Notas iniciais
Estou com um Office novo instalado, acabaram-se os problemas da minha vida! Ok, nem todos, mas já é um começo...
Queria agradecer as novas leitoras Lyara, flower rebel e Camila Moura pelos reviews e o apoio! Sejam Bem-Vindas!!
Sem mais, boa leitura serzinhos~~

Três dias depois e o elevador continuava interditado; Raven observava sua mãe arrumar suas coisas com um olhar vago e perdido, já que ela achava injusto sua alta ter saído enquanto Vlad continuava ali. No dia seguinte de qualquer forma ela estaria de volta, para visita-lo e começar suas próprias visitas à ala psiquiátrica.

Depois de ser atropelada, se ferir dentro de seu leito de modo sinistro e perder um amigo num acidente trágico dentro do hospital, praticamente obrigaram-na a aceitar se consultar com um psicólogo por um tempo. Seus pais não se opuseram, pelo contrário.

Susan já estava passando pelo tratamento; ela se sentia diretamente culpada pela morte de Gabe, uma vez que gritara com ele o chamara de Stalker. Mas Raven sabia que a culpa era unicamente sua; se tivesse feito o de sempre e apaziguado a situação, ao invés de ter sido rude para provar à estranha palhacinha que era capaz, ele não teria saído do quarto; não teria entrado naquele elevador e morrido confuso, com raiva e mágoa de si.

Pensar nele doía; quando crianças, não tinha motivo para ter mágoas com o “namoro” de dois dias – então sim, eles brincaram muito, aprontaram muito e saíram muito... eram unidos, praticamente tão unidos quanto é com Vlad, até ele colocar na cabeça de que deviam ficar juntos, de um modo assustador e obsessivo.

Nos últimos dias, evitou falar com seu amigo platinado, mas Jared ia vê-la todos diariamente – ele sem sombra de dúvidas era o melhor do bando para lidar com as crises: quando Raven foi para uma escola e eles para outra, inventou desculpas para saírem e não a excluírem do grupo; quando Vlad raspou parte da cabeça deixou-o dormir na casa dele a semana em que ficou brigado com os pais e chamou todos para visita-los todos os dias; quando Samantha, a quinta integrante do grupo desde que eram pirralhos, começou a fumar ano passado, ele moveu céus e terras para convencê-la a parar e agora, com a morte de Gabe, ele estava segurando as pontas. O ruivo era sempre o primeiro a manda-lo parar quando suas cantadas deixavam Raven desconfortável.

-Ansiosa pra ir embora? – perguntou John. Ela deu de ombros – De qualquer forma, Jay está aqui ok? – ele saiu e o garoto entrou. Sua ma~e já havia deixado o recinto sem ela ao menos se dar conta.

-E aí Ray? – ele estava abatido, e o contraste entre sua pele pálida e seus cabelo ruivo muito vivo só acentuavam isso.

-Hn. – respondeu ela.

-Você vai sair daqui, pode estar se sentindo uma vaca e a vida super injusta, mas vai ser melhor pra você. – ela fixou seus olhos nele com descrença.

-Uma vaca? – em circunstâncias normais, ela teria sorrido.

-Estou errado? – mas o garoto permanecia sério como sempre.

-Talvez esteja. – ele sorriu e deu de ombros.

-Eu te conheço. – ela suspirou e se jogou na cama.

-Não sei se vou ficar melhor em casa.

-Como pode achar que vai ficar melhor aqui?

-Vlad está aqui. Todo mundo fatalmente vai vir pra cá visita-lo e eu vou ficar pensando em Gabe sem parar, aqui pelo menos eu olhava pra porta e me convencia a pensar em outra coisa. – despejou ela, sem rodeios ou meias-palavras.

-Depois daquilo te mudaram de quarto. – observou ele.

-Não é “aquilo” é o acidente, a morte dele! – berrou ela, se levantando num instante.

-Morte pela qual você se culpa, mesmo sabendo que estão erradas! – o tom de voz do garoto também se elevou.

-Como pode dizer que eu estou errada??! ÉMINHA CULPA!!

