Unfortunate Tales

2 Capítulo 1 - Memórias


Era sempre a mesma coisa, pessoas de aparências únicas e engraçadas se envolviam para desejar parabéns que está cada vez perto da morte. Se sentia amargurada, e completamente entediada. O ambiente tinha um bom cheiro e era bastante arejado — Afinal estamos falando da cozinha. — A ruiva pressionava o lábio inferior e respirava fundo, precisava sair daquele local se sentia extremamente enjoada. Pousou seu copo em cima da bancada e sem que ninguém percebesse, ou muito menos se importasse saia dali. Sua respiração começava a pesar e seu corpo estava fadigado, de uma hora para outra Perséfani sentiu como se uma bigorna estava em sua coluna a quebrando aos poucos.

Sem ao menos perceber, havia chegado ao estacionamento da casa e por ali ficou. Desabou como uma pena em cima do chão frio e cheirando a graxa e se sentiu até mais confortável do que estava com os amigos, se poderia chamá-los disso. Só de pensar nisso um calafrio subia pela espinha da garota, a deixando com repudia e ódio de sua própria personalidade.

– Eu sou mesmo um lixo. — Disse a garota segurando lágrimas que ardiam suas orbes. Suas mãos entraram nos bolsos do short a procura de um cigarro perdido, mas tudo que encontrou fora apenas fiapos do short, sua mão se fechou e bateu forte contra o chão provocando com que a pele atingida se enrubescesse.

– Por que tu achas isso? — Uma voz se intrometia no ambiente de Perséfani que se mantinha calada por alguns segundos.

A ruiva ergueu um pouco a cabeça tentando ver o rosto da namorada, que mesmo se fosse com aquele telefone que chiasse a qualquer segundo reconheceria aquela voz angelical que a encantava e murchava todo o orgulho que carregava no peito.

– Eu não quero conversar agora Vic. — Disse tentando se manter o mais calma possível, tirava algumas mechas de cabelo da sua testa e girava seu rosto, provocando que sua bochecha tocasse o chão frio a dando uma pequena agonia que fora se acostumando aos poucos.

– Gabriel disse que você tinha ido ao cemitério. — Vic era uma pessoa extremamente bonita que arrancava suspiros de qualquer um, sua aparência correspondia sua voz. Seus cabelos eram bem curtos e avermelhados, assim como os de Perséfani. Olhos castanhos escuros e usava óculos que destacava toda sua pele pálida. Vestia roupas casuais que não entregavam seu estilo de roupa. Calça jeans, uma blusa branca e estava descalço. — Você nunca fica bem depois que vai para o cemitério.

–Qual de nós que fica bem depois de ir ali? — Perséfani estava tão ranzinza naquele momento que sem perceber cortara a própria amada, sentia uma ódio maior ainda dentro de seu peito florescer contra ela mesma. Fechava as pálpebras com uma brusca força como se estivesse tentando esmagar os próprios olhos e fora surpreendida por um selinho. O beijo não se aprofundou e não se manteve monótono. Os lábios de Vic pressionavam os da ruiva que não demonstrou nenhuma reação, e do nada inúmeros beijos foram dados por todo o rosto de Perséfani que acabou contra sua vontade soltar uma risada um pouco "broxante".

E nesses inúmeros beijos que Perséfani simplesmente acabara por voltar no tempo, não voltar no tempo de verdade, apenas começou a recapitular tudo que tinha feito naquele dia.

– > Memórias de Perséfani: 01

O dia mal se iniciava e sentia um desgosto enorme por estar viva, colocava a colher dentro da boca batendo seu metal contra seu dente superior, arrancando um gemido de agonia, mas isso não a impediu de comer de novo, enfiava a colher com força contra a vasilha que já estava com o conteúdo pela metade — Que só para adicionar era nada mais que cereal doce e leite. — e colocava na boca de novo.

Após se sentir bastante cheia, olhou mais uma vez para sua cozinha simples e chata.

Eram armários até que novos eram vermelhos com branco, que davam até um pouco de beleza para a cozinha, uma geladeira simples, fogão simples, uma mesa de madeira para quatro pessoas também simples, era tudo simples. E sentia com raiva daquilo, se as pessoas bem de vida de seu grupo de amizades vissem aquilo, não aconteceria nada, mas a cozinha da mesma era um nada comparada as grandes e imensas cozinhas que só faltavam um cozinheiro particular.

Olhou pelos arredores e só faltava duas coisas: A chave do apartamento e a chave da moto. Revirou os olhos e deu um leve tapa contra a própria cabeça se proclamando mentalmente de sonsa. E lá se foi a "Sonsa" procurar as chaves, tateou por toda a cozinha abriu armários e até mesmo a própria geladeira e forno a procura de suas chaves e nada de seu aparecimento, colocou a mão no queixo e começou a vasculhar na estante da sala, e foi claramente uma falha. Suspirou começando a ficar angustiada pelo sumiço de objetos de tamanha importância, coçava a cabeça e batia seus pés contra o solo até olhar nada mais nada menos que seu gato, aquele sim tinha uma vida boa. Mitsy, era o gato mais adorável e bonito do planeta. Era magro e comprido suas cores era branco com detalhes cinzas nas patas e nas pontas de sua orelha, Perséfani correu para abraçá-lo.

