Undisclosed Desires
12 Capítulo 12
Notas iniciais
You Give Love a Bad Name
Dick Grayson
Abri os olhos com a maior dificuldade do mundo, sentindo um som agudo preencher meus ouvidos enquanto minha cabeça girava.
― Dick? – Ouvi uma voz tossindo e me tentei me levantar, indo de cara ao chão se não fosse um braço amigo me segurar. Levantei o olhar e pude ver que era John ao segurar meu braço.
― Diggle! – Disse aliviado. ― Achei que estaria morto.
― Também estou feliz de te ver, cara. – Disse ele sorrindo e me ajudando a levantar.
[...]
― Deveríamos ir embora! – Reclamou Ted e eu revirei os olhos.
Eu e Diggle havíamos andado por todo o que sobrou da base sorrateiramente, e encontramos um total de dez soldados com ferimentos leves, e isso incluía Ted que reclamava sobre isso a cada cinco minutos enquanto procurávamos Oliver.
― Não podemos deixar o General. – Respondi normalmente enquanto puxava um pedaço de madeira do chão.
Senti uma mão em meu ombro, mas não parei.
― Ele tem razão, Dick. – Era John suspirando atrás de mim. ― Eles podem voltar.
Suspirei pesadamente o encarando.
― Está falando sério? Ele é seu amigo, John! – Rugi.
― O míssil foi direto para a tenda dele, Grayson. – Murmurou outro soldado.
― Ele podia não estar lá. – Rebati.
― Pela gostosa que eu vi entrando lá, tenho certeza que estava. – Disse rindo eu estreitei os olhos.
― Felicity estava lá?
― Felicity? Então os dois estão tendo um caso mesmo? – Riu Ted. ― Eu sabia.
― Não cara, era outra mulher. Era uma mulher daquelas que parecem ter saído da revista, sabe? – Respondeu o outro soldado e Dig interferiu.
― Eu sei que Oliver é sua única família Dick, mas temos que ir.
Apenas assenti em silêncio enquanto John reunia todos os sobreviventes.
[...]
― Isso é loucura, sabia? – Resmungou uma voz e eu permaneci em silêncio. ― Andar sem rumo no deserto, morreremos de sede se não morrermos pelas mãos dos terroristas.
Já devia estar quase amanhecendo e parecia que estávamos andando em círculos, já que tudo era deserto. Não sabíamos para onde ir e estávamos apenas andando, Diggle parecia otimista, mas um dos soldados já havia desmaiado lá trás e John deu a ordem de largarmos ele lá e por mais que eu não concordasse, foi o que eu fiz.
― Loucura seria ficar lá. – Rebateu outra voz.
― Temos que ter fé. – Disse Diggle.
― Fé? – Riu. ― Estamos no deserto, sem água, sem comida e sem direção. Acha que o seu Deus irá nos salvar?
― Veremos. – Respondeu.
E nisso continuamos a caminhar sem rumo.
...
Felicity
Quando eu era pequena, me lembro de uma casa no lago que meu pai tinha, eram raros os fins de semana que nos juntávamos para ir lá, ainda mais tendo a profissão que meu pai tinha.
Hoje era uma daqueles fins de semanas raros, era domingo de manhã, meu pai e Kendra ainda dormiam, e Ray e eu estávamos sentados no píer do lago com os pés imersos na água cristalina. Eu devia ter uns cinco anos, mas me lembrava daquele dia como nunca.
― Você acha que papai vai voltar para o exército quando? – Perguntei enquanto encarava Ray e ele suspirou.
― Eu não sei, Felicity. Talvez amanhã. – Disse normalmente
Abaixei os ombros tristemente e ele segurou minha mão.
― Eu sempre estarei aqui para você, Fel.
― Você vai voltar para a escola. E daqui a pouca vai arrumar uma namorada. – Fiz uma cara de nojo. ― E vai me deixar sozinha.
Ray deu uma risada curta.
― Você sempre será minha prioridade. – Deu uma piscadela me abraçando.
― Isso está ficando muito meloso! – Reclamei colocando o dedo na garganta atuando um vômito e ele deu uma risada alta.
Ray começou a fazer cócegas na minha barriga enquanto eu me contorcia rindo, eu levantei e o empurrei, nós sempre brincávamos de lutar, ele sempre pegava leve comigo mas ainda sim me fazia crer que eu era melhor que ele.
Ele me empurrou novamente de leve como quando brincávamos. Eu mal me movi um dedo, então dei um soco em sua barriga e ele arqueou um pouco surpreso.
