Notas iniciais
Olááááás Meus Amores!!! Voltei mais rápido do que esperavam né? Então... aqui está o primeiro capítulo de 2 ficado na Chara... Mostrando o que acontece quando Frisk consegue quebrar a ligação das duas, fazendo que Chara volte ao lugar de onde nunca deveria ter saído... Aviso: O capítulo é pesado, não em termos sexuais, mas em termos de ser pesado psicologicamente. Espero que gostem... Ah, provavelmente o próximo será postado no meio de março!

[Chara]

Sempre que Frisk quebra nossa ligação, eu venho parar nesse lugar, passei muitos anos aqui, na verdade não sei dizer se foi aqui que algo em mim se quebrou de vez, ou se eu já era quebrada desde sempre, acho que nasci assim, um demônio entre humanos.

O Vácuo, lugar onde dizem que as almas são criadas, e para onde voltam para serem destruídas e sua energia usada para criar novas almas em um ciclo sem fim. Eu quando morri, eu vim para esse lugar, mas minha alma não foi destruída, minha determinação em permanecer viva me manteve consistente, mas eu era incapaz de voltar ao meu mundo. O problema daqui é que quando as almas são destruídas aqui, as lembranças da pessoa ficam vagando até que se dissipem, porém, existia algo diferente: as minhas lembranças, elas não se dissipavam, pois eu mantive a minha alma intacta, logo, minhas lembranças vagavam por aqui como cenas vivas, que sempre vinham ao meu encontro quando eu estou por aqui.

Eu podia jurar que vi um vulto passando atrás de mim continuei andando pois eu nunca fui do tipo medrosa, mas antes que eu pudesse prestar atenção em vultos e fantasmas, uma lembrança veio e me atingiu em cheio. Eu me vi em uma cena que pensei que havia se perdido há muito, me vi quando eu tinha apenas 6 anos.

Eu vivia em um vilarejo com meu pai, minha mçae e minha irmã mais velha, muitos moradores tinham medo da minha mçae, pois diziam que quando ela ficava com raiva de algo, seus olhos ficavam vermelhos, eu nunca tinha visto isso acontecer, mas o povo do vilarejo pelo menos a respeitava, éramos uma família feliz. Ao contrário da minha irmã que era muito voltada aos trabalhos domésticos, eu era mais do tipo aventureira, minha mãe me ensinava como identificar frutas e ervas comestíveis, pois sabia que as vezes eu passava o dia todo na floresta, e nem sempre voltava a tempo das refeições, aprendi um pouco de tudo, eu era uma sobrevivente, eu era feliz.

A lembrança se desfez, e eu quase dei um salto quando vi a figura que estava diante de mim, mesmo que momentos depois eu tivesse captado novamente o vulto pela minha visão periférica, mas a figura diante de mim era muito mais curiosa, pois se tratada de mim mesma. Bem, não necessariamente eu mesma, mas sim a eu de 6 anos de idade.

— O que você fez comigo? — Ela me perguntou com um sorriso triste no rosto.

— O que eu fiz?

— Como você me transformou nisso que você é hoje?

— Não fui eu que me transformei nisso, foram os humanos, o dedo podre da humanidade que estraga tudo o que toca.

— Não me recordo dos humanos serem tão ruins, nossa família não era ruim.

— Realmente não era, mas você não lembra os olhares tortos para nossa mãe?

— Mas nunca fizeram nada de mau para ela.

— Mas não a protegeram, não protegeram ninguém da nossa família quando invadiram a nossa casa. TAPARAM OS OUVIDOS PARA OS GRITOS!

Ela se calou, então eu continuei:

— Eu só sobrevivi, pois estava voltando da floresta, quando ouvi os gritos, e meu instinto me fez fugir, só voltei durante a noite, quando todos colocaram suas máscaras de bonzinhos, vindo me consolar, não querendo me deixar ver o que aqueles humanos imundos fizeram com a minha família.

— O que aconteceu? — Dei um salto ao reconhecer a voz, ao olhar para o lado, vi Asriel, exatamente como ele era quando eu caí no subterrâneo.

— Asriel? É você mesmo? Mas você... Mas você não tinha?

— Inteiramente não, essa é a parte de mim que ficou junto com a sua alma.

— Entendo.

Uma onda de tristeza me invadiu.

— Chara... O que aconteceu com os seus pais?

Eu invoquei a lembrança, logo me vi naquela cena novamente, mas dessa vez eu não estava sozinha, Asriel e o meu eu de 6 anos viam a cena comigo.

