Undertaker [Hiato]
4 Delírio
Notas iniciais
Enfim, nesse cap vai ser uma coisa mais alterna, já vou avisando que terão outros momentos desses e é bom ficarem ligados, pois é neles que as dicas sobre os mistérios da fic vão acabar vindo.
Vou parar de tocar terror, boa leitura!
-O QUE ACONTECEU COM ELE??! – berrou ela, se debatendo no abraço de Susan.
-CALMA GAROTA! – disse Becky perdendo a paciência e lhe dando um tapa na cabeça.
-Aiiii. – gemeu a outra, sentindo cada hematoma e corte de seu corpo protestar.
-Putz, foi mal! – disse a morena em desespero, se abaixando e abraçando as duas meninas.
-Ele está bem Ray, bem até demais. – comentou a menor.
-O que quer dizer Su?
-Ele precisa de ajuda de uma duas mulheres pra tomar banho, é o queridinho de toda a ala de enfermagem, está perfeitamente a par de seu estado e seu quarto está cheio dos amigos punks e retardados dele – resumiu Becky – se considerarmos que ele está acordado a pouco mais de cinco horas, é uma evolução e tanto. — ela suspirou de alívio com a resposta da amiga.
-Não entendi o porquê de vocês parecerem preocupadas.
-Eles disseram que daqui a pouco vão vim ver como você está. – disse Susan, com um olhar de pena.
-Gente, eles são meus amigos também sabia? Cresci com a maioria deles. – ralhou ela.
-Raven sua anta, TODOS ELES ESTÃO AQUI. – finalizou Becky, analisando a amiga em busca de uma reação. Ela estava paralisada.
Agora entendia perfeita mente onde elas queriam chegar. Todos eles estavam ali, ou seja, ele estava ali – e ela presa numa cama de hospital, sem ter para onde fugir.
Sabe aquelas paixonites de infância? No geral todas as menininhas acabam gostando do mesmo garoto por razões desconhecidas; quando era pequena, Raven e mais todas as menininhas que andavam com ela gostavam de Gabe... ela foi a única que se declarou, e aos oito anos deu seu primeiro beijo. Mas meninos e seu temperamento são algo imprevisível e dois dias depois o garoto quis terminar o ‘namoro’.
Na época ela ficou muito brava e deixou de falar com ele – o tempo passou, todos crescerem e Gabe... bem, já não era tão bonito, pelo contrário. Seria só mais uma daquelas histórias de infância que todos têm se o garoto não tivesse colocado na cabeça de que eles deviam ‘voltar a namorar’ e a perseguisse insistentemente há uns dois anos.
Cercada de gente que viu os dois crescerem, adoram sacanear os outros e de certa forma vão fazê-la ‘pagar’ pelo estado de Vlad, ela seria trucidada.
-Não vai rolar de eu ficar três horas ouvindo as indiretas e cantadas baratas daquele inseto! – disse ela.
-O que pretende fazer? Se disfarçar de enfermeira e sair por aí? – caçoou Becky – Porque não vou te ajudar se a sua ideia for algo assim.
Ela parou para pensar; da última vez que tinham ficado meia hora juntos, ele a chamou para ir ao cinema, quis lhe comprar um bicho de pelúcia e perguntou descaradamente a Vlad o que ele achava dos dois juntos – o amigo, só para variar, disse que ele estaria melhor servido com alguém como a Penélope Cruz e Raven não sabia se o agradecia pela ajuda ou socava a cara dele.
Fora de cogitação passar por algo como aquilo de novo... mesmo porque, se ele repetisse a pergunta pra alguém como Rebecca, era bem capaz de a amiga dizer ‘quem decide isso é a Raven’, só para ver o circo pegar fogo. E as suas costas já ardiam o suficiente para ela naquele exato instante.... foi então que a menina teve uma ideia simples, que julgou genial.
