Unfortunate Tales
1 Prólogo
Notas iniciais
Era mais uma tarde comum sobre os céus de Brasília, minha localização? Cemitério Campo da Esperança, lar de diversas pessoas que seguiram o passo que um dia todos nós iríamos percorrer, a morte. Em falar nela, se ela fosse uma pessoa eu a daria uma surra.
Estava sentado sobre o gramado, verde e limpo como sempre que se seguia por inúmeros metros me cercando de todos os lados, sem nenhum mato ou formigueiro nada que perturbasse o descanso de meu pai. Olhava para a placa de metal que estava deitada sobre o gramado, dois buquês de flores e uma carta de baralho pairavam perto desta placa, cujo qual o conteúdo dizia: "Felipe Estevam Castello" e um pouco mais abaixo tinha sua data de nascimento: "22/12/1966" e logo após sua data de falecimento: "04/09/2014". Lágrimas preenchiam meus olhos e sem escapatória escorriam por minha pele. — Você venceu hoje. — Sussurrava e diante a soluços erguia minha cabeça e via aquela grande estrela amarela que começava a esquentar minha pele, mas os ventos do inverno logo a esfriava. Pegava a carta de baralho, um coringa para ser mais exato, e a girava entre meus dedos. — Eu não vou me entregar ao vício. Eu te prometo pai.
Encolhia meu corpo ao máximo, abraçava minhas pernas e usava meus joelhos como apoio para minha cabeça. — Bati. — Jogava o coringa em cima de um dos buquês e forçava um sorriso com os lábios. Meu coração doía cada vez que pensava que nunca mais poderia escutar a voz de alguém que sempre me apoiou. Como eu te amava. Diferente dos jovens de hoje, eu nunca troquei minha família por amigos, quando havia alguma festa de família e meus pais não pudessem ir e mesmo que fosse alguma festa, como de ano novo ou algum casamento, eu não iria sem eles, mas Deus é injusto e justo ao mesmo tempo.
Puxava meu celular do bolso e apertava um de seus botões. O Wallpaper era até que bonitinho era uma foto minha com minhas amigas fazendo careta. Aquele dia foi bom, pensava e "acariciava" a tela do meu próprio celular. Era exatamente 15:00, me levantava e esticava meu corpo no ar. — Pai eu tenho que ir, sabe eu decidi o que eu quero fazer e estou estudando muito, isto o senhor já sabe, eu tenho que estudar e logo após vou passear, espero que possa ver meu crescimento dai de cima pai.
Cruzava as mãos e as levava até o peito fazendo uma breve oração. Me reverenciava diante ao túmulo e me agachava mais uma vez colocando a mão em cima da placa.
- Você está atrasado. — Uma voz feminina, com uma sonoridade presente e firme surgia aos meus ouvidos seu braço fino, macio e muito branco entrelaçava meu pescoço e puxava meu corpo para baixo só que o puxava logo em seguida evitando minha queda. — Como vai ser um médico sem estudar?
Olhava para seu rosto que era ofuscado pelo o sol daquela tarde machucando um pouco meus olhos, fechava os com força e como uma criança brincando de cobra cega tentava acertar seu rosto para ver se conseguia acertar a mulher,caso a acertasse provavelmente iria me soltar. — Engraçadinha, eu já estava indo para a parada. — Dizia conseguindo acertar a face da minha mão inteiramente contra seu nariz o apertando, fazendo com que a mesma mordesse meu dedão e me deixasse cair de costas no chão. — Estamos em um lugar sagrado, Perséfani!
- Desculpa, mas eu queria que você se animasse ninguém merece que você fosse estudar com a galera com essa cara de morto. Você tem que fazer seu pai se orgulhar de você! — Perséfani praticamente cuspia aquelas palavras em minha cara, sua voz mesmo sendo firme e presente era infantil e boba quando queria como se pudesse ter o controle de duas vozes. Sua aparência era bonita pele branca sem queimaduras, olhos castanhos escuros ameaçadores e seu cabelo tingido de vermelho deixando seu olhar ainda mais assustador, sua altura era normal, seios não muito grandes embora não fossem também pequenos pernas finas e largas. Suas roupas fazia justo a sua personalidade, era uma rockeira largada. Um short jeans curto surrado, uma regata preta quase desbotada uma suéter cinza amarrado em sua cintura e uma bota de cano médio com os cadarços desamarrados. Era ela uma de minhas amigas que estavam no Wallpaper do meu celular. — Vai para onde?