― Vamos lá Ray, é o melhor que pode fazer? – Gritei rindo.
Então ele me deu um empurrão mais forte dessa vez, forte demais eu diria, e eu acabei perdendo o equilíbrio e caindo no lago.
Tudo estaria bem se não fosse o fato do lado ter quase dois metros de profundidade e nenhum de nós dois saber nadar.
― Felicity! – O ouvi gritando.
Tentei emergir, mas o máximo que consegui foi subir um pouco para murmurar um “socorro” sentindo a água começar a entrar pela minha garganta.
E então fui puxada para baixo novamente, meu pé estava preso em algo, deveria ser uma rocha. Tentei de todas as formas possíveis soltar o meu pé, sem sorte.
Então comecei a sentir que eu meu corpo não estava mais aguentando a falta de ar, o desespero assolava meu corpo por inteiro, pude ouvir vozes se acumulando e distinguir ser meu pai e Kendra. Kendra gritava que não queria ter uma criança morta em seu lago, meu pai gritava com Ray por ser tão irresponsável e ele por sua vez chorava em desespero.
Então o que eu mais temia aconteceu, meu corpo aceitou que não conseguiria encontrar oxigênio de nenhuma forma e aceitou a água como a única solução.
A água entrava em meus pulmões como se eu houvesse engolido facas, coisa que eu achava que devia ser menos mal do que a situação atual.
Eu me debatia enlouquecidamente, até aceitar que tudo havia acabado. Fechei meus olhos aceitando meu destino antes de ouvir alguém pulando na água.
― Felicity! – Foi a última coisa que eu ouvi antes de desmaiar.
― Feliciy! – Pude ouvir uma voz longe, mas eu nem conseguiria abrir meus olhos. Tossi um pouco, sentindo a poeira em meus pulmões.
Então consegui ao menos distinguir a voz, era Oliver, ele já havia gritado meu nome ao menos umas dez vezes, mas só havia ficado um pouco lúcida agora.
― Oliver. – Murmurei baixo tossindo. ― Me... Ajude.
― Onde você está Felicity? – Ouvi sua voz e pude me aliviar um pouco ao saber que ele tinha me ouvido.
Abri os olhos com dificuldade e pude ver que o chão havia cedido, eu estava no que parecia ser um buraco. Escombros cobriam todo o lugar, tentei me mover, mas senti uma dor aguda na minha perna, gemi de dor e voltei a deitar. A poeira estava subindo o que podia me dizer que eu não tinha ficado inconsciente por muito tempo e o melhor de tudo... Eu estava viva.
― Aqui em baixo, Oliver.
Pude ver com dificuldade sua cabeça aparecendo lá em cima, e pude me permitir suspirar.
― Eu vou descer. – Murmurou e ele colocou os pés para dentro do buraco, enquanto se pendurava.
― Não. – Disse tossindo. ― Sua prótese pode não aguentar.
Mas já era tarde demais, ouvi um barulho e percebi que ele havia caído em pé no meio dos escombros. Oliver bateu a mão nas roupas tirando a poeira e ele se aproximou.
― Ela é dura na queda. – Sorriu. ― Como você.
Dei um riso baixo enquanto tentava puxar meu corpo para cima, mas dessa vez gemi alto ao perceber que havia algo em cima da minha perna.
― Ei, fique parada. – Oliver se ajoelhou ao meu lado enquanto analisava minha perna. ― Tem um escombro em cima da sua perna.
Dei um riso sem humor.
― Ótimo.
― Eu vou tentar tirar e você puxa sua perna assim que eu levantar a pedra entendeu? – Falou se apoiando na pedra e eu apenas assenti.
Oliver tentou levantar a pedra, mas ela era realmente pesada, e eu não consegui tirar minha perna e ele acabou derrubando a pedra de novo machucando ainda mais a minha perna, e eu gritei alto dessa vez.
Lágrimas escorriam dos meus olhos e eu fazia questão de enxuga-las, não deixaria ele me ver naquele momento de fraqueza. Ele me encarava apreensivo.
― Não tem nenhum problema em chorar, Felicity. – Murmurou me encarando.
― É fraqueza.
― Não é não. – Murmurou pegando minha mão. ― Nenhuma pessoa aguentaria inconsciente o que você está aguentando lúcida. Pelo que eu pude ver, não chegou a fraturar seu osso, mas no mínimo ele está trincado.
Suspirei cansada.