-Olhem e aprendam garotas. – disse ela, num tom de voz conspiratório; ela pegou a campainha ao lado de sua cama e começou a aperta-la freneticamente.
Em poucos segundos, a enfermeira que não gostava dela e seus pais se precipitaram para dentro do quarto com expressões alarmadas. Ela deu um sorriso triste e se mexeu na cama, demonstrando desconforto.
-Eu estou cansada, mas por mais que tente não consigo voltar a dormir... dói demais.
Eles entenderam imediatamente onde ela queria chegar; a enfermeira olhou para seus pais de modo devastador, seu sorriso presunçoso era tamanho que ninguém se surpreenderia se ela começasse a fazer uma dancinha da vitória ali mesmo. Sua mãe deu passos firmes e decididos em direção a ela.
-Querida, é só se acalmar que consegue dormir.
-Mãe por favor... – implorou ela; eles podiam chegar a qualquer instante e ela estava achando o fim aquela resistência a remédios vinda de uma médica. A mulher bufou derrotada.
Enquanto a outra ajustava a bolsa de analgésicos, ela deu uma última olhada nas amigas antes de cair no sono por sabe-se lá quantas horas. Susan parecia chocada com a atitude extrema dela, mas Becky a fitava com visível orgulho – sem querer ficar fora da dança, ela se aproximou e segurou a mão dela.
-Durma bem amiga... – disse ela, com uma expressão doce.
-Obrigada por terem vindo. – respondeu ela, com um brilho maldoso no olhar.
A última coisa que pensou era que os viciados em analgésicos deviam começar com bobagens como aquela. E então apagou.
Quase que instantaneamente, ela abriu os olhos e se viu no quarto de hospital; era incrível o que aquela medicação fazia, era como se não tivesse passado um segundo desde que dormiu tamanha é a eficácia deles em deixa-la completamente dopada rapidamente.
Não havia ninguém a vista, nem em seu quarto ou no corredor.
-Que fuga covardezinha a sua hein? – disse uma voz feminina e infantil a sua esquerda.
Ela deu um pulo, completamente assustada; olhou para o lado, onde segundos atrás não havia ninguém, e deu de cara com uma garotinha. Seu corpo congelou no exato instante que colocou os olhos sobre ela: o cabelo azul, o vestido de palhaça, a maquiagem... subitamente, Raven se lembrou do que acontecia na hora do acidente e se espremeu no canto oposto da cabeceira, encarando a menina com horror – não pode deixar de notar que ela estava sentada com as pernas cruzadas em... nada, como se flutuasse no ar. E ainda por cima ria.
-Você é patética Raven! – riu ela com ferocidade – Mas tenho que admitir que me diverte muito!
-Quem é você??! – disse ela, arranjando forças para gritar.
-Tsc tsc tsc... – respondeu a outra, aparentando decepção – Se enveredarmos por esse caminho logo de cara, nossa conversa não terá graça alguma meu bem.
-Eu perguntei QUEM É VOCÊ! – cuspiu ela. A outra se irritou.
-QUEM SOU EU, QUEM É VOCÊ... QUEM É ELE???! Tanto faz perguntar não é? Eu tenho as respostas para todas essas perguntas, você não e tampouco descobrirá por mim. Tente outro caminho.
-Eu sei quem sou.
-Você acha que sabe, tem uma diferença enorme aí. – a menina franziu o cenho, mas não caiu na provocação da menor.
-Você é um fantasma?
-Responder seria dar uma dica de quem sou eu, então já sabe não é?
-Quando diz ele, quer dizer o Vlad?
-Garota... tente outro caminho ok?
-Porque estava lá?
-Por um motivo similar ao que me trás aqui. – Raven suspirou; detestava aquele tipo de joguinho.
-Por que está aqui? – sentia que estava exatamente onde a outra queria, por isso não se surpreendeu quando a viu abrir um sorriso enorme... e sim quando viu que a mesma não tinha gengivas, apenas dentes muito brancos e enfileirados perfeitamente que pareciam não ter fim.
