão é. É amor mesmo. Mas nada que eu fizer vai estar bom para você, porque eu sou só um pirralho para a madura Annabeth Chase. Já vi que, ao seu ver, os mocinhos são sem-sal e deve ser muito mais interessante ‘amar’ um vilão, certo?
Então, a filha de Atena desabou em lágrimas e, já que todas as atenções estavam voltadas para a loira, Percy aproveitou e perguntou a Dumbledore:
_ Como essa espada funciona?
_ Tem que ter a energia de todos os Escolhidos, ou seja, todos devem tocá-la. — respondeu. – Mas se algum de vocês morrerem, ela perde o poder. Assim como se Roxanne e Sarah morrerem, pois elas são as criadoras de Constelação.
O filho de Poseidon não pensou duas vezes e pegou a espada, andou pelo escritório, encostando a arma de leve em cada um dos companheiros, e, antes de bater a porta, avisou:
_ Cronos morre hoje.
***
_ Eu vou atrás dele. – Harry disse depois de um tempo. O clima no escritório estava deplorável.
_ Eu também. – Gina passou o braço pelo do bruxo.
Annabeth fez menção de se levantar, mas Nico a segurou na cadeira.
_ Ele não quer te ver.
_ Eu irei. – adianta-se Dino.
Os três saem da sala na pista do filho de Poseidon.
Enquanto isso, Dumbledore trocava uma conversa baixa com Travis, que tinha a expressão tensa.
_ Sarah e Roxy, tenho uma pequena missão para vocês. Me sigam, por favor. – o filho de Hermes estava nervoso, mas as duas garotas fizeram o que ele mandou.
Sobraram Annabeth, Hermione, Thalia, Nico, Rony e o diretor da escola.
_ Sabe... Sabe que eu acho que tenho uma ideia... – soltou o ruivo.
_ Diga.
_ Li na biblioteca uma vez, na sessão Proibida, um feitiço que nos pode ser bem útil: Legilimência.
_ Usado para entrar na mente de alguém e extrair lembranças. – Hermione sorri.
_ Temos que entrar na cabeça de Luke. – Thalia concluiu.
_ Isso foi brilhante, Rony. – Annabeth sorriu entre as lágrimas, que ainda caiam.
_ Dumbledore, você é único que pode fazer isso por aqui, certo? – Nico supõe.
_ Sim, é verdade. – o diretor se animou. – Foi uma ideia excelente, Sr. Weasley. Vou fazer isso já. Mas, depois, quero que me explique direito como entrou na Sessão Proibida...
Enquanto, Dumbledore começava a se concentrar, o coração dos Escolhidos de acelerava. Talvez houvesse esperança. Rony havia criado a eles uma chance, mesmo que em um milhão.
Após alguns minutos, o diretor se voltou para eles sério.
_ Bem, eu consegui visualizar o ponto vital de Luke, mas devo avisar que é praticamente impossível atingi-lo. – independente, da última parte, os jovens continuaram esperançosos, não iriam desistir tão fácil agora que sabiam o que fazer.
_ Qual é, senhor? Não faça suspense! – Nico pediu.
_ Em baixo da axila do braço esquerdo. Praticamente o local mais protegido pela armadura.
Os cinco não pensaram duas vezes e saíram correndo da sala.
Eles precisavam impedir Percy de matar Luke com Constelação.
***
Travis seguia pelos corredores de Hogwarts do quarto andar. Estava tudo silencioso, já que a batalha só estava acontecendo nos dois primeiros andares do castelo. Roxanne e Sarah iam atrás.
A única coisa que se escutava era o barulho de seus passos.
De repente, o filho de Hermes parou. Estavam exatamente no local que ele combinara com Dumbledore, pensando exatamente no que o velho diretor o aconselhara.
Uma porta começou a se desenhar na parede vazia. Até que se tornou real e se abriu sozinha, diante deles.
_ A Sala Precisa? – indagou a filha de Apolo, confusa. – O que a gente faz aqui?
_ Nós estamos é perdendo tempo! – a filha de Ártemis encarou-o séria. – O que é essa missão afinal?
_ Eu também não entendi direito... – Travis estava visivelmente nervoso, não parava de coçar a nuca e mordia o lábio inferior com força. – Só sei que é para vocês duas entrarem aí e buscarem uma coroa de prata para ele. Só vocês duas podem pegá-la, pelo que entendi.
