Unexpected Love - Dramione
12 Capítulo 11 - M de Malfoy
Notas iniciais
[...]
A terça-feira chegou e passou rapidamente, o que irritou Hermione, em menos de vinte minutos estaria na presença de Draco, terminava de ajeitar seus cachos graciosos que exalavam o cheiro de seu shampoo, havia acabado de lavá-los e secou com uma toalha, vestiu um uniforme limpo e passou seu perfume favorito, despejou no pescoço e nos pulsos, pois sentia necessidade de estar bonita e cheirosa, não deixaria que Draco a humilhasse ou que a fizesse se sentir inferior.
Desceu e viu que recebeu olhares furtivos de todos que estavam no Salão Principal, parou de frente para Harry e Ronald que terminavam o trabalho de Transfiguração, como não estava falando com Ronald, não emprestou a Harry suas anotações, pois sabia que o amigo mostraria para o ruivo.
— Nossa Hermione, que cheiro bom. — Harry comentou respirando fundo.
A castanha ajeitou o cachecol vermelho e dourado ao redor de seu pescoço e viu Harry a observando com bastante interesse.
— Já está na hora da ronda? — Harry perguntou fechando seus livros e pergaminhos, Hermione apenas acenou com a cabeça. — Bom, então também já está quase na hora que Dumbledore me pediu para encontrá-lo, vou te acompanhar até metade do caminho. — Hermione novamente se limitou a confirmar com um aceno de cabeça.
— Vou terminar aqui e te esperar Harry. — Ronald disse com um visível mal-humor.
— Tudo bem, vou deixar minhas coisas aqui. — Harry respondeu enquanto fechava seu tinteiro.
— Vai deixar o livro do Príncipe Mestiço aqui também Harry? — Hermione perguntou com um tom de voz severo.
— Não, estou sempre com ele Hermione e não faça essa cara, se não quer ouvir a resposta não faça perguntas.
A castanha não discutiu, crispou os lábios e aguardou o amigo, os dois seguiram em silêncio até metade do caminho para a sala do Diretor.
— O que você acha que ele deseja me ensinar? — O menino perguntou parecendo aflito e ansioso pela opinião da amiga.
Desde que o bilhete de Dumbledore chegou, durante o café da manhã daquela terça-feira os dois não tiveram oportunidades para conversarem, como Hermione evitava falar com Rony sentou-se o mais distante possível dos dois durante as aulas e em seu tempo livre se isolou na biblioteca, evitava o ruivo e Malfoy.
— Algo relacionado a Voldemort, acredito que sejam informações sobre ele e todos os passos que deu e que Dumbledore conhece. — Respondeu com sensatez, mas não conseguiu evitar o estremecimento ao falar o nome do bruxo das trevas, enquanto o moreno analisava as palavras da amiga.
— É, você tem razão. Mione… você está linda hoje, cuidado com Malfoy.
— Não seja bobo Harry, não se esqueça que sou uma sangue-ruim, o olhar de Malfoy sequer vai cruzar com o meu. — As palavras da castanha saíram amarguradas até mesmo para ela própria.
Harry lançou um olhar atravessado para a amiga, pois não entendeu o tom de voz da castanha, mas não teve tempo de perguntar, o caminho dos dois devia se separar, deu um beijo no rosto da amiga e ouviu ela desejando sorte.
[...]
Draco olhou com atenção para os dois lados do corredor, estava nervoso, pois aquele seria o primeiro encontro após o beijo e ele pensava em qual seria o comportamento da castanha, respirou fundo ao sentir um cheiro feminino familiar impregnar todo o corredor.
Virou-se e sentiu seu coração falhar uma batida, os cabelos castanhos da Grifinória pareciam brilhar, assim como a pele que parecia ainda mais translúcida em contraste com as vestes negras e o cachecol vermelho e dourado, foi ainda além em sua admiração ao reparar que a menina vestia uma meia-calça preta e se imaginou puxando aquela peça do corpo curvilíneo de Hermione.
— Boa noite, Granger. — Falou em tom ameno, olhando para o rosto da menina que evitou contato visual com ele.
Escutou o suspiro resignado e continuou a encará-la com bastante interesse, a varinha não estava em punho e viu que ela começou a fazer a ronda sem esperar que ele a acompanha-se, então finalmente entendeu, pela primeira vez em sua vida estava sendo rejeitado.
Travou todas as grosserias que gostaria de dizer para a menina na hora da raiva, respirou fundo e a seguiu, rapidamente alcançou-a e andando lado a lado.
Naquela noite o loiro percebeu que pela primeira vez em muitas noites não via aurores e nem professores nos dois corredores que monitoravam. Vários minutos se passaram e nenhum dos dois disse nenhuma palavra, Draco quase conseguia escutar as engrenagens do cérebro da castanha, ela apertava fortemente os punhos e nunca olhava diretamente para ele.
Não esperava aquela falta de reação, esperava que ela pelo menos estivesse brava, mas o silêncio era o pior que qualquer palavra de descontentamento, há dias vinha pensando nesse encontro, imaginou diversos cenários, dentre eles os dois poderiam finalmente ficarem juntos ou nunca mais se falassem, mas nunca imaginou aquela atitude tão fria.