-Acho que vou estudar lá na Biblioteca Nacional, é perto do cursinho. Só vou pegar um ônibus para a L2 Sul e chego lá rapidinho quer vir junto? — Perguntava com um sorriso no rosto, a garota colocava os braços no pescoço tentando estalar, mas sem sucesso e afirmava com a cabeça. — Não prefere ir de moto?!
...
-Olha o Carro! Olha o Ônibus! Meu DEUS olha o carro sua drogada! — Começava a gaguejar, batendo meu capacete contra o dela e apertando sua cintura o mais forte que eu poderia apertar, lágrimas voavam do meu capacete que pelo azar era todo aberto, minhas bochechas só faltavam serem arrancada devido a velocidade do vento, Perséfani dirigia como uma maluca me pergunto como ela tinha conseguido tirar a carteira. — Apenas feche os olhos e sente a brisa mano. — Correspondia com seu desejo, fechava meus olhos apertando minhas pálpebras o mais forte que poderia apertar, e realmente era uma sensação boa. Um frio na barriga acabava por me preencher e logo uma emoção que raramente sentia consumia meu corpo da cabeça aos pés, começava a gargalhar enquanto Perséfani manobrava sua moto tranquilamente e sem perceber chegamos em um outro local. — Porque estamos aqui? — Dizia arqueando as sobrancelhas olhando para a ruiva. Espero que não seja nada estranho...
-Relaxa guri. — Perséfani batia a palma de sua mão contra minha cabeça a apertando em seguia, enchia minhas bochechas de ar e começava a caminhar em direção ao portão. — Ó de casa, eu vim para encher o bucho! — Dizia a louca, vulgo bêbada sem bebida, vulgo seu nome civil era Perséfani.
Eu conhecia aquele domicilio, portões brancos e com poucas entradas, muros pintados de uma cor neutra e um jardim em sua calçada com orquídeas. Enquanto tentava ver a casa por meio das brechas dos portões, um barulho de chave sendo rodada incomodava meu ouvido e logo após o portão se abria e junto a ele uma menina baixinha aparecia, uma criança para ser exato. Vestia um vestido até os joelhos todo florido, meias brancas um pouco relaxadas um pouco além dos joelhos, sapatilhas brancas e estava com um gato branco no colo. Seus cabelos eram castanhos e longos para sua idade, talvez sua mãe foi tão cuidadosa que nunca deixou o cabelo ficar danificado e acabar sendo obrigada a cortar. Tinha inúmeras pintas espalhadas pelo rosto, uma cicatriz no queixo que talvez fosse algum corte quando era ainda mais nova, seus olhos pareciam com que a mesma estava com medo. — A Ju ta esperando vocês.
-Obrigado Manu. — Dizia Perséfani que já corria e agarrava a criança no colo com o gato e tudo fazendo cócegas na mesma. — Vai ficar admirando a paisagem ou vai entrar?
-Não sei deixa eu escolher... — Levava a mão ao queixo tirando sarro da amiga, que apenas sorria de uma maneira não muito forçada, porque né, seguia para o portão e adentrava dentro da casa e via sua área. Seria modesta parte de dizer que não era grande coisa, afinal estávamos no Lago Norte, era praticamente um "bairro" só com casas bem feitas e/ou luxuosas e esta não estaria fora. O porcelanato cobria toda a área que parecia estar bem fresca, havia um pequeno jardim para o lado esquerdo com cadeiras um guarda-sol branco tampando as cadeiras do sol, respirava fundo e seguia as meninas que estavam conversando sobre...provavelmente a escola?
Tirava os sapatos e já me deparava com uma sala imensa. Um enorme tapete espalhado entre dois sofás brancos e bastante limpos, uma pequena mesa com alguns objetos de arte, mais a frente havia uma escada, mas não era para lá que iria agora.
-Feche os olhos. — Quando menos percebi uma mão que parecia ser masculina cobria meus olhos e começava me empurrar com cuidado. — Conte até três. — Uma segunda voz invadia meus ouvidos só que dessa vez não era nem de Manu, muito menos de Perséfani. Respirava fundo e contava até três pausadamente e então a mão foi tirada de meus olhos e me deparei.
Havia em torno de doze pessoas ali, em cima da mesa havia um bolo de aniversário, brigadeiros, salgados, refrigerante e muito mais, olhava para a cara de cada um e os reconhecia como meus amigos e logo acima havia uma placa escrita: "Parabéns pelos dezessete Gabriel". Após ler tal mensagem memórias começaram a perfurar minha cabeça até que eu começasse a rir...como eu fui esquecer meu próprio aniversário?
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