Notas iniciais
Oie gente! Agradeço de coração os reviews, embora tenha um povo folgado que fique me chamando de tia...
Enfim, nesse cap vai ser uma coisa mais alterna, já vou avisando que terão outros momentos desses e é bom ficarem ligados, pois é neles que as dicas sobre os mistérios da fic vão acabar vindo.
Vou parar de tocar terror, boa leitura!

-O QUE ACONTECEU COM ELE??! – berrou ela, se debatendo no abraço de Susan.

-CALMA GAROTA! – disse Becky perdendo a paciência e lhe dando um tapa na cabeça.

-Aiiii. – gemeu a outra, sentindo cada hematoma e corte de seu corpo protestar.

-Putz, foi mal! – disse a morena em desespero, se abaixando e abraçando as duas meninas.

-Ele está bem Ray, bem até demais. – comentou a menor.

-O que quer dizer Su?

-Ele precisa de ajuda de uma duas mulheres pra tomar banho, é o queridinho de toda a ala de enfermagem, está perfeitamente a par de seu estado e seu quarto está cheio dos amigos punks e retardados dele – resumiu Becky – se considerarmos que ele está acordado a pouco mais de cinco horas, é uma evolução e tanto. — ela suspirou de alívio com a resposta da amiga.

-Não entendi o porquê de vocês parecerem preocupadas.

-Eles disseram que daqui a pouco vão vim ver como você está. – disse Susan, com um olhar de pena.

-Gente, eles são meus amigos também sabia? Cresci com a maioria deles. – ralhou ela.

-Raven sua anta, TODOS ELES ESTÃO AQUI. – finalizou Becky, analisando a amiga em busca de uma reação. Ela estava paralisada.

Agora entendia perfeita mente onde elas queriam chegar. Todos eles estavam ali, ou seja, ele estava ali – e ela presa numa cama de hospital, sem ter para onde fugir.

Sabe aquelas paixonites de infância? No geral todas as menininhas acabam gostando do mesmo garoto por razões desconhecidas; quando era pequena, Raven e mais todas as menininhas que andavam com ela gostavam de Gabe... ela foi a única que se declarou, e aos oito anos deu seu primeiro beijo. Mas meninos e seu temperamento são algo imprevisível e dois dias depois o garoto quis terminar o ‘namoro’.

Na época ela ficou muito brava e deixou de falar com ele – o tempo passou, todos crescerem e Gabe... bem, já não era tão bonito, pelo contrário. Seria só mais uma daquelas histórias de infância que todos têm se o garoto não tivesse colocado na cabeça de que eles deviam ‘voltar a namorar’ e a perseguisse insistentemente há uns dois anos.

Cercada de gente que viu os dois crescerem, adoram sacanear os outros e de certa forma vão fazê-la ‘pagar’ pelo estado de Vlad, ela seria trucidada.

-Não vai rolar de eu ficar três horas ouvindo as indiretas e cantadas baratas daquele inseto! – disse ela.

-O que pretende fazer? Se disfarçar de enfermeira e sair por aí? – caçoou Becky – Porque não vou te ajudar se a sua ideia for algo assim.

Ela parou para pensar; da última vez que tinham ficado meia hora juntos, ele a chamou para ir ao cinema, quis lhe comprar um bicho de pelúcia e perguntou descaradamente a Vlad o que ele achava dos dois juntos – o amigo, só para variar, disse que ele estaria melhor servido com alguém como a Penélope Cruz e Raven não sabia se o agradecia pela ajuda ou socava a cara dele.

Fora de cogitação passar por algo como aquilo de novo... mesmo porque, se ele repetisse a pergunta pra alguém como Rebecca, era bem capaz de a amiga dizer ‘quem decide isso é a Raven’, só para ver o circo pegar fogo. E as suas costas já ardiam o suficiente para ela naquele exato instante.... foi então que a menina teve uma ideia simples, que julgou genial.