-Você não gostava dele e contou a verdade; todo mundo pisava em ovos e Susan contou a ele a opinião de todos nós; Samantha fingiu que não via ele te perseguir.... se ele tivesse morrido um dia antes você se culparia por nunca ter dado uma chance, Susan por ser tão boazinha quando devia ter sido sincera e Samantha por não tê-lo ajudado a te conquistar e morrer feliz.... E ISSO ACABA COMIGO! Não dá mais pra ver vocês se remoendo por algo fora do controle de qualquer um de nós!!!

-Quando Susan e Samantha entraram nessa história??!

-Eu disse sabendo que estão erradas.

-Elas não têm pelo quê se culpar. – murmurou Raven em resposta.

-Não né? Engraçado, isso não impediu Susan de correr pra terapia e Samantha...

-O que tem ela? – perguntou a menina de modo ríspido.

-Voltou a fumar. – o choque atingiu a garota em cheio.

-Mas ela sabe o quanto isso é idiotice!

-Também acho idiota, assim como vocês três se culparem por uma falha no cabo que sustentava o elevador.

-O elevador não quebrou por minha causa.

-Claro que não. – ele estava impaciente.

-Mas ele estava nele naquela hora... e isso sim é culpa minha.

-Então você acha o quê?... Que devia ter ficado mais uns trinta segundos fingindo que dormia, assim outra pessoa entrava nele e morria no lugar??!

Ela simplesmente abaixou a cabeça e não respondeu; ele sentou ao seu lado na cama e segurou-a pelos ombros, chacoalhando-a freneticamente.

-NÃO. É. SUA. CULPA!!!!! – ela deu um tapa em uma de suas mãos e se retraiu ainda mais.

-Por favor, pode me abraçar, se preocupar e tentar me animar mas... não tenta tirar esse peso dos meus ombros. Não tenta. – as lágrimas já riscavam seu rosto sucessivamente.

-Você quer a culpa, é isso? – ele perguntou descrente.

-Quero algo que me ligue a ele, só por mais um tempo. – ela o encarou, mesmo com a visão embaçada – Eu mal falava com ele nos últimos tempos, não faço ideia de como estava.

Jared suspirou e a abraçou, deixando que a menina ensopasse o ombro de seu casaco preto e militar; pouco tempo depois, passos arrastados adentraram o quarto e alguém se jogou ao lado dos dois.

-Sabia que ia dar merda na hora de você sair daqui. – era Vlad, abraçando-a também.

-Suas ataduras cara. – censurou o ruivo.

-Quem liga?

-Eu. – murmurou ela, com a voz embargada e abafada.

-Nem sei o porquê, desse jeito ele é quatro vezes menos esnobe que o normal. – Becky entrou no quarto e ajoelhou defronte a amiga, apertando suas mãos com força.

-Vou ignorar o que diz ao meu respeito nerd. – respondeu ele, mas sua voz já estava mais animada.

-Vocês quatro são uns pirralhos problemáticos, isso sim. – a voz de John surgiu de algum ponto atrás dos três, e ele os abraçou com força, criando um círculo de calor agradável e protetor em volta da menina.

Quando sua mãe voltou para o quarto trazendo consigo o documento da alta assinado pelo Dr. Langdon, não poderia adivinhar que sua filha estava chorando instantes antes ou algo do gênero, pelo contrário: aos olhos de Julia Castle, finalmente Jared e Jonathan haviam conseguido faze-la rir e isso era um alívio maior do que ela conseguia colocar em palavras. Temia que o modo como o amigo faleceu colocasse a sanidade de Raven em xeque.

A verdade é que eles riam de um fato que havia acontecido a pouco mais de um minuto: três enfermeiras brotaram na porta do quarto completamente alarmadas e sem nenhuma explicação ou bronca simplesmente rebocaram Vlad de volta ao seu próprio leito, lançando olhares acusatórios para Raven, como se ela fosse a amante dele; a cara delas não melhorou em nada quando Becky – que apesar de nerd, era uma morena alta com cachos negros, volumosos e brilhantes como seus olhos castanhos e sagazes – anunciou que iria junto.

