Unexpected Love - Dramione
13 Capítulo 12 - Conversas
Notas iniciais
[...]
Sala do Diretor, minutos após Harry deixar a sala
— Alvo, tenho quase certeza que os dois estavam se beijando segundos antes que eu aparecesse no corredor. — Minerva disse com uma urgência velada.
— Fique calma Minerva, sei que você tem um apreço enorme pela senhorita Granger, mas não acredito que ela corra perigo com o menino Malfoy.
— Alvo, como você pode dizer isso! Há algumas semanas te contei que o senhor Malfoy passou muito tempo no banheiro das duas vezes que lá foi durante a detenção, sendo que na segunda voltou vestido de forma diferente, tudo no mesmo dia que a senhorita Kátia sofreu aquele atentado… — A mulher foi interrompida por duas batidas na porta, o diretor convidou a pessoa a entrar e disse:
— Ah Severo, que bom que você chegou.
— Acho que finalmente acertei o ponto Alvo, acredito que essa Poção conseguirá retardar os efeitos dessa Maldição. — Severo disse enquanto se aproximava e apontava para a mão escurecida do diretor.
— Oh, que boa notícia. — Alvo sorriu, mas aquele sorriso meigo não chegou aos olhos do diretor, que bebeu um gole da Poção fazendo careta, observou as feições duras da diretora da Grifinória e decidiu que deveria contar algumas coisas para a mulher, convidou Severo a sentar, antes que pudesse dizer algo Minerva recomeçou a falar enquanto lançava olhares acalorados para Alvo e Severo.
— Alvo, desde o início desse ano você tenta mantê-los juntos, há Aurores o suficiente para vasculhar o Castelo inteiro, mas você decidiu mudar todo o esquema de rondas mesmo que o Castelo esteja completamente protegido, a aluna Katie não apenas tocou no colar amaldiçoado como também bateu na barreira de proteção do Castelo contra esse tipo de objeto. Sei que foi ideia sua as duplas nas aulas de Runas Antigas e não me admiraria em nada que de alguma forma você tenha interferido para que os dois ficassem juntos, hoje você sugere que alunos de casas diferentes formem duplas nas aulas de Poções e irei ficar pouquíssimo surpresa se os dois formarem uma dupla. — Minerva concluiu com um olhar estreito em direção aos dois homens, Severo manteve o olhar altivo, em direção a mesa do diretor.
— Ótimas considerações Minerva, sempre soube que nunca deveria subestimá-la, o que você deseja saber?
— Quero saber o motivo de tudo isso, Alvo, quero a verdade.
— Minerva, você é professora dos dois há anos, sabe que existe muito mais nos olhares que o jovem Malfoy direciona a senhorita Granger, ela não está em perigo. Mas ele sim, sabemos que Voldemort usou a casa dos Malfoy como quartel general, mas a deixou antes do garoto voltar a Hogwarts, sei que ele tem uma missão e que de alguma forma Tom o obrigará a cumprir essa Missão, no entanto acreditei que o amor que Draco nutre a tanto tempo por Hermione poderia fazê-lo mudar de opinião…
— Alvo e se ele fizer algo para a senhorita Granger? — Minerva perguntou horrorizada.
— Ele adora aquela garota e nunca faria mal à ela. — Pela primeira vez Severo se pronunciou com um tom de voz ríspido.
— Não seria como se ele nunca tivesse feito isso. — A mulher se pronunciou irritada.
— Não discutam e não se preocupe Minerva, nunca realmente os deixei sozinhos e sei que o senhor Malfoy em nenhum momento fez mal fisicamente para a senhorita Granger, além do que ela sabe se defender muito bem. — Alvo disse enquanto terminava de bebericar a Poção que Severo lhe trouxe. — Ah Severo, Minerva quase presenciou um beijo entre os dois, espere mais algumas semanas e tente falar com o senhor Malfoy novamente, acho que ele finalmente irá querer cooperar.
Minerva teve que conter um suspiro entre seus lábios, não compactuava com aquela ideia, temia pela menina e pelos sentimentos dela, estava surpresa que Alvo estivesse certo e que bastou algumas noites e os dois tornaram-se próximos, aquele provavelmente era o casal mais incomum de Hogwarts desde Tiago e Lílian Potter, viu com sua visão periférica que Snape limitou-se a acenar com a cabeça.
— Minerva, por gentileza, avise aos Aurores para evitarem os corredores que os dois monitoram quero que eles tenham privacidade. — Mais uma vez a mulher teve que conter uma exclamação, dessa vez de horror, não podia acreditar que Alvo realmente havia dito aquilo.
Não questionou, apenas deixou a sala após pedir licença, Severo não a acompanhou, ela não se importo, tinha a cabeça repleta de ideias e teorias, sempre observou os olhares do garoto e a forma como ele fazia de tudo para atingir a menina, sempre muito mais implicante com ela do que com o Potter, temia muito pelo fim daquela história, sabia que o diretor tinha a intenção de vencer aquela Guerra, mas como ficaria o coração da menina ao fim de todos aquele acontecimentos?
[...]
