Undertaker [Hiato]
22 Hierarquia Colegial
Notas iniciais
Curtindo a vida povo? Cara, já tô vendo o fim das férias no horizonte, um mês e uma semana é muito pouco... e pensar que o povo da USP fica 3 meses em casa, muita palhaçada! (se alguém aí é da USP, nem tente se defender viu?)
Primeiramente, gostaria de agradecer duas coisinhas:
-Under passou os 150 reviews pouco depois de passar 100!
-A minha "sobrinha" problemática e adorável: a Sweet Nightmares, que após dias de determinação e muitas trocas de reviews bestas entre nossas fics, não só alcançou a atualizações como me deixou feliz e com um humor ótimo - Titia Psycho te ama viu?
(Pequeno Acréscimo: ela tem ciúmes de dois seres: eu e o Vlad - não me responsabilizo por nada tá? XD)
E também super boas vindas as leitoras HDC, ROCK e JV Beaudovox! Tô super contente de ver que a galera se predispõe a ler isso aqui... lol
Recebi três MPs pedindo uma continuação, criei vergonha na cara e cá estou eu! A verdade é que estava curtindo minhas férias, então não me julguem.... hohohoho.
E caramba... nunca me senti tão obesa (u.u) - mas também nunca comi tanta merda antes.... e o Coldplay cancelou os shows aqui! Comofaz?! Queria mesmo ir.... argh, só porque não fui no Rock'n Rio!
Sem mais delongas, o cap ficou grandinho, então boa leitura!!
Tinha acordado mais de uma hora adiantada; mas ainda assim Raven se encontrava no meio de seu quarto, amarrada numa toalha, de café tomado e encarando sua cama – lá, a bolsa que Keane lhe emprestara estava com os cadernos do garoto dentro e a camiseta de manga longa, limpa e passada, que ele lhe coagira a usar no sábado só para andar alguns metros até sua própria casa. Aquela visão estava lhe dando nos nervos.
Não sabia se levava as coisas para a escola ou as deixava ali. Agora que sabia que Keane morava perto dela, um leque de possibilidades se abria – podia descobrir que horas ele voltava e se trazia alguém consigo – mas a verdade era que esse novo contato a assustava.
Keane Morgenstern era por definição o cara religiosamente gato que não socializava com ninguém, por mais que as pessoas insistissem em tentar se aproximar dele. Antes de sexta ela sequer havia ouvido sua voz, ou vislumbrado seu sorriso; chegar na escola entregando uma bolsa e uma camiseta não era bem o que ela queria. Ali na vista de todos, onde rapidamente viraria assunto de fofoca e alvo de praticamente todas as meninas (e alguns caras) de sua escola.
Por outro lado, seus pais passariam o dia todo no trabalho naquele e nos próximos dias, para compensar a semana mal aproveitada que tiveram velando a filha imbecil que se deixou ser atingida por um carro. E ainda levou o amigo junto.
Com a casa vazia, leva-lo lá para devolver suas coisas parecia um erro tremendo, já que ela tinha plena consciência de dois fatos elementares: ele era perigoso e ela não se controlava perto dele. Tampouco estava com estômago para trazer Becky e Suzy em sua casa para não ficar sozinha com ele, não quando sabia que elas sorriam escondendo coisas dela descaradamente.
Suspirou e resolveu deixar as coisas do garoto lá; poderia casualmente passar na sua pequena mansão de noite, quando por sorte seus pais estariam presentes e ele não faria nada estranho. Além do mais estava morta de curiosidade pra saber como o Sr. e a Sra. Morgenstern eram – normais ou não, de algum lugar ele puxou aquela beleza.
Colocou um jeans escuro e uma camiseta branca de mangas longas e bem folgada; depois de calçar suas botas de couro e enrolar uma echarpe preta no pescoço, ela pegou a costumeira bolsa verde, colocou óculos escuros e foi para a aula caminhando.
Em sua antiga casa, costumava ter esses momentos de disposição – Raven nunca teve tendência a acordar tarde como os outros, por isso até dispensava café pela manhã – mas era a primeira vez que andava de sua casa nova até o colégio. Cerca de vinte minutos depois, ela estava de frente ao estacionamento do lugar.
Depois da experiência ímpar de ser cortejada por homens adultos que tomavam café nos bares e passar em frente ao cemitério quando um velório se iniciava, enfrentar uma horda de adolescentes curiosos parecia a menor de suas preocupações. Com os fones do iPod devidamente colocados, ela deu play e entrou – nem tímida, nem excessivamente confiante – e logo de cara recebeu olhares de todos pelos quais passava.
