Undertale - True Reset
22 Lembranças Parte 4 – O Primeiro Reset
Notas iniciais
[Sans]
Eu fui lembrando do que havia acontecido, enquanto eu segurava sua mão, eu ia me lembrando, lembrei de como a conheci, de como ficamos amigos, de como nos apaixonamos, de tudo que passamos até o nosso confronto na sala do julgamento.
Eu a vi entrar no corredor do julgamento, ela me olhou com surpresa, eu me senti mal por guardar esse segredo, mas eu não queria que ela deixasse de ser quem ela verdadeiramente era por minha causa, era minha obrigação julgá-la, caso ela chegasse até aqui.
— O que faz aqui Sans?
— Eu sou o encarregado por julgar os humanos e monstros que chegarem aqui, pois eu posso ver o que poucos monstros aqui podem.
— Entendo, estou pronta, se preciso passar por seu julgamento para seguir, eu o enfrentarei.
Ela sorriu, aquele sorriso aquecia a minha alma, e me dava esperanças.
— Então, você finalmente conseguiu. O final da sua jornada está logo adiante. Em alguns momentos, você encontrará o Rei, juntos... vocês determinarão o futuro deste mundo. Agora, você será julgada. Você será julgada por cada uma de suas ações, por cada EXP adquirido, o que é EXP? É uma sigla que significa Execution Points, ou Pontos de Execução. Uma maneira de quantificar a dor e o sofrimento que você infligiu a outros. Quando você mata, seu EXP aumenta, quando você tem EXP demais, o seu LOVE aumenta. LOVE, também é uma sigla, que significa Level of Violence, ou nível de violência. Uma maneira de mensurar a capacidade que alguém possui de machucar alguém. Quanto mais você matar, mais fácil se distanciar de si mesmo; quanto mais você se distanciar de si mesmo, sofrerá menos e assim será mais fácil machucar outras pessoas. — Ela concordou com a cabeça, mostrando que tinha entendido tudo o que eu estava dizendo. — Agora, que você entendeu, está na hora de começar o seu julgamento. Olhe dentro de si, você tem feito a coisa certa? E considerando o que você fez... O que fará agora? Tome seu tempo para pensar sobre isso.
Eu a vi, ela estava com uma feição pensativa, como se estivesse ponderando as opções que tinha, e eu sabia que em sua maioria, eu a perderia.
— Mas você, você nunca ganhou nenhum LOVE, claro que isso não significa que você é completamente inocente ou ingênua, somente significa que você manteve alguma ternura em seu coração, não importando as lutas ou dificuldades que você enfrentou... você se manteve no caminho correto, você se recusou a machucar qualquer um, e mesmo quando você fugiu, você o fez com um sorriso no rosto. — Eu sorri para ela, e me aqueceu o coração ver seu sorriso de volta. — Você nunca ganhou LOVE, mas você ganhou amor, isso faz sentido? Talvez não. Agora, você está prestes a enfrentar o maior desafio de toda a sua jornada. Suas ações aqui... vão determinar o destino de todo o mundo. Se você se recusar a lutar, Asgore vai tomar a sua alma e poderá destruir a humanidade, mas se você matar o Asgore e for embora... Os Monstros continuarão presos aqui no Subterrâneo. — Vi seu olhar se entristecer, ela ainda estava considerando as opções. — O que você fará? Bem, se eu fosse você, eu jogaria a toalha neste momento. Mas você não chegou tão longe para desistir agora, né? — Ela me olhou decidida, pude ver que ela tomou sua decisão. — Isso mesmo, você tem algo chamado “determinação”. Quanto mais você se mantém focada... mais você faz o que pede o seu coração... Eu acredito que você possa fazer a escolha certa... Bem, estamos contando com você, pirralha... Boa sorte.
Eu me despedi dela, e abri caminho para que ela fosse para a sala do Rei, mas antes que eu pudesse sair daquele lugar, senti ela me surpreender em um abraço, eu senti a sua alma, como eu pude ficar tão ligado a essa pirralha? Ela me deu um beijo na bochecha, e senti minhas bochechas ficando azuis, ela conseguia me deixar bem sem graça, um ano, como em um único ano ela tomou conta da minha alma desse jeito? Até que escutei a sua voz baixa e melodiosa:
— Eu te amo meu cabeça de ossos.
— Eu também te amo minha pirralha. — Respondi dando um beijo nela, o qual ela correspondeu alegremente.
