Unforgivable

7 Poison & Wine


Notas iniciais
Minha amiga Vivi e leitora fiel (okayokay) começou a escrever uma fic. O tema é sobre um grupo de amigos que tem a sua líder assassinada e todos são suspeitos. Bem à la Pretty Little Liars e com um toque de Gossip Girl. Ela está só no começo, mas eu adoraria que vocês dessem uma olhadinha. O nome da fic é Masquerade. Aqui está o link: http://fanfiction.com.br/historia/524191/Masquerade Obrigada e boa leitura.

Sete anos atrás

Katerina está sentada a ponta da grande mesa de mogno, com Joffrey a sua direita e um convidado especial a sua esquerda: o Conde Whitmore.

O Diretor do PMI, Conde da Corte Nortista e amigo do Senhor de Meurer veio lhes prestar conta do PMI desse ano. Katerina pediu ao tio para se sentar na ponta da mesa, que aceitou de bom grado dizendo que um dia ela receberia outras pessoas importantes naquela mesa.

A comida estava magnífica. O lombo com azeitonas, bacon e queijo fez muito sucesso, mas o seu prato preferido eram as costeletas crocantes. Katerina também colocou molho rosê sobre a salada verde, que ocupava mais da metade do seu prato, depois vinham as costeletas, o lombo e massa ao molho branco. Os pratos eram servidos separadamente e as porções eram pequenas, porque normalmente ela não se dava ao luxo de comer tanto. Na sobremesa ela pegou um doce de chocolate preto por fora e recheio de morango.

Katerina amava as comidas na Corte. Vários nobres foram convidados para serem apresentados a Frederick Whitmore, mas eles pensavam que ele era apenas um Conde de passagem. Nada sobre o PMI, é claro. Era assunto confidencial. Katerina tomou a taça dourada em suas mãos com o vinho que Frederick trouxe do norte e virou um gole para abaixar a comida. Ela sempre ouviu que os vinhos nortistas eram mais fortes, mas não imaginou que fossem desse jeito.

Ele pediu água e um copo de vidro foi trazido por uma criada rapidamente. Katerina bebeu, mas a queimação na sua garganta apenas fez descer para o estômago, que começou a revirar. Algo estranho a atingiu em vários pontos do corpo e ela já sabia que algo estava errado.

– Katerina? — Joffrey chama sua atenção. — Está tudo bem?

Ela assente, mas não consegue abrir os lábios. Lágrimas escorrem dos seus olhos, mas ela tentou respirar fundo e controlar a dor e o enjoo. A ruiva não sabia o que fazer. O espartilho de repente pareceu apertado demais. Ela tentou se levantar, mas suas pernas fraquejaram e seus braços se apoiaram no encosto da cadeira de veludo talhada em ouro. Joffrey se levantou e a segurou pela pela cintura.

– Katerina, o que está...

Ela botou tudo pra fora. Pensou que estava vomitando, mas o que saia da sua boca não era o fluido com restos de comida, mas sim uma espécie de espuma branca e algo no meio em um tom avermelhado...

Sangue.

– Veneno — Joffrey falou.

Tudo o que ela conseguia pensar era que aquele era o pior aniversário de todos que ela já teve.

+++

Dias atuais

Rebekah caminha de um lado para o outro da sala de controle do palácio. Ela espera que a garota consiga se comunicar com ela.

Ela consegue entrar na sala de controle de Valentina.

– Katerina realmente está no norte, não é? — ela pergunta, se sentando na cadeira giratória preta.

A garota assente com a cabeça. Ela está com os cabelos negros presos em um rabo de cavalo alto, tem os olhos azuis grandes e familiares...

– Você pode me ajudar?

Ela assente novamente.

– Acho que um ataque direto não seria bom agora, então pensei em um método mais eficaz e menos suspeito.

A garota faz cara de curiosa e a pede para prosseguir com um gesto.

– Há alguns métodos que fazem parecer que a pessoa esteja doente até que... bom, até que a morte chegue, se é que você me entende.

É claro que entende. Veneno, é óbvio.

– Onde? — a rebelde nortista traidora abre a boca pela primeira vez. — Quando?