– Seu Otário, cadê minhas chaves! — Perséfani literalmente tratava Mitsy como se fosse um humano, se bem que a mesma tinha uma enorme capacidade de tratar o próprio animal melhor do que muitas pessoas por ai.

Assim que a ruiva agarrou o gato e sacudiu no ar, um barulho de metal ecoava pelo apartamento atraindo a atenção da garota para o pé do sofá, e ali estava as chaves...

– Seu demônio em forma de gato! — A vontade da garota era de arremessar seu companheiro pela janela, mas esse sentimento só durou por milésimos de segundos. A garota largou o gato como se fosse uma criança trocando de doce, por sorte felinos caem em pé.

Perséfani assim que pegou as chaves acariciou a cabeça do gato e correu para fora do apartamento com dois capacetes nas mãos, um era aberto que pertencia a sua atual namorada, Vic, o motivo de ser aberto era que a amada gostava de sentir o vento e ver como seria bom fazer parte dele.

Enquanto a ruiva descia as escadas com os capacetes quase caindo de seus braços acabava por ser atropelada, por uma garota mais baixinha que a mesma que parava em sua frente segundos depois impedindo sua ultrapassagem.

– Aonde pensa que vai? — A mesma parecia ofegante tirando uma mecha de seu cabelo liso da frente da testa. E esta era Giulia, sua estatura era baixa e normal, não era magricela como Perséfani. Tinha os olhos castanhos quase negros, bochechas fartas que deixariam qualquer um com vontade de mordê-las, nariz gordinho, lábios finos e bonitos. Tinha algumas espinhas e manchas nas bochechas avermelhadas, típico de adolescente. Seus cabelos eram negros e tinham o comprimento até seus ombros e usava nada mais que um belo de um pijama velho.

– Eu vou ao cemitério. — Suas palavras cortavam Giulia como uma navalha, a garota que tinha por volta de seus dezesseis anos apertava seus braços contra o estômago e mordiscava o lábio inferior. Perséfani justamente falava aquelas palavras sem muita preocupação com a amiga. Mesmo sabendo que aquilo a machucara de uma maneira avassaladora. — Eu não percebi...

–Tudo bem. — Dizia a morena erguendo o queixo para cima, olhando diretamente para os olhos da amiga. — Você sabe que hoje é o aniversário do Gabriel, né?

–Acho que sim...eu estou indo nessa, até as três. — Perséfani passava por Giulia sem trocarem mais nenhum olhar.

–> Memórias de Giulia: 01

Giulia apenas escutou os passos da amiga ficarem cada vez mais distantes até ficarem longe da sua audição. Suspirou e voltou a subir as escadas até o momento que suas pernas pararem de responder e começarem a tremer, instantaneamente Giulia se agarrou ao corrimão, tentando buscar alguma força de vontade, mas tudo que se lembrava era de como o irmão morreu em sua presença.

XxX

– Onde elas estão? — Ana Luíza, irmã de Manu se pronunciava. Seus cabelos eram longos e acastanhados que desciam até a base de sua cintura. Corpo belo e escultural, seios fartos e cintura fina suas coxas eram bem marcadas pelo short que usava enquanto a regata que usava deixava seus seios ainda mais arrebitados. — Elas vão ficar sem comer...

–Perséfani parecia bastante ansiosa essa manhã, eu estava indo buscar meu cachorro que tinha corrido para fora do apartamento e a vi... — Giulia agora era a única que falava algo enquanto todos os outros prestavam atenção, a morena pressionou o lábio inferior e respirou fundo balançando a cabeça devagar, evitando trazer a tona memórias tristes.

–Eu fiz algo errado? — Gabriel indignou um pouco surpreso, não esquecerá o aniversário de propósito, se bem que como era o mais novo que entrou no grupo não entendia muito das pessoas que o cercavam naquele momento, muito menos se sentia confortável de estar ali.

Passaram exatamente três horas de festa até todo mundo ter ido embora. As únicas pessoas que estavam ali era Gabriel, Ana Luiza e Emanuelle, vulgo conhecida como Manu. Gabriel estava ali só para não parecer de um certo modo egoísta, estava ajudando a limpar a casa e não abria a boca para nem ao menos suspirar.

Ana se levantou de um dos bancos da cozinha e começou a caminhar em passos lentos, suas pernas doíam e estavam literalmente cansadas de tanto andar. Seus olhos começavam a arder e pensava em chorar, mas era forte alguém tinha que ser forte ali, Ana precisava ser forte não só por ela, mas pela a irmã e o pai. E bateu forte contra a parede sem pensar na lei de newton. Sua mão logo após bater tão forte contra a parede surgia uma dor gigantesca que acabara arrancado um gemido e um gritinho de dor. Estava cansada de estar ali, não queria que todas aquelas pessoas tivessem surgido em sua vida de uma maneira tão infeliz.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.