Unforgettable
5 Capítulo 5 - O pesadelo
Notas iniciais
-Dawn... -Ash sussurrou após se reerguer. -Olhe.-Continuou a encarar a porta do local.
Rapidamente Dawn deslocou sua atenção para um vulto que estava aparecendo. Um garoto entrava de cabeça baixa, certamente parecia chateado com alguma coisa. “Mostre seu rosto!” Dawn ordenava mesmo sem dizer nenhuma palavra, apenas mandava com a força do olhar. E após alguns minutos de silêncio profundo, Dawn finalmente pôde ver os olhos frios do garoto que havia encontrado na floresta. Ela o encarou por alguns minutos, revelando um pouco de curiosidade. O jeito sombrio que ele tinha a fascinava.
-Paul? -Foi a palavra que quebrou o silêncio. — O que está fazendo aqui? -Realmente, parecia uma pergunta idiota.
Rapidamente, ele a encarou. As luzes batiam em seu rosto, seus olhos brilhavam intensamente. “É incrível observá-lo”.Dawn pensou. Até que Paul formulou uma resposta.
-É proibido vir a um Centro Pokémon? -Ele finalmente respondeu com outra pergunta.
-Foi um tanto grosseiro de sua parte responder desta maneira.- Dawn respondeu ofendida.
-Foi um tanto grosseiro da sua parte se meter em minha vida. -Paul conseguia ser ainda mais cruel. A garota finalmente suspirou e pensou se realmente valia a pena perder seu tempo de recuperação com aquilo. -Mas, vim aqui para uma boa noite de sono. -Paul finalmente se dirigiu à enfermeira Joy. -Teria algum quarto disponível?
-Claro... -Respondeu a doce mulher de cabelos rosa enquanto entregava uma chave. -O número é 201-A.
-Obrigado. -Respondeu Paul enquanto fazia uma reverência. Até que se virou para Dawn e a encarou por uns minutos. -Boa noite, Dawn. -Disse sorrindo disfarçadamente. Até que se virou e se dirigiu para seu quarto.
-Boa noite... -Dawn respondeu enquanto ainda não acreditava no fato de Paul ter se recordado de seu nome. -Paul... -Seu nome ecoou pela recepção. Apesar de ter apenas falado em um tom de voz considerado baixo.
-Por que você gosta daquele cara? -Eram as primeiras palavras de Ash após Paul ter entrado naquele lugar.
-Eu não gosto dele! -Dawn respondeu enquanto sentia medo de estar mentindo. Nem ela mesma sabia que sensação era aquela que estava tomando conta de seu corpo.
-Mentira!
-Não estou mentindo! -Ela ainda tinha medo de estar sendo falsa com ele.
-Está sim! -O fato de estar estressado surpreendia a todos.
-Não estou! -Dawn tentava se defender com todas as forças que tinha.
-Está sim!
-O que você tem a ver com a minha vida? -Gritou a garota com o resto de vontade que lhe sobrara.
Todos ficaram em silêncio por um instante, Dawn sentia-se estranha com o aquilo. Nunca fora uma pessoa que soubesse entrar em uma discussão sem machucar as outras pessoas. Ser legal não era uma das suas melhores habilidades. “Acabei de falar uma coisa que eu já tinha percebido, mas não tive coragem de admitir”. Pensou Dawn enquanto encarava Ash. Ele não disse mais nada depois daquilo.
-Ash, não foi isso que eu quis dizer. Eu... -Dawn estava sem palavras. Havia sido cruel, não se lembrava de ter sido assim. Talvez a morte de seu pai tenha a mudado mais do que esperava.
-Não precisa dizer nada. Você está certa. -Respondeu em tom de aceitação com uma pitada de mágoa.
-Mas, Ash... -Dawn tentava argumentar. Ela sabia que ele não tinha aceitado aquele exagero que ela tinha falado.
-Boa noite a todos. -Falou ignorando completamente o que Dawn estava prestes a falar. Finalmente dirigiu-se a enfermeira. Ela ainda estava calada. Ergueu sua mão em silêncio na espera de uma chave.
-Aqui está. -Respondeu lhe entregando uma chave. Ainda agia em total silêncio. -O número é 102-A.
-Obrigado. -Respondeu fazendo uma reverência. Encarou Dawn por alguns segundos até que finalmente deu as costas e foi ao encontro de seu quarto.
-Eu preciso falar com ele! -_Disse Dawn enquanto se preparava para correr desesperadamente. Até que foi segurada por alguém. -Me larga!-Percebeu que era Brock quem a segurava. -Brock! Preciso falar com o Ash!
O rapaz ainda a segurava enquanto fazia um sinal de negação.
-Por que você está fazendo isso? Não está vendo que seu amigo saiu chateado daqui? Por que quer machucá-lo? -Dawn ainda falava em um tom de voz médio. Ela não compreendia o porquê dele a segurá-la. Ela ainda se rebatia.
-Vai ser pior se você for falar com ele.
-Mas, Brock... -Ela ainda não entendia como
-Dê um tempo pra ele. Eu nunca vi Ash assim.
-Tudo bem...-Ela finalmente aceitou a proposta e parou de se rebater. Brock a soltou ainda incerto se ela cumpriria a sua parte do trato.
Após os conflitos, cada um foi para seus respectivos quartos. Já tinha passado algumas horas desde tudo o que ocorrera. Dawn já dormia mesmo sentindo algumas dificuldades.
“E nossa próxima concorrente, Dawn da cidade de Twinleaf!” Seu nome ecoou pela arena. Conseguia ouvir pessoas gritando de felicidade, ansiosas por um espetáculo. Nunca tinha sentido aquela sensação antes. Simplesmente tinha que se apresentar e conquistar sua vitória. Sua pokébola estava em sua mão, sabia que não podia falhar.
“Não vou falhar!” Gritou enquanto corria para os holofotes. Dançava feliz até as cortinas se abrirem e ela finalmente sentir a verdade pessoalmente. Uma multidão a observava, estava começando a ficar incerta se eram tão amigáveis quanto pareciam.
“Apresente-se, Dawn!” Observou alguém gritando seu nome. Sua mãe estava na primeira fileira, aplaudindo de pé. Estava sorridente, pedindo pelo sucesso da filha. “Eu sei que você consegue!” Então, Dawn finalmente começou a girar delicadamente, fazendo cada passo suavizar a platéia. Todos então se sentaram e resolveram apreciá-la.
“Gostaria de dedicar este momento a minha querida mãe”. Falou apontando para ela, que se encontrava em silêncio como se ainda não estivesse satisfeita com o ato. “E a meu pai falecido pai, que por certos motivos não pode se encontrar aqui comigo”.Ela ainda sorria enquanto dançava apontando para o céu. Ele ficaria orgulhoso dela. “E a meus amigos Brock e...” Ela quase mencionou seu nome, mas por mais que tentasse, sua voz não saia. Não conseguia mais falar nada, havia ficado muda em pleno Contest. Começou a sentir medo. Como poderia fazer uma apresentação sem sua voz? Começou a apontar para si mesma, na esperança que percebessem o que estava acontecendo. Tinha medo de que não a compreendessem. A platéia começou a ficar irritada, vaiavam cada vez mais. E para piorar as coisas, começaram a jogar coisas nela, sujavam seu vestido com frutas. Seu cabelo estava totalmente estragado. Então começaram a jogar coisas mais pesadas, uma lata a atingiu tão fortemente que a fez cair. Ainda teve forças para se levantar e ver quem teria tacado aquilo. Apesar de estar sangrando, ainda estava consciente o suficiente. Quando finalmente observou quem havia feito aquilo, ficou ainda mais quieta. Parou de ser mexer. Como ele poderia ter feito aquilo com ela? Foi então que outra lata a acertou em cheio novamente e começou a chorar abundantemente. Ash estava em sua frente, tacando cada vez mais latas. Do mesmo modo que havia tacado a primeira. As lágrimas eram de dor, mas não pelas latas. Mas, sim por ser ele. Ele era a pessoa que estava a machucando e ainda mais, por estar ajudando a destruir seu sonho. Chorou ainda mais.
“Espero que esteja doendo”.Ela não acreditava no que estava escutando, ele era seu amigo. Foi então que tudo desapareceu e ficaram apenas os dois em um espaço vazio. Ela ainda teve coragem de se levantar e começou a socá-lo. “Você não pode me machucar”. Falou ele com um ar de vitorioso. Nenhum soco parecia fazer efeito, mesmo usando toda a força que lhe havia sobrado. “Mas, eu posso te machucar!” Foi então que ele a derrubou no chão e começou a chutá-la. Cada golpe parecia ser milhões de vezes mais fortes que o seu. Ela chorava mais e mais. Se tivesse voz, já estaria implorando para que parasse. Aquilo estava doendo de verdade. “Você não passa de um fracasso!” Falou ele ainda a chutando. “Seu pai deve ter morrido de vergonha!” Após isso, que ela se revoltou e se levantou. Seu pai se orgulhava dela e ela sabia disso. Mesmo sem equilíbrio, ela ainda tinha coragem de tentar socá-lo. Foi então que ela tropeçou e caiu em cima dele. Os dois estavam no chão. Ela estava em cima dele, ainda tentando ganhar vantagem. Sua voz voltou de repente.
“Não me chame de fracasso, seu idiota!” Ela batia com força no rosto dele. Ainda estava chorando, porém desta vez era de raiva. Ele simplesmente não reagia. “Você não sabia de nada sobre meu pai!” Ela gritava ainda o machucando. “Você não sabe de nada”. Foi então que ela parou, e voltou a chorar ainda mais. “Seu idiota!” Ela ainda gritava. Não conseguia acreditar em quem era aquela pessoa. Até que tudo girou e ela percebeu que era ele que estava em cima dela. Tinha perdido toda a vantagem. Ele estava segurando seus pulsos com força e não a deixava se locomover.
“Fique quieta!” Desta vez, era ele que gritava. E voltou a machucá-la com mais intensidade. E cada golpe parecia mais forte que o outro e ela sentiu medo. Ele estaria a matando?
“Ash, por que está fazendo isso comigo? Pensei que éramos amigos”. Ela finalmente perguntou o que queria saber, mas foi ignorada. Ele continuava a machucá-la. Cada soco era mais forte que o outro e contribuía para a grande poça de sangue que se encontrava no chão. E a cada minuto, a dor ia piorando até que ela não agüentou mais. “Ash!” Ela gritou ainda chorando. E tudo ficou escuro.
Fale com o autor