Unexpectedly Love
6 Capítulo 6
Notas iniciais
As mãos transpiravam e os joelhos tremiam.
Emma não sabia por que estava tão nervosa. Havia enfrentado situações muito mais difíceis sem se sentir tão abalada. Era geralmente equilibrada, tinha uma mente ágil e seu estômago raramente dava nós, como agora.
Enquanto caminhava em direção à secretaria, onde encontraria Killian para a primeira aula dele com Elsa e Henry, uma vozinha sussurrou em seus ouvidos:
Você já sentiu isso uma vez, antes de seu primeiro encontro com August, aproximadamente três anos atrás.
Emma ignorou a voz e enxugou o suor das mãos na saia, que era justa.
Assim como não pensara em vê-lo novamente desde o encontro no Café Luciano no dia anterior. Assim como não havia ficado deitada na cama até tarde, fantasiando com o que faria se Killian entrasse no quarto, vagarosamente, e se deitasse em sua cama. O corpo longo e rígido a seu lado, a voz baixa e gutural. E as mãos? Sim. Ela não pensara em nada daquilo. Em absoluto.
Entrando na secretaria, avistou-o conversando com a recepcionista. E Violeta estava visivelmente deslumbrada. Fitava Killian com olhos sonhadores e sorria abertamente. Ela aproximou-se.
– Emma, bom dia — cumprimentou ele, subjugando-a com aqueles olhos azuis e seu perfume embriagador.
– Prazer em vê-lo, Killian — disse ela, embora prazer não fosse a palavra certa. Maravilhada, seria.
– O prazer é todo meu, Emma. Onde estão os garotos? Estou ansioso para conhecê-los.
Ansioso para conhecê-los ou para começar sua campanha publicitária?, pensou ela.
– Estarão na sala de tecnologia alimentar em poucos minutos — replicou, enquanto observava Violeta entregar-lhe o crachá de visitante.
Observou também que ele estava usando roupas mais casuais do que nas duas últimas vezes que o vira, um impecável jeans desbotado, uma camiseta com a estampa de um time de futebol inglês, tênis e jaqueta de couro preta. E carregava uma mochila.
– Prazer em conhecê-la, Violeta — disse ele, seguindo Emma pelo corredor e perguntando casualmente:
– Como foi o seu dia? Repleto de pensamentos em você, pensou ele.
– Ótimo, obrigada. Você pensou no que lhe disse sobre Elsa e Henry?
– Muito. — Ele sorriu. — E estou empolgado com o desafio. Não tenho muitas oportunidades como esta.
Ela o fitou. Ele cativara Violeta em segundos, e agora estava tentando enfeitiçá-la também, agindo entusiasticamente sobre o projeto. O estranho era que a expressão dele era franca e seu tom não apresentava nenhum traço de sarcasmo.
– Essas duas crianças também não têm. — Ela abriu a porta da sala vazia.
Agora era hora de estabelecer um território seguro para Elsa, e regras definidas para Henry. Crianças e adolescentes apreciavam regras e limites bem demarcados. Emma sabia daquilo, uma vez que fora criada com tão poucos limites.
Aquele ambiente profissional deu-lhe força para tentar aplacar seus hormônios.
Caminhando até o centro da sala e colocando uma distância segura entre os dois, foi a primeira a falar:
– Então, conforme conversamos ontem, acho que poderia ser uma boa ideia…
– Por que você está zangada comigo, Emma?
Aquelas palavras a surpreenderam.
– Não estou zangada — disse, mesmo sabendo que estava mentindo. Afinal, quem ele pensava que era para invadir seu mundo e fazer as coisas que queria?
– Sim, você está. Posso sentir isso. O que fiz que a incomodou? Conte-me, pois quero parar de fazê-lo.
Emma engoliu a raiva. Killian estava certo, não havia feito nada. E não era culpa dele que ela não podia fazer o que queria. Assim era a vida. Cheia de desejos inadequados. Cabia a ela lidar com os seus.
– Não é o que você fez, Killian, é o que você é.
– E como sou, que a faz ficar tão zangada? Acabamos de nos conhecer, Emma. Você não gosta de chefs? Ou pessoas que possuem galinhas? — Ele deu um passo à frente e gesticulou com as mãos. — Acho que deveria me contar antes de começarmos a trabalhar juntos. Talvez eu possa fazê-la mudar de ideia.