Mesmo após anos de situações semelhantes, ela ainda se perguntava de onde vinha o efeito que ele causava nas pessoas; os homens confiavam nele instintivamente, os adultos não hesitavam em lhe dar responsabilidades e as mulheres se derretiam descaradamente... no último quesito, apenas Raven, Samantha e Rebecca pareciam imunes – Susan podia disfarçar bem, mas era um fato declarado que ela tinha uma queda por ele – e no fundo Vlad era apenas um garoto bonito, com notas medianas, preparo físico que não correspondia a sua realidade – ou seja, um sedentário atlético – veia artística aflorada e personalidade ácida. Bem ácida.

-Está na hora de irmos. – disse a mãe da menina, com um sorriso leve e solidário.

-Ok. – respondeu ela, começando a sentir a ansiedade brotando em seu estômago.

Com Julia segurando-a delicadamente pelos ombros, John carregando suas duas pequenas malas e Jared com sua mochila assobiando uma música que ela não reconheceu, eles saíram do quarto e foram cumprimentar Dr. Langdon uma última vez antes de irem (foi constrangedor agradece-lo por tudo, mas no fim ela se deu conta que havia gostado do amigo de seus pais, embora esperasse nunca mais precisar dos cuidados dele); pararam no meio do corredor em um impasse silencioso. Ela sabia qual era o problema, mas não queria verbaliza-lo.

-Quer ir de elevador ou de escada? – disse Jared por fim. Eram três andares, nada muito absurdo descendo.

-Depende. – respondeu ela – Acredita em carma?

-Acredito. – disse ele, apertando o botão para chamar o elevador. Ela encarou-o chocada.

-Isso foi uma forma meiga de ele dizer que você não tem culpa de nada sabe – a voz de Vlad surgiu de algum ponto aleatório – e você com essa cara estragou o momento. – ele estava encostado no balcão da enfermagem com um sorrisinho malicioso.

-O que estraga o momento é ver um cara com um projeto de moicano, camisola hospitalar, sorrisinho de tarado e fugido de enfermeiras igualmente taradas. – replicou Becky logo atrás dele, John e Jared riram, sua mãe olhou para a porta do elevador com cara de paisagem, porém com os cantos dos lábios levemente levantados.

-Vou voltar para o meu quarto. – respondeu ele fingindo indignação, mas dando uma piscadela para a menina antes de dar meia-volta e ir para seu leito, a camisola ridícula dando uma visão parcial de suas nádegas enquanto andava, fazendo várias enfermeiras virarem o pescoço descaradamente pra olhar. Becky lia um mangá enquanto andava, ignorando completamente o que acontecia atrás de si.

Eles entraram no elevador rindo e caçoando, até mesmo a mãe fez piadinha sobre a cena; e antes mesmo de se dar conta, Raven estava no estacionamento do lugar, sem cabos partidos, explosões ou morte.

Entrou no carro sem nenhum comentário e esperou até sua mãe sentar no banco de carona, Jared ao seu lado e seu irmão no volante. Eles saíram de lá enquanto ela fazia uma promessa mental de evitar a todo custo ir parar ali de novo.

-Papai e mamãe conseguiram pegar uma cópia do seu prontuário com a desculpa de que seria um forma de aprendizado pra mim. – disse John, depois de um tempo de silêncio, despertando de imediato a atenção da garota.

-Jonathan! – censurou a mãe deles lhe dando um tapinha no ombro, fazendo com que a curiosidade dela crescesse.

-Posso ver? – sua tentativa de voz manhosa saiu meio rouca e falha, pois ela estava muito tempo quieta; mesma assim Julia bufou e tirou uma pasta simples e de um azul bem escuro da bolsa e lhe entregou. Dentro havia várias divisórias coloridas e Jared se aproximou pra ver também.

Embora estivesse curiosa e até animada em ver as anotações e procedimentos que no geral são confidenciais e limitados ao médico, sua equipe e uns poucos poderosos do hospital, assim que pregou os olhos na primeira página a expressão de Raven assumiu o mais completo choque e horror.

Notas finais
Hohoho, o que será que está escrito? Garanto que não é nada bom.... (>o<)'
Curtiram o cap?
Beijos!! (*--*)//