Seu colégio era um conjunto de prédios de três andares de tijolo a vista, o que os faziam parecer sinistramente inacabados, como galpões de fábricas com janelas; do lado de dentro a coisa não melhorava muito, pois o piso cinzento e as paredes amarelo claro davam um ar de desânimo ao local e contaminava a todos os estudantes – os armários eram cor de mostarda e as portas pintadas de azul, o que fazia Raven estremecer só de imaginar como seria se eles tivessem um uniforme.
O colégio era público, mas frequentado – como Vlad e Jared adoravam lembrar – por jovens de classe média alta. Em parte pela localização e em parte pela estrutura e corpo docente acima da média.
Pena que a garota não fosse uma aluna acima da média para usufruir de fato de tudo aquilo.
Alguns olhavam e viravam a cara, alguns cochichavam e apontavam tentando em vão ser discretos e outros ainda a encaravam descaradamente com um sorrisinho amigável no rosto, como se esperassem que ela os cumprimentasse de volta. Passou reto por todos eles.
-Hey, Castle! – disse uma voz atrás de si; era Michael.
Michael Summers era o típico garoto popular sem ser metido, luminoso como um raio de Sol e alto astral até não dar mais – com sua pele bronzeada, seus músculos definidos, o ar corado e o cabelo loiro brilhante, ele era saudável como um labrador e acabava fazendo as meninas sorrirem como tontas da mesma forma também.
-Summers. – respondeu ela seca, pois não estava com vontade de falar com o “eu sou um cara amigável e alegre!” logo pela manhã.
-Pode deixar que eu faço isso. – antes que ela pudesse protestar, o garoto pegou sua bolsa e saiu carregando, ambos tinham o primeiro tempo juntos, de modo que ela não podia simplesmente se safar dele – Ainda bem que você está melhor, todo mundo ficou bem impressionado quando soube que você foi atropelada.
-Hum.
-Fez as tarefas perdidas?
-Fiz sim.
-Qualquer dúvida, pode vir me perguntar certo?
-Obrigada. – ele não era muito inteligente, mas por outro lado era inegavelmente prestativo.
-E se começar a sentir dores, pode me chamar que te ajudo ok?
-Não será preciso. – ela estava dolorosamente consciente de como os machucados em sua face não tinham sarado completamente, a maioria naquele estágio deprimente em que a casquinha se solta e deixa uma pele clara e frágil no lugar.
-Bom, mas se precisar...
-Obrigada mesmo Summers. – ele sorriu e não pela primeira vez a menina o comparou mentalmente com um filhotinho animado.
Eles entraram na sala sob os olhares curiosos do resto da turma e se sentaram; ela no lugar de sempre e ele, para seu desespero, atrás e aparentemente ansioso para ser útil.
Seria um longo dia.
...
A aula de História só não foi mais nauseante porque seria uma tortura altamente eficaz que deixaria os alunos com sequelas em poucos minutos. Depois de um momento constrangedor no qual a professora a interrogou sobre seu estado de saúde e se estava em dia com os deveres (alguns até se curvavam para ter uma visão melhor dela respondendo) os minutos se seguiram com a mulher falando de modo praticamente ininterrupto e os alunos anotando o que achassem necessário.
Ela se lembrava de quando era mais nova e amava História: as mitologias, as ruínas, as batalhas, a criação de novas ferramentas, os jogos políticos, as figuras importantes... sua imaginação voava e não era incomum ela procurar se aprofundar no assunto depois – mas suas aulas no colegial só faziam a deixar entediada e minar sua sede de saber.
No presente momento, ela desenhava unicórnios no canto da folha de seu caderno – suas manhãs de sábado já haviam lhe deixado claro que ela jamais teria o talento e a naturalidade de traços de Vlad, por outro lado costumava ter soluções bem mais criativas. No caso, cavalinhos chifrudos no lugar da Segunda Guerra Mundial.
A aula demorou mais do que ela gostaria, mas por outro lado terminou cedo demais para seu próprio bem – sua próxima aula, de Educação Física, era junto com Susan e ela tinha vãs esperanças de passar um dia sem olhar na cara delas.
Saiu desanimada da sala, arrastando os pés ao invés de andar, mas aparentemente estava com uma cara de coitada pior do que supunha, pois nenhum de seus colegas atrás de si reclamou do fato.
O que de certa forma era meio deprimente.
