Unexpected Love - Dramione
7 Capítulo 06 - Testes de Quadribol
Notas iniciais
[...]
Apesar do sol Hermione tremia ao lado de Neville e Luna, os três estavam sentados na arquibancada do campo de Quadribol, com Neville entre as duas. Já passava da hora do almoço e restavam apenas três garotos para fazer o teste, enquanto Harry voava com alguns estudantes que terminavam o teste para batedores.
— O que eles estão fazendo aqui? – Neville perguntou quase bobamente.
Uma turma de alunos vestidos de verde e cinza marcharam em direção ao campo e enquanto todos acomodavam-se nas arquibancadas de frente para Hermione, ela viu Harry descer de sua vassoura irado e marchar em direção a Draco Malfoy que estava parado a beira do campo rodeado por seus capangas.
Querendo evitar que o amigo fizesse alguma imprudência desceu correndo, sendo seguida de perto por Luna e Neville.
— O que você e seu time estão fazendo aqui Malfoy? Reservei o campo para os testes da Grifinória. – Harry praticamente rosnava.
Os dois estavam frente a frente, Zabini, Crabbe e Goyle se mantinham ao lado do loiro enquanto Rony, Simas e Dino ladeavam Harry, a castanha olhava para o loiro que mantinha um sorriso presunçoso no rosto, Harry era mais baixo que Malfoy e menos musculoso, os dois exibiam o distintivo de Capitão dos respectivos times.
— Não seja patético Potter, tenho autorização para usar o campo e receio te informar que você tem apenas trinta minutos para concluir seu teste. – A expressão de Harry pareceu congelar e o loiro ficou perceptivelmente satisfeito.
— Deixa pra lá Harry, recomece os testes antes que nosso horário acabe. – Simas falou empurrando o garoto pelo peito.
O sorriso dos sonserinos irritava até mesmo Hermione, Crabbe e Goyle riam de uma forma grotesca enquanto Malfoy e Zabini tinham um riso debochado quase que elegante, que os deixavam ainda mais bonitos. Hermione se auto repreendeu por pensar daquela forma, suspirando de raiva ela e os amigos retornaram ao lugar onde estavam sentados antes.
O teste recomeçou, mas Harry acelerou e em poucos minutos, ele, Gina e mais três jogadores lançaram bolas em direção ao primeiro aluno que tentava a vaga de goleiro, até Hermione percebeu que ele era péssimo, perdeu quatro dos cinco lances. O próximo a fazer o teste era Ronald, a castanha ficou ereta na arquibancada, aprumou os ombros e focou seu olhar no campo.
Rony foi bem até o quinto lance, agarrou todos anteriores, mas no quinto e último ao segurar a bola lançada por sua irmã a soltou acidentalmente e quase caiu da vassoura ao tentar pega-la novamente, causando grandes ondas de riso em todos os sonserinos. O rosto de Rony ficou quase tão vermelhos quanto os cabelos dele, principalmente quando a turminha da Sonserina começou a cantar aquela música ridícula de “Weasley é o nosso Rei”.
Hermione sentiu seu coração apertar ao ver o amigo deixar o campo tão cabisbaixo, mas não teve muito tempo para pensar, pois Cormac McLaggen um aluno loiro do sétimo ano tomou a posição na frente dos arcos e Hermione teve a nítida impressão que ele poderia bloquear os três mesmo parado.
E ela estava parcialmente certa, pois ele foi muito bem pegou os quatro primeiros com enorme tranquilidade e quando Gina se posicionou e lançou pela última vez, Hermione não pensou nas consequências, fingiu tossir e cobriu a boca com uma mão enquanto a outra segurava sua varinha ao lado do corpo, segundos antes da bola chegar aos arcos ela sussurrou com os olhos fixos em McLaggen:
— Confundus.
Apesar de estar com os olhos fixos na bola McLaggen voou para o lado oposto e causou uma onda ainda maior de risos na Sonserina quando a bola entrou no arco, o garoto corpulento desceu e partiu para cima de Harry.
— Quero outra chance Potter, ela favoreceu o irmão! – Ele gritava em plenos pulmões com o rosto completamente vermelho, parecia que partiria para cima do moreno a qualquer instante.
— O lance da Gina foi justamente o que o Rony quase perdeu, ele foi melhor McLaggen, aceite. – Harry respondeu com o rosto já vermelho.
Comarc ainda bradou por mais algum tempo, enquanto Hermione se aproximava e empurrava alguns garotos para se colocar ao lado de Harry. Para olhar para o rosto do corpulento e loiro Grifinório ela precisava levantar a cabeça, observou com bastante atenção e percebeu que ele não tinha intenção de azarar Harry, parecia bem mais disposto à lutar como um trouxa.
— Tenho certeza que você foi sabotado McLaggen, mas tenho igual certeza que não foi pela Weasley. – Os olhos acinzentados de Draco cruzaram com o de Hermione por uma fração de segundos e ela gelou da cabeça aos pés, pois teve certeza que ele sabia, e precisou agarrar o braço de Harry para equilibrar-se. – Mas vocês passaram dois minutos do horário, então saiam do campo, pois ainda tenho trinta possíveis jogadores para testar.
McLaggen ainda tentou argumentar, mas a menina nem entendia o que ele falava, Harry a pegou pela mão e tentou guia-la até o Salão Comunal da Grifinória, mas foi impedido pelo próprio Cormac.
— Ronald se saiu melhor nos testes McLaggen, se você ousar me puxar ou incomodar assim novamente irei te azarar. – O tom de voz do moreno era quase um rosnado assustador.
Finalmente ele os deixou em paz e os dois amigos conseguiram seguir de mãos dadas, ainda sentindo que suas pernas eram feitas de gelatina a menina apoiou a cabeça no ombro do amigo e respirou fundo, agradeceu mentalmente que ninguém tivesse entendido a insinuação de Malfoy, ele a teria na palma das mãos caso quisesse, pois se Rony soubesse nunca mais falaria com ela.
— Ele não vai saber, se você não contar eu também não irei. – Harry sussurrou fazendo cócegas ao roçar os lábios na orelha dela.
O coração da menina deu um salto ao ouvir aquelas palavras, mas não teve tempo de retrucar, pois o ruivo que estava muito silencioso resolveu aquele momento para pronunciar-se:
— O que vocês dois estão cochichando?
— Nada, estamos felizes por você. – Respondeu a castanha tentando segurar a mão do ruivo, mas foi impedida. Lilá apareceu e esbarrou no braço de Hermione enquanto se erguia para beijar a bochecha do ruivo e sussurrar algo para ele.
Daquele momento em diante Rony ficou ainda mais aéreo, distante e apesar de ficar o resto do dia junto dos dois amigos, nada falava, quase não respondia o que Harry perguntava e como nos últimos anos a castanha tinha sido o alvo preferido do mal humor do ruivo preferiu não tentar puxar assunto naquela noite apesar de perceber que sempre que ria junto com Harry recebia olhares furtivos de Gina que estava do outro lado do Salão aos pés do namorado.
A castanha fez uma nota mental de conversar com a amiga, pois todos haviam entendido errado a saída dela e de Harry do campo de Quadribol, durante o jantar escutou alguns cochichos que afirmavam que os dois eram um casal e desconfiando que a amiga estivesse acreditando naqueles boatos resolveu que iria conversar com a ruiva.
[...]
Hermione viu a fisionomia de Harry se retrair completamente quando avisou que em menos de meia hora teria que se encontrar com Malfoy para estudar na biblioteca, estavam sentados sozinhos em uma mesa no Salão Comunal da Grifinória, enquanto Rony foi até a cozinha pegar bolinhos, mesmo tendo almoçado a menos de uma hora.
— Não faça essa cara Harry, sei me defender e preciso fazer esse trabalho. – Mesmo diante das palavras da amiga, Harry não relaxou.
— Se você não voltar antes do jantar, irei atrás dele e matá-lo. – Mesmo vendo a amigo tão sério ela não conseguiu segurar a risada.
— Não seja bobo, te encontro no Salão Principal para jantar. – Respondeu bem humorada, mas não esperou a resposta.
Estava adiantada, mas não se importou, preferia ir sem despedir-se de Rony, vestia uma calça jeans e uma blusa de flanela branca, teve um pouco de dificuldade para decidir o que iria vestir naquele domingo, por fim ficou estressada e pegou a primeira roupa que encontrou e vestiu-se, mas já estava arrependida por aquela escolha.
Ao entrar na biblioteca falou com a Madame Irma Pince e levou um susto ao encontrar Malfoy sentado em uma das mesas mais afastadas, próximo a uma enorme janela, tentou não reparar nele, mas foi impossível a blusa verde água de manga longa deixava seus olhos ainda mais evidentes e mesmo a curta distância ela sentia o perfume que ele exalava.
— Boa tarde Malfoy. – Cumprimentou mesmo a contragosto.
— Boa tarde.
O loiro já havia espalhado alguns livros sobre a mesa, ela percebeu o tinteiro de prata com uma serpente cravada nele, a pena que descansava entre os dedos era linda e pela primeira vez ela percebeu a joia que ele ostentava no dedo anelar direito, tinha uma esmeralda no centro que delimitava a forma de um M no centro, o resto era todo em prata antiga, mas igualmente linda.
Reparou em cada detalhe, até na forma dos dedos brancos e longos e ao levantar seu olhar recebeu um olhar desdenhoso e um risinho debochado, sentiu suas bochechas queimarem e se apressou para sentar, mordeu o lábio com o nervosismo, pegou sua pena e tinteiro e observou os livros que Malfoy tinha espalhado sobre a mesa, um em especial lhe chamou a atenção, tinha a capa azul escura, era raríssimo e muito caro, tinha a descrição de diversas Runas Antigas importantíssimas, Hermione sentiu que ficou boquiaberta, mas não conseguiu se controlar.
— Vamos começar Granger, tenho muito a fazer hoje. – Hermione ficou ainda mais envergonhada.
Obviamente aquele livro era o mesmo que comprar um sorvete para o garoto e ela o olhou como se fosse boba, respirou fundo e percebeu que ele já havia começado a escrever algumas linhas e pediu para ler, fiou realmente impressionada, primeiro com a letra dele que era linda e elegante e depois com o conteúdo, era uma introdução incrível.
— Acho que já poderíamos começar a falar sobre as runas que deram origem aos conhecimentos das Acromântulas e depois sobre sua importância. – O loiro apenas concordou, mas tinha um olhar intrínseco e profundo destinado a ela.
Hermione nunca havia encontrado alguém que soubesse tanto de Runas quanto ele, o assunto fluía e o trabalho estava sendo escrito bem rápido, os dois não se alfinetaram nenhuma vez, o que deu a ela tempo para perceber que a sobrancelha esquerda dele se arqueava sempre que não sabia como escrever um trecho, como ele se concentrava para escrever e que os olhos azuis acinzentados eram ainda mais bonitos de pertinho.
— Pronto, trabalho terminado. – Draco se pronunciou após escrever a última palavra.
—Posso ficar com ele? – Hermione perguntou receosa, queria ficar com o pergaminho mesmo sabendo cada palavra de cada linha.
— Claro que sim, tenha um ótimo dia Granger. – Ela nem percebeu quando ele guardou todas as coisas, livros, tinteiros e penas, só haviam três livros sobre a mesa empilhadas que eram do acervo de Hogwarts.
Mesmo que ele próprio já havia falado sobre aquilo na sexta ela achou melhor reafirmar.
— Malfoy, sei que nunca poderemos ser amigos ou qualquer coisa do gênero e eu nem quero isso, mas gosto muito dessa matéria e agora vamos trabalhar juntos então...
— Não precisa falar nada Granger, eu entendi. Temos uma trégua. Bom domingo, até amanhã.
O loiro não esperou uma resposta, deu as costas e se foi, passaram apenas duas horas para concluir o trabalho e como ainda tinha tempo, Hermione revisou o trabalho inteiro e não encontrou nenhum erro, estava perfeito.
Ela tentava não pensar que tinha uma trégua com Draco Malfoy, claro que não seriam amigos, mas aquilo significava que pelo menos conseguiriam fazer o trabalho de Runas Antigas em paz, afinal não estavam fazendo nada errado, aquela trégua era apenas pelo trabalho e não os levaria para além daquela biblioteca.
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