Unexpectedly Love
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Enquanto caminhava à noite, Killian sentia a pulsação de milhares de pessoas à sua volta, um dos motivos pelos quais amava Storybrooke. Ali, você nunca está sozinho.
Todavia, naquele instante, sentia-se mais sozinho do que nunca, até mais solitário do que durante a Páscoa que passara só, na grande casa dos pais, na Escócia.
Era sexta-feira à noite. Não, era sábado de manhã.
E, depois de sábado à tarde, provavelmente não teria mais razão alguma para ver Emma novamente.
Enfiou as mãos nos bolsos e continuou caminhando. Não iria dormir, de qualquer modo. E dormir sem ela a seu lado era tão exaustivo quanto passar a noite acordado.
Eu te amo. Estivera pronto para dizer-lhe aquelas palavras. Pela primeira vez na vida, entregar o coração completamente para alguém, sem querer impressionar, nem cativar, apenas oferecer.
E ela fora embora, dizendo que aquilo havia terminado mesmo antes de começar.
Não fora capaz de confessar seu amor. Por que confessar quando seria rejeitado? Não fazia sentido.
Ele chutou um poste de luz.
Mesmo que quisesse, Emma não lhe dera a chance de dizer-lhe que a amava. Aparecera no Jolly Roger ao mesmo tempo em que as crianças e focalizara toda a atenção nelas. Então o tratara friamente, recusando-se a ficar sozinha com ele, como quando haviam se conhecido. E aquilo doía.
Seu celular tocou e ele não reconheceu o número na tela. Não era ela.
–Alô?
– Killian? — Ele parou de caminhar. A voz era infantil.
– Henry? — perguntou. — Onde você está?
– Dentro de um carro.
– Qual é o problema?
– Acho que vou ser preso.
– Onde você está? — indagou. — Após uma pausa, Henry disse um local. — Por que preso? Você roubou o carro?
– Meus amigos. Não sei o que fazer. Mamãe e papai vão me matar…
– E por que acha que está prestes a ser preso?
– Porque a polícia acabou de nos parar — Henry sussurrava agora.
– Tudo bem. Estarei aí assim que possível, Henry. Você foi muito tolo, sabe disso? A competição é amanhã, quero dizer, hoje.
– Eles quiseram e não pude dizer não, porque…
– Estou indo. Não faça mais nenhuma tolice.
Ele desligou o celular e, enquanto procurava por um táxi nas ruas vazias, discou outro número. O telefone não respondia. Tentou três vezes e sempre caía na caixa postal.
– Alô? — Finalmente Emma respondeu com voz sonolenta. Ele a imaginou com cabelos despenteados e faces coradas, como quando a acordava para fazerem amor.
– Não desligue — disse ele. — Sou eu. Henry está com problemas e preciso da sua ajuda.
– O que ele fez?
– Roubou um carro.
– Onde ele está? — perguntou ela, ofegante, ao telefone.
– Provavelmente a caminho da delegacia policial agora. — Ele viu um táxi e levantou a mão. — Estarei em sua casa para pegá-la em dez minutos.
– Ligarei para os pais dele. Como você sabe sobre isso?
– Ele me ligou.
Houve um grande silêncio.
– Tudo bem. Eu o aguardo — disse ela, terminando a ligação.
Na clara luz da manhã, Emma observou Henry e os pais entrarem num carro, enquanto Killian estava parado a seu lado na calçada. Ele conversara pacientemente com os pais do garoto. Tinha sido magnífico, dando apoio ao menino. Ajudara a acalmar o pai de Henry, que estava a ponto de explodir de raiva, e amenizara a condenação das tolas ações de Henry com elogio ao talento do garoto e uma oferta de estágio que deixou a família perplexa. O menino acabou sendo libertado por meio de custódia dos pais. Mas, quando Henry apareceu na sala da espera da delegacia, foi direto para ele
– Desculpe-me — murmurou para ele, alcançando Emma e seus pais com um olhar arrependido.
– Diga isso a seus pais.
Havia lágrimas nos olhos do garoto.
– Desculpe-me — sussurrou para a mãe. — Nunca, mais vou fazer isso.