Ela se desfez do meu abraço e a vi entrar na sala do trono sem olhar para trás, sei que exagerei, pois acredito que o Rei Asgore não irá matá-la, ainda mais ele sabendo que ela é uma das melhores pessoas que poderia existir nesse mundo. Eu iria sair dali, mas preferi ficar, me encostei em uma das colunas esperando ela voltar, eu queria que ela voltasse, apesar de saber que ela merecia voltar para o seu mundo...
Algum tempo depois houve um tremor em todo o Subterrâneo, e eu senti a barreira sendo destruída, uma enorme felicidade me preencheu, mas ao mesmo tempo, um vazio tomou conta da minha alma, algo que estava ligado à minha alma, não estava mais. Imediatamente seu nome veio a minha mente.
— Frisk!
Corri o mais que pude até a sala do trono, o que vi, parecia que ia me quebrar por dentro. Vi o Rei Asgore, chorando, segurando o corpo de Frisk, eu corri, peguei seu corpo e segurei, ela estava sorrindo, essa foi sua decisão. Eu senti o meu rosto se molhar, levei um tempo até perceber que eram as minhas lágrimas, e que o som que eu escutava era os meus gritos de dor, o preço foi alto demais.
— Sans, a pequena humana, ela se sacrificou para que todos fossemos livres, para que você fosse livre, ela queria que eu te dissesse que mesmo ela não podendo estar com vocês, ela queria que você, Papyrus, todos fossem felizes.
Eu só escutava as palavras do Rei, a única coisa que eu conseguia processar é que eu perdi uma das coisas mais preciosas para mim. A devolvi Asgore e teleportei daquele lugar, fui para o meu quarto, o quarto falso, onde Frisk esteve vivendo nos anos que passou em Snowdin, abri as gavetas e peguei um dos agasalhos listrados, o primeiro que ela usara, ela guardava, pois dizia que a lembrava de tudo o que ela passou. Peguei aquele agasalho e abracei com todas as minhas forças, o quarto estava incrivelmente arrumado, e tinha o cheiro dela, eu me encolhi naquela cama. Fiquei dias assim.
Todos os dias, Papyrus, batia na porta, me oferecendo algo para comer, ou querendo conversar, eu sempre o ignorava, as vezes Undyne também vinha com ele, eu só queria ficar sozinho. Até que um dia veio alguém diferente.
— Toc toc...
Eu reconheci aquela voz, era a moça das ruínas.
— Me desculpe, mas não estou no clima de piadas.
— Eu também sinto muito a falta dela, sinto desde o dia que a deixei sair das ruínas, você cumpriu bem a sua promessa.
— Não cumpri, eu não a mantive viva e segura.
— Manteve sim, você manteve o coração dela seguro, todos me contaram como vocês ficaram próximos, a decisão dela, foi um sacrifício por todos, por você. Todos já estão se preparando para ir para a Superfície.
— Eu não quero ir... não agora... Eu não vou conseguir aproveitar, não enquanto eu estiver sentindo a dor da perda dela.
— Eu quero te levar a um lugar...
— Qual?
— Onde tudo começou.
Eu levantei, ainda segurando o casaco dela, abri a porta e segui a moça, quem descobri ser simplesmente a Rainha desaparecida. Ela me levou até as ruínas, durante todo o caminho, muitos monstros nos pararam para falar como estavam felizes de estarem finalmente livres, mas também sentiam muita falda de Frisk. Eu apenas acenava e dava pequenos sorrisos forçados. Cheguei as ruínas, um lugar grande, mas facilmente explorável.
Em pouco menos de meia hora Toriel me levou até a cama de flores, onde Frisk caiu, por 1 segundo, juro ter visto Frisk sentada lá, me olhando e sorrindo, eu cheguei perto, e deitei naquela cama de flores, olhando o buraco por onde ela caiu, eu podia sentir a luz do sol, era serena e acolhedora, mas eu senti uns pingos, aquilo seria chuva? Para mim, parecia mais as lágrimas de adeus dela. Fechei os meus olhos enquanto a chuva me molhava. Quando abri os olhos novamente, parecia ter escurecido na superfície, eu via pequenos pontos brilhantes, as estrelas, eu não podia me impedir de chorar, eu queria vê-las com ela. Peguei o celular e disquei seu número.
— Er... Oi?
...
— Tem alguém aí?
...
— Bem, vou deixar uma mensagem...