― Eu não aguento puxa-la.
― Precisamos de mais alguém, eu vou procurar algum soldado lá em cima. – Disse enquanto soltava minha e se dirigia a uma parede.
― Oliver não. – Falei com dificuldade. ― Não temos tempo.
Ele voltou até mim com a testa franzida.
― O que você está sugerindo?
― Vá embora.
― O quê? – Murmurou com escárnio. ― Está brincando comigo?
Dei um sorriso mínimo.
― Não tem ninguém lá fora, Oliver. Isso foi um atentado. Foi direto para a sua barraca... Se sair lá fora e eles te virem, você está morto.
― Isso não importa.
― Importa sim. Eu serei um peso morto Oliver, precisa me deixar aqui. – Disse decidida e ele suspirou andando de um lado para o outro.
― Não me peça isso, Felicity.
― Oliver... – Comecei, mas fui interrompida.
― Não, Felicity. Não! – Rugiu e eu estremeci.
― Ótimo. – Sorri triste. ― Já que não quer me deixar...
Puxei do bolso da minha jaqueta com dificuldade uma faca de caça e joguei para ele. Ele me encarou atônito segurando a faca.
― Quer que eu te mate? – Arqueou a sobrancelha.
― Não. – Expliquei. ― Quero que ampute a minha perna.
...
Nyssa
Meu coração parou no mesmo momento em que percebi que o míssil havia atingido a base de Sara. A conexão foi cortada no mesmo momento, e senti lágrimas se formarem em meus olhos, mas não podia chorar.
O míssil havia sido enviado para a tenda do General, e então o que me restava era me segurar na fé de que ela poderia estar viva. Mas não por muito tempo.
Levantei-me rapidamente e me dirigi para fora do meu quarto, soldados do meu pai estavam por todo o canto, e eles abaixavam a cabeça em silêncio sempre que eu passava.
Parei em frente a uma grande porta de ferro, um dos soldados me encarou em silêncio.
― Desejo ver a prisioneira. – Murmurei impaciente.
― Seu pai não a autorizou, Nyssa.
― Quer ver minha autorização? – Murmurei irônica quando tirei uma faca da minha perna e a pressionei em sua jugular e pude ver um filete de sangue descer e ele engolir em seco. ― Abra.
Ele obedeceu e abriu a porta, eu desci todas as escadas até parar em frente a grades e ver o nosso mais novo aquisição sentada no chão abraçada com os próprios joelhos. Devia estar concentrada demais, pois só notou minha presença quando abri o cadeado da porta.
― Você vem comigo. – Murmurei pegando em seu braço rudemente.
― Para onde? – Questionou na defensiva e eu revirei os olhos.
― Não importa garota. – Sorri maldosa. ― Me agradeça por tirar seu tédio.
[...]
Enfiei a tal doutora no carro e saí do palácio dirigindo apressadamente, não era tão longe, então provavelmente não demoraria muito.
― Não vai me dizer mesmo para onde está me levando? – Questionou e eu revirei os olhos mais uma vez.
― Por que isso importa mesmo? – Disse tediosa enquanto encarava o deserto em minha frente.
― Não sei. Talvez se você estiver me levando para a minha execução eu possa me preparar.
Dei um mínimo sorriso.
― Para sua sorte, ter um diploma te isenta de ser morta. A Liga precisa de você. Confie em mim. – Dei uma piscadela irônica.
― Confiar em você? – Riu. ― A pessoa que faz parte da liga do mal que trouxe meu noivo para o lado negro da força? Obrigado, mas não.
― Al Sah Has foi uma grande aquisição.
― Não o chame assim! — Gritou. ― O nome dele é Ronnie, Ronnie!
A garota começou a chorar então peguei a faca da minha perna e a pressionei em seu pescoço fazendo-a ficar tensa.
― Cale a boca, Doutora. Ou eu mesmo faço isso para você.
O resto da viagem foi silencioso, só dava para ouvir nossas respirações.
Chegamos na base e logo desci do carro, tirando minha espada do coldre.
― Fique quieta. – Murmurei para a doutora que apenas assentiu em silêncio.
Após algumas voltas logo notei que o lugar estava devastado e vazio, a não ser pelos cadáveres.
― Esse lugar me dá arrepios. – Falou a garota abraçando o próprio corpo. ― O que houve aqui?
― Retaliação. Agora vamos. Precisamos encontrar uma tenda.
Ela apenas assentiu e continuamos andando parando em frente a uma tenda afastada, a única que não estava completamente acabada. Mas pelo cheiro de combustível, logo estaria.