O loiro passou o dia aéreo pensando em como seria aquele encontro e havia decidido que iria ser grosseiro e dar um basta em toda aquela situação, sabia que não poderia realmente ficar com ela, não sem mentir e esconder coisas, lembrou-se de Blásio, o amigo tinha razão, ele merecia ser feliz e talvez existisse uma outra maneira.
Decidido não pode se conter, ao vê-la tão linda tomou a decisão que mudaria sua vida, sem que a menina esperasse a empurrou contra uma parede do Castelo a surpreendendo.
— Me solte agora Malfoy. — A voz da menina saiu por entre os dentes.
— Ou o que Granger? — Perguntou enquanto se encostava no corpo da menina, arrastou o nariz pela bochecha alva vendo que a castanha estava arrepiada, sorriu e fechou os olhos enquanto apoiava uma das mão ao lado da cabeça da castanha enquanto a outra encostava no rosto dela sentindo-a estremecer completamente.
— Não irei repetir Malfoy, me solta agora ou vou te azarar. — Hermione praticamente rosnou, empurrando a varinha na jugular do loiro.
Draco ficou impressionado com a desenvoltura da garota, uma vez que ele nem percebeu que ela buscava a varinha, olhou profundamente para os olhos da menina e se inclinou para beijá-la.
— Para trás Malfoy, agora. — Draco sentiu a varinha ser empurrada com força o machucando.
— Só irei me afastar se você explicar o motivo de tanta hostilidade. — Disse baixinho ainda próximo do rosto da garota.
— Me poupa Malfoy, acho melhor você procurar a Parkinson ou qualquer outra garota, você nunca foi sequer educado comigo muito pelo contrário, então está óbvio que você estava em alguma brincadeira idiota com seus amigos. — Hermione respondeu em um fôlego só. — Essa vai ser a última vez que vou pedir para que você me solte, ainda não te estuporei para não ter problemas com a direção.
Mais uma vez pressionou a varinha no pescoço do garoto e aproveitou que ele pareceu momentaneamente petrificado com suas palavras e o empurrou com força se desencostando da parede, indo para o lado oposto ao do loiro.
— Nunca mais encoste em mim desta forma, não vou admitir que me falte com respeito e nem que me tome por idiota, se algo assim acontecer novamente irei reclamar com a direção irei agora mesmo solicitar que mudem a minha dupla e caso não seja possível irei renunciar esse cargo, não posso ficar nem mais um minuto com você.
Nas últimas palavras Draco pode perceber que a voz da castanha embargou e ela lhe deu as costas, seguindo rumo ao fim do corredor, a gangorra sentimental que o loiro vinha vivendo parece ter afetado a menina também, sabia que não deveria ser imprudente, mas não aguentava mais viver sem ela e com toda a culpa, medo e sem o amor de sua vida, andou ao encontro dela e a puxou para si, olhou dentro dos olhos que tanto amava e disse tudo que sempre quis.
— Estou apaixonado por você, sei que coça o nariz quando estar irrita ao indecisa, sei que ama batatas e suco de abóbora, sei também da F.A.L.E, sei que ama Runas Antigas e comecei a fazer a matéria por sua causa, há tempos venhoo te observando, sei tudo sobre você e fui eu quem mandei o livro e os doces…
— Você nunca poderia ter escrito aquele bilhete, não sei como sabe da F.A.L.E, mas para de mentir, para, por favor… — A cada palavra a voz da menina se embargava mais, as últimas palavras saíram tão baixinhas que Draco quase não ouviu.
A menina com os olhos transbordando as lágrimas que não podia mais conter olhou dentro dos olhos do loiro e teve ainda mais vontade de chorar, não conseguia entender como o garoto poderia saber da F.A.L.E ou da mania que tinha em tocar o nariz em momentos de irritação, ele estava a magoando além do que a castanha achava possível.
— “Espero que goste, queria ser essa coruja ao te entregar apenas para ver a sua reação e com sorte o seu sorriso. Com carinho, M”. M de Malfoy, você pode nunca acreditar em mim, mas o que sinto é tão forte que sou incapaz de me controlar, sei que não te mereço e que te magoei, muitas vezes fui um estúpido, mas estou apaixonado, meus sentimentos são sinceros e não sei o que você quis dizer quando falou da Pansy, mas desde o início do ano não me encontro com ninguém, porque você não sai da minha cabeça.
Hermione não conseguiu mover nenhum membro, as lágrimas desciam de forma contínua, Draco aproveitou a repentina paralisia e se aproximou da menina, com carinho e fascínio se manteve quase colado ao corpo da Grifinória, passou o dedo com delicadeza pela bochecha da castanha.
Correu o dedo pela pele alva, duas lágrimas solitárias caíram dos olhos do loiro deixando-os ainda mais bonitos e com a cor ressaltada, observou com carinho cada linha de expressão e as pintinhas castanhas que salpicavam o nariz arrebitado dela.