Oh, Deus, aquilo era uma ideia tola. Esperava poder ignorar o modo como seu corpo reagia ao contato com aquele homem, mostrar-se fria e distante e que ele a deixasse ser apenas uma professora na sala. Mas estava parado ali, com uma expressão amigável, querendo que ela gostasse dele.
– Não é importante — replicou ela, dando-lhe as costas como se estivesse inspecionando a sala.
Mesmo de costas, Emma sabia que ele havia se aproximado, porque se arrepiou.
– É importante, sim — discordou ele, e ela quase tremeu com o som da voz sexy. Estava bem atrás dela. Perto o suficiente para tocá-la.
Houve uma leve batida à porta. Aliviada e ao mesmo tempo desapontada, Emma viu Elsa através do pequeno vidro.
– Eu a atenderei. — Mas, antes que pudesse se mover, Killian alcançou a porta com passos largos.
Uma garotinha de cabelos escorridos, magrinha e com olhos baixos estava à porta.
– Você deve ser Elsa — disse Killian, gentilmente. — Ouvi falar de você e estou muito feliz em conhecê-la. Sou Killian Jones
Ele estendeu a mão para a menina, mas, quando Elsa encolheu-se, Killian abaixou a mão e deu um passo atrás para deixá-la entrar. O olhar da garota fixou-se em Emma, mas depois voltou aos próprios sapatos.
Uma menininha assustada. O coração dela apertou-se. Sabia exatamente como Elsa se sentia.
Conversando mais com Regina, soubera que a menina tinha somente um dos pais e que este raramente estava em casa. Criava-se praticamente sozinha. Uma situação que Emma conhecia bem.
– Olá, Elsa — murmurou ela suavemente, pondo-se ao lado da menina. — Estou orgulhosa por você ter sido escolhida para este concurso. Vai ser ótimo aprender com um chef de verdade, não vai?
Elsa fez um leve aceno com a cabeça.
Henry chegou com um bafo de cigarro que Emma sentiu de longe. Ficou na porta, mãos enfiadas nos bolsos da calça, a gravata do uniforme frouxa no pescoço.
– Quanto tempo isso vai levar? Tenho coisas para fazer. — A voz do menino parecia adulta demais para o corpo desleixado de adolescente. Encarou a professora e então fixou os olhos em Jones. O semblante poderia ser interpretado tanto como hostilidade quanto medo.
– Tudo bem, Henry? Estou feliz que você esteja aqui — disse Killian, de maneira mais relaxada que o normal.
Emma viu Henry observando a calça jeans e o tênis de Killian, e principalmente a camiseta com estampa de futebol. Nada semelhante a professor. Perguntou-se se ele havia escolhido aquelas roupas para deixar os garotos mais à vontade.
– Ótimo, podemos começar agora — disse Killian esfregando as mãos, entusiasmado. Pegando a mochila, tirou de dentro um rolo de feltro escuro que colocou sobre a mesa no centro da sala. — Venham, eu não mordo.
Emma podia jurar que aquele comentário era dirigido a ela. Então notou que as duas crianças a estavam olhando, como se esperando que assumisse a liderança.
Ela se aproximou da mesa e as crianças a seguiram.
– Meu nome é Killian Jones e gosto de ser chamado de Killian ou Hook. Nada de “senhor”. Mas, quando estivermos nesta sala, chamem-me somente de chef, entenderam?
Elsa assentiu. Henry deu de ombros. Hook olhou para Emma, como se esperasse uma resposta.
– Sim, chef — disse ela.
– Ótimo. — Ele lhe dirigiu um sorriso estonteante antes de voltar-se para as crianças: — Vocês já assistiram ao meu programa na televisão?
Outro assentimento e mais um dar de ombros.
– Por que mudos? — perguntou Killian.
– Sim, chef — murmuraram ambos.
– Excelente. Gostaram?
– Sim, chef. — A segunda vez foi mais fácil. Seria cada vez mais fácil, Emma sabia. Hook não era professor, mas conhecia o sutil truque de conquistar disfarçadamente.
