Notas iniciais
Wow, eu realmente... não estou orgulhosa desse capitulo... eu JURO que caps com mais qualidades virão, mas eu só queria postar essa semana.

Uma sereia nasce da vontade de sobrevivência e da alegria de estar viva. Uma sirena nasce da vontade de sobrevivência e da alegria de poder conquistar vingança.

—Trecho do livro “A verdade sobre aquelas que habitam nossas águas”, de autor desconhecido

As ondas envolviam os pulmões dos homens que caiam no mar. As lagrimas que enchiam os olhos deles quando percebiam o seu destino deliciavam Dominique, que os observava de longe. Ela riu.

A noite era iluminada por trovões. As luzes do iate cintilavam dentro da cabine principal, enquanto os ventos chacoalhavam as últimas vidas de dentro do barco, enquanto eles desapareciam sob a água. Amara descansava a alguns centímetros dela, fingindo estar alheia aos homens se jogando para a morte. O barco continuou a se debater nas ondas.

Houve um momento em que apenas o som da tempestade se foi ouvido. Os trovões continuavam a pintar o céu. O vento continuou a dobrar a água. Mas então o barulho estrondoso do alarme do barco soou. Outro alarme respondeu na costa, e diversas luzes vermelhas brilharam. Dominique puxou todo o ar que seus pulmões aguentavam e escorregou para dentro da água.

O barco acelerou atrás do grupo. Dominique estava no fim da formação, vendo todas as meninas desaparecerem para o fundo das águas escuras. Um tiro afundou no seu lado, e ela nadou mais rápido. O leve cintilar das escamas cinzas de Amara voltaram no campo de visão de Dominique. Então o amarelo e branco de Safiyya, o vermelho de Aoki e o purpura de Odeta, que nadavam muito mais a frente delas.

Os peixes mais próximos se afastavam não somente do grupo, mas também do barco que as perseguiam. Safiyya sinalizou para o grupo parar, e todas se juntaram sob um coral, e esperaram. Os pulmões começaram a coçar depois de uns bons vinte minutos sem se mexer. Novamente, Safiyya, a mais velha do grupo, sinalizou para todas subirem. Não havia sinal do barco.

—Seria bom se eles parassem de nos perseguir-Aoki suspirou, olhando o barco que começava a dar meia volta no horizonte.

-Seria bom que eles parassem de nos caçar. Assim, pararíamos de dar motivos para eles pensarem em vir atrás de nós– Safiyya retrucou, voltando para baixo da água. A maior parte delas seguiu a mais velha, mas Amara continuou na superfície, e Dominique logo voltou a ficar junto com a sereia.

—Ei, nós precisamos ir. Não quero que você se machuque ficando aqui em cima.

Amara assentiu, e sorriu. Dominique percebeu que não havia alegria no sorriso dela, somente um tipo de amargura que ela não conseguiu descobrir a fonte. Antes que a sirena pudesse abrir a boca para perguntar alguma coisa, Amara desapareceu na água.

Dominique seguiu Amara, bem a tempo do barco passar sobre a cabeça delas.

♒

O alerta de furacão aparecia a cada comercial na televisão, Kearl já estava começando a ficar irritado. Sua mãe corria de um lado para o outro na casa, fazendo ligações de três celulares diferentes. Em um dizia que precisava de uma casa para alugar longe da linha de destruição do furacão. Em outro tentava encontrar flores para o Baile das Escamas. E no terceiro, tentava encontrar seu marido, que havia saído com o grupo de caça para o mar.

—Sim, Karen, eu entendi. Você está vendo um barco rebocando um barco, mas quem diz que é o barco do meu marido? – ouve um perfeito momento de silencio. Então a mãe dele continuou a gritar – Tente fazer contato de novo! Não é tão difícil, pegue o radinho, e se não for pra usá-lo direito, enfie ele no...