Hermione acordou muitíssimo feliz na manhã de seguinte, mais uma vez tomou banho e arrumou-se com bastante zelo, pela primeira vez pensou em usar algum tipo de maquiagem, mas desistiu com um suspiro resignado, não saberia por onde começar.
Contrastando com o frio e a chuva que caí naquela manhã a menina se sentia muito animada e desperta, foi um das primeiras a chegar ao Salão Principal, mas logo se arrependeu de ir tão cedo, Draco provavelmente chegaria bem mais tarde para tomar café da manhã como sempre fazia.
Sentou-se sozinha e serviu-se de chá quente, bebericava o líquido com calma sentindo o aquecer por dentro, enquanto observava o Salão aos poucos ser ocupado, já se servia da segunda xícara quando Harry adentrou o local sozinho aparentemente irritado, despenteado e com o uniforme amarrotado.
— Caiu da cama Harry? — Questionou risonha, recebendo um olhar atravessado do amigo que sentou-se ao seu lado e sem perder tempo começou a se servir.
— Eu que devia te perguntar isso, você realmente não quer ver o Ron né? — Harry devolveu a pergunta enquanto enchia um cálice com suco.
— Apenas cansei de ser maltratada sem ter feito absolutamente nada. — Respondeu perdendo os traços de bom humor, ainda se irritava ao lembrar da forma que o Weasley vinha tratando-a.
— Você realmente está convicta que a única coisa que te incomoda é isso?
— Completamente. Não pretendo continuar falando disso Harry, quero saber como foi ontem. — Respondeu olhando com bastante interesse para o amigo que parecia resignado.
— Prefiro não falar nada aqui Mione, isso me lembra que você não me esperou ontem a noite, o que aconteceu? — Mais uma vez Harry direcionou um olhar atravessado para a amiga, parecia disposto a cutucá-la.
— Ronald estava te esperando e passei duas horas fazendo ronda com o Dra…
— Hermione! Desde quando você chama o Malfoy pelo primeiro nome? O que está acontecendo? — Harry exclamou irritado.
— Deixa de ser bobo Harry, todo mundo pode errar, ia sair sem querer. Como estava dizendo passei muito tempo em pé e não estava afim de ficar perto do Ronald para ele me tratar mal. — Tentou ser esquiva na resposta, mas sabia que não convenceu o amigo, apenas pelo olhar que ele lhe direcionava. — Anda, come logo, quando terminar vamos rapidinho lá fora, quero saber o que o Diretor te falou.
— Calma, vou comer rapidinho. — Harry disse lançando um olhar estranho para Hermione.
Enquanto o amigo comia Hermione se roía por dentro, havia dado um enorme fora ao quase chamar o loiro pelo primeiro nome, uma vez que sempre o tratou pelo sobrenome, perdeu até a fome, pois sabia que o amigo não havia engolido sua desculpa esfarrapada, tentou não demonstrar o quanto estava nervosa.
Observou o Salão com atenção e percebeu que estava parcialmente cheio, mas Draco ainda não havia chegado e isso a intrigou, mordiscou distraidamente uma torrada enquanto o amigo terminava de comer e a observava.
— Terminei, se quiser já podemos ir, o Rony deve está com a namorada e na verdade já contei tudo a ele.
— Então vamos.
Largou a torrada no prato que estava a sua frente e seguiu com o amigo até a entrada do Salão Principal, enquanto os dois passavam pela porta deram de cara com Draco e Blásio, os dois completamente penteados e com os uniformes perfeitamente desarrumados propositalmente, a beleza de Draco fez o coração da castanha dispara com força.
— Perdeu algo aqui Malfoy? — Harry rosnou irritado.
— Estava apenas verificando sua testa rachada, Potter. — Draco respondeu por entre os dentes, Hermione conseguiu ver como ele apertava o maxilar.
Ficou tentada à chamá-lo, mas conteve-se, Harry mais uma vez a olhava com muita atenção, temia que o amigo estivesse desconfiando de algo, não que o temesse, sabia o que estava fazendo, mas tinha consciência que ainda não era a hora de Harry saber, até por que nem ela mesma não entendia como as coisas tinham desenrolado tão rapidamente.
Os dois seguiram em silêncio, lado a lado, pelos mesmo corredores que os levariam à frente do Lago Negro, mas em um dos corredores encontraram Lilá e Ronald indo em direção ao Salão Principal grudados, andavam aos tropeços, enquanto a loira se pendurava no pescoço do garoto.
— Uon-Uon, só mais um beijo, por favor. — Hermione conseguiu escutar a loira falando com uma voz fininha que a enjoava.
— Parece que vou vomitar a qualquer momento com esses dois.
Fez uma careta involuntária e ouviu um risinho de Harry, o moreno parou após alguns passos já de frente para o Lago, ainda dentro do Castelo onde não havia ninguém para escutá-los, encostou-se em uma pilastra e ficou de frente para Hermione que observou que a chuva havia se transformado em uma garoa.
O frio parecia inibir até mesmo a Lula Gigante que não estava a vista, ali estava muito frio e a menina apertou contra o corpo as laterais de seu casaco, arrependeu-se por não ter sair com o cachecol naquela manhã.