-Olhem e aprendam garotas. – disse ela, num tom de voz conspiratório; ela pegou a campainha ao lado de sua cama e começou a aperta-la freneticamente.

Em poucos segundos, a enfermeira que não gostava dela e seus pais se precipitaram para dentro do quarto com expressões alarmadas. Ela deu um sorriso triste e se mexeu na cama, demonstrando desconforto.

-Eu estou cansada, mas por mais que tente não consigo voltar a dormir... dói demais.

Eles entenderam imediatamente onde ela queria chegar; a enfermeira olhou para seus pais de modo devastador, seu sorriso presunçoso era tamanho que ninguém se surpreenderia se ela começasse a fazer uma dancinha da vitória ali mesmo. Sua mãe deu passos firmes e decididos em direção a ela.

-Querida, é só se acalmar que consegue dormir.

-Mãe por favor... – implorou ela; eles podiam chegar a qualquer instante e ela estava achando o fim aquela resistência a remédios vinda de uma médica. A mulher bufou derrotada.

Enquanto a outra ajustava a bolsa de analgésicos, ela deu uma última olhada nas amigas antes de cair no sono por sabe-se lá quantas horas. Susan parecia chocada com a atitude extrema dela, mas Becky a fitava com visível orgulho – sem querer ficar fora da dança, ela se aproximou e segurou a mão dela.

-Durma bem amiga... – disse ela, com uma expressão doce.

-Obrigada por terem vindo. – respondeu ela, com um brilho maldoso no olhar.

A última coisa que pensou era que os viciados em analgésicos deviam começar com bobagens como aquela. E então apagou.

Quase que instantaneamente, ela abriu os olhos e se viu no quarto de hospital; era incrível o que aquela medicação fazia, era como se não tivesse passado um segundo desde que dormiu tamanha é a eficácia deles em deixa-la completamente dopada rapidamente.

Não havia ninguém a vista, nem em seu quarto ou no corredor.

-Que fuga covardezinha a sua hein? – disse uma voz feminina e infantil a sua esquerda.

Ela deu um pulo, completamente assustada; olhou para o lado, onde segundos atrás não havia ninguém, e deu de cara com uma garotinha. Seu corpo congelou no exato instante que colocou os olhos sobre ela: o cabelo azul, o vestido de palhaça, a maquiagem... subitamente, Raven se lembrou do que acontecia na hora do acidente e se espremeu no canto oposto da cabeceira, encarando a menina com horror – não pode deixar de notar que ela estava sentada com as pernas cruzadas em... nada, como se flutuasse no ar. E ainda por cima ria.

-Você é patética Raven! – riu ela com ferocidade – Mas tenho que admitir que me diverte muito!

-Quem é você??! – disse ela, arranjando forças para gritar.

-Tsc tsc tsc... – respondeu a outra, aparentando decepção – Se enveredarmos por esse caminho logo de cara, nossa conversa não terá graça alguma meu bem.

-Eu perguntei QUEM É VOCÊ! – cuspiu ela. A outra se irritou.

-QUEM SOU EU, QUEM É VOCÊ... QUEM É ELE???! Tanto faz perguntar não é? Eu tenho as respostas para todas essas perguntas, você não e tampouco descobrirá por mim. Tente outro caminho.

-Eu sei quem sou.

-Você acha que sabe, tem uma diferença enorme aí. – a menina franziu o cenho, mas não caiu na provocação da menor.

-Você é um fantasma?

-Responder seria dar uma dica de quem sou eu, então já sabe não é?

-Quando diz ele, quer dizer o Vlad?

-Garota... tente outro caminho ok?

-Porque estava lá?

-Por um motivo similar ao que me trás aqui. – Raven suspirou; detestava aquele tipo de joguinho.

-Por que está aqui? – sentia que estava exatamente onde a outra queria, por isso não se surpreendeu quando a viu abrir um sorriso enorme... e sim quando viu que a mesma não tinha gengivas, apenas dentes muito brancos e enfileirados perfeitamente que pareciam não ter fim.