Kearl aumentou o volume da televisão. Uma notícia sobre sereias e sirenas mostrava uma foto extremamente desfocada. Diziam que algumas sereias estavam se aproximando demais da costa do país, e que as guardas já estavam tomando providencias. Um barco de caça ilegal havia sido tombado por um grupo de cinco sirenas. Um grupo de sirenas havia sido capturado e que muitas das suas escamas seriam usadas no Baile daquele ano. Uma sirena foi encontrada quase morta na praia, mas mesmo assim conseguiu matar um banhista que tentou tirar foto perto dela.

Sirenas, sirenas, sirenas, blah, blah, blah.

Todo ano era a mesma coisa. Quando mais próximo o Baile das Escamas, mais fatalidades causadas por elas aconteciam. Mas a maior parte da população gostava de fingir que as duas coisas não estavam interligadas. Que sirenas não estavam só tentando fugir de todos aqueles que as queriam esfolar vivas.

Ele começou a alternar sua atenção entre os gritos da sua mãe e as notícias, que passaram a ter um tom mais alegre quando começaram a falar sobre gafes de celebridades. Sentiu o sofá afundar quando sua mãe se jogou do seu lado com um alto suspiro. Ele não abriu a boca. Ela começou a assistir televisão.

—Seu pai já está voltando para casa. – ela avisou, parecendo mais relaxada – Houve um chamado...

-Um barco ilegal foi tombado, apareceu nas notícias. – o olhar dele ainda não tinha se desviado da televisão.

Sua mãe soltou um longo suspiro, resignada. Kearl pegou o controle para aumentar ainda mais o volume da televisão, mas o programa já havia terminado. O alerta de furacão apareceu na tela novamente, mostrando a rota novamente. Kearl suspirou fundo. Fez menção de se levantar, mas a mãe o puxou sentado novamente.

—Querido, eu sei que você está meio chateado por eu ter metido o dedo onde não devia...

—Mãe, você literalmente só assumiu o Baile das Escamas desse ano para que eu “apresentasse” Ruth a todos como minha namorada. A gente não está namorando a cinco anos, estamos namorando a cinco MESES. – o ênfase na última palavra fez o rosto da sua mãe murchar ainda mais. – Eu não vou casar com ela, e ela até fez menção de querer terminar. Você só descobriu sobre a gente por que me seguiu para o festival aquele dia. Sério, o que você acha que ela vai falar quando eu contar para ela?

A mulher abriu a boca uma, duas, três vezes. Não tinha percebido que talvez nem a menina pudesse ser muito fã da história. Kearl levantou as sobrancelhas, e a mãe abaixou o olhar até suas mãos. Poxa, ali estava ela, achando que estaria ajudando seu filho, e na verdade estava complicando a situação.

Ela sussurrou um pedido de desculpas. Kearl percebeu que talvez tivesse sido grosso demais com ela, mas aquele era o problema com a sua mãe. Era apressada demais, curiosa demais. O rapaz enfiou as mãos nos bolsos e olhou para o celular largado na mesa de canto. A tela se iluminava com a mensagem de Ruth. Ele esticou o braço e desbloqueou o tela. A mensagem tinha sido escrita com letras maiúsculas:

“EU FUI ACEITA!!!!!”

♒

Os primeiros raios da manhã começavam a atingir a costa. O mar balançava preguiçoso, como se nem ele tivesse acordado ainda. Mas o porto já estava cheio de pessoas das mais variadas idades. Algumas se juntavam para observar o barco sair, outras, trabalhavam incansavelmente para que tal barco conseguisse sair.

Amara esticou a cabeça para fora da água, observando a comoção no porto. Um dos maiores barcos de caça do porto, o Perlen, era carregado e descarregado com as mais variadas coisas. Arpões, armas, redes, caixas, alimentos, alguns eletrônicos que Amara não tinha a mínima ideia para o que serviam. A sereia se abaixou quando o som de saltos chegaram mais próximos da ponta do porto.

