Unholy Blade
4 A adrenalina esquecida.
Já montados em seus cavalos, Vince e Lindsey partiram, pegando a estrada principal do vilarejo em que se encontravam, a estrada era longa, com poucas curvas, e bem aberta, mas com o decorrer do caminho, estreitou transformando-se praticamente em um pequeno corredor em meio à montanhas rochosas, mas eles deveriam descansar, já estavam a quase 7 horas viajando, e a noite já estava por cair, então Lindsey fez uma fogueira com magia, sentaram-se e postaram-se a conversar:
—Certo, então deixe-me saber mais sobre ti, conte-me tudo que sabes sobre você, ou tudo que viveu antes de eu te encontrar caído naquele campo. Lindsey questionou.
—Bom, devo admitir, você sabe tanto quanto eu, apenas sei que meu nome é Vince, o resto das minhas memórias parecem estar voltando aos poucos, em formas de fragmentos, tudo que consigo me lembrar, é de ter acordado naquele túnel estranho perto de onde me encontraste, caminhei pelo que pareciam dias, mas não sei dizer ao certo, até achar aquela saída, e acho que é tudo que consigo te contar. Respondeu Vince.
Em silêncio, Lindsey postou-se de pé, para ir até uma das mochilhas e pegou o caderno, a pena negra, e a tinta púrpura que havia emprestado para Vince escrever, abriu e o entregou à ele, dizendo:
—Certo, a partir de agora, tudo que você se lembrar, todos os pequenos fragmentos de memória que voltarem à ti, você vai escrever nesse diário, e eu tentarei te ajudar a decifrar o que são, afinal, duas mentes pensam melhor que uma, certo?
Ao entregar-lhe o diário, Lindsey virou-se, preparou então os panos que havia preparado para dormirem na viagem, e deitou-se, Vince nunca havia visto alguém dormir tão rápido, quem diria que ela era a garota que o alertara sobre dormir em locais estranhos na noite anterior.
Ao deitar-se, notou que não estava com sono, então postou-se a ler o caderno, para ver se em suas poucas anotações, encontraria algo que não percebera outrora, mas ao encostar em uma pedra próxima, notou, não apenas um, mas vários vultos, encobertos pelas sombras, deslizando pelas pedras, em sua direção, e quando se aproximaram, Vince notou, sete pessoas, cinco dessas com espadas, dois com arcos, e percebeu que tratavam-se de ladrões. Lindsey ainda dormia à seu lado, mas estava atrás de uma pedra, então não foi notada pelo bando, logo percebeu que deveria lidar com tudo sozinho, visto que não poderia colocar a segurança dela em perigo. Com a espada no cinto e uma mão sobre ela, disse:
—Senhores, não tenho nada para que levem, apenas peço para que passem em paz, não precisamos, como cavalheiros civilizados, não precisamos cometer barbaridades sem sentido.
Um dos arqueiros do bando (Vince julgou que seria o lider) deu alguns passos para trás, tirou de sua aljava uma flecha, a colocou no arco, tencionou a corda com a flecha presa à ela, e disse:
—Mas e essa sua espada? Duvido que algo tão bem feito não tenha valor , mesmo que sejam algumas peças de ouro, se deseja mesmo evitar um conflito, então jogue-a, e então iremos deixar você em paz.
Ao olhar nos olhos do arqueiro, Vince notou que aquilo era uma mentira, caso fizesse o que lhe fora mandado, a flecha seria disparada imediatamente, e eles iriam procurar por mais saque em seu acampamento após terem se certificado de sua morte, então pensou em como agiria, finalmente dizendo:
—Certo, se é o que desejam, vou retirar a espada do cinto, lentamente, e jogá-la para vocês, então poderão partir.