– Eu sei que os rebeldes roubam suprimentos do sul que são mandados para o norte. Mandarei o veneno no meio de alguns temperos. Você diga a Valentina que soube de um carregamento que vale a pena tentar saquear. Você tem que ser mais rápida e pegá-lo antes de qualquer pessoa. É bem raro e caro, provavelmente não conseguirei outro tão cedo. Você consegue fazer isso?

Ela assente.

– Sou boa no que eu faço. Não cheguei a passar pelo PMI, mas meus irmãos sim e eu sei de muita coisas.

Rebekah fica surpresa pela garota estar falando da sua vida, mas decide que esse não é o momento certo. Desde as últimas quatro semanas que elas vem se comunicando, a garota nunca falou mais do que o necessário.

Rebekah ainda se lembra da tarde em que ela estava desesperada com a taxa de assassinatos aumentando e que a garota caiu do céu, invadindo seu sistema de comunicação, dando coordenadas e oferecendo ajuda.

A garota foi a sua solução.

– O veneno estará em um pequeno pote. São ervas amareladas, parecendo folhas ressecadas. Misture em uma bebida escura, como vinho. Katerina ama vinho tinto.

Ela assente.

– São ervas do norte de Frömming, mas suspeito que você não conseguirá outras por aí mesmo que tente.

– Você nos atacará?

– Apenas se Vincent fizer uma boa proposta. Claro que não ficarei contra ele. Eu posso ser um pouco desligada, mas eu não sou otária. Ir contra o Senhor de Meurer é suicídio.

– Vincent realmente não é o tipo de pessoa com quem você tem amizade.

Rebekah sorri por um momento.

– Por que você está fazendo isso, Heather?

– Você prometeu a minha sobrevivência e a dos meus irmãos quando a guerra eclodir.

– Mas foi você que me procurou.

– Porque Katerina pode atrapalhar os meus planos com Francis. Eu quero me livrar do meu pai e se matar Katerina é o preço para ser rainha, eu o pagarei de bom grado.

+++

Katerina enlaça os dedos ao redor do pescoço de Francis para não cair. Ela não sabe como foi parar no seu quarto, mas a questão é que ela estava lá com ele.

Sua legging pinica em seu corpo e ela sente uma vontade absurda de tirá-la. Talvez seja só o fato de ela estar perto de Francis. A única coisa que ela sabia era que estava sentindo muito calor.

As mãos de Francis param na cintura dela depois de trancar a porta. Ela para de beijá-lo.

– O que você está fazendo? — ela pergunta.

Francis parece não entender.

– Eu não...

– O que você está fazendo com as suas mãos?

Ele olha para elas paradas nela.

– Elas estão na sua cintura. Eu não...

– E você acha que eu sou algum tipo de freira? — ela questiona. — Por favor, coloque-as em algum lugar útil.

Francis suspira de alívio e sorri ao ver que ela está fazendo o mesmo. As suas mãos descem para a bunda dela e a aperta. Katerina sorri novamente durante o beijo. Francis a levanta e a conduz até a cama.

– Eu adoro você com essas roupas coladas — ele murmura -, mas eu a prefiro sem elas.

– Então eu acho bom nós tratarmos de tirá-las.

+++

Pela manhã, Katerina acorda com os dedos de Francis desarrumando seus cachos ruivos. Ele faz carinho na sua cabeça e a beija devagar. Ela puxa o lençol para cima para cobrir o corpo nu.

– Feliz aniversário.

Ela sorri para ele.

– Como você sabe?

– Eu estava lá, dois anos atrás. No seu aniversário de vinte. Você não deve ter me reconhecido, afinal eu estava bom... eu estava como Francis.

Ela passa os dedos pelos cabelos cor de trigo dele e desce para os seus olhos azuis turquesa e deposita um beijo na sua bochecha e outro nos seus lábios.

– Eu gosto de você dos dois jeitos — ela diz. — Bom, vamos torcer para que nenhum rebelde atire em mim dessa vez.

Francis não consegue controlar o riso e ela se junta a ele.

– É bom termos cuidado.

