- Estou apresentável? — perguntou minha mãe.

Eu não sabia dizer, tudo o que eu queria era que ela fosse embora o mais rápido possível.

Nós estávamos arrumando nossas roupas nos armários embutidos de nossos respectivos quartos.

\"Minha mãe parecia uma criança de novo, quando ela interrompeu meu abraçou e subiu a longa escadaria de tábuas de madeira preta. Eu a segui, eu a encontrei no corredor de paredes cremes. A porta do meu lado esquerdo, indicava que tratava-se, indiscutivelmente de um banheiro. A porta a mnha frente era um quarto com paredes cremes assim como todo o restante da casa. O outro, do meu lado direito, tinha as paredes de um tom de verde-água escuro. Achei que aquele era meu quarto.

\"Quando entrei nele, fiquei tão encantada como tinha ficado com todo o resto da casa. As tábuas de madeira no chão eram escuras do mesmo modo como todo o restante da casa era. A porta tinha o mesmo tom das tábuas de madeira no chão, todas as portas que tinha visto até agora, com exceção daquela de vidro, tinham aquele mesmo tom. O ármario embutido era do mesmo tom escura da madeira e da porta. O quarto era bem grande e janela grande e moldurada por aquela estranha madeira era igualmente grande. O estranho é que eu não tinha percebido isso enquanto estava lá dentro do carro de meu avô. Sua vista dava para os bosques na frente de minha nova casa e para os morros e montes mais além. Também podia-se ver a rua e podia ser escalada através da varanda.

\"Eu adorei o meu quarto, fiquei encantada com os esforços que meu avô tinha feito em pintar as paredes.

\"Quando abri os meus armários para começar a guardar as primeiras peças de roupa, vi um papel branco dobrado ao meio.

\"Eu o abri.\"

Querida Annie, dizia:

Eu queria ser o primeiro a fazê-la bem-vinda em casa. Se eu conseguir entrar em sua casa, ignore este bilhete, mas se não, eu queria dizer que eu a amo muito. A casa do vovô e da vovó estará sempre aberta para o que você e sua mãe precisarem.

Com carinho,

Vovô.

\"Eu mal tinha notado as lágrimas e começaram a escapar pelos meus olhos, meu avô queria que eu sentisse-me bem-vinda e amada. E era exatamente assim que eu sentia-me.

\"Acho que era até mais, eu sentia-me um pouco feliz, mais do que eu fui durante esses pesarosos dois anos.\"

Minha mãe já tinha guardado, praticamente todas as roupas dela quando interrompeu pela minha porta e pergunta se estava ao menos apresentável.

Ela vestia uma blