SANS: (com as mãos enfiadas nos bolsos da blusa, vendo Asriel tomando uma caneca de achocolatado na lanchonete) e aí, Asriel? Tudo em cima?

ASRIEL: (suspirando, olhando ao redor com uma carinha confusa) sei lá, Sans… você viu os outros por aí? Só achei os garotos se divertindo na piscina. Tive que deixar Lanny com as meninas, por que não encontrei a Bia em lugar nenhum;

SANS: (parecendo segurar o riso) bem… acho que eu sei onde eles estão (dá um papel para Asriel) recebi um desse também, e acho que sei onde minha mulher foi se enfiar.

Asriel apanha o papel, começando a lê-lo, e seu queixo vai caindo gradativamente, conforme passa cada linha.

Você está cordialmente convidado para uma festa temática de Underlust na sala de fornicação no dia de hoje. Venha com roupa á caráter. Rala-e-rola liberado.

ASRIEL: (respirando fundo, rezando para a Santa Cabra pedindo clemência) por favor, Sans… não me diga que a Bia já entrou da droga dessa festa.

SANS: a Bia? (Sans ri) não. Ela não está lá.

ASRIEL: ufa.

SANS: (fazendo uma troll face) só a Aayrine com fantasia de Underlust.

Asriel cospe todo o achocolatado na cara da atendente da lanchonete.

ASRIEL: QUÊ?

SANS: (rindo) isso aí. Só vim te avisar. Vou trocar de roupa 9dá um tapinha nas costas do cabrito engasgado) te vejo lá, garanhão.

Sem opção – e morrendo de vergonha – Asriel termina seu café da manhã, se desculpa com Aline – que diz que já recebeu coisas piores na cara – e, martirizado, vai se vestir para a infame festinha.

ASRIEL: (tenso, vendo Sans aparecer com uma jaqueta roxa de penachos azuis, uma camiseta e calça negras e botas) você tinha que se vestir tão metrossexual assim?

SANS: (botando a língua azul pra fora) as minas piram, colega (olha a calça jeans e a jaqueta de couro que Asriel está vestindo) se bem que você foi esperto. Elas curtem mais quando a gente tá sem camisa.

ASRIEL: (erguendo uma sobrancelha, enquanto se dirigem à sala de fornicação) como se você tivesse algo para mostrar embaixo dessa camiseta.

SANS: (fechando a cara, enquanto Asriel ri) vai dar a bunda pro Burguerpants, Asriel.

Os dois finalmente abrem a porta, entrando dentro do gigantesco quarto, de variados tons de vermelho e preto. Ambos mal entram e já conseguem ouvir alguns guinchos suspeitos ao redor.

UNDYNE: (aparecendo do nada, apenas com uma lingerie preta e ombreiras de metal) aí, Asriel! Veio pro lado libertino da Força?

ASRIEL: (torcendo o focinho) meio que a contragosto… mas sim (funga) cadê a Bia?

ALPHYS: (chocando geral, ao aparecer só com um jaleco, abotoado apenas nos lugares mais arriscados) a Aayrine? Ela tá terminando de se arrumar no Quarto vermelho da Dor.

Asriel só falta ter um derrame.

ALPHYS: (deixando-o ainda mais perplexo, engata uma coleira do pescoço de Undyne) bem, acho que tá pronto. Partiu.

Sans e Asriel só assistem as duas entrando dentro.

SANS: (sem conseguir esconder o choque) até a Alphys. Uau.

ASRIEL: já vou avisando que vai dar merda (choraminga)

Passando pelas divisórias da sala, Asriel vê Mettaton – vestido com uma roupa rosadinha e fofa demais para o ambiente pervertido – remexendo dentro de uma caixa suspeita.

METTATON: ai, querido. Acho que esse aqui não vai caber.