– Genial. Obrigado aos dois. — Ele olhou para as crianças, a fim de certificar-se de que tinha total atenção delas. — Quero que entendam uma coisa. Ser chef não é como naquele programa. Não é atirar uma porção de coisas numa panela sobre o fogo e depois despejá-la numa travessa. Não é dizer coisas engraçadas e brincar diante de uma câmera. Ser chef é trabalhar duro. — Killian inclinou-se sobre a mesa, o rosto nivelado com os adolescentes, a voz tranquila e autoritária.
– Cozinho desde que tinha menos idade que vocês dois. Levei anos para chegar onde estou hoje. Trabalhei em cozinhas que eram como zonas de guerra. Suei, sangrei e investi muito dinheiro para construir meu nome. E o trabalho não terminou somente porque consegui fama.
Ele os olhou e percebeu que estavam atentos.
– Vocês querem ser um chef?
– S-sim, chef — gaguejou Henry.
– Sim, chef — murmurou Elsa.
– Isto é um bom começo. O que quer que possa ter acontecido a vocês antes do dia de hoje, qualquer problema que possam ter tido na escola ou na vida, aqui eles desapareceram. Não vou julgá-los por fatos do passado.
Ele falava com os garotos, mas os olhos estavam em Emma. E ela sabia o que as crianças haviam sentido quando colocadas em foco. Ela mesma sentira aquele efeito, com a exceção de que, no seu caso, o sentimento era composto de desejo sexual.
– Para mim, o que importa é como cozinham — continuou ele. — Vou julgá-los pela sua dedicação em fazer boa comida. Olhem para isso.
Ele estendeu as mãos para os dois, palmas para cima. Por um momento, Emma não entendeu o motivo. As mãos eram bonitas. Fortes e capazes. As mais extraordinárias que já vira, as únicas capazes de fazer seu corpo responder a um simples toque.
Então viu o que não fora capaz de ver antes, e ofegou profundamente.
As mãos másculas eram cobertas de cicatrizes das pontas dos dedos aos pulsos. Algumas brancas e manchadas, outras rosas e brilhantes. Ele virou as mãos, mostrando que as costas eram similarmente marcadas.
– Se vocês se transformarem em chef, terão mãos como estas. Facas as cortarão, panelas as queimarão. Mas, ao se tornarem chefs, ficarão orgulhosos de cada cicatriz. Serão marcas da batalha do dia-a-dia.
Emma não podia afastar os olhos daquelas cicatrizes. Imaginou a dor que cada uma causara. Conhecia cicatrizes. Embora nenhuma das suas fosse visível.
– Eu me queimei várias vezes — disse Henry e mostrou as mãos. — Na frigideira.
– E o que você aprendeu com isso? — perguntou Killian.
– Não fazer sanduíches de bacon quando estiver bêbado.
O sorriso de Henry era desafiador. Vá em frente, critique-me por não ter idade para beber.
Mas Killian foi tranquilo ao dizer que era uma boa lição, então pegou o rolo de feltro que pusera na mesa e começou a desenrolá-lo.
– Aprendi cedo que, se quisesse evitar machucados, precisaria ter cuidado, como isso aqui. — Ele acabou de desenrolar a pequena mala e Emma viu que era uma capa para um reluzente jogo de facas. — Elsa, poderia me arranjar uma cebola e uma tábua de madeira, por favor?
A tímida criança obedeceu, colocando os itens na frente de Killian.
Ele sorriu em agradecimento, puxou uma faca da coleção e, com um movimento rápido, cortou a cebola ao meio. Continuou falando enquanto descascava a cebola e a fatiava fina como folha de papel.
– Uma faca afiada corta coisas por si só. Isso requer muito pouca pressão. A faca praticamente desliza. Uma faca afiada impede muito mais acidentes do que causa.
As mãos de Killian moviam-se como as de um mágico, pegando uma cebola inteira e transformando-a em fatias sem nenhum esforço.
– Você não está chorando — comentou Emma, enfeitiçada.
– Por duas razões. Uma, porque esta é uma faca muito afiada. Duas, porque não sou chorão.
Bem, aquilo era algo que eles tinham em comum, pensou ela. Há muito tempo não chorava mais. Ele acabou de fatiar a cebola e entregou a faca a Henry, apresentando-a pelo cabo. Escolhendo outra faca, deu a Elsa, que a segurou com receio.
– Srta. Swan, parece que você precisa de uma. — Ele pegou uma faca imensa e ofereceu-lhe.
Emma olhou para a faca.
– Não preciso aprender — protestou.
