Notas iniciais
Finalmente, né? Após anos eu consigo atualizar essa fic, aqui! HSUASIAUUUIAS Desculpem-me Talic-chan & Mihi-chan! Vou voltar a escrever e não deixarei vocês na mão, nem os meus futuros leitores [se houver XD]! Prometo! =] Beijos, Hika-chan!

Capítulo 5

Lembranças

Em meio à escuridão, acabei me entregando a um evento passado, mas nenhum pouco esquecido. Como que por encanto, a escuridão se transformou em uma paisagem simples e bastante comum em vilas construídas perto de grandes cidades. Em meio a tantas casas, eu estava sentada na varanda de uma em especial. Novamente eu me encontrava no corpo de uma criança de apenas cinco anos de idade parada, contemplando o lar onde minha sina começara.

O tempo era agradável, com uma brisa levemente mais úmida e fria graças ao término do inverno e a calmaria proveniente do inicio da primavera. O vento brincava com a flora, levantando e sacudindo os galhos, criando um som aconchegante ao farfalhar as folhas novas e ainda pequenas. Em meio a tantas árvores daquele bosque tão importante em frente a minha casa, vi um pequeno esquilo sair da sua toca após o começo da nova estação. O vi descer pelo tronco em sua agilidade estonteante, onde fazia descia circulando o tronco até chegar ao chão.

Bem, como uma criança que mora sozinha com um irmão de sete anos, que tivera a obrigação de crescer o mais rápido para aprender a cuidar não só de si, mas da pequena irmã, eu não tinha muito o que fazer na casa em que meus pais haviam deixado para nós dois antes de desaparecerem meses atrás. Não quando meu irmão havia saído para ajudar alguém e conseguir comida para nós dois.

Vivemos bem após os quatro meses que nos consideramos órfãos. As pessoas que moravam ao nosso lado nos ajudavam coma comida e com as roupas, mas o Deak sempre gostou muito de correr atrás do que desejava para dar mais conforto a gente. Ele nunca foi de aceitar a ajuda dos outros, e não poder fazer nada em troca. Não o meu Deak.

É. Eu realmente não tive muita coisa para fazer. E, bem, as crianças são fogo. Nunca sabem o grau de certo ou errado quando estão empolgadas demais com uma coisa. Inocentemente, achei que encontrar o esquilo não me oferecesse nenhum problema, entende? Admito. Tinha de ter tido cuidado com minha curiosidade insana que vezes ou outra ainda me vem dar uma visitinha como quem no quer nada, mas sempre me coloca em apuros.

Levantei-me olhando para os lados, procurando encontrar alguém que pudesse se aventurar comigo, porém não vi ninguém então achei que poderia seguir sem me preocupar com qualquer outra coisa. Andei em direção ao bosque com um sorriso de diversão tão ingênuo que nem me toquei se levaria uma bronca mais tarde ou não.

Assim que adentrei o lugar, comecei a procurar calmamente por qualquer sinal do pequenino animal. Totalmente absorta do mundo ao meu redor, caminhei cada vez mais indo em direção ao centro, sem perceber que me perdia a cada passo pequeno e inconseqüente que dava.

“Ora, onde ele se escondeu?”, minha voz saíra estranhamente irritada para uma crianças de cinco anos.

Completamente entretida em minha busca, comecei a procurar em locais que uma pessoa mais velha jamais pensaria em procuraria ou se atreveria a procurar. Entrei em tocas de diversos animais, me feri com galhos e espinhos de plantas que jamais havia visto e passei por debaixo de muitas árvores que tinham raízes grandes e grossas. Encontrei muitos animais que já mais imaginaria que existissem ali.

As horas foram se passando e não fui me dando conta de que isso estava acontecendo e de o quanto eu estava me afastando de casa. Por fim, uma brisa gélida que marcava o inicio da noite passou por mim, me fazendo inspirar o ar frio que me provocara arrepios intensos. Finalmente a razão se fez presente em mim, e percebi a grande besteira que havia feito. O medo nasceu em meu interior e se enraizou em meu peito de tal forma que quase me senti sufocada e incapaz de correr de volta para o lugar a qual pertencia.