Puxando lentamente a espada do cinto, Vince notou que o arqueiro chefe enviara olhares para seus companheiros, aquele seria o sinal, então os cinco espadachins retiraram suas espadas das bainhas, e a flecha antes preparada, foi disparada, e novamente, o corpo de Vince agiu como se aquilo tivesse sido feito milhares de vezes no passado, o primeiro corte foi preciso, sua espada deslizou verticalmente na direção da flecha, quando o choque entre a ponta metálica da flecha e a espada de Vince aconteceu, um tilintar foi ouvido, e Vince notou, que mesmo sem saber como, a flecha agora estava partida ao meio, com um ar de surpresa, os 5 espadachins avançaram até Vince, a adrenalina fervia em seu sangue, ele não sabia o porquê, mas estava feliz, sentia-se bem. Conforme as espadas se chocavam, cinco contra uma, Vince começou a ficar encurralado, e os dois arqueiros já haviam preparado mais duas flechas, percebeu que sem Lindsey não conseguiria, então gritou por seu nome, e ao mesmo tempo que sua espada se chocou contra uma inimiga, notou o mesmo cristal que fizera a espada outrora acender-se em chamas, então a batalha transformou-se num caos, as duas flechas disparadas em uníssono foram pulverizadas no ar, Vince puxou o cristal, e novamente, a espada emitiu a luz branca, e as chamas correram por sua lâmina, para a infeliz surpresa dos dois primeiros ladrões, visto que ao chocar sua espada contra a deles, elas foram quebradas como galhos de árvore, e então, os corpos caíram no chão, ao virar-se para enfrentar o restante dos inimigos, percebeu, a batalha havia acabado, Lindsey ouvira seu grito, e mesmo sem saber como exatamente, havia derrotado a todos (e salvo sua vida ao pulverizar as flechas no ar), estava com um rosto em êxtase, e Vince pensou ter visto de relance duas aves de rapina brancas, voando atrás de Lindsey, mas elas já haviam desaparecido.
Lindsey notou então Vince olhando para ela, e disse:
—Os dois estavam te dando muito trabalho? Você estava com uma expressão tão eufórica, que preferi não te incomodar com o restante, cuidei deles para você, e então grandão, machucado? O que aconteceu? Por quê não me acordou antes?
—Você realmente fala de mais — Disse Vince
Ao ver o olhar frio que lhe foi lançado após o dito, achou melhor complementar:
—Não estou machucado, ladrões, e eu achei que iria te colocar em risco, preferi lidar com tudo sozinho.
—Mas não conseguiu lidar, vou te dizer uma coisa, eu não sou uma garotinha que precisa de cuidados, ou que alguém me proteja nem mesmo lute por mim, da próxima vez, me chame para lutar ao seu lado, não me coloque como sua reserva, se continuar pensando assim, eu mesmo te apago do mapa, você é interessante, mas detesto ser jogada de lado, ou que tentem pme proteger, não faça de novo. -Disse Lindsey quase aos gritos.
Depois do que foi dito, Vince pensou se seria seguro viajar com alguém tão instável, mas sabia que poderia acabar novamente muito ferido se fosse contra suas palavras, e ao notar ela se aproximando, quase colocou-se instintivamente em guarda (afinal, depois de uma ameaça, quem permanece totalmente calmo?), mas era apenas Lindsey, a mesma que o salvou e o ajudou anteriormente, e percebeu que ela olhava fixamente para ele, o circulando, procurando ferimentos pelo visto, então parou atrás dele e disse:
—Certo, hora de você começar a me contar, esse circulo mágico de selo, em sua nuca, o que ele significa?
Vince sentiu-se confuso, circulo mágico? Ele não havia notado, afinal não havia se visto de costas ainda, mas disse:
—Não faço ideia do que estas dizendo, me mostre.
Então Lindsey tirou dois espelhos de uma das bolsas (Por que ela havia trazido espelhos?) e os usou para mostrar o reflexo de sua nuca, e era verdade, havia um circulo roxo em sua nuca, um que parecia ser uma tatuagem, que sempre estivera ali, mas não deveria, então comentou:
—Certo, então agora temos duas coisas para descobrir na cidade de Trevy, o sol já está nascendo, me diga, quer descansar mais um pouco, ou podemos continuar nossa viagem?
—Idiota, você lutou até quase o amanhecer antes de me chamar, eu estou totalmente descansada, mas e você? Consegue se manter de pé? — Zombou Lindsey
Com uma risada sarcastica, Vince pegou sua mala, montaram então em seus cavalos, e postaram-se à viagem novamente.
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