Unholy Confessions

2 And here are the 'Successful Failure'


KAH.

Eu não sabia exatamente o que estava falando. Mas quando eu olhei para aquela camiseta pink e para a minha que era preta, isso foi a primeira coisa que me veio na cabeça. "Pink is the new black", eu não sei explicar o que isso quer dizer, nunca falei algo tão idiota em toda a minha vida. Deve ser por isso que tempos atrás a Ana me disse que eu falava tudo sem ao menos pensar nas consequencias.

Então eu fiquei em silencio por um minuto, só olhando para a Mari, que também me olhava um pouco assustada. By the Way ainda estava tocando, e caimos na gargalhada.

– Que droga é Pink is the new black? — Mari perguntava.

– Eu não sei, me veio na cabeça e só falei por falar. — Respondia rindo.

– Já disse que precisa parar de usar drogas. — Ela falava rindo, a ponto de ficar sem ar.

– Tá bom, agora chega de rir da minha cara e vamos continuar. Ainda acho que Pink is the new black seria legal em uma música.

Comecei a afinar minha guitarra, enquanto a Mari ainda estava rindo. Então ela pegou sua guitarra também, pra tentarmos compor algo. Realmente estava muito difícil, minha criatividade tinha sumido, e parece que a dela também. Odeio quando isso acontece.

Ficamos ali tentando tocar algo e acabamos tocando músicas de outras bandas para nos inspirarmos, como Guns N' Roses, Nirvana, Sex Pistols, Metallica. Eu particularmente adoro tocar o sólo da November Rain, me acalma bastante. Mas ainda não tinhamos nada em mente, isso estava me deixando bastante nervosa.

– Deviamos treinar as músicas que vamos tocar no show, e depois nos preocupar com uma canção nova. — Mari falava meio nervosa.

– Concordo, então vamos lá! — Respondi.

Começamos a tocar uma das nossas músicas, e talvez tenha me empolgado demais, quando vi estava de pé na cama da Mari pulando e me mexendo feito louca. Ela fazia o mesmo e ainda cantava, gritava. Sempre tinhamos que dar uma pausa pra rir, respirar ou beber algo. Ficamos nisso a noite inteira, eu ensaindo as poses para tocar guitarra e a Mari treinando suas expressões faciais na frente do espelho.

Eu estava rindo demais dela, então coloquei minha guitarra no chão e arrisquei voltar no assunto:

– Pink is the new black, é tão ruim assim? — Perguntava rindo ironicamente.

MARI.

– Claro que não, é uma ótima ideia, mas a gente não acha a continuação, e falta um dia só para o show e acho que deviamos se preocupar mais com o que já tá pronto, mas podemos tentar continuar esse negócio de 'Pink is the new black', pode ser até o lema da banda sabia?

– É mesmo .. afinal, toda banda tem um lema, seria legal termos um também. Temos que falar pras meninas, vai que elas nos dão umas ideias e acabamos até terminando essa letra e lançamos ela no show.. — Kah disse com animação.

– Olha, não é uma má ideia, vamos fazer isso ai sim. — Concordei.

Já no outro dia, já era hora de arrumarmos as malas e nos prepararmos para viajar até o destino de nosso show, e ainda tinhamos que avisar o restante da banda que temos a possibilidade de uma nova música e que precisavamos da ajuda delas.

Pegamos nossas coisas e as colocamos no carro e seguimos até o aeroporto. Encontramos todas as outras, Successful Failure (tenho certeza que não falamos o nome da nossa banda, é pois é é esse nome ai) estavam todas ali, e eu e a Kah já tinhamos falado sobre a música, elas deram algumas sugestões.

Já no avião fizemos duplas e cada uma escreveu as ideias para juntar depois. Já em HB, já tinhamos praticamente a letra, só a melodia mesmo, enfim.

– Nossa quanta gente .. — Karina disse com um tom de insegurança

– O que foi? Tá nervosa? — Ana perguntou

– Se for isso, não é só ela, eu também estou, acho que todas estamos. — Giza confirmou

– Não, estamos super-calmas Giza, só vamos tocar pra uma centena de pessoas e nada mais. — Piorando o nervosismo de todas, Ana respondeu.

– CALEM A BOCA, AS DUAS, POR FAVOR. — Kah gritou.

