Unhappy Dreams[Interativa]
2 [Capitulo 2] Pavor
Ele me encarava com as sobrancelhas arqueadas, eu encarava-o assustada, meu corpo se tremia por inteiro e minha mente estava longe.Não consigo explicar de onde surge todo esse pavor,esse garoto parece emanar algo que me faz ficar tonta.
—Hey,ainda bem que eu encontrei você,você será de grande ajuda.-Ele diz com um sorriso esboçado no rosto.
Ao longe vinha Ginna toda ensopada na minha direção, eu olho-a assustada e ela logo entende... Do modo errado.
Então Ginna tira da mochila um livro de matemática grande e de capa grossa e lança na direção do rapaz dos olhos âmbar, atingindo bem na cabeça dele — não é a toa que ela participa do clube de atletismo— ele me larga na hora e cai no chão massageando a sua cabeça, furioso.
—VOCÊ É LOUCA?MALDITA, MINHA CABEÇA ESTÁ LATEJANDO! –ele grita se levantando e indo na direção de Ginna,que segurava o guarda chuva dela que estava todo quebrado pelo vento forte,ela empurra com força o guarda-chuva no estomago do rapaz o afastando de si.Ele cai novamente no chão,porém desta vez ele fica imóvel apertando a barriga fazendo uma careta de dor.
—Odeio gente como você!Fica se aproveitando das garotas distraídas. Mas, meu amor comigo você não terá vez!-Ginna abaixa e puxa a gola do, sobretudo dele, a ação fez com que alguns botões abrissem e mostrasse a blusa com um crachá que ele usava.
—O QUE VOCÊ ESTÁ DIZENDO, SUA MALUCA? –ele grita para ela ainda com a voz alterada, porém, um pouco mais “calmo”, ele abre alguns botões do, sobretudo dele e deixa mais amostra o crachá que ele usava. –Eu só queria saber onde ficava o Colégio Nova Alvorada, como eu vi que aquela morena usava o uniforme dessa escola, eu pensei em tirar essa duvida. O que você pensou que eu faria?Cara, eu não sou desses não, sou um adolescente de 16 anos e tenho muito respeito por todos, principalmente pelas mulheres.
Nessa hora eu fiquei muito sem graça. Cara, eu provoquei uma briga!O menino apanhou por minha causa!
Eu não culpo a Ginna, por que a culpa foi minha.
Por que eu tinha que ter esses sonhos estranhos que me deixam paranoica e gritar de medo?Não tinha necessidade alguma, mas a idiota aqui precisa causar problemas sem necessidade.
Que merda!Só acontece desgraça nessa minha vida.
Eu saio do lugar de onde eu estava , vou à direção dele e estendo a minha mão. Eu tenho certeza que eu estou completamente vermelha de pura vergonha e raiva de mim mesma.
—Desculpe-me não queria que isso acontecesse. Peço desculpa para ambos. -Digo ajudando-o levantar. -Se você quiser você pode nos acompanhar até a escola, mas é por sua conta e risco já que nós duas estamos bem atrasadas.
—É melhor do que ficar aqui. -Ginna adverte a ele, ela o olhava de cima a baixo com a cara amarrada, ele também não parecia ter gostado muito dela. Pronto,cultivei o ódio entre os dois, que ótimo.
Nós seguimos o caminho até o colégio. O colégio Nova Alvorada tem uma ótima fama no país inteiro, os melhores doutores,atletas e outras profissões de renome começaram naquela escola.Conhecido pela educação excelente e a alta disciplina imposta nos alunos e pelos professores.
Tudo lorota,entra na minha sala pra você ver o zoológico que é,umas gazelas gritando,umas vacas conversando e uma infinidade de “animais”.
Não me leve a mal, é apenas a verdade.Tenho uma bolsa período integral,no período da manhã tem as aulas da grade curricular padrão e no período da tarde,tenho curso profissionalizante de fotografia.
O que acontece dentro daquele colégio é bem diferente do que a sua arquitetura do século XIV aparenta, lá dentro é praticamente terra de ninguém, rola de tudo e mais um pouco, claro respeitamos os nossos superiores toda vez que o sinal toca, avisando a mudança de aula, quanto para avisar do intervalo a situação naquele colégio vira algo muito caótico.