Entrei rapidamente cobrindo minha boca em meio as tosses da doutora, estava cheio de fumaça tóxica, aquele lugar explodiria em breve.
Corri meus olhos pelo local e pude ver alguns frascos de remédio estourados no chão, então tive certeza que era ali a ala médica.
― Sara?! – Chamei.
Não houve resposta alguma então continuei andando, até me deparar com um corpo loiro ensanguentado no chão.
Me ajoelhei ao lado do corpo, tirei alguns cabelos do rosto pálido e percebi, era ela.
― Doutora! – Rugi rude e logo a garota se pôs ao meu lado. ― Salve-a.
Ela assentiu e colocou a mão no pescoço de Sara e depois na testa dela, me sentia apreensiva, mal conseguia pensar, tudo em que eu pensava era a risada de Sara e quanto eu amava ouvi-la rindo.
― Ela está viva. Mas está gelada e os batimentos estão quase nulos.
Senti meu coração parar, mas logo me recompus.
― Então salve-a, ou eu mesmo a mato. – Disse enquanto mostrava minha espada.
Ela engoliu em seco.
― Não posso fazer nada aqui. Preciso dos meus equipamentos, que estão no palácio.
Apertei seu pescoço impedindo-a de respirar.
― Para o seu bem, espero que seja verdade.
Percebi ela ficando roxa, então a soltei e ela caiu no chão assentindo e tossindo.
Peguei Sara no colo saindo rapidamente, mas fui interrompida pela mão da Doutora em mim.
― Tem um homem ali. – Apontou para o extremo oposto da sala e eu encarei o lugar, era o tal paciente da Sara.
― Não temos tempo. – Murmurei enquanto saia da sala, mas fui interrompida por sua voz novamente.
― Não podemos deixa-lo!
― Podemos sim. E tanto podemos, como vamos.
Ia sair da tenda novamente quando ela gritou.
― Eu não vou.
― Como é? – Disse a encarando com raiva.
― Não sairei daqui sem ele. – Cruzou os braços e eu estreitei os olºhos.
― Sim, você sairá. – Falei mostrando minha espada.
― Pode me matar, Nyssa. Mas não o abandonarei.
Estava pronta para enfiar a espada na barriga da doutora, quando Sara começou a tossir e vomitar sangue e eu encarava a cena horrorizada, a garota se aproximou e colocou a mão na testa de Sara.
― Ela está febril. Se chegar a 40º, ela morre.
Suspirei desolada, jamais deixaria alguém me dominar deste modo, meu pai sempre me disse que “amor era fraqueza e fraqueza era a morte”, mas se Sara morresse eu morreria junto.
― Leve-o junto.
...
Oliver
Peguei a faca e fiz um movimento como se fosse enfincar a faca em sua perna, vendo-a fechar os olhos, mas joguei a faca no chão, não seria capaz de fazer isso.
― O quê? Por que não o fez? – Felicity disse confusa.
― Eu consigo tirar essa pedra da sua perna.
Comecei a procurar algo para me auxiliar, mas não encontrava nada. Suspirei cansado.
― Porque não estou ouvindo sua voz irritante, Felicity? – Disse sorrindo, mas meu sorriso sumiu assim que percebi que Felicity estava de olhos fechados.
Corri até ela, coloquei a mão em sua jugular e pude sentir seus batimentos, suspirei aliviado, mas quando coloquei a mão em seu nariz percebi que ela não respirava.
― Felicity, não! – Disse e comecei a fazer massagem cardíaca nela, apertava seu peito e percebia seus batimentos ficarem cada vez mais superficiais.
― Vamos lá... – Supliquei enquanto encostava minha boca na sua e mandava ar para dentro de seu pulmão.
10 segundos. 30 segundos. 1 minuto e nada.
― Não faça isso comigo... – Choraminguei enquanto continuava tentando faze-la voltar a respirar. ― Vamos!
Meu grito ecoou no mesmo momento em que Felicity de sobressalto voltou a respirar, tossindo inúmeras vezes.
Respirei aliviado acariciando seus cabelos cobertos de suor.
― Não vai se livrar de mim tão fácil General. – Murmurou sorridente.
Eu dei um riso pequeno e puxei um pedaço de metal ao meu lado mostrando para ela.
― Encontrei isso enquanto estava morta. – Disse irônico e ela sorriu. ― Talvez consiga mover a pedra.