-Não ficou claro? Matar você Raven.

Ela se encolheu ainda mais e a fitou com os olhos arregalados. Se era possível, o sorriso da menininha cresceu ainda mais. Desesperada, ela segurou o botão da enfermaria e o apertou várias vezes; a pequena riu.

-Olha para este corredor, não tem ninguém aqui! – como se quisesse ilustrar o que dizia, ela se levantou e, ainda em pleno ar, deu pulinhos e piruetas como uma bailarina até a porta do quarto, e no lado de fora começou a encenar uma dança. Raven sentiu as lágrimas queimando seus olhos.

-Porque quer me matar??!

-Ora, não é óbvio? Porque você é quem é.

-Como pode ser óbvio se nem ao menos me diz quem sou eu?!!

-Ops, tem razão, deve estar tão confusa, coitadinha.... – ela voltou para o lugar onde estava antes, embora agora sentasse balançando as perninhas, como se estivesse sentada em um muro.

Nesse momento, a menina constatou que estava se torturando à toa; ela ainda estava dopada, aquilo tudo era apenas um sonho maligno e sem explicação – o fato de a menina estar novamente ali só prova que ela é um fruto de seu subconsciente e de que estava alucinando no meio da rua quando foi atingida. Não precisava ter medo.

-Vai fazer o quê? Atrair um carro para cá? Ou me esganar com o fio do soro? – caçoou ela.

A outra sorriu; entrelaçou os dedos e os ergueu sobre a cabeça, se alongando. Mas de seus antebraços brotaram duas lâminas brancas, curvadas como foices e de aspecto letal. Sonho ou não, Raven não gostou nem por um segundo do que via.

-Estava pensando em acabar aqui o que comecei lá fora, mas vai ser tão mais divertido brincar mais com você; vou garantir que irei me entreter com cada mísero pedacinho seu. – disse ela, sorrindo de boca fechada e marcando covinhas que seriam fofas em qualquer outra criança – Por hora, fique aqui se recuperando... e com um lembrete meu.

Dito isso ela desceu um braço e cravou a ponta da lâmina na palma da mão da menina, atravessando até o outro lado. Ela soltou um grito de horror.

E foi assim, aos berros, que Raven se viu acordando; seu pai e John já estavam sobre ela, perguntando desesperados onde doía. Ela olhou para a esquerda e só viu os rostos ansiosos dos dois, então virou o rosto para a direita e viu o corredor apinhado de profissionais com fichas de pacientes e remédios novamente. Estava tudo bem.

Então seu irmão soltou um arquejo horrorizado e ela acompanhou seu olhar; sua mão esquerda, já enfaixada por conta do pulso deslocado, estava sangrando horrores por conta de um rasgo que a abria das costas até a palma.

Chamados aos berros por seu pai, Dr. Langdon e mais três enfermeiros se precipitaram para dentro do quarto e foram analisar o estrago, totalmente perplexos; assustada demais com a cena, ela virou o rosto para fora.

Ali, em meio ao vai e vem de gente, estava um médico parado no balcão da enfermagem em frente ao seu quarto com um prontuário em mãos – não sabia como, mas tinha certeza de que era o dela – ele então abaixou a ficha, a encarou sorrindo e foi embora, deixando o jaleco pra trás e uma Raven congelada pela surpresa.

“QUEM SOU EU, QUEM É VOCÊ... QUEM É ELE???!”

Afinal de contas, quem era ela, a menina e... Keane Morgenstern?

Notas finais
Er... vou nem falar nada, vocês devem estar querendo me bater.
Não sei se avisei, mas já que acabaram as provas e trabalhos finais da faculdade (média 9,0 de Desenho de Observação, sintam o meu poder!) eu vou tirar uns dias pra descansar e rever o povo que também estava pirando em suas próprias faculdades... mas não se desesperem, não vai ser um hiato louco tipo duas semanas sem notícias minhas!
Beijos serzinhos e me digam o que estão achando! (*--*)//