– Nossa, só tava tentando ajudar .. — Ana falou #xatiada

– Nossa, vai ajudar muito a menina, falando essas porcarias, nossa Ana, abra um centro de auto-ajuda depois dessa .. -Giza, sem ter o que fazer vai armar barraco, justo antes do show..

– VAMOS PARAR POR AQUI, NÃO ACHAM??? — Gritei com todas — Vamos parar com isso ai, vamos se concentrar no show, presta atenção gente, a gente é uma banda, a gente agora é uma família, e família é unida, e você vão começar a brigar agora, justo antes do primeiro paço do começo de nossas vidas? Por favor né .. — Filosofei, né ..

– Poxa vida, a Mari tá certa, vamos parar com essa bobagem, não acham? — Giza falou.

– Só sei que se a platéia gritar Pink is the new black .. eu vou pro bar mais perto e vou ficar bêbada, e vocês vão ter que me carregar até em casa. — Ana sempre fazendo apostas.

– Acho que quem mais precisa beber aqui é a Karina, e tem uma coisinha Ana, a gente é de menor, como a gente vai entrar num bar e comprar a bebida? — Respondi.

– Olha, eu to precisando mesmo .. minhas pernas estão tremendo.. espero que tudo dê certo e que essa minha fobia passe logo. — Kah respondeu.

– Não se preocupe, você vai no embalo e vai se soltar, eu aposto. — Eu disse tentando acalmá-la.

– Aposta? Quanto? Vamos ver, tenho.. 5 dólares sobrando, sou rica. — Ana pensou que eu realmente queria apostar dinheiro.

– Ai Ana, me nego a te responder .. acho melhor a gente ir subindo no palco .. — Respondi.

Todas concordam. Então vamos pro 'desafio' do dia.

O show ocorreu bem, fomos ótimas, pelo meu ponto de vista, a Giza ficava rindo e falando com a Karina pra distrai-la um pouco e aconteceu justamente o que eu tinha falado, Karina encarnou uma rockstar e conseguiu superar a timidez e, pelo que parece as pessoas gostaram de nossa apresentação. Estavamos saindo do palco quando a Ana lembrou da aposta e ela realmente queria ficar bêbada aquela noite, mesmo sendo de menor. Ela saiu de trás da bateria e começou a falar:

– Eu vou falar e se vocês gostaram do show vocês repetem, falô?

– PINK

– PINK — Sim, a plateia falou.

No momento em que ouvimos o pessoal gritar, voltamos correndo para o palco e gritamos junto com a Ana:

– PINK IS THE NEW BLACK

–PINK IS THE NEW BLACK — O pessoal falou novamente, isso significa que.. ELES GOSTARAM!

Então agradecemos novamente e saímos dali e fomos pegar um táxi para o bar mais próximo. Não faziamos a menor ideia de como fariamos para comprar alguma coisa lá, mas enfim .

KAH.

Eu estava realmente muito empolgada, a felicidade era tanta que não conseguia controlar. O show tinha sido um sucesso, nem acredito que toquei para centenas de pessoas e o melhor, elas gostaram. No fim ocorreu tudo bem, e cara, as meninas estavam todas muito felizes também, era emocionante, afinal quem não estaria? Acho até que assustamos um pouco o motorista com tanta loucura e gritaria.

O táxi nos deixou na frente do bar, e logo fomos paradas por uma garotinha. Ela parecia ter uns dez anos, não parava de sorrir enquanto segurava com força uma camêra.

– Vocês poderiam tirar uma foto comigo? — Perguntava.

– Claro mocinha — Respondi — venha.

Tiramos a foto, ela agradeceu e foi correndo em direção aos pais mostra-la.

– Não acredito! Alguém veio pedir pra tirar uma foto, a gente tem uma fã! Isso é muito legal. — Disse Ana toda empolgada — Preciso beber.

– O que estamos esperando então? Vamos lá. — Mari falava sorridente.

Enfim, entramos no bar, e nossa, que bar. Era tipo um bar de rock n' roll dos anos 70, 80. Tinha algumas mesas espalhadas pelo espaço, e as cadeiras eram todas estofadas com couro, as garçonetes usavam o cabelo preso a uma fita e saias até o joelho preta com bolinhas brancas. Os caras usavam suas calças meio rasgadas, seus coletes ou jaquetas de couro. E o que mais me chamou a atenção, foi a jukebox que ficava em um canto, ela era linda, nunca tinha visto uma tão de perto.