A cena se montou, eu estava escondida na saída da floresta quando vi humanos armados com facões e acompanhados de cachorros entrando na minha casa, os moradores escutaram, os gritos, assim como eu, chamaram o líder, que foi até perto da minha casa e foi embora, ele nem ninguém fez nada, ninguém protegeu os meus pais e minha irmã, ninguém me protegeu, na verdade, eles esperavam que eu estivesse na casa, que eu morresse também, eu escutei pequenos murmúrios.

— Eles vieram atrás daquela demônia, tomara que peguem s filhas, pis filhas de demônias podem ser perigosas.

A raiva e o ódio me preenchiam, mas eu nada podia fazer, era muito pequena, então permaneci escondida, chorando, com os gritos da minha família, a família que nunca fez mal para ninguém. Foi a primeira vez que senti, o ódio me queimar, senti meus olhos se aquecerem, e hoje eu sei que eles se tornaram vermelhos naquele dia. Eu despertei os traços herdados da minha mãe naquele dia.

Depois de muito esperar, os humanos saíram da minha casa, e um silêncio mortal se instaurou, ninguém se atrevia a chegar perto da casa, eu sabia que a morte pousava acima da minha casa, eu podia sentir, era isso que eu tinha herdado da minha mãe, o poder de sentir a morte.

Eu entrei na casa, e o que vi, sei que nunca vou esquecer, foi o dia mais horrível da minha vida. Eu vi o meu pai vendado e caído, minha irmã amarrada e minha mãe muito machucada, brutalizada, tinha sangue por toda casa, eu sentei e comecei a chorar, eu tinha perdido todo mundo, eu estava sozinha. Quando ia em direção ao meu quarto, senti algo pegar na minha mão, quando me virei, era minha mãe.

— Minha filha... que bom que está viva... Eu quero que pegue as suas coisas e fuja, tem uma mulher que vive perto do rio na floresta, ela vai te ajudar, ela pode te levar até o vilarejo onde a irmã do seu pai mora, ela vai cuidar de você.

— Mãe, o que aconteceu?

— O ódio e o medo filha, eu sou descendente de uma linhagem de magos, apesar de basicamente não possuir mais magia, somos um pouco diferentes, e os humanos tem medo do que não conhecem, foi assim a centenas de anos, quando os magos, meus antepassados inclusive, selaram os monstros, por puro medo do desconhecido.

— Mãe, eu vou te levar para essa mulher, ela vai nos ajudar a se recuperar.

— Eu já estou morrendo, não consegue sentir? — Sim eu sentia, mas eu estava tentnado ignorar essa sensação. — Eu usei a minha determinação, para poder me manter viva, para te ver uma última vez. Esconda esses olhos vermelhos, vão te chamar de muitas coisas ruins se te virem assim.

Deixei o ódio se dissipar, logo senti o calor em meus olhos sumir.

E foi assim que minha mãe morreu, segurando a minha mão, logo em seguida o líder do vilarejo estava me agarrando querendo me tirar dali, com a desculpa que a cena era muito horrível para uma criança ver, todos na vila colocaram suas máscaras, de preocupados, de bonzinhos, mal eles sabem que eu vi tudo, vi que eles não moveram um dedo para ajudar os meus pais, que fizeram comentários ruins. Eu vi como a humanidade é podre.

O líder me levou para sua casa, onde sua família me “acolheu”, mas logo o vi conversando com outros homens da vila, dizendo para chamar os caçadores, que eles encontraram a filha mais nova. Sentindo minha vida em perigo, eu tratei de fugir, corri para a floresta, ao chegar no rio, encontrei a tal mulher, depois que eu expliquei tudo o que aconteceu, ela disse que me ajudaria a chegar em segurança no vilarejo dos meus tios.

A lembrança se desfez, e eu vi Asriel chorando, com tudo que ele presenciou.

— Chara... Eu nunca imaginei isso... Que você tinha passado por tudo isso... Você sempre me entendeu, você sempre foi a pessoa que me entendeu, mas eu nunca soube dos seus motivos.

— Asriel, apesar de tudo isso ter sido muito horrível, não foi o que me deu motivos para ir para o Monte Ebott.

— Então o que foi?

— Foi quando eu me afundei em meu ódio.

Notas finais
E Então? O que acharam? Não me matem... Confesso que depois de escrever esses capítulos... Estou até simpatizando um pouco com a Chara... Me digam o que acharam, quais suas teorias, o que acham que fez ela fundar de vez no ódio... O que a fez odiar tanto a humanidade... P.S.: Lembrando que o próximo capítulo vai ter um easter egg... então procurem muito bem ^^ Tia Ly ama vocês ♥