Felicity assentiu se apoiando nos cotovelos.
― Vamos lá!
Assenti e prendi o pedaço de metal entre a perna dela e a pedra e pude vê-la fazer uma careta de dor.
― Pronta?
Ela assentiu e então eu empurrei, empurrei com toda a força que eu tinha e até a que não tinha. Veias saltavam dos meus braços, estava fazendo uma força sobrenatural para tirar aquela pedra e só fiquei mais confiante quando ouvi a pedra se mover em meio aos meus gemidos.
Mais um pouco e a pedra se moveu caindo ao lado de Felicity, suspiramos felizes ao mesmo tempo.
E então eu ajudei-a se erguer, mas durou pouco já que assim que ela apoiou a perna no chão gritou de dor e eu tive que segura-la para ela não cair.
― Pega leve. – Adverti segurando-a pelo quadril. Ela assentiu em silêncio e me encarou.
― Como vamos subir? – Apontou para a parede em nossa frente eu olhei para a parede em nossa frente e a encarfei novamente.
― Confia em mim?
[...]
― Mudança de planos, eu não confio. – Murmurou Felicity enquanto eu senti seus braços apertarem meu pescoço mais forte.
A única escolha que encontramos foi eu escalar a parede com Felicity em minhas costas, e já estávamos na metade, mas cada vez que ela olhava para baixo ela praguejava baixo alguma coisa.
― Estamos quase lá em cima. – Garanti acariciando sua coxa que prendia minha cintura pelas minhas costas, ela ficou um pouco tensa pela carícia, mas logo relaxou.
― Ok.
Assim que conseguimos atingir o topo, Felicity caiu no chão exausta e eu cai do seu lado, com a exaustão saindo de cada poro do meu corpo.
― Precisamos sair daqui. – Murmurei me levantando e pronto para pegar Felicity no colo quando ela me interrompeu.
― O que pensa que está fazendo? – Rugiu me encarando e eu a encarei atônito.
― Te ajudando? – Disse obvio e ela revirou os olhos.
― Não preciso de ajuda. – Disse ríspida se levantando.
― Mal consegue ficar de pé! – Rebati.
― Não serei carregada, Oliver. Não sou a donzela indefesa aqui! – Falou rude e eu revirei os olhos.
― Ótimo, vá sozinha.
Disse sorrindo irônico enquanto começava a andar em passos apertados com Felicity mancando e andando lentamente atrás de mim.
[...]
Já havíamos andado cerca de 1 km no deserto e Felicity estava cada vez mais lenta e mais exausta, podia perceber por sua respiração acelerada, mas ela jamais daria o braço a torcer, e eu muito menos.
― Podemos parar? Eu não aguento mais! – Disse ela se pronunciando e eu me virei vendo a sentada no chão.
― Talvez eu aceite sua ideia de cortar sua perna agora. – Murmurei irônico e ela estava pronta para me dar qualquer resposta presunçosa, mas gelou quando percebeu que eu estava indo para a sua direção.
Felicity começou a se arrastar desajeitadamente para trás quando levantei seu corpo a pegando no colo.
Ela estava pronta para protestar, pois sua boca se abriu e fechou mais vezes do que eu poderia contar, mas quando ela começou a perceber que era melhor ser carregada, ficou em silêncio,
Não conversamos o caminho todo, mas logo raios solares começaram a preencher o ambiente, e no mesmo momento eu pude ver uma caverna logo em frente e Felicity dormia calmamente em meus braços antes de eu cutuca-la.
Ela resmungou um pouco antes de abrir os olhos revelando sua íris azul. Ela piscou um pouco, mas logo abriu um sorriso ao avistar a caverna.
Chegando mais perto conseguimos ver um oásis em frente e assim que coloquei Felicity no chão ela correu desajeitadamente do jeito que pôde até oásis, ela se jogou dentro rindo e não pude evitar rir também ao ver sua felicidade.
― Olha só, Felicity Smoak sabe se divertir! – Murmurei sorrindo e ela sorriu de volta.
― Por que não entra Oliver? A água está ótima!
― Não, estou bem aqui.
― Qual é... Que tal não ser General um pouco? – Sorriu presunçosa e eu revirei os olhos.
― Divirta-se, enquanto eu vou investigar a caverna.
Murmurei e então virei as costas, quando entrei na caverna percebi estar sem nenhum animal, mas a tocha recém-apagada mostrava que alguém havia passado a noite inteira aqui. Um peregrino talvez?