O silêncio tenha uma aura amedrontadora e apenas era cortado pelo barulho de galhos e arbustos que eram balançados pelo vento úmido. Em meio aos barulhos ocasionados pelas folhas, o som de um galho ser partido ao ser pisado me provocou um pânico terrível. Olhei ao redor e não consegui ver nada, apenas tive um mau pressentimento o qual me ajudou a dar as costas e começar a correr ensandecida. O medo aumentava bombardeando a adrenalina por todo o meu corpo dando-me energias para correr em frente. Os passos aumentaram, e agora davam para ser nitidamente ouvidos. Não procurei me desviar de nada, apenas queria chegar a algum lugar seguro que me acolhesse. Algum lugar quente e confortável. Um lugar onde me sentiria protegida, e o único lugar que eu sabiria que eu encontraria todos esses quesitos seria nos braços dele.

“Deak! Deak!”, gritei até o ar faltar em meus pulmões e me obrigar a inspirar novamente aquele ar gélido e ruim.

Sem saber como, finalmente cheguei ao campo aberto em frente a minha casa. Os passos pareciam ter diminuído, mas ainda temia pelo que estava me seguindo. Levantei-me e não esperei que recuperasse a energia que havia perdido e o oxigênio também. Não pensei em nada disso. Eu estava perto demais de casa. Estava perto demais dele. O choro viera sem que nem ao menos eu pudesse controlá-lo. Veio forte e violento, se embaralhando em soluços e lágrimas desesperadas e cobertas de receio.

Antes que subisse as escadas, ele apareceu abrindo a porta com velocidade. Não consegui perceber suas características, afinal, eu só queria agarrá-lo e enterrar minha cabeça em seus braços. Só queria que meu medo fosse embora o mais rápido possível.

“DEAK!”, gritei ao ver sua silhueta no início da escada.

Não pensei em nada, apenas me joguei em seus braços e derramei meu pranto em seu peito, nem pensando se ele ficaria com a camisa encharcada por minha culpa. O alivio veio de imediato assim que seus braços quentes me envolveram em um abraço forte e protetor. O calor humano que vinha dele era tão característica que o reconheceria em qualquer momento da minha vida. Enterrei meu rosto com mais força em seu peito, e agarrei suas vestes com vontade, gemendo baixinho medrosamente. Suas mãos passaram a afagar meus cabelos ruivos enquanto seu abraço ficava cada vez mais firme.

Eu queria ouvir sua voz dizendo que estava tudo bem, mas o que eu ouvi no instante seguinte foi a total ausência de som e o que vi foi a mais terrível e temível escuridão.

*~*~*~*~*~*~*

“Hikaru River? Hikaru. Hikaru?!”, aquele grito me transportou de volta para a realidade.

Atordoada, virei meu olhar úmido e embaçado para o teto branco e estranhamente familiar. Eu já havia estado ali algumas vezes. Olhei para um lado e vi diversas macas e a enfermeira de plantão. A reconheci depois de um tempo e percebi que o lugar onde estava era a enfermaria da Ordem Negra. Suspirei desanimada. Aquelas lembranças nunca parariam de me visitar em momentos inoportunos.

“Er... Com licença, Hikaru River?”, a voz masculina me fez virar para o lado e encarar aquela pessoa ao meu lado.

Ele tinha cabelos prateados e olhos azuis muito bonitos que transpassavam doçura e gentileza. Parecia ser mais jovem do que eu pelos seus aspectos físicos, embora tivesse uma tatuagem estranha no olho esquerdo. Uma bolinha dourada jazia em sua cabeça imóvel. Pisquei algumas vezes para tentar reconhecer aquela figura, mas nada me veio a mente. Sentei-me sobre a cama ignorando a dor que latejava não só em minha cabeça, mas por todo o corpo.

“Desculpe-me, mas te conheço?”

“Não. Perdoe-me a falta de educação. Allen Walker. Acho que nunca fomos apresentados aqui.”, ele estendeu a mão em minha direção e eu a apertei calmamente.