Nos vestiários, trocava suas roupas o mais escondida possível, pois o falatório já devia ser muito sem ninguém ter visto os ralados horrendos em suas costas. Com um shorts de ginástica cinza que só fazia salientar o quão finas e infantis eram suas pernas e uma camiseta de tecido sintético amarela que ficava parecendo uma camisola, Raven se juntou as outras meninas mais bonitas, bronzeadas, atléticas.... ou simplesmente não tão baixinhas. Em menos de um segundo, Susan já acenava freneticamente para ela de um canto da quadra.
Suspirando, ela acenou de volta e colou na menina com seu costumeiro sorriso enorme – o estômago de Raven se contorceu e um sinistro instinto de bater na outra a dominou.
-Como está até agora?
-Numa boa.
-Sério mesmo Raven? Acha que consegue correr sem problemas? – a menina se xingou internamente por ter esquecido que era dia de teste de resistência.
-Não sei, se sentir alguma dor eu falo com o Treinador Boston.
-Fala mesmo! Não quero ver você mal; prometemos pro Vlad que cuidaríamos de você. – imediatamente, ela se perguntou se Su e Becky compartilhavam o amigo e o pensamento lhe deu náuseas.
-Estou bem, só está sendo.... cansativo.
O professor não fez nenhum comentário em especial pela volta da menina, fato que internamente ela agradeceu até não poder mais; porém ele mandou que corressem em duplas e isso só a fez ficar desgostosa – só agora que estava ao lado de Susan sentia como tinha ficado machucada com a omissão gigante de todos eles.
-Alguém pegou no seu pé? – perguntou a loira, como sempre sociável.
-Por enquanto não, mas sei que estão comentando pelas costas.... daqui a pouco vai chegar um mais maldoso pra me zoar, já não estou nem aí pra isso.
-Se alguém mexer com você amiga... – começou ela.
-Eu sei me defender. – cortou, mais brusca e grosseira do que pretendia; Susan titubeou um pouco as passadas, mas logo voltou a correr ao seu lado, olhando fixamente para frente.
-Tudo bem – comentou ela num sussurro – só queria te lembrar que você tem a mim.
“Tenho você é? Porque sua amiga de infância está ocupada demais se pegando com o meu amigo de infância!” pensou Raven de modo venenoso, sem responder nada propriamente dito.
A aula terminou com as duas em silêncio; com uma série de murmúrios cansados, todas as meninas se dirigiram ao vestiário – os garotos faziam suas aulas do outro lado do colégio, um exagero que beirava a colégio religioso.
-Susan. – murmurou Raven, depois de um combate mortal contra seu orgulho.
-Sim?
-Pode me ajudar? Eu... não quero que vejam minhas costas. – a loirinha havia estado quieta desde o diálogo mal sucedido entre ambas e ela sabia que quanto mais calma Susan aparentasse, maior era o incômodo que algo lhe causava.
-Tudo bem. – disse ela simplesmente.
Agradecida, mas sem responder nada, ela entrou no chuveiro rapidamente enquanto a amiga ficava “de guarda” do lado de fora; muitas meninas ali seriam más ao ponto de abrir a cortina com a desculpa de se preocupar com seu bem-estar só para dar uma checada nos ferimentos e contar pra escola inteira.
Rápida e prática, ela se lavou e se secou, tornou a vestir as roupas que usava pela manhã e deu lugar a Susan. Enquanto penteava os cabelos de frente ao espelho, notou vários olhares de soslaio, embora ninguém tivesse coragem de aborda-la diretamente. Não que isso por causa dela.
Raven era o típico caso de pessoa que não precisou se esforçar para estar na posição certa e confortável.
Assim que chegou ao colégio, John já havia deixado uma reputação imaculável e ela só precisou ter notas aceitáveis e soltar ocasionais comentários como “lembro que meu irmão ficou bem empolgado quando teve essa matéria...” para ter a proteção de basicamente todo o corpo docente e mais uma penca de funcionários.
Pequena de um modo gracioso, dona de uma voz mais infantil que o esperado pra sua idade, um gênio forte e com um guarda roupa totalmente sóbrio, ela caia facilmente nas graças das pessoas, que a viam como uma bonequinha madura demais pra idade – o que incluía os atletas, pessoas ensolaradas como Michael e garotos e garotas nerds.
Seu gosto musical, amor por desenho e contatos certos a faziam queridinha dos clubes de teatro, música e artes, onde ela sempre surgia de bom grado para dar uma opinião, uma ajudinha ou só fazer uma social mesmo.