– Sabe, eu tenho um histórico bem ruim de aniversários. Teve um que contrataram um palhaço e eu comecei a chorar, porque eu tinha medo dele. Teve outro que eu fui envenenada e bom, teve o de vinte que eu recebi um tiro.

– Acho bom você me ter ao seu lado para te proteger hoje então. Eu pretendo que você sobreviva até depois da guerra.

Ela o beija novamente.

– Eu também.

Francis a olha no fundo dos olhos.

– É bom termos cuidado. Assim como na Corte, o esconderijo rebelde está cheio de traidores.

– Eu espero que hoje tudo ocorra bem. Acho que é melhor não contarmos a ninguém que é meu aniversário, assim podemos afastar o azar um pouco.

– Se você quer assim.

Acontece que há datas que estão fadadas à desgraça.

+++

Todos sabiam que era seu aniversário. Uma mulher até entregou uma camiseta com o lobo dos Apátridas para ela, outros apenas lhe deram parabéns. Valentina disse para ela pedir algum prato especial.

– Costeletas crocantes, por favor — ela pede — e uma taça de vinho, pelo amor de Deus. Estou louca por isso.

Os cozinheiros fazem esse prato para ela e o vinho tinto é servido, assim como ela pediu.

– Katerina — Heather se aproxima e sorri para ela. — Parabéns — e então ela a surpreende com um abraço.

Katerina não sabe quando deu toda esse intimidade para ela, mas retribuiu para não parecer grosseira. Depois disso Heather beijou Francis na frente dela e ficou pendurada no pescoço dela. Katerina ficou chateada, é claro. Ele passa a noite com ela e agora fica beijando outra? Por que ele não disse a verdade para Heather?

Ela decide ignorá-los e começar a comer. As costeletas estavam no ponto, iguais as do Palácio Archiberz. Como ela sente saudades de casa...

Katerina vira a taça de vinho em um gole só. A comida termina e ela sorri para Valentina.

– Obrigada por tudo.

Ela conversa com as pessoas sobre o sul de Frömming. Eles a fazem perguntas sobre o palácio, os centros agitados, a cultura e etc. Eles riem com ela e até cantam uma música e tocam violão em homenagem ao seu aniversário. Apesar de simples, tudo estava correndo bem.

Quando ela se levanta, sentiu uma dor de cabeça aguda. Algo latejante no seu crânio, como se estivesse a martelando no fundo do seu ser. Katerina sente um arrepio e tenta expelir a dor, até que ela finalmente vai embora. Ou a ruiva se acostumou, ela não sabe ao certo.

– Kat... — Francis a segura pelo braço, mas ela se afasta.

– Eu escolhi ficar com você, eu escolhi me entregar novamente para você. Eu te dei um voto de confiança — ela murmura para que os outros não ouçam. — Agora é a sua vez de escolher, mas não pense que eu ficarei esperando por você, porque eu não sou assim.

– Kat, por favor, me escuta... Eu ainda não tive a oportunidade de terminar com a Heather...

– Quando você realmente quer algo, nada é problema. Eu queria você e eu o perdoei, não é mesmo? Esse foi o meu preço a pagar — ela rosna para ele. — Eu já segui a minha vida antes sem você, Francis, então não pense que dessa vez seria diferente se você me trair mais uma vez.

Mesmo estando tonta, ela se retira para o seu quarto e tranca a porta. Ela e Francis possuíam cada um uma chave, mas como eles haviam saído juntos, uma havia ficado no quarto. Katerina trancou a porta, o deixando para fora.

Ela acabou se acostumando com o som dos socos fracos de Francis na porta e da sua voz a chamando e acabou adormecendo em um mar de lágrimas.

Realmente, algumas datas estão fadadas à desgraça.

Notas finais
Não ficou muito bom, mas eu queria fazer algo para vocês antes das minhas provas começarem. Semana que vem eu provavelmente não postarei, estarei por aqui apenas para responder alguns comentários (se tiverem, é claro. espero que vocês mandem). Enfim... Katerina realmente foi envenenada ou a sua dor de cabeça tem a ver com o fato de que Francis estava com outra na sua frente? Descobriremos no próximo capítulo. Xoxo.