“O que aconteceu? Onde estão o Kanda-kun e a Aya-chan?”, perguntei preocupada.

“Calma. Vou lhe explicar tudo. A Aya-chan teve apenas alguns cortes e já foi tratada. O Kanda também está melhor e já teve alta, mas você esteve desacordada por quatro dias. Como está se sentindo?”, o tom de sua voz era de preocupado, o que eu estranhei, afinal ele havia acabado de me conhecer.

“Estou bem. Um pouco dolorida, mas nada que vá passar. Só que... Como eu cheguei viva aqui? Achei que tivesse sido atingida...”

“E foi.”, estanquei olhando para ele com os olhos arregalados.

“O que? Então como...?”

“O Lavi e o Crowley te salvaram, enquanto eu e a Lenalee ajudamos a Aya-chan e o Kanda. Crowley é um exorcista novo na Ordem, e tem o como Innocence uma parasita que se alimenta do sangue infectado dos Akumas. Ele sugou a parte infectada do seu sangue, assim você não correu risco de vida.”, a voz dele era calma e seu sorriso era puramente sincero.

“...”, permaneci em silêncio ainda tentando processar a informação.

“Hikaru, está tudo bem?”, senti seu toque quente em meu queixo o fazendo levantar. Corei instantaneamente, me afastando bruscamente e virando o rosto para o lado rapidamente.

“Es-Está sim. Err... Quando poderei ter alta?”, perguntei tentando me recompor.

“A enfermeira disse que quando você já se sentir melhor para andar, você poderá ter alta.”, ele sorriu e eu suspirei pesadamente.

“Eu quero sair agora. Quero agradecer aos dois que me salvaram... Allen, pede para ela para eu...”, parei ao sentir sua mão sobre a minha.

Era tão quente e tão confortável. Tão semelhante ao toque do Deak, que minhas palavras morreram em minha boca. Aquele gesto me fizera lembrar a falta que ele me fazia todos os dias e todas as noites. De tudo que havia passado em prol de nosso reencontro. A dor me acertou em cheio, percorrendo todo o meu corpo fazendo com que me encolhesse e me agarrasse, ao mesmo tempo que enterrava meu rosto em meus joelhos. As lágrimas desciam com uma rapidez incomum e dolorosa. Eu não queria chorar em sua frente, não quando ele nem ao menos sabia quem eu era e porque estava chorando. Eu não me permitia ser fraca, não ali. Eu não podia ser.

“Hikaru? Des-Desculpe! Eu...”

“Hikka?”, escutei a voz alegre da Aya me fez levantar o rosto e perceber que ao lado dela estava Lenalee e dois exorcistas que não conhecia.

Eu não queria conhecer naquele momento. Eu só queria fazer com que aquela dor fosse embora. Os caminhos manchados pelas lágrimas demonstravam que eu estava chorando.

“Allen-kun! O que foi que você fez?”, a voz a Lena era repleta de revolta.

“Eu não fiz nada. Eu juro, Lenalee!”, ele respondeu desesperado.

“Allen-kun, Lenalee, Lavi e Crowley, poderiam nos dar licença?”, Ayami pediu calmamente.

“Claro.”

Não parei para escutar ou perceber quem estava ali, ou o que haviam respondido. Eu só queria agarrá-la e chorar a dor que tanto me consumia.

“Hikka, está tudo bem...”, ela sentou ao meu lado, acariciando meus cabelos.

“Dói Aya! Dói tanto que chega a me sufocar...”, solucei.

“Isso vai passar...”

“Quando, Ayami? Quando?”, gemi ao lhe abraçar com força.

“Eu não sei, Hikaru. Mas eu prometo que irá.”, suas mãos começaram a acariciar meus cabelos calmamente e me passavam uma quantidade de tranqüilidade que ia além do que estava acostumada a ter.

Aos poucos fui me acalmando, até que por fim adormecesse em seu colo aconchegante.

Continua.

Notas finais
Próximo capítulo...O grande encontro entre Lavi e Hikaru.Não percam! =D