Para completar, ela era amiga – pelo menos por enquanto – de Rebecca e Susan, dois polos monstruosos de popularidade ali, de modo que as outras garotas não mexiam com ela, os caras babacas dos times de futebol americano e beisebol sabiam que tinham que deixa-la em paz e a menina nunca era alvo de fofocas maldosas.
Todos de certa forma sabiam seu nome e suas aptidões – para não cometer o erro de se encrencar com ela e consequentemente com professores, populares, artistas, atletas e nerds – o que a tornava sim uma pessoa popular, ainda que sem aquele glamour e adoração imbecis que suas amigas tinham.
E Raven continuava incapaz de chamar ambas de algo que não fosse ‘amigas’, por mais ódio que sentisse.
Quando Susan saiu do banho e se juntou a ela, apenas retocou o brilho labial e ambas saíram. Seu cabelo podia ser deixado do jeito que estava e mesmo assim estaria lindo e sedoso quando secasse.
Encontraram Rebecca para o intervalo e bastou uma olhada da morena nas duas para que ela erguesse uma sobrancelha e não abrisse a boca. Andaram em silêncio em direção ao refeitório, cada uma perdida em seus próprios e confusos pensamentos, sob os olhares curiosos dos demais alunos.
-Então, vamos ficar nessa o dia todo? O que aconteceu? – Becky disse, apesar de elas estarem em silêncio a menos de dez minutos; ela definitivamente não faz rodeios para as coisas.
-Raven está com vontade de ficar na dela, então estou na minha. – murmurou Susan.
-Quando eu disse que quero ficar na minha? – rebateu a outra, sem querer levar a culpa.
-Quando me deu uma patada dessas. – respondeu a loira, assustadoramente calma.
-Virei animal pra dar patada?
-Calem a boca, suas vacas. – chiou a morena, tentando descontrair as coisas.
-Hum... então é esse o animal? Bom, só pra avisar, vaca não dá patada e sim coice. – murmurou ela, se levantando e pegando sua bolsa – Embora não tenha certeza de que a vaca aqui sou eu. – e saiu batendo os pés, largando sua comida para trás.
...
Uma hora e meia depois e ela ainda estava na mesma cabine do banheiro em que tinha se trancado – era o banheiro do outro lado do colégio, no bloco 3, longe do estacionamento e sem dúvidas o menos movimento.
Num primeiro momento, ela xingou ambas o suficiente para desgraçar suas famílias até a vigésima geração; depois, ela gritou e chutou a porta, até acertar de mal jeito e machucar seu dedão; então ela chorou, lágrimas e mais lágrimas caindo copiosamente até seu rosto ficar inchado, vermelho e feio; então ela pegou o compasso e começou a vandalizar a porta com a ponta seca, de modo que funcionária nenhuma poderia tirar as coisas dali: xingou alunos, professores, falou certas barbáries que sabia (como os jogadores populares que eram basicamente o oposto de avantajados no quesito virilidade) e fez rabiscos toscos.
Agora, ela fitava o teto de modo apático — com o pé doendo, os olhos doendo, a garganta doendo, o braço direito doendo e alguns ralados cujas casquinhas romperam ardendo. Totalmente lamentável.
Mesmo assim, faltavam cinquenta minutos antes que todos fossem embora e ela achava que o ideal era ser vista pelo menor número de pessoas possível; abriu a porta da cabine e foi se olhar no espelho, apenas para confirmar que conseguia parecer ainda mais acabada do que supunha.
Suspirando, ela abriu a bolsa e tirou a pouca maquiagem que carregava consigo; mesmo fazendo seu máximo, era impossível chegar a um nível de normalidade com aquele olhar entristecido e aquelas olheiras inchadas, como se um corte feio e cicatrizando em seu lábio já não fosse o suficiente.
Segurando o choro novamente, ela saiu do banheiro e caminhou lentamente em direção à saída – demorara trinta e cinco minutos lá dentro, tinha que sair dali o mais rápido possível.
Raven já devia estar preparada para adversidades naquela altura, mas a verdade é que se sentia mais vulnerável que nunca.
E lá estavam, todos os seus colegas de classe do último tempo chegando no estacionamento: entre eles, Rebecca, Susan, Keane, Michael... e Ramona Foster.