...
— A Rainha voltou, acredite, era Toriel, ela está orientando a todos, junto do Rei, para nos mudarmos para a superfície, todos estão em clima de alegria, mas todos sentem a sua falta. Nós não desistimos aqui, eu espero que você não desista onde você estiver...
...
— Eu sei que pode demorar, mas eu espero que nos encontremos novamente, eu estou torcendo por você pirralha...
...
— Só queria que você soubesse que eu levei um tempo pra aprender a expressar o que eu sentia, e agora que eu quero dizer com todas as minhas forças que te amo, você não está aqui para escutar. Mesmo assim... Eu te amo minha pirralha...
...
Escutei um bip, sinal de que o aparelho estava ficando sem baterias.
— Bem, detesto acabar com nosso papo assim, mas terei que desligar, afinal as baterias estão acabando... As estrelas são lindas, elas me fazem lembrar de você. Adeus minha pirralha.
E desliguei. Fiquei olhando as estrelas pela fenda alta e distante, até que meus olhos foram fechando aos poucos, preenchendo minha mente com imagens dela.
Foi quando eu senti, levantei de sobressalto. Era a anomalia acontecendo de novo. Eu não queria voltar mais, mas uma parte de mim sorriu. “Talvez eu a veja de novo”.
Acordei na minha cama, como se nada nunca tivesse acontecido.
[Frisk]
Depois do Julgamento do Sans, eu já tinha tomado minha decisão, eu o abracei, e o beijei na bochecha, eu queria dar um beijo mais apaixonado, mas ele perceberia que eu estava me despedindo e tentaria me deter. Foi uma decisão egoísta.
— Eu te amo meu cabeça de ossos.
— Eu também te amo minha pirralha. — Ele me surpreendeu com um beijo mais apaixonado, o qual eu fiquei alegre em retribuir, era minha despedida.
Aquilo aqueceu o meu coração, mas ao mesmo tempo, senti uma dor, a dor que eu teria que enfrentar.
Me desvencilhei do abraço e andei até a sala do trono sem olhar para trás, pois não queria me arrepender da minha decisão.
Cheguei até a Sala do trono, onde encontrei o Rei Asgore, ele me olhou com olhos tão gentis e cheios de culpa, eu tive vontade de abraçá-lo.
— Olá minha criança... Eu não te esperava tão cedo... Bem, quando estiver pronta, só me seguir.
— Espere... eu estou pronta, mas quero que isso seja aqui... e rápido.
— Está tão determinada assim em ir embora?
— Não, estou determinada em libertar todos... Eu vim entregar a minha alma, para que todos possam ser libertados.
—Criança... Nunca pensei que veria tanta gentileza e bondade em um olhar antes, é verdade quando disseram que você era como um anjo, diferente de todos que já passaram por aqui.
— Eu só quero que você diga aos Sans, que eu quero que ele seja feliz com o Papyrus, que eu quero que todos vocês sejam felizes, e que não comecem uma guerra contra a humanidade, deem a eles a oportunidade de conhecer as criaturas maravilhosas que vocês são. Só me promete isso?
Ele estava chorando.
— Sim, eu prometo criança.
— Então estou pronta!
Abri os meus braços e esperei o ataque.
— Me perdoe...
Senti algo me perfurar, senti meu corpo morrer... vi minha alma flutuando diante de mim, ela foi flutuando até as mãos trêmulas de Asgore. Ele a colocou em um recipiente e a levou.
Eu não tinha deixado de existir, eu ainda estava lá... Eu o vi levar a minha alma para junto das outras 6, e as usou, junto com a sua própria para quebrar a barreira, eu a senti sendo quebrada. Segui Asgore de volta ao salão do trono, onde ele pegou o meu corpo cuidadosamente, e o carregou, quando vi Sans entrando na sala, o vi correr e pegar o meu corpo, senti o meu rosto se molhar, eu estava chorando, estava doendo ver ele sentindo tanta dor. Ele chorava e gritava, gritava o meu nome, gritava que eu não podia tê-lo deixado. Eu cheguei a me arrepender da minha decisão. O vi devolver o meu corpo para Asgore e teleportar.
