Notas iniciais
[AVISO DE SPOILER] Quem ainda não passou pela Toriel e quer fazer do seu próprio jeito, só volte aqui quando o tiver feito, se não é o caso, de boa então e boa leitura. Leiam ouvindo o tema de batalha da Toriel, o mesmo que dá nome ao capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=Ypvg1WC-m-Y Trouxeram seus lencinhos? Não? Não tem problema, umas das aranhas vieram vender alguns pro cês ~ ::Queima de estoque das aranhas:: Compre aqui o seu lenço feito da mais alta qualidade em teias de aranha! Macio e maleável como seda, absorvente como puro algodão. Não perca essa oportunidade! Aproveite que é por tempo limitado até acabarem os estoques! Lenço de teia de aranha: 9999G.

Frisk paralisa, nem sequer pisca diante de tal atitude. Toriel também não diz mais nada, só o encara seriamente enquanto começa a movimentar suas mãos.

— O qu... ?!

Sem tempo de ter reagido, Frisk é atingido por um ataque de Toriel. Ela abriu seus braços e uma linha de pequenas bolas de fogo sai de cada uma das mãos, indo todas em direção ao garoto, nem adiantava muito tentar evadir, elas são teleguiadas. Mas não queimam, não o físico ao menos, atingem diretamente a criança por dentro que já estava com sua alma em destaque sobre o peito. Frisk o aperta na intenção de proteger-se, ver sua alma tão “exposta” o dava calafrios, ainda não tinha se acostumado com o efeito.

Frisk abre a boca para tentar dizer algo, mas não sai nada. Nada vinha em sua mente naquele momento que pudesse fazê-la parar os ataques. Ironicamente, conversar não parece ser a melhor solução para essa situação.

Toriel volta a atacar, novamente mais pequenas bolas de fogo saem dentre seus braços, dançam em ziguezague na direção de Frisk. Para onde ia as chamas o atingia. Toriel podia prever seus movimentos.

Percebendo que ela não cessará até que ele caia, Frisk resolve ficar parado e enfrentar os ataques, não tinha escolha senão a encarar de frente. Ela não está levando isso a sério, não é mesmo? Vai parar assim que perceber que ele não tinha se intimidado ou assim que desacordasse se encontraria de castigo e sem sobremesa por uma semana.

O olhar determinado da criança não abala Toriel, ela continua séria e ergue suas mãos novamente. Ela o repreende com o olhar como se mandasse subir, mas Frisk ignora e continua parado a sua frente. Ele não vai para o seu quarto.

— Eu sei o que é melhor para você. Então por favor... — Toriel prepara o ataque mágico.

Mais chamas correm em direção de Frisk, esse se agacha, esquiva para os lados e por reflexo até usa seus braços como escudos. Evita alguns dos ataques, mas não manteria o ritmo por muito mais tempo. Toriel observa a tudo muito séria. Agindo avoada, desliza suas mãos no ar fazendo mais um par de linhas de chamas aparecerem e perseguirem Frisk até o acertarem. A criança cai de joelhos, fraca em receber todos esses ataques contínuos. Toriel por um momento parece hesitante ao vê-lo assim, mas não recua.

Frisk abre a boca, mas suas palavras não são entendidas. Um pouco ofegante coloca-se de pé novamente e ainda encarando Toriel com um olhar determinado. Ela tenta evita-lo, olha para algum lado para não encarar a criança enquanto seu ataque é mantido. Várias sequencias de no mínimo dúzias de bolas de fogos rodeavam Frisk a cada turno. No final disso devolvendo-o de joelhos para o chão.

Diferente de antes, agora ele não ousava mais se levantar. O garoto começa a temer por sua vida, depois de tantos ataques recebidos não esperava que eles fossem realmente sérios. Quando ela vai parar? Ela não vai parar. Ele já não consegue pensar direito, perdeu seu foco e não tem mais tanto do olhar determinado, está assustado e suando frio.

— Volte para o seu quarto... — Ela fala com certo vacilo na voz.

Frisk balança a cabeça em negativa sem ter pensado, agiu por impulso, e depois do movimento lhe vem uma ponta de arrependimento, mas teima em permanecer com sua resposta.

— Não me obrigue a isso... — novamente a voz falha. Toriel tenta não transparecer sua inquietação, mas agora já era notável para Frisk.

Toriel prepara seu ataque mágico. Passa suas mãos pelo ar, cobrindo o ambiente ainda com os seus poderes de fogo. Frisk fecha seus olhos com força já esperando pelo pior. Sente as chamas passando depressa ao seu redor e... não sente mais nada depois disso, nada o queimando por dentro. Já tinha acabado? Tão fraco que já não sentia mais dores? Um tempo assim e abre seus olhos com cuidado para espiar ao redor. As chamas o cercava, mas não mais ameaçadoramente. Todas passam por ele até se extinguirem. Toriel está propositalmente errando os ataques. Frisk a encara com espanto.

