Undertale - True Reset
35 Festa de Despedida
Notas iniciais
[Sans]
Fazia uma semana desde que tivemos aquela conversa, e Frisk tomou sua decisão de que iria seguir com sua jornada, eu torcia para que tudo corresse bem, mas não podia deixar de me preocupar que ela não conseguisse sobreviver. Papyrus se empolgou e falou com o Grillby para fazermos uma festa de despedida, acabamos resolvendo que amanhã iremos Papyrus e eu acompanhá-la até o final de Waterfall, evitar que ela passe por todos aqueles problemas novamente.
Eu estava feliz, e poderia me conformar em viver com aquela proximidade, ela me tratava como seu melhor amigo, e eu não poderia pedir mais, as vezes eu provocava, mas ela sempre mudava de assunto, logo depois de corar, eu adorava ver seu rosto corado.
A festa estava correndo bem, eu ouvia sua voz musical, falando e cumprimentando a todos, sempre muito amigável e simpática, apesar de ser a homenageada ela fazia questão de ajudar a servir as mesas.
Ela estava vestindo uma saia solta, cor de rosa, com uma blusa que mostrava um ombro lilás, as clores claras contrastavam com a sua pele morena clara, e fazia seus olhos verdes brilharem ainda mais, a roupa apesar de não ser justa ressaltava as leves curvas que ela possuía, eu queria ter a coragem de dizer que ela estava linda.
Fiquei no balcão, observando, ela sempre que passava por mim sorria, eu fiquei apenas observando, o Grillby’s estava lotado, mas também não era para menos, todos os monstros com os quais ela fez amizade ao longo desses anos estavam presentes, muitos estavam sem notícias desde seu acidente, todos queriam a sua atenção, e ela fazia o máximo por todos.
Também pude perceber vários jovens curtindo a festa fazendo coisas típicas de adolescentes, como paquerar e cantar as jovens garotas. Isso me faz ter um pouco de curiosidade sobre como humanos se relacionam afetivamente. Ouvi dizer que eles são uma raça muito apegada com as aparências. Eu como um monstro sempre achei que isso é por causa deles serem todos iguais, e por conta disso sempre achei isso algo desnecessário... Será que ela tem receio de se relacionar com alguém que parece um esqueleto? Humanos podem se atrair por um esqueleto afinal?
Mas o que diabos estou pensando? Tendo esses pensamentos tipicamente adolescentes. Além disso, apesar de não ser mais um adolescente, eu nunca senti a tal ligação com nenhum outro monstro... Mas isso não significava que eu nunca tinha tido nenhum contato com garotas... Estranhamente, isso me fez lembrar que tinha uma com a qual eu me envolvia mais frequentemente. Ela era uma garota no qual sempre foi mais despreocupada com esse negócio de ligação de almas, sempre questionando a maneira no qual os monstros se relacionavam e sempre se mantinha próximo a mim, pois segundo ela, eu também tinha tal atitude.
Seu nome era Rachel se não me engano. Bem, foi um período no qual nos divertimos muito, pelo menos até eu conhecer a Frisk. Não me lembro se fiquei tempo demais sem falar com ela, mas não me sentia na necessidade de procurá-la depois que conheci Frisk, talvez seja reflexo das outras timelines... Ou apenas porque foi apenas um relacionamento mais casual, não sei ao certo.
Fico pensando se seria uma boa ideia revê-la novamente. Do jeito que a Frisk anda ultimamente, acredito que seja melhor evitar isso, pois não quero que outros mal-entendidos ocorram novamente... Mas o quê?
Creio que pensei isso cedo demais. Pude notar que próximo dali, Rachel estava na festa, conversando com uns amigos. Por que justamentente ela? Nnngg, logo que eu sou um cara que não está afim de problemas, principalmente depois de todas essas crises. Huh? Porcaria, ela me viu e está me mandando sorrisinhos! Ela está vindo pra cá! Nãonãonãonão... Calma Sans. Relaxe, e aja naturalmente. Se formos rápidos, nenhum problema vai acontecer. Sorria e acene Sans, sorria e acene.
— Oi Sans, só assim para eu conseguir te ver. — ela me cumprimentou.
— Heh! — O que diabos eu diria? — Er... então, quanto tempo... né?