Olhei para as meninas e percebi que não era a única que estava 'babando' pelo lugar, afinal que rockeiro não ficaria encantado ali?

– Aqui é o paraíso, eu tenho certeza disso. — Giza falava devagar.

– Olha só pra isso, vamos conseguir comprar bebida a vontade, acha mesmo que vão perguntar nossa idade? — Mari comentava toda empolgada.

Parecia mesmo que queriam ficar bebadas. Procuramos uma mesa vazia e logo nos acomodamos, a maioria olhava para nós. Então comecei olhar ao redor e percebi uma coisa: Além das garçonetes, as únicas garotas ali era a gente.

– Perceberam que somos as únicas garotas aqui?! — Ana sussurrou. — Isso não é demais? Somos o centro das atenções, sou mesmo uma diva.

– É Ana eu percebi — Respondi, rindo. — Mas não se acha muito não, por favor.

– AH MEU DEUS! E se aqui for um bar de homens? — Giza falava desesperada.

– Vai se catar Giza, cala a boca. — Mari interrompeu rindo. — É cada coisa que eu tenho que ouvir, bom, antes isso do que ser surda.

Ficamos rindo por um tempo e a garçonete veio para fazermos nossos pedidos. Pedimos uma porção de batata frita e perguntamos o que tinha pra beber. Ela ficou nos encarando por um tempo.

– Tem refrigerante, café, suco e água.

– Calma! A gente quer bebida com alcóol, pode ser? — Ana falava interrompendo a garçonete.

– Claro, poderia ver suas identidades? — Ela respondeu com uma voz doce, quase cantarolando.

– Deixa pra lá .. acho melhor pedir outra coisa .. — Disse Giza.

A Ana estava prestes a levantar para falar algumas das merdas que ela sempre fala, ela fala na brincadeira, mas a gente sabia que a garçonete podia levar a sério.

– Veja uma Coca de 1 litro e meio por favor. — Mari pediu rapidamente.

Então ficamos ali conversando. A Ana estava rodando uma de suas baquetas e acertou sem querer a cabeça da Giza, ela fez um escandalo e todas nós caímos na gargalhada. Até que um cara subiu no palco que tinha na nossa frente (eu nem tinha reparado), e chamou uma banda para se apresentar... Seu nome era bem estranho.

MARI.

– Avenged Sevenfold .. nossa .. nome legal, vamos ver se o som deles é bom. -Falei pras garotas.

– Hm, eles são bonitinhos hein .. — Ana disse com uma voz safada.

– Eila Ana .. — Giza provocou.

– Cala sua boca, vai dizer que não achou também? — Ana retrucou.

– Mas é claro, sou humana. — Assumiu Giza.

– A Kah deve estar querendo pegar todos, do jeito que ela é .. — Falei só pra encher mesmo.

– Ah, cala a boca Mari .. — Karina falou me olhando com uma cara de brava, mas querendo rir.

– Pode ficar com quase todos, menos aquele ali .. — Falei olhando para o vocalista, ele realmente era lindo, até mesmo com 40 quilos de gel no cabelo.

– Ai que linda, ela está amando .. — Karina provocou-me.

– Hahahaha .. a Mari amando alguém, essa piada foi perfeita.. a Mari é muito "pedra" pra amar alguém. — Disse Ana.

– Ai calem a boca, deixem ela com essa paixonite passageira em paz.

– Eu não falei nada sobre amar o cara, prestem atenção, se liguem.. só achei ele bonito, nem o conheço, como poderia amá-lo assim? E Ana, fica caladinha, e eu não sou de pedra, por favor. — Expliquei.

– Calem a boca, fiquem quietas, parem de falar que agora eu quero ouvi-los cantar, tocar .. ah, vocês me entenderam. — Giza deu as ordens, pensa que manda em alguma coisa.. o pior é que todas nós calamos mesmo.

Eles tocavam muito bem mesmo, confesso que gostei. E acho que o nome da música que eles tocaram era Warmness on the Soul, era bem paradinha mais não tirei o olho do palco, era meio que impossível com um cantor daquele. O pior é que ele ficava me encarando, era como se eu já conhecesse ele, mas se sim, da onde?