PAPYRUS: (vestido com um collant negro) ora, Mettaton. E precisamos disso? (dá uma risadinha)

METTATON: (soltando, para o alívio de Asriel, apenas uma inocente camisola) está bem (vê Sans e Asriel, se assusta e fecha a porta correndo)

SANS: (tendo uma epilepsia ocular) MAS QUE POHA…

Dividido entre o riso e a pena, Asriel puxa o amigo adiante, tentando tirar de sua mente a perturbadora visão de Papyrus fazendo cosplay da menina do Flashdance.

ASRIEL: por favor… que meus pais não estejam aqui…

SANS: (suspirando, apontando pro outro lado do quarto) terceira divisória. Foram os primeiros a chegar. E não é por nada, mas aquela lingerie de couro roxa não caiu bem na Toriel.

FRISK: (só com uma calça de couro, aparecendo na frente dos dois, fazendo uma careta) e nem aquela cuequinha preta caiu bem no papai.

ASRIEL: até tu, jacu?

CHARA: (se apoiando nos ombros do marido, com um tipo de maiô verde berrante de listras amarelas) lógico. Fui eu que convidei todo mundo!

ASRIEL: (rilhando os dentes) quanto isso acabar, Chara… juro que Frisk vai ficar viúvo.

FRISK: seeeeei. Garanto que vai gostar…. (rindo) aliás, pela demora da Aayrine, o HP dela estará abaixo de zero amanhã.

Ignorando o casal risonho e safado, Asriel se afasta, revirando os olhos. De uma das divisórias adiante, vestida com uma minúscula e sexy fantasia de faxineira doméstica, Muffet acena para o marido.

MUFFET: ahuhuhu… olá, meu amor.

SANS: (com cara de quem lamberia os beiços, se ao menos os tivesse) oi, delicinha. Vem pro papai, princesa.

Asriel acompanha Sans agarrar a esposa, sumindo com ela dentro da divisória e fechando a porta. Constrangido, não demora a ouvir uns barulhinhos agoniantes do lado de dentro, e decide terminar logo com tudo aquilo.

ASRIEL: (batendo na porta negra do fim do corredor) Bia? Posso entrar?

AAYRINE: (falando do lado de dentro) pode sim!

Asriel hesita, mas finalmente entra dentro do Quarto Vermelho da Dor, envergonhado ao olhar os objetos ao redor. Porém, para sua surpresa, Aayrine está em ciam da cama, vestida com uma delicadíssima camisola de seda branca, abraçando os próprios joelhos.

ASRIEL: ué.

AAYRINE: o que foi? (guincha) não gostou da camisola?

ASRIEL: não. Achei bonita (aponta com o polegar pro lado de fora) mas eu pensei que…

AAYRINE: (fechando a cara) que só por que é uma festa de suruba, eu ia me vestir a caráter? Eu nem tenho uma versão minha nesse universo! (abaixa as orelhas, retraindo o focinho) ainda tenho uma concepção mais romântica desse tipo de coisa. Me julgue, tá?

Aliviado e achando graça, Asriel sobe na cama, abraçando Aayrine.

ASRIEL: que nada. Fico feliz que não tenha feito nada de bizarro.

AAYRINE: (dando um beijinho apaixonado no marido) é. Acho que foi uma boa ideia, no fim das contas (afaga o ombro de Asriel) e eu posso ser sua enfermeira… (dá outro beijo no focinho do cabrito, dando uma risadinha maliciosa) e se você for um bom menino, eu vou te dar um pirulito.

ASRIEL: (fazendo uma carinha fofa) tá…

AAYRINE: mas primeiro… (puxa algo do criado-mudo, e Asriel guincha alto quando ela bate a ponta do chicote na mão) vou medir sua temperatura.

ASRIEL: AHHH, NÃO!

Rindo, ambos se engalfinham no colchão, enquanto Bia magicamente sela a porta, fechando o capítulo, e fazendo tudo sumir na escuridão de uma tarja de classificação adulta.