As duas garotas se entreolharam, buscando alguma coisa incerta. Percebiam claramente que Travis devia estar mentindo, mas não sabiam o porquê, por isso entraram na Sala.
Assim que terminaram de passar pela porta, ela se fechou com um estrondo. As duas estavam presas lá dentro.
_ TRAVIS! – Roxanne e Sarah começaram a espancar a parede vazia. – Abra essa porta!
_ Eu sinto muito, mas não posso deixar que vocês se machuquem! – o semideus disse do outro lado. – E eu também não quero te perder, Roxy...
_ Ora, seu maldito desgraçado! – xingou a menina. – Eu quero ajudar, eu posso! Não sou uma inútil. Me tira daqui!
_ Não vai dar. – o filho de Hermes respondeu, já com um aperto no coração por brigar com a filha de Apolo.
Em seguida, ele saiu correndo dali.
***
Percy seguia pelo Salão Principal lentamente. Parecia que aquele momento estava premeditado, pois o semideus ia caminhando sem que nenhum inimigo se aproximasse. Era como se aquela espada, Constelação, possuísse uma aura que bloqueava qualquer ataque contra seu portador, no caso, o filho de Poseidon.
Além disso, assim que Percy passou pela grande porta de entrada de Hogwarts, deparou-se com seus dois inimigos, sozinhos, esperando-o. Cronos e Voldemort estavam de costas, conversando. Não o viram.
_ Então... É isso? – pergunta a voz metálica de Cronos, o cabelo dourado dele balançava com o vento, lembrava o verdadeiro Luke, nos velhos tempos...
_ É. – responde Voldemort, friamente. – O garoto vai escolher quem matar. O fará, muito provavelmente, e, assim, sobrará ao outro o domínio do mundo. – o Lorde das Trevas tinham um sorriso presunçoso no rosto branco. – Foi ótimo trabalhar com você.
_ Não se sinta tão confiante, talvez Perseu o mate. – Cronos se irritou.
_ Claro, porque fui eu quem conquistou a garota dele. – Voldemort foi sarcástico.
Luke soltou um grunhido. Ele havia considerado que Percy poderia matá-lo, o garoto era burro, mas forte. E isso era um grande problema.
_ Ela nunca foi minha garota. – disse o semideus, os pelos da nuca de Cronos se eriçaram. Ele estava com medo. – Mas também nunca será sua.
E investiu. Com uma força inimaginável, Percy voou sobre o traidor, mirando a espada em seu pescoço. Se Luke não tivesse erguido a espada na ultima hora, ele já estaria sem a cabeça.
_ PERCY! – Rony berra, ele, Annabeth, Hermione, Nico e Thalia se aproximavam da batalha.
O filho de Poseidon olha, mas continua investindo, enquanto Luke tentava se esquivar e se proteger dos ataques com um escudo de bronze.
_ Para, Percy. – Nico diz. O garoto nem se dá ao trabalho de se virar dessa vez.
_ Percy, por favor! – Annabeth grita.
O semideus para e olha para a loira. Ele está chorando e possui uma expressão de dor.
Percy para, abre os braços e joga Constelação no chão.
_ Pode vir, Cronos. – ele suspira, está totalmente indefeso.
_ Não era isso que eu queria! – Annabeth arregala os olhos.
O senhor do tempo encara Percy com cautela, verificando se está mesmo desarmado. Está.
Um sorriso se forma em seus lábios e ele saca sua foice.
Seus pensamentos estão a mil por hora. Se ele matar Percy, Constelação não terá mais nenhum poder e o titã ficaria a salvo, assim como Voldemort.
Pensando assim, ele resolve fazer uma rápida viagem no tempo.
***
_ Precisamos sair daqui. – Sara conclui.
_ Jura? – fala Roxanne sarcástica. – Pensou nisso sozinha?
_ Sempre tão engraçada! – Sara debocha. – Se a Srta. Sabe Tudo não se importa, eu tenho uma ideia.
_ Estou ouvindo.
_ A Sala Precisa não dá tudo que precisamos? — a filha de Ártemis pergunta e a outra concorda. – Precisamos de uma janela que dê para o Salão Principal.
E surge, assim que ela fala, uma grande janela de vidro.
_ Você é brilhante! – Roxanne sorri e as duas correm para a janela, mas ela está trancada.
As duas começam a tentar quebrá-la dando pancadas com os ombros, quando veem uma luz azul forte.
Pela janela, se via Cronos correndo para Percy com uma foice de prata enorme, mas, durante o caminho, parece que ele resolveu mudar de planos, pois o tempo congelou ali e ele sumiu.