Ramona era a típica vilã de filme adolescente: alta, magra, loira, linda, rica, burra, fútil, mimada, cruel e dominadora. Ambas tinham um histórico complicado desde o inicio do colegial: determinada a não ter garotas chamando tanta atenção quanto ela, logo nas primeiras semanas ela decidiu dar um corretivo em Raven para colocar Becky e Susan na miúda; só não esperava que a pequena desse o troco e desde então ela passou a ser o alvo número um da pior menina daquele colégio.
O que, levando em conta a ausência de sorte dela, não é exatamente surpreendente.
-Ora Castle, estávamos todos nos perguntando onde você estava. – começou ela, jogando a cascata loira e brilhante por cima do ombro.
-Dando um tempo – respondeu, sem cair na provocação – e vocês – continuou – o que fazem aqui fora?
-A mãe da professora passou mal ou algo assim – disse Becky, se colocando na conversa e “casualmente” se encostando ao lado da amiga – então liberou todos mais cedo, uns dez minutos atrás.
-Hum.
-Andou chorando querida? Está com uma carinha... – insistiu Ramona, falando alto o suficiente para todos ouvirem e dando um sorrisinho cínico.
-Só estou cansada. – desconversou ela, tentando manter a calma.
-Bom – começou a outra – não é para menos, afinal você foi atropelada e viu o amiguinho se espatifar num elevador não é mesmo?
Todos arfaram no mesmo instante e a garota já podia sentir as lágrimas se acumulando nos olhos – Ramona sorriu vitoriosa.
-Você está cansada não é? Quer que eu te leve pra casa?
Se todos podiam ficar mais chocados ou surpresos, ficaram: Keane Morgenstern abrindo a boca? Sendo gentil? Andando em direção a Raven Castle e casualmente acariciando sua bochecha com o polegar, como se fossem altamente íntimos?
Aquilo era no mínimo novidade.
A garota pensou em várias evasivas para dar, mas quando viu a cara de Ramona mudou de ideia. A ordinária pregou os olhos em Keane, assim como todas as meninas no colégio, assim que ele pisou lá e não aceitou de bom grado o gelo total que tomou dele – em pleno último ano do colegial ela ainda o seguia como cachorrinho sempre que o avistava. Na sua visão de mundo, um cara que não a aceitasse, não aceitaria mais nenhuma garota por ali.
Com essa carta na manga, Ray decidiu pisar um pouquinho.
-Você não se importa? Pode aproveitar e pegar suas coisas que estão paradas lá em casa, como sua camiseta... – todos se encaravam chocados e o queixo da Foster caiu.
-É uma boa, quer que eu cozinhe pra você hoje?
-Não é muito trabalho? Fico alugando seus serviços de chef...
-Sabe que não é trabalho. – alguém soltou um assobio malicioso.
-... e ainda ganho um bônus strip. – murmúrios audíveis de “huuuuum” ecoaram pelo estacionamento.
-Eu sei que você gosta. – a menina deu uma risadinha, enquanto ele abria um de seus sorrisos abrasadores. Mas só sorria para ela.
Olhou de canto para Becky ao seu lado e Susan a uns três metros de distância; a primeira exibia seu olhar de orgulho maligno exclusivo para situações em que ela fazia algo bem maldoso ou maquiavélico e a segunda segurava as mãos em frente ao corpo, dando pulinhos de empolgação – esquecendo qualquer mágoa, deu um breve sorrisinho sincero e acenou, para logo em seguida ser conduzida pela cintura por um relaxado Keane, sob os olhares divertidos e perplexos de seus colegas e uma Ramona Foster a beira de um ataque de raiva.
Ele deu a partida no carro e ambos se foram; se era pra ser comentada, ela preferia que fosse por algo do nível “estar por aí com o Morgenstern”. Ele dirigia rápido, o vento bagunçava seus cabelos e o som do carro estava agradável.
Definitivamente, foi uma ótima ideia e com resultados brilhantes.
-E então – começou ele, olhando para ela de canto – o que vai querer comer hoje? – e então ele sorriu, enquanto uma de suas mãos preguiçosamente pousava na coxa da menina e fazia um leve afago, deixando-a completamente atônita e corada.
Definitivamente, foi uma péssima ideia e com resultados incertos.
Notas finais
Eu sei, eu sei, sou má, mas vocês são masoquistas, sádicas e taradas, então não podem falar de mim!
A dica dessa vez vai aparecer muuuuuito em breve!
"O violista vai aparecer num sonho... fazendo algo bem diferente de tocar um instrumento musical."
Beijos amorecos!!
(*----*)//
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