– Estou surpreso. Pensei que uma boa professora jamais deixasse passar uma oportunidade de aprender algo novo.
Depois daquilo, ela não tinha escolha. Além de chef, o homem era um mestre manipulador de pessoas. Emma pegou a faca. Killian tirou um saco de legumes de uma das geladeiras e, antes que percebesse, Emma viu-se picando uma cenoura e admirando o estilo dele de ensinar.
Era bom vê-lo instruindo as crianças. A concentração delas era total. E Killian as elogiava e lhes dava sugestões. Era gentil com Elsa e brincalhão com Henry.
As pessoas não gostavam de Killian apenas porque ele era fascinante, para não dizer feiticeiro. O homem imaginava o que os atrairia e tinha o dom de ser transparente e sincero.
Devia ser uma habilidade útil quando estava fazendo sexo. E também junto a todas as mulheres com as quais era visto.
Pelo menos, Emma podia relaxar sobre algo. Killian Jones não estava flertando com ela por estar interessado em sua pessoa. Fazia isso porque agia daquele jeito com todo mundo. Era sua segunda natureza.
Ela voltou à cenoura. Podia parar de se preocupar com os garotos, por enquanto, independentemente dos motivos de Killian para o futuro daquele projeto.
– Será mais fácil se você deixar a faca fazer o trabalho, em vez de usar seu braço.
– Você não devia criticar pessoas que estão segurando uma faca. – Emma se irritou.
– Estava apenas tentando ajudar. Deixe-me mostrar a você. — Ele aproximou-se por trás, passou os braços ao redor de seu corpo e pousou as mãos sobre as dela. A respiração no ouvido causou arrepios nela. — Apenas levante o pulso. Deixe a ponta da faca ficar na tábua. Assim.
Ele guiou-lhe a mão, segurando-a firmemente. Isso, balançando a faca. O corpo de Killian era quente. Emma podia sentir o aroma da loção cítrica misturar-se com o cheiro da cebola das mãos, sensualmente.
– Não conseguimos concluir nossa conversa de hoje — murmurou ele. — Que tal outro café depois daqui?
Ela não podia ver-lhe o rosto, somente as mãos competentes que cobriam as suas, controlando seus movimentos.
Ao olhar as crianças, viu Henry procurando algo na geladeira, e Elsa trabalhando a casca de uma maçã numa longa espiral. Graças a Deus.
– Não, obrigada — respondeu.
– Veja, isto é exatamente o que precisamos conversar. Você continua agindo como uma professora digna em relação a mim. Sei que há mais sob essa superfície.
– O que o faz pensar assim?
Ele respirou no pescoço dela antes de responder, fazendo seus mamilos enrijecerem sob a blusa fina.
– Por causa da maneira que você me faz sentir — sussurrou ele.
Emma sabia que Killian estava flertando. Sabia também que aquilo não significava nada.
Mas o coração disparou e sentiu-se fundir por dentro. Porque ele parecia estar dizendo a verdade.
– Pare com isso — protestou. — Você não sabe nada de mim.
– Mas quero saber. Vamos tomar um café, jantar, o que quiser. Permita-me conhecê-la.
Ela olhou as mãos unidas sobre a faca, que fatiavam a cenoura com incrível sensualidade.
– Sr. Jones, há crianças na sala e não acho que seja apropriado. — Ela torceu os ombros como se quisesse livrar-se dele.
Ele recolheu as mãos e deu um passo atrás.
– Concordo. Então vamos para algum lugar depois que terminarmos aqui. Se você disser não, continuarei insistindo até que diga sim, portanto não percamos tempo.
Ela olhou em volta da sala para ver as crianças distraídas no trabalho com a faca. Baixando os olhos, corou ao perceber seus mamilos visíveis através do sutiã e da blusa. Por que não pusera um suéter de manhã?
– Você não quer? — perguntou Killian. Ela cruzou os braços sobre o peito.
– Querer não tem nada a ver com isso. Eu não vou. Obrigada pelo convite.
O sorriso dele era de pura segurança.
– Querer tem tudo a ver com isso Emma. — Além de tudo, era convencido. Ela pegou outra cenoura e o encarou.
– Não, chef. — E levou a imensa faca sobre a cenoura, cortando-a pela metade.
Killian pestanejou.
– Entendo. Mas sei que você dirá sim uma hora dessas.
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