_ Está viajando no tempo... – Sarah arregala os olhos.
_ E olhe Voldemort! – Roxanne aponta para o Lorde das Trevas.
O bruxo das trevas se contorcia de dor e parecia que a cada segundo levava uma pancada. Até que ele cai no chão.
_ O Percy se entregou. Voldemort e Cronos iriam ter que dividir o poder, então o titã está destruindo as Horcruxes. – Roxy conclui exageradamente rápido.
_ O que são Horcruxes? – Sarah pergunta a garota.
_ Te explico depois. Só sei que Harry corre perigo e Percy também. – com isso as duas dão um empurrão com mais força na janela e ela se quebra. – Vá atrás de Harry, você precisa de uma vassoura.
Apareceu em uma parede uma Nimbus 2000.
_ Dumbledore tem razão. Hogwarts sempre ajudará aqueles que merecerem. – Sarah sorriu, pegou a vassoura e voou para fora da Sala.
Enquanto isso, Roxanne percebeu que tinha que pular. E o fez, enquanto rezava para algum deus olimpiano que amenizasse saltos precipitados.
Tomara que a queda não seja lenta demais e ela chegue atrasada para salvar Percy.
***
Cronos voltou de sua pequena viagem e viu Voldemort desabar no chão.
Para quê dividir o mundo com um pateta como este? – pensou e continuou a avançar para Percy.
Ia ganhando velocidade, ergueu a foice e... Acertou o vazio.
_ O quê? – ele se desesperou.
Travis, que já estava em busca do grupo, conseguiu encontrar Percy e salvá-lo de uma morte muito dolorosa. Os dois estavam caídos no chão, mas inteiros.
Quer dizer, quase inteiros.
_ Não! – Cronos berrou e correu para alcançar Constelação, que estava caída no chão, mas nesse mesmo segundo, uma garota de cabelos pretos bagunçados e olhos selvagens caiu do céu em cima de seus ombros. – O que é isso?!
O pobre titã do tempo tentava entender o que estava acontecendo, mas era difícil pensar enquanto uma garota distribuía socos em seu rosto.
Thalia, que só assistia, fez com que um raio elétrico caísse do céu e parasse em sua mão. Levantou-o para o alto e o lançou na direção de Voldemort, que estava caído, quase morto. Com isso, chegou ao fim a existência do Lorde, ele fora eletrocutado.
Enquanto isso, Cronos se balançava inteiro, tentando tirar Roxanne de suas costas. Foi quando ele se enfureceu e jogou-a longe, sorte que Nico estava ali e a segurou.
_ Vocês não podem me vencer! – berrou Cronos. – Se eu matar um de vocês, já era.
Ele riu, com gosto. Uma última risada. Enquanto ele estava distraído, Annabeth correu, passou por debaixo de seu braço, e pegou Constelação.
_ Tem certeza que é invencível? – perguntou ela, segurando a espada na frente do rosto.
_ Você não vai fazer isso, vai, Annabeth? – os olhos dourados do titã ficaram azuis, de repente. Sua voz metálica, ficou mais humana. – Sou eu: Luke. Não se lembra de tudo que vivemos?
Ele deu um passo para frente e Annabeth um para trás. Ele ergueu a mão e ela a espada.
_ Você não se lembra. – o olhar de Luke pareceu quase decepcionado. – Pensei que me amasse.
A loira o encarou e sorriu.
_ Está se lembrando! – Cronos abriu os braços e avançou para ela em um abraço. – Eu sabia que não poderia me matar! Sabia que você me amava!
Ele começou a envolvê-la em um abraço. Mas sua foice continuava em uma de suas mãos.
_ Annabeth! – Hermione tentou alertar.
_ Você está enganado, Luke. Está enganado, Cronos. – a loira colocou a espada entre seus corpos. – Não te amo, nenhum dos dois. – ela falou e olhou para Percy. – E eu posso, sim, te matar.
Foi então que ela, encarando os olhos azuis de Luke, enfiou lentamente a espada em seu abdômen.
O filho de Hermes fechou os olhos e fez uma careta de alivio, enquanto uma poeira dourada saia de seu corpo e formava a imagem do titã do tempo gritando.
O corpo de Luke desabou nos braços da loira.
_ Obrigada, Annie. – os olhos azuis do semideus pareciam leves agora. – Você me salvou.
Então, Luke morreu.
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