A Sra. Williams abraçou o filho. Emma notou que Killian afastou o olhar, mas não antes de ver-lhe a expressão. Certamente, estava se identificando com o garoto, pensando em quando era jovem. Ela admirou mais ainda porque, em primeiro lugar, ele não tinha de estar ali. Fora porque Henry precisava dele.
– Que horas são? — perguntou a ele na calçada. — Por volta das seis?
– Quinze para as seis. Temos cerca de quatro horas até a competição.
– E somente um competidor agora — disse ela tristemente, desejando que ele a abraçasse.
– Podemos caminhar por alguns minutos? – sugeriu ele.
Ela assentiu e eles começaram a descer a rua.
– Você vai realmente aceitar Henry como aprendiz no Jolly Roger quando ele deixar a escola no próximo ano? — perguntou.
– Sim. Costumo cumprir minhas promessas. Continuo tentando dizer-lhe isso, Emma. — O semblante dele era severo e cansado.
– Eu sei — disse ela. — Sei que cumprirá. Eu estava apenas… é um grande risco para você.
– Tudo na vida vale a pena arriscar. Henry começará de baixo e, se for bom, crescerá na profissão. — Ele passou a mão pelos cabelos e suspirou. — Devo muito ao garoto.
– Você deve a ele? — indagou ela surpresa.
– Devo a vocês três. Mas devo a Henry especialmente.
– Por quê?
– Porque ele me ensinou muito com seus erros tolos. Quando me ligou dizendo que tinha ajudado a roubar o carro porque seus amigos queriam e não ousara negar, entendi que Henry queria aceitação a qualquer preço. Preferiu fazer algo que sabia que estava errado a correr o risco da rejeição. Não quero mais ser assim.
Ela já sabia que ele havia mudado. E sabia que fora uma das causas disso. Tocou-lhe o braço levemente.
– Entendo.
– Não acho que você entenda. — Ele parou de caminhar e ela parou, também, encarando-o.
– Emma, eu amo você.
Ela quase tombou e sentou-se na calçada.
– Você me ama?
– Sim. Amo. — Killian sorriu, iluminando o mundo inteiro por um momento. — Você deveria ver seu rosto. Parece absolutamente trágica.
– Eu não estava esperando por isso.
– Eu sei. — Ele sentou-se a seu lado. — A ironia é: sua reação é exatamente o que eu esperava. Por isso não lhe disse até agora.
Ele continuava a sorrir, mas o brilho havia desaparecido. O semblante parecia triste.
Ela não soube o que fazer. Sentia-se confusa.
– Poderíamos ser felizes juntos — continuou ele. — Podemos nos casar e dar um troco para os fofoqueiros da imprensa, e isso seria muito bom, Emma, Eu a amo tanto.
– Você não está dizendo isso para ser nobre? Por que posso estar grávida?
Ele soltou uma gargalhada.
– Esqueça a nobreza. Estou implorando a você, se não notou. Esta última semana foi uma tortura. Quero tocá-la, abraçá-la, dormir com você, estar a seu lado em todos os momentos. Se estiver grávida, ótimo. Mas é você que eu quero.
Ele acariciou-lhe a mão. Ela não podia pensar quando Killian a tocava, portanto afastou-se.
– Não posso.
– Por que não, Emma? Seja aluna por um instante. Aprenda com Henry. Não jogue fora uma chance de ser feliz porque é mais fácil fazer a coisa errada.
Ela se levantou. As mãos tremiam
– Não é tão fácil assim — murmurou. — Você disse que foi uma tortura para você, para mim foi o inferno. Todos os segundos lutando contra o que meu corpo quer fazer, e não posso mais aguentar.
Ele levantou-se também e estendeu-lhe os braços.
– Pare de lutar. Fique comigo. Mesmo que não me ame. Renda-se.
Mesmo que não me ame. Ele não sabia nem a metade de tudo. Emma fez não com a cabeça.
– Não. Não posso.
Ele deixou cair os braços estendidos.
– Você quer dizer que não quer.
– A diferença está apenas nas palavras, Killian — disse ela, olhando em volta e vendo, pela primeira vez, uma estação de metrô ao longe.
– Vou para casa me arrumar — declarou. — Vejo você às dez na competição.
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