Percebida, ela respira fundo e prepara-se para outro ataque. Lança-os com violência na direção de Frisk que novamente fecha os olhos assustado. Mas nada novamente, passam direto no último instante. Nenhuma fagulha sequer o tocou.

— Tori... — A criança fala baixo demais para que ela pudesse ouvir.

Ele se levanta com dificuldade e anda devagar na direção de Toriel, tento as chamas das quais se aproxima, evitando-o. Ele até mesmo arrisca tocar nelas, um pouco hesitante, estica sua mão para a frente. A pequena chama desvia. E desvia de novo. Para onde coloca-se sua mão, o ataque mágico o evitava. Cambaleante se aproxima de Toriel aos poucos. Ela não entende e evita encara-lo, sem cessar seus poderes que já não adiantavam mais como ameaça.

— O que você está fazendo? — Toriel fala séria.

Ela continua com os ataques enquanto Frisk anda em sua direção, seguro.

— Ataque ou fuja!

Os dois não cessam seus movimentos.

— O que pensa que está fazendo em diminuir nossa distância? Lute comigo ou saia!

Frisk não a teme e até mesmo tem um certo brilho nos olhos com a aproximação.

— Pare de me olhar desse jeito! Vá embora!...

Já não tem mais espaço para mais ataques ou passos. Quando Toriel se deu conta a criança já estava bem na sua frente, e estranhamente sorria apesar de todos os seus ataques e ameaças. Toriel suspira admitindo sua derrota.

— Eu sei que você quer voltar muito para sua casa, mas... mas por favor... volte lá pra cima. — Frisk não recua. — Prometo que vou cuidar bem de você aqui. — Ela dá um sorriso triste. — Sei que não temos muito, mas... podemos ter uma boa vida aqui. — A criança continua parada e sem dizer nada. — Por que você está fazendo isso ser tão difícil? Por favor, vá lá pra cima...

O sorriso de Toriel se inverte. Nem seus olhos marejados conseguia esconder mais. Ela os aperta para que suas lágrimas não escapassem.

— O-o quê... ?!

Toriel sente um forte arrepio assim que tocada pela criança. Olha para baixo e encontra Frisk apertando-a num forte abraço, escondendo seu rosto choroso nela.

— Patético, não é? Eu não consigo salvar nenhuma única criança. — Toriel toma distância dele para terminar de falar. Frisk se pronuncia em falar algo mas é cortado — Não, eu entendo... você seria infeliz preso aqui... as ruínas são muito pequenas quando você se acostuma com elas. Não seria certo para você crescer em um lugar assim. Minhas expectativas. Minha solidão. Meu medo. Por você minha criança, eu as colocarei de lado.

Ela dá as costas para Frisk e encara o portão por um momento. Não mais hesitante, ela o abre e volta para terminar de falar com Frisk.

— Se você quer realmente sair das ruínas... eu não vou te impedir. No entanto... quando você sair, por favor não volte. Espero que você entenda.

Ela se agacha e abraça Frisk sendo o mais terna que podia naquele momento. Seu abraço é devolvido tendo um impacto maior nela que na criança. Antes que se arrependa, ela se solta do garoto e se afasta em direção a entrada para as ruínas. Toriel dá uma última olhada para trás. Sorri pelo pouco tempo que teve com aquela criança, mas na sequência é abatida pela tristeza não só da despedida, mas por saber o destino que aguarda Frisk no resto do subterrâneo.

Sua última esperança fora depositada numa ideia atrevida. Agora só lhe resta aguardar para que não tenha sido à toa.

...

Frisk fica um tempo perplexo encarando a saída. Era muita coisa para absorver de uma só vez. Assim que volta a si, varre o local com os olhos a procura de Toriel. Ninguém e nem nada vivo ali perto. O portão está aberto, qual é a dificuldade em prosseguir então? Ele não encontra a resposta, mas talvez seja tarde para se arrepender agora, então é melhor seguir adiante. Provaria a Toriel que é forte o suficiente para sobreviver fora das ruínas e de seu zelo. Pega por ali mesmo uma mochila simples de uma alça só e passa pelo portão que se fecha logo em seguida. Agora não tem mais volta.

...

Frisk ter tomado sua decisão e adentrado o subterrâneo te encheu de determinação.

Notas finais
Quem aqui pensou que Frisk fosse golpeá-la levante as mãos! o/ Até eu pensei quando li... e.e' A partir do próximo capítulo estarei aceitando alguns pedidos de falas/cenas que imaginaram ou desejaram no jogo, mas que não é possível por serem limitados... Será apenas para quem já conhece o jogo e sabe o tem por vir. Peçam a fala/cena para o capítulo seguinte. Comente no capítulo 6 pedindo algo para aparecer no 7, sacaram? Mas não prometo usar todos ou algum, infelizmente. Usarei os que se encaixarem na história canon, a que seria possível no jogo sem problema algum. Bom, isso é só uma ideia. E como escrevo e termino cada capítulo em no máximo 2 dias, sejam rápidos. Até o próximo! /o/