Eu o procurei, até que o achei, no quarto que eu usei por quase 1 ano, onde dividimos muitas memórias, onde nos aproximamos, como grandes amigos, onde eu me dei conta de que eu estava me apaixonando por ele. Ele estava com meu casaco, o primeiro, o que eu usei quando saí das ruínas. Ele ficou assim por dias, e logo as notícias de minha morte chegaram aos ouvidos de todos os meus amigos, eu vi toda a alegria da liberdade ser substituída por pesar, eu não queria isso, queria que eles reconhecessem meu sacrifício e fossem felizes com a tão sonhada liberdade, que fossem felizes por mim. Eu também vi Undyne, Alphys, Papyrus, andando tristonhos. Papyrus sempre tentava fazer seu irmão reagir, não sei se ele entendia o quanto estávamos próximos. Eu vi Toriel levar Sans para as Ruínas, eu vi onde tudo começou.
“Foi aqui onde tudo começou, eu pensei que tinha me jogado para a morte, mas nunca me senti tão viva”.
Eu o vi deitar na cama de flores, olhando para o buraco onde caí, o vi chorar, vi o sol confortá-lo, vi a chuva molhar, vi o dia se tornar noite, e as estrelas virem se despedir... Eu chorei por não poder tocá-lo. Ele tirou um celular do bolso e discou um número, eu o reconheci, era meu número.
— Er... Oi?
“Oi Sans...”
— Tem alguém aí?
“Eu estou aqui do seu lado”
— Bem, vou deixar uma mensagem...
“Estou te escutando, apesar de você não me escutar nem me sentir.”
— A Rainha voltou, acredite, era Toriel, ela está orientando a todos, junto do Rei, para nos mudarmos para a superfície, todos estão em clima de alegria, mas todos sentem a sua falta. Nós não desistimos aqui, eu espero que você não desista onde você estiver...
“Eu não desistirei, não me arrependerei de meu sacrifício, desde que um dia eu te veja feliz.”
— Eu sei que pode demorar, mas eu espero que nos encontremos novamente, eu estou torcendo por você pirralha...
“Eu queria poder garantir que nos veríamos de novo, mas não quero que você se prenda a mim, eu partirei em breve.”
— Só queria que você soubesse que eu levei um tempo pra aprender a expressar o que eu sentia, e agora que eu quero dizer com todas as minhas forças que te amo, você não está aqui para escutar. Mesmo assim... Eu te amo minha pirralha...
“Eu também te amo meu cabeça de ossos.”
Escutei um bip, sinal de que o aparelho estava ficando sem baterias.
— Bem, detesto acabar com nosso papo assim, mas terei que desligar, afinal as baterias estão acabando... As estrelas são lindas, elas me fazem lembrar de você. Adeus minha pirralha.
“Adeus meu esqueleto.”
Eu deitei por uns momentos ao seu lado, me preparando para partir, foi quando a escutei pela primeira vez.
“Você não precisa desistir de tudo, você pode fazer tudo de novo... Você pode conseguir o seu final feliz”
“Como? Quem é Você?”
Uma garota, muito parecida com a da foto do pingente de coração que eu usava, estava sentada, olhando para as estrelas, como nós, Sans não pareceu notá-la, então ela era como eu, um resquício de determinação sem alma.
“Eu sou Chara, também perdi a minha alma, e minha determinação ficou adormecida, despertei pela sua determinação, mas eu gostaria de dizer que você pode fazer tudo de novo, se resetar, poderá fazer tudo mais rápido, ou levar mais tempo, e poderá ter o seu final feliz, sem precisar se sacrificar.”
“Eu poderei libertar todos e ainda ficar com Sans?”
“Sim! O amor de vocês é tão lindo!” Ela sorriu. “Não acho justo vocês não poderem ficar juntos. ”
“Como eu posso fazer isso?” Eu sei que estava sendo egoísta, mas se posso fazer um final melhor ainda para isso, eu preciso tentar.
“Ora, use a sua determinação, sua determinação, junto da sua alma, te permitia salvar, para que caso você morresse, sua determinação te mandava de volta para aquele mesmo ponto. Como a sua Alma está espalhada pelo subterrâneo, junto com as outras almas, você pode resetar, só faça sua determinação achar o ponto em que você caiu aqui.”
Assim eu fiz, concentrei todo o meu poder, toda a minha determinação, todas as lembranças, todos os saves, pareciam passar como uma fita rebobinando, diante de meus olhos, até que eu achei o ponto e me concentrei nele, e vi tudo ficar borrado e sumir. A última coisa que ouvi foi:
“Adeus Frisk” Chara deu uma risadinha travessa.
Tudo ficou preto.
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