—Bem,chegamos.-Eu falo descendo da bicicleta e tirando minha franja molhada do rosto.Suspiro e tento entrar na escola,porém o monitor não nos deixa passar por já terem se passado doze minutos desde que o horário de entrada tinha acabado.
Ele era um homem caucasiano na casa dos trinta, seu cabelo era cortado estilo militar (Raspado no um), ele usava grandes óculos de grau forte que aumentavam seus olhos cor de céu.
Há uma possibilidade de, no passado, eu ter tido uma paixonite nele. Eu não entendi como eu tive um “crush” nele, Ginna disse que talvez eu tenha uma queda por homens “maduros”(ela usou o termo velhotes,mas não é para tanto), mas eu não acho que seja isso.
Não penso mais sobre isso.Já passou e a única que sabe disso é ela e torço ,de todo o meu coração, que continue assim.
Eu já não tenho,qual é o nome?Ah,é...Respeito dos alunos da escola–na verdade acho que essa palavra nem existe quando você fala o meu nome- imagina se isso cair na boca do povo?
E PIOR,se a Daniela descobre isso?Eu me isolo com certeza!Adeus mundo e olá meu quarto quentinho e com cheiro de gato molhado.
—Mas,você não pode nos deixar aqui fora,tomando essa chuva!É desumano, Antonio!-Ginna diz gritando. Acho que já ficou bem visível que minha melhor amiga é um “pouco” dramática demais, ela sempre foi assim desde pequenina, mas isso faz com que a Ginna seja... A Ginna.
O monitor olha para nós torto, ele nos encara e balança a cabeça dando risada.
—Dramática como sempre, Giovanna... -Ele diz abrindo o portão, eu entro segurando a minha mochila na frente do corpo. Ginna fica discutindo com o monitor até que ele ameaça deixa-la na chuva com os raios,ela diz que nçao tem medo é ele está sendo controlador,até que o barulho de um trovão a faz correr para dentro como um cachorro com medo dos fogos de artificios.
Os dois tem uma boa relação,eles são vizinhos e a mãe dela ajudou-o quando estava metido em alguns “rolos ilegais”(eu acho que ele estava devendo a alguém,ou algo do tipo).
—Fiquem aqui, vou ver se a diretora autoriza vocês a entrar na segunda aula, é melhor vocês se secarem,tem toalhas no lavatório.E PELO AMOR DE DEUS,fiquem quietos!-Ele diz olhando para o “Menino Ambar”.
—Cuidado com quem você faz amizade garoto. -Ele diz entrando na escola.
Nós ficamos um tempo,sentados lá naquele banco.Eu abro a minha mochila e tiro os meus cadernos encharcados,as folhas estavam todas manchadas com a tinta da caneta,eu retiro todo o meu material e torço a mochila.
Que prejuízo!Todas as minhas anotações, todas as colas que eu fiz para a prova de Física, tudo destruído!Que ódio!
—Eu vou me secar!Não me sigam!-Ginna diz entrando na escola, eu me levantei e a vi correndo pelos corredores e levando um tombo por ter encerado o chão.
Meu deus.
—Ela se machucou?-O garoto me pergunta, ele estava ensopado, seu rosto estava vermelho e ele tremia de frio. Mesmo nessa situação ele continuava a me dando medo, não sei ainda dizer o porquê de eu sinto medo dele.Sendo mais direta,dos seus olhos, só sei que toda vez que eu olho em seus olhos meu corpo treme por inteiro e eu tenho vontade de fugir.
Mas eu não posso fazer isso, eu não quero que o que aconteceu mais cedo se repita, eu já deixei uma má impressão e não quero que ela piore. Não sou de ter muitos amigos ou ser popular, então se eu assustar as pessoas elas não virão até mim, certo?
Eu estava mergulhada em meus devaneios, eu estava de costas para o garoto e eu olhava para o corredor sem piscar, de repente eu sinto um par de mãos segurarem os meus ombros e o garoto me vira rapidamente, me olhando sério.
Deus... Socorro,meu coração está batendo rápido de novo,tomara que seja um infarte por que se for medo,eu me mato.
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