— Sim, já faz um bom tempo... Fiquei sabendo do acidente que a humana sofreu. Todos estavam visivelmente preocupados com ela. Você não havia me procurado desde então. Creio que você estava cuidando dela junto com seu irmão, não é mesmo. — Ela disse num tom no mínimo estranho.
— Sim, isso me manteve bem ocupado, bem como outras coisas. E sobre te procurar, eu não sabia que tínhamos uma rotina engessada como osso.
— Heh, sempre se esforçando em suas piadinhas, né? — O tom em sua voz me parecia cada vez mais estranho — Mas parando pra ver, já fazem 2 anos que você não me vê. Você costumava me ver umas 3 vezes por mês.
— Não foi por nada de mais, apenas que o meu irmão ficou meio eufórico com a ideia de capturar uma humana, depois ficamos todos amigos dela, e logo em seguida teve aquele horrível acidente. Por conta de tudo isso, estive muito ocupado, isso me cansou até os ossos.
Eu tentava me esquivar, o tom dela estava estranho, e como eu a conhecia bem, eu sabia que ela estava incomodada com o fato de que por causa da humana, eu tinha deixado de procurá-la.
— Entendo. Acredito que realmente você andou ocupado cuidando dela depois do acidente. Até cheguei a pensar que você estava apaixonada pela humana.
— Apaixonado? Você sabe que eu não sirvo pra essas coisas, primeiro ela se aproximou muito do meu irmão, eu quis observá-la bem, depois acabei ficando amigo dela, mas nunca passou de uma amizade, afinal, ela é uma humana e eu sou um monstro.
E era verdade, ela era uma humana, a alma mais acolhedora que eu conheci, mas ainda uma humana, e eu um monstro, somente um monstro, sem qualquer esperança de que ela se interessasse por mim. Tudo bem que nos envolvemos em outras timelines, mas ela havia mudado, hoje eu conseguia ver isso, ela estava mais forte, mais determinada a seguir. Ela se culpa pelo o que aconteceu, por a realidade quase foi destruída. Vejo que ela se arrependeu, de ter causado tudo aquilo, e quer arrumar seus erros.
— Bom, se é você quem diz... Sans?
Mal pude prestar atenção no que Rachel dizia, pois naquele momento pude perceber uma familiar cabeleira castanha passando por perto. Quando olhei com mais atenção, percebi que era justamente a Frisk. Aparentemente ela não havia ouvido nada aquela conversa, já que a mesma foi servir os convidados como de costume. Porém não pude deixar de notar que Frisk passou a evitar passar por perto de mim desde então.
Certamente havia alguma coisa de errado.
Rachel continuou a conversar comigo, mas eu passei a não dar muita atenção. Minhas respostas passaram a ser monossilábicas. Na verdade, eu nem sabia mais o que eu estava respondendo, pois meus olhos e atenção estavam mais focados em procurar Frisk, que desde aquele momento se ausentou da festa. Mais de uma hora havia se passado e nada dela aparecer, o que era mais do que o suficiente para me deixar extremamente preocupado. Eu não podia ficar ali parado. Precisava ir procurar a humana.
Eu perguntei ao Grillby, ao meu irmão, e nada de ninguém saber onde diabos ela tinha se enfiado, quando eu tive certeza absoluta de que ela não estava no Grillby's eu saí para procurá-la, procurei por toda Snowdin, ela parecia ter sumido no ar. Um pânico começou a tomar conta de mim, será que ela iria resetar novamente? Eu não podia deixar isso acontecer... Frisk, pelos deuses, onde diabos você estava?
Depois de muito procurar, parei em frente a minha casa, será que ela estaria lá? Entrei, o desespero já estava me preenchendo, eu não sabia o que pensar, o que ela estaria fazendo, onde ela estaria, vasculhei a casa inteira, até o meu quarto, onde ela não teria acesso, eu vasculhei, mas ela não estava lá, será que ela tinha seguido sua jornada? Saí de casa pronto para procurar ela por Waterfall, meu medo crescendo, da ultima vez que ela saiu assim, ela quase morreu. Eu temia tanta coisa, que ela resetasse, que ela tivesse em perigo em algum lugar, que eu perdesse ela da minha vista.
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