_ Harry, me empresta a sua capa da invisibilidade.

_ O quê?

_ Me empresta? — Hermione pediu novamente. – Quero ir à biblioteca.

_ Vai pesquisar sobre mitologia grega?

_ Vou.

_ Quero ir com você! – Harry disse.

_ Harry, estamos crescidos! Não cabemos mais na capa da invisibilidade juntos, quer dizer, nossos pés vão aparecer!

_ Então, você vai debaixo da capa e eu uso o Mapa do Maroto para ver se alguém está chegando. Se estiver eu pego outro caminho e você continua.

Hermione estava pronta para argumentar, mas viu o olhar decidido do amigo.

_ Tá, vamos.

O bruxo sorriu e saiu correndo em direção ao seu quarto. Ele olhou para Rony, que já estava deitado, teve a certeza de que o amigo não estava dormindo.

_ Rony...

_ Oi, Harry.

_ Por que disse aquilo para Hermione? – Harry perguntou com raiva. – Se você soubesse como ela ficou...

_ Eu não sei o motivo de eu ter dito aquilo, ok? – Rony estava quase gritando.

_ Quieto! Vai acordar o Dino, o Neville e o Simas.

_ Tá. – Rony falou nervoso. – Acha que consegue falar com ela... ?

_ Não, isso é você quem tem que fazer. – Harry pegou sua Capa da Invisibilidade e o Mapa do Maroto.

_ Harry, por favor! – Rony implorou. – A Hermione é minha amiga, mas eu acho que estou afim da Annabeth.

_ Qual é, isso não é verdade.

_ Peraí. Vocês vão sair juntos? – Rony olhou para os pertences de Harry. – Sim, eu tenho motivo para ter ciúme!

_ Mas você não disse que gostava da Annabeth? – o bruxo tinha o rosto lívido de raiva.

_ Você e a Hermione que se gostam! – o ruivo, percebendo o erro, tentou mudar de assunto.

_ Quantas vezes eu tenho que dizer que amo a Hermione como uma irmã? – Harry disse irritado. – Não como minha namorada, Rony!

_ É, eu sei. – o ruivo concordou. – Você não quer a Hermione, você quer a Gina, a minha irmã!

Apesar de saber que aquilo era verdade, Harry ficou mais irritado. Rony não perdoou.

_ E mais: eu acho mesmo que a Hermione devia estar com inveja da Annabeth, afinal, a loira é a maior gata!

_ Peça desculpas para a Hermione! O que você disse lá na Sala Comunal foi ridículo, Rony.

_ Não vou pedir nada. Agora, eu vou dormir. – e, dizendo isso, se virou nos cobertores.

_ A única coisa que me impede de usar o Levicorpus em você é que se eu o fizesse a Hermione ia ficar pior. Licença, Ronald.

E saiu. O fato de seu melhor amigo o chamar de Ronald só o fez o ruivo ficar pior.

Hermione estava sentada no sofá, segurando as lágrimas.

_ Ouvi gritos.

_ Não foi nada. – Harry cerrou os punhos. – Vamos.

Os dois saíram da Sala Comunal bem na hora em que Rony desceu para falar com eles.

_ Já foram. – ele bateu a mão na testa. – Rony Weasley, você um grande idiota.


Annabeth aguardava o momento em que Hermione iria dormir para ela poder sair.

_ Nada. – a loira murmurou para si mesma. – Não vou mais esperar, não.

Ela se levantou, vestiu um casaco e causou os tênis. Tirou seu boné dos Yankees da mala e saiu do quarto, sem coloca-lo na cabeça, o que foi um erro.

_ Annabeth? – o ruivo perguntou.

_ Ah, oi... Rony. – ela estava aturdida e demorou um pouco para lembrar o nome do garoto.

_ Por que está aqui?

_ Eu vim buscar um copo de água.

Por dentro, Rony sabia que havia uma jarra com água em cada quarto, mas queria a companhia de Annabeth, por isso, não disse nada, só um: Ah.

_ E você? – ela se sentou ao lado dele.

_ Briguei com o Harry e com a Hermione. – ele suspirou. – Por causa de você.

_ Por minha causa? — ela perguntou confusa.

_ Por sua causa, mas por minha culpa. – o ruivo contou. – Acho que estou gostando de v-você...

Ele segurou as mãos de Annabeth. A cabeça da loira estava a mil: como se livrar de Rony delicadamente?

_ Uma pena, pois está na hora de dormir, né? – Percy apareceu, do nada, na frente deles.

Com o rosto lívido de fúria, Rony apenas concordou e se foi.

_ O que foi isso, Ann? – Percy se voltou para ela, raivoso. – Agora saiu escondida para ter encontros com ruivos idiotas que acabou de conhecer?

_ Cala a boca, Percy. – ela pôs a mão sobre os lábios dele. – Eu estava inda à biblioteca quando encontrei com ele. Rony me disse que tinha brigado com o Harry e com a Hermione, e eu fiquei com dó. Quando eu vi ele já estava segurando as minhas mãos. Agora, se me dá licença...

E ela colocou o boné dos Yankees na cabeça, sumindo da vista de Percy.

_ Annabeth, eu vou com você. – o filho de Poseidon disse, mesmo sabendo que a loira já saíra.

Percy saiu da torre e ouviu a mulher gorda dizer:

_ É o quarto que sai daqui hoje.

_ O quarto? – ele parou de súbito.

_ É. Harry Potter e Hermione Granger saíram há uns 15 minutos. E outra pessoa saiu agorinha mesmo, mas ela estava invisível. Depois, você.

_ Não vai nos dedurar, né? – Percy disse devagar.

_ Ah, não. – a Mulher Gorda garantiu. – Mas na hora que vocês voltarem, eu já vou estar dormindo, aí não abrirei a porta para vocês.