-Não ficou claro? Matar você Raven.
Ela se encolheu ainda mais e a fitou com os olhos arregalados. Se era possível, o sorriso da menininha cresceu ainda mais. Desesperada, ela segurou o botão da enfermaria e o apertou várias vezes; a pequena riu.
-Olha para este corredor, não tem ninguém aqui! – como se quisesse ilustrar o que dizia, ela se levantou e, ainda em pleno ar, deu pulinhos e piruetas como uma bailarina até a porta do quarto, e no lado de fora começou a encenar uma dança. Raven sentiu as lágrimas queimando seus olhos.
-Porque quer me matar??!
-Ora, não é óbvio? Porque você é quem é.
-Como pode ser óbvio se nem ao menos me diz quem sou eu?!!
-Ops, tem razão, deve estar tão confusa, coitadinha.... – ela voltou para o lugar onde estava antes, embora agora sentasse balançando as perninhas, como se estivesse sentada em um muro.
Nesse momento, a menina constatou que estava se torturando à toa; ela ainda estava dopada, aquilo tudo era apenas um sonho maligno e sem explicação – o fato de a menina estar novamente ali só prova que ela é um fruto de seu subconsciente e de que estava alucinando no meio da rua quando foi atingida. Não precisava ter medo.
-Vai fazer o quê? Atrair um carro para cá? Ou me esganar com o fio do soro? – caçoou ela.
A outra sorriu; entrelaçou os dedos e os ergueu sobre a cabeça, se alongando. Mas de seus antebraços brotaram duas lâminas brancas, curvadas como foices e de aspecto letal. Sonho ou não, Raven não gostou nem por um segundo do que via.
-Estava pensando em acabar aqui o que comecei lá fora, mas vai ser tão mais divertido brincar mais com você; vou garantir que irei me entreter com cada mísero pedacinho seu. – disse ela, sorrindo de boca fechada e marcando covinhas que seriam fofas em qualquer outra criança – Por hora, fique aqui se recuperando... e com um lembrete meu.
Dito isso ela desceu um braço e cravou a ponta da lâmina na palma da mão da menina, atravessando até o outro lado. Ela soltou um grito de horror.
E foi assim, aos berros, que Raven se viu acordando; seu pai e John já estavam sobre ela, perguntando desesperados onde doía. Ela olhou para a esquerda e só viu os rostos ansiosos dos dois, então virou o rosto para a direita e viu o corredor apinhado de profissionais com fichas de pacientes e remédios novamente. Estava tudo bem.
Então seu irmão soltou um arquejo horrorizado e ela acompanhou seu olhar; sua mão esquerda, já enfaixada por conta do pulso deslocado, estava sangrando horrores por conta de um rasgo que a abria das costas até a palma.
Chamados aos berros por seu pai, Dr. Langdon e mais três enfermeiros se precipitaram para dentro do quarto e foram analisar o estrago, totalmente perplexos; assustada demais com a cena, ela virou o rosto para fora.
Ali, em meio ao vai e vem de gente, estava um médico parado no balcão da enfermagem em frente ao seu quarto com um prontuário em mãos – não sabia como, mas tinha certeza de que era o dela – ele então abaixou a ficha, a encarou sorrindo e foi embora, deixando o jaleco pra trás e uma Raven congelada pela surpresa.
“QUEM SOU EU, QUEM É VOCÊ... QUEM É ELE???!”
Afinal de contas, quem era ela, a menina e... Keane Morgenstern?
Notas finais
Não sei se avisei, mas já que acabaram as provas e trabalhos finais da faculdade (média 9,0 de Desenho de Observação, sintam o meu poder!) eu vou tirar uns dias pra descansar e rever o povo que também estava pirando em suas próprias faculdades... mas não se desesperem, não vai ser um hiato louco tipo duas semanas sem notícias minhas!
Beijos serzinhos e me digam o que estão achando! (*--*)//
Fale com o autor