— Você vai negar que gosta do Ronald depois desse comentário e da careta ao ver os dois juntos? Acha que não percebi o quanto você saiu triste quando o viu com ela no sábado?
— Harry, temos pouquíssimo tempo, realmente em algum momento achei que estava apaixonada pelo Ron, mas no sábado me dei conta que o amo, como amigo, mas não posso mais aceitar que ele me trate daquela forma. Ele falou daquela forma para me envergonhar e mais cedo já havia sido grosseiro.
— Hermione, você sabe que esse é o jeito do Ron, ele não faz por mal…
— Ok, sei que é o jeito dele, mas não irei mais aceitar ser tratada daquela forma, ele tem todo direito de ser como quiser, mas não vai me humilhar ou distratar, fiquei bastante chocada e preocupada com esse “relacionamento” dele, pois não sei se a Líla realmente gosta dele, mas não irei falar nada, o Ronald já é bem grandinho, sabe o que faz e se estivesse no lugar dele não gostaria que ninguém se intrometer, ficou claro?
— Claríssimo, só estava preocupado com os seus sentimentos, mas se é apenas preocupação tudo bem, você está certa, não irei mais te incomodar com esse assunto.
— Agora que o senhor já me interrogou, conte-me como foi com Dumbledore.
— Como sempre, você estava certa. Dumbledore acha importante que eu conheça a história de Voldemort e os passos que ele deu que são de conhecimento do Diretor, ontem ele apenas me introduziu que Voldemort ou Tom como ele gosta de chamá-lo, cresceu em um orfanato de trouxas, em resumo foi uma conversa rápida, nunca havia visto Dumbledore tão abatido Mione, a mão direita está completamente escurecida, é como se estivesse sem…
— Vida. — Hermione completou atenta ao amigo, o moreno lançou um olhar intrigado para a menina. — Percebi na noite que chegamos ao Castelo, mas esqueci de comentar já que você apareceu coberto de sangue, Dumbledore também tem aparecido pouco nas refeições, acredito que esteja fazendo algo relacionado a Ordem da Fênix.
Harry ficou em silêncio por algum tempo observando as palavras da amiga, esteve tão entretido com os treinos de Quadribol, treinar os feitiços e as anotações nos rodapés do livro de Poções do Príncipe Mestiço e em reclamar de Snape como professor que sequer percebeu as coisas que a amiga observou durante esse tempo, ele é O Eleito e parecia um irresponsável por não estar buscando formas aprender a se defender.
— Você acha realmente importante que eu conheça a trajetória de Voldemort?
— Claro que sim Harry, há um motivo para que ele tema Dumbledore, então preste atenção nos mínimos detalhes, eles serão cruciais quando nós estivermos lutando contra ele.
— Nós? — Harry perguntou com a voz quase embargada.
— Nós, você não acha que eu ou o Ronald vamos te deixar né? Vamos derrotar Voldemort juntos. — Respondeu abraçando o amigo que se emocionou.
Hermione era bem mais baixa que o moreno e por isso precisou ficar na pontinha dos pés, o garoto a apertou pela cintura e aspirou o perfume dos cabelos dela, o abraço e o calor que os corpos exalavam estava tão gostoso que Hermione não queria desfazer o abraço, mas tinha aula e se não fosse logo acabaria se atrasando.
— Preciso ir Harry, nos vemos no almoço?
— Com certeza.
[...]
A castanha bocejou pela quinta vez naquele início de noite, estava na biblioteca terminando de ler um livro sobre Defesa Contra a Arte das Trevas, mas estava entediada, o livro tinha muita teoria e poucas emoções, sentia falta da AD e das aventuras que viveram, gostava de Snape como professor de DCAT, pois ele tentava reproduzir o que poderiam viver em um duelo, porém ela sentia que estavam atrasados, tudo que faziam parecia bobeira.
Olhou a sua volta e percebeu que a biblioteca estava mais vazia que o habitual, provavelmente por conta do frio, havia mais de trinta minutos do fim das últimas aulas do período vespertino, as pessoas deveriam estar em seus Salões Comunais, próximos às lareiras ou os casais salas vazias.
Respirou fundo e devolveu o livro à prateleira correta, despediu-se de Madame Irma Pince e deixou a biblioteca em passos calmos, decidiu ir pelo caminho mais longo e mais vazio, queria evitar qualquer tipo de aglomeração.
Os corredores estavam vazios e consequentemente mais frios o que fez a menina apertar o cachecol ainda mais em seu pescoço, aquele movimento a lembrou que no momento em que foi buscar a peça em seu dormitório encontrou com Gina chorando, a ruiva contou a amiga que ela e Dino haviam terminado definitivamente, a menina estava magoada com as palavras que o garoto, Hermione tentou consolá-la por alguns minutos nos quais conversaram e a ruiva acalmou-se.
Hermione estava distraída com esses acontecimentos e pensando que Harry finalmente poderia ter uma chance com a ruiva, quando alguém a agarrou pela cintura e cobriu a boca dela enquanto a puxou para dentro de outro corredor, completamente escuro e vazio.
Continua…
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