—...incrível, realmente. Não é algo que pode acontecer com qualquer um. Vai ser ótimo para as caças.

—Kearl, não precisa fingir que aceita isso. Eu sei que você não aceita a caça das sirenas, não estou te obrigando a aceitar só porque eu fui aceita no barco. Eu só... quer saber, nem sei o motivo que eu queria tanto que você viesse aqui. Isso só te traria maus sentimentos.

O rapaz, Kearl, soltou um resmungo baixo, olhando entre as tabuas. O sangue da sereia gelou quando ele se abaixou para inspecionar mais de perto uma mancha misteriosa na ponta do seu tênis. Ele voltou o olhar para a menina.

—Talvez...você quisesse ficar um pouco com seu namorado antes de sair por uma semana em uma viagem que você talvez possa não voltar.

A menina soltou um riso tímido, antes de se lançar para cima do rapaz em um abraço, deixando Amara queimando por dentro. Essa cauda arrancou de mim aquele que me fazia dessa forma, ela pensava amargamente, enquanto via a menina lançar os braços ao redor do pescoço do garoto e puxa-lo para um longo beijo.

Alguma coisa tocou o meio da sua cauda, fazendo Amara se assustar e dar um pulo. O som da água atraiu a atenção do casal que estava sob ela, e ambos olharam para baixo. Alguém puxou Amara para dentro da água, e para longe dos olhares dos humanos.

A pele amendoada denunciou Safiyya, que se escondia entre longas tiras de algas presas aos madeiras que mantinham a estrutura de pé. Amara se espremeu entre a sirena e a parede de madeira, se encolhendo ainda mais quando a humana se abaixou para olhar entre as tabuas do ancoradouro. Mesmo assim, não demorou para os saltos e a conversa se afastarem das meninas, e ambas subiram para a superfície.

-Você me seguiu?

-Eu precisava ter certeza que você não faria nada... impulsivo.

O sangue de Amara ferveu. Safiyya não se moveu quando ela bateu os punhos na água parecendo uma criança irritada, nem quando ela começou a xinga-la. Ela simplesmente se apoiou nas madeiras que faziam a estrutura boiar. Depois do pequeno momento de Amara, ela suspirou.

-Vai continuar com a birra? Estamos do lado de um navio de caça, acho que é melhor você abaixar o volume.

-Birra? Eu? Safiyya, você não me deixa em paz por, no mínimo, uns vinte anos. Qual é o motivo de toda essa perseguição? Eu não concordar com sua fantasia de que essas caudas são as melhores coisas que aconteceram para toda santa sereia? Sirena? Safiyya, não finja que não preferia ter terminado sua vida como humana do que ser caçada todo dia, e tendo como única utilidade matar aqueles que nos ensinaram tudo o que sabemos...

A mais velha acertou um tapa no rosto dela. Amara se sentiu chocada demais para responder alguma coisa, observando enquanto as faces de Safiyya estavam vermelhas, os olhos brilhando com alguma coisa que ela nunca tinha visto. Não era só fúria. Era mais, muito mais.

—Sua vida, princesa, pode ter sido perfeita. Você iria se casar com seu melhor amigo e iria reinar sobre um povo que te amava. Eu entendo. Seria maravilhosa. Mas não ouse falar que todas nós preferiríamos ter terminado nossas vidas na terra.

Safiyya desapareceu para dentro da água, deixando Amara remoendo as palavras dela. Safiyya nunca tinha realmente falado muito sobre sua vida antes de alguém ter tentado afoga-la. O rosto de Amara ainda queimava enquanto ela mergulhava sem fazer barulho e nadava o mais longe possível do som da comemoração do barco.

Notas finais
E aí? Gostaram? Vou tentar postar uma vez por semana se tiver tempo, mas saibam que no minimo uma vez a cada duas semanas eu posto ^.^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.