Com bastante calma e observando todas as reações dela, se aproximou vendo a respiração dela ficar a cada instante mais erradica, ainda com os olhos abertos ficou alguns centímetros dela e conseguiu vê-la fechar os olhos e inclinar o rosto na direção do Sonserino.
O beijo no inicio não passou de um selinho molhado pelas lágrimas da castanha por diversos segundos, desta vez a própria Hermione pediu passagem para sua língua, enquanto sugava vagarosamente o lábio inferior dele, a atitude arrancou um sorrisinho do jovem Malfoy.
As línguas se entrelaçaram e dançaram em conjunto roubando o ar dos dois, o beijo tinha um gosto salgado, por conta das lágrimas.
Draco se aproveitou da proximidade e a apertou pela cintura com uma das mãos e enquanto levava a outra para a nuca da castanha, utilizando-a para pressionar a menina ainda mais contra si que tentava a todo custo acelerar o beijo, estava afoita, enevoada pelo prazer que sentia beijando o Sonserino.
Ele decidiu se afastar para não faltar com o respeito com a menina, deixou um beijo em cada bochecha molhada e um demorado na testa da menina, ali apoiou seu queixo e sentiu os braços da castanha o circundando, se apertando contra ele.
— Draco…
— Pode falar.
— Você não vai me soltar? — Perguntou baixinho ainda o abraçando, enquanto o loiro colocava suas duas mãos nos braços da garota os acariciando.
— Não, pela primeira vez estou abraçando o amor da minha vida, não quero te soltar pelos próximos cem anos. — Respondeu desencostando o queixo da testa dela, abaixou a cabeça e olhou vendo-a com um sorriso tímido nos lábios.
— Você jura que isso não é nenhuma brincadeira? Jura que não teve nada com a Parkinson no sábado? — Pediu com a voz manhosa enquanto levava um das mãos ao rosto anguloso do garoto, tocou com carinho o queixo dele, enquanto via o menino franzir o cenho.
— Sábado? E nem vi a Pansy depois do que tivemos sábado, fui direto para o meu dormitório, mas de onde você tirou isso?
— Eu a ouvi contando à uma amiga na segunda, jura que não é verdade?
— Juro, a única pessoa que domina meus pensamentos é você, não sei o motivo da Pansy falar isso, mas garanto que não verdade.
Hermione tentou conter o sorriso bobo que ameaçava surgir novamente em seus lábios, finalmente soltou a cintura do garoto e se pôs na ponta dos pés para roubar um selinho dele.
— A gente devia estar fazendo a ronda, daqui a pouco alguém aparece. — Hermione falou baixinho.
— Você fica é tão linda, fica difícil me concentrar em qualquer coisa que não seja você, mas realmente temos pouco tempo até a ronda acabar. — Draco disse beijando mais uma vez a testa da menina.
— Draco… você sabe que ainda não podemos…
— Shiiii, não precisa dizer nada, sei que somos muito diferentes e não poderíamos tornar nosso namoro público ainda, fica tranquila.
Hermione sorriu e mais uma vez ficou na ponta dos pés e deu um selinho no loiro e antes que aprofundassem o beijo escutaram passos no corredor, provavelmente algum professor para que os dois encerassem a ronda, desta forma se afastaram, mas não antes de Draco lhe roubar um outro selinho.
— Boa noite, estão liberados, podem seguir para seus dormitórios. — Minerva se pronunciou, ao adentrar o corredor olhando severamente para os dois, Hermione teve quase certeza que ela viu algo, pois os lábios estava completamente crispados.
Não houveram outras despedidas, já que os dois Salões Comunais ficavam em lados opostos do castelo.
[...]
Só enquanto retornava ao Salão Comunal da Grifinória e pensava em tudo que havia acontecido começou a se perguntar o motivo de ter acreditado tão fácil em Draco, mas no momento que o viu chorando, não teve dúvidas que necessitava pelo menos uma vez na vida arriscar, deveria confiar nele, pois não tinha nada que de alguma forma o motivasse a ter aquele comportamento, ficou ainda mais confusa e tentou repassar cada momento vivido e se deu conta que Draco usou a palavra “namoro”, para definir o que os dois estavam vivendo.
Estava decidida a viver livremente o que sentia, estava realmente apaixonada e ao lado do loiro que no passado tanto a humilhou, agora sentia-se cuidada, protegida e amada. Não acreditava que o loiro pudesse fingir tão bem estar apaixonado ou será que podia?
Chegou ao salão comunal da Grifinória e o único que ainda estava ali era Ronald, ainda na mesma mesa de mais cedo, rodeado de livros, tinteiros e penas, ele a olhou rapidamente e desviou o olhar.
— Harry ainda não voltou? — Perguntou a contragosto.
— Como você vê ele não está aqui, o que significa que ainda não. — Respondeu rispidamente.
Hermione lançou um olhar de desdém para o ruivo e sem dar explicações, seguiu para seu dormitório ao chegar lá apenas trocou de roupas e deitou-se.
Tocou com carinho os lábios e ainda podia sentir um formigamento neles, embalada pelas doces palavras de Draco caiu em um sono tranquilo, sem a menor curiosidade para saber o teor do encontro de Harry e Dumbledore.
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