_ Sabe, eu achei a sua voz aguda realmente muito potente.

_ Ah, tudo bem, deixo só você entrar. – ela disse, suas bochechas gordas estavam rosadas. – Qual é o seu nome?

_ Jason Thomas. – Percy disse, sem graça. – Você sabe onde fica a biblioteca?

_ No andar de baixo, no corredor à direita, perto do quadro dos homens jogando baralho.

Percy agradeceu e saiu.

Seguiu pelo caminho indicado, praticamente correndo.

_ Annabeth! – ele chamava baixinho em todo o corredor. – Apareça, por favor, Harry e Hermione estão fora da cama também...

Mas nada, chegou à biblioteca e nem sinal de Annabeth.

Percy entrou devagar e viu Harry e Hermione sentados em uma mesa, cheios de livros esparramados a sua frente. Devagar, ele se esgueirou por entre as estantes e ficou ouvindo a conversa dos bruxos.

_ Acha mesmo que eles são semideuses? — Harry perguntou. — Quer dizer, eles não parecem criaturas ou deuses gregos...

_ Claro e... Achei! – Hermione disse. – Esse livro tem um capitulo que fala sobre a relação entre bruxos e deuses.

Percy parou de respirar por um momento. Eles sabiam? Mas Annabeth fez pior, deixou cair uma lamparina.

_ O que foi isso? – Hermione perguntou. – Será o Filch?

Harry pegou o Mapa do Maroto.

_ Não. É o Percy e a Annabeth.

Harry se levantou e foi ao local onde o mapa mostrara. Percy estava exatamente lá, mas uma mão invisível puxou-o para trás de uma estante. O filho de Poseidon mal respirou de alivio e Hermione o encontrou.

_ Cadê a Annabeth? – Hermione perguntou para Percy e para Harry.

_ O mapa diz que ela está entre vocês.

Hermione esticou o braço e segurou Annabeth pela orelha.

_ Ai. – a loira gritou ainda invisível.

_ Desculpe. – Hermione a soltou.

Annabeth tirou o boné e uma cascata de cabelos loiros caiu sobre os ombros da garota.

_ O que estão fazendo aqui? – Annabeth perguntou.

_ Viemos pesquisar sobre vocês! – Harry acusou. – Somos nós quem fazemos as perguntas aqui.

_ Sobre nós? Como assim? – Percy mentiu.

_ Sabemos que não são bruxos e achamos que são semideuses. – Hermione falou.

Percy e Annabeth se entreolharam e soltaram risadas falsas.

_ Semideuses? Nós?

_ Quem está aí? – duas vozes masculinas gritaram.

_ São... Severo Snape e Argo Filch. – Harry balbuciou.

Hermione não pensou duas vezes e cobriu a si, a Harry e a Percy com a capa e Annabeth colocou seu boné dos Yankees.

_ Harry Potter! – Severo gritou. – Apareça! Sei que é você com a sua capa moribunda da invisibilidade.

O bruxo sentiu a vontade de dar um soco no nariz curvo de Snape. O professor apareceu, Annabeth e Percy se assustaram quando o viram: cabelos oleosos, nariz em meia lua e olhos horripilantes, mas talvez fosse só por causa do olhar de Severo.

_ Anda, Potter. – o zelador completou.

Harry, Hermione e Percy se espremeram e Annabeth passou livremente por Severo e Argo, mas não ia abandonar os amigos.

A garota levantou a perna e... BUM.

_ Ai! – Argo gritou quando sentiu uma dor no bumbum. – Por que fez isso, Severo?

_ Mas eu não fiz... Ui! – ele levou um soco na barriga. – Eu disse que não fui eu.

Os dois começaram a se estapear. Os dois bruxos e o semideus aproveitaram a chance e correram para fora da biblioteca.

_ Idiota! – Snape gritou para Filch. – Eles nos enganaram!

Os quatro correram pelo corredor, mas Madame Nor-r-ra agarrou a bainha da calça de Annabeth.

_ Me solta, sua gata burra. – a loira balbuciou e viu que Severo e Filch estavam saindo da biblioteca. – Solta!

Percy não pensou duas vezes e jogou sua caneta dourada longe, Madame Nor-r-ra saiu correndo atrás.

_ Valeu, Percy.

Os quatro voltaram a correr e os dois adultos atrás.

_ Aqui. – Hermione puxou os dois garotos para dentro de uma sala de aula vazia. Percy pôs a mão para fora da capa, Annabeth viu e os seguiu.

Os quatro se encostaram na parede, ofegando muito.

_ Onde é que eles foram? – Argo perguntou.

_ Continue correndo, seu grande imprestável. – os quatro jovens viram os dois grandes vultos passando direto pela sala.

Os garotos continuaram ofegando e, depois de alguns minutos, Harry checou o mapa. Os dois estavam longe já.

Annabeth tirou o boné e Hermione recolheu a Capa. Os quatro se entreolharam e começaram a rir.

_ Muito boa, Ann. – Percy falou entre as risadas. – Não acredito que você chutou a bunda daquele cara e deu um soco na barriga de um professor!

Os dois semideuses e os dois bruxos rolavam de rir. Uns 10 minutos depois, eles começaram a se acalmar.

_ Sinto muito pela sua caneta, Percy. – Hermione disse.

_ Não precisa, — ele colocou a mão no bolso e tirou de lá Contracorrente. – ela sempre volta pra mim.

_ Então, contem pra gente a verdade. – Harry pediu. – Se quiserem, claro.

Percy e Annabeth se entreolharam e assentiram. O filho de Poseidon destampou a caneta e revelou sua enorme espada de bronze celestial.

_ É, somos semideuses. – os dois disseram ao mesmo tempo.