Havia um resto de carne assada na fogueira também, suspirei aliviado já que estava morrendo de fome, já que minha última refeição havia sido a mais de 24 horas, e Felicity não deveria estar em melhor situação.
Saí de meus pensamentos quando ouvi um grito de Felicity, não pensei duas vezes em me levantar e correr em direção a oásis, mas quando cheguei me deparei com uma cena que me deixou com raiva e ao mesmo tempo excitado.
Felicity havia tirado toda a parte de cima e nadava seminua, não dava para ver muita coisa pela água ser escura, mas o pouco que deu já me fez começar a sentir algo acordar dentro de mim.
Enfiei as mãos no bolso da calça e fiz a melhor cara séria que pude.
― Por que diabos você gritou? – Disse com raiva e ela sorriu maliciosa.
― Porque não me ajuda aqui, Oliver?
A encarei atônito. Por que diabos ela estava agindo assim? Talvez ela tivesse batido a cabeça.
― Dispenso. — Disse frio virando as costas, mas ouvir sua voz tão sexy fez algo despertar em mim.
― Tem certeza? – Murmurou com a voz sensual e todo o meu autocontrole se esvaiu, me virei para e ela e corri em sua direção entrando no oásis.
― Dane-se. – Murmurei puxando sua boca rudemente para mim com as mãos em sua cintura possessivamente.
Felicity correspondeu a altura, enfiei a mão em seus cabelos molhados puxando ela mais e mais para mim, sua mão passeava pelo meu abdômen com a camiseta.
Paramos de nos beijar apenas por alguns segundos para ela conseguir puxar minha camisa molhada pela minha cabeça, assim que ela conseguiu começou a espalhar beijos pelo meu peitoral e eu beijava seu pescoço ouvindo seus pequenos suspiros de prazer.
Senti sua mão no meu membro por cima da calça e eu gemi enquanto apertava seu peito, ela me beijou com volúpia e cada vez eu aumentava mais o ritmo.
Suas mãos pequenas passeavam por todo meu corpo e eu fazia o mesmo com o dela, apertava tudo o que podia, queria garantir para mim mesmo que não era mais um sonho, que eu não acordaria duro e suado daqui a pouco, como em algumas noites aconteciam.
Distribui beijos pelo seu pescoço, mandíbula enquanto desabotoava sua calça, assim que puxei para baixo e a ouvi gemer, mas percebi que não era um gemido de prazer, era um gemido de dor.
Felicity se afastou bruscamente, e foi aí que lembrei, seu machucado na perna, eu havia puxado a calça com tanta força e tanto desespero que eu havia a machucado.
Tentei me desculpar, mas já era tarde de mais, Felicity já havia saído da água mancando e se sentou na beirada, pude ver que o machucado havia começado a sangrar novamente. Ela puxou a calça para cima e colocou a blusa de volta em silêncio, fiz o mesmo com a minha camisa e me sentei ao seu lado tentando ajudar.
― Não precisa Oliver. – Murmurou rude, a velha Felicity havia voltado.
Mas eu não me deixaria abater desta vez, rasguei minha camisa e amarrei em sua perna, fazendo um tipo de torniquete.
Ela ficou em silêncio pelo resto da hora, havia voltado sozinha para dentro da caverna, e não tinha dito nada mais.
E nem eu havia tentado puxar algum assunto, o clima estava tão pesado e o silêncio era tão gritante enquanto comíamos que uma folha caindo no cão seria ouvida em alto e bom tom.
Felicity mastigava a carne olhando para o nada, já eu a encarava sem nenhum pudor. Não podia mentir sentir seu corpo, seu toque fora a coisa mais prazerosa que eu já havia feito meu desejo por ela era tão visceral que apenas de lembrar podia sentir a ereção voltar a pressionar a calça.
E como havia sido difícil disfarçar, ainda mais com a calça molhada, Felicity havia aberto um sorriso mínimo ao ver minha situação, mas logo havia fechado a cara novamente.
― Está com dor? – Murmurei encarando-a.
Ela apenas negou e se levantou indo em direção a o outro extremo da caverna.
Percebi ela começar a tremer, já que estava completamente molhada, e já estava no final da tarde e um vento frio entrava pela caverna.
Eu não disse nada, apenas fui a sua direção e deitei ao seu lado abraçando-a. Felicity tentou se soltar diversas vezes, reclamando e seu praguejo, mas eu não me movi, aos poucos ela adormeceu e eu pude fechar os olhos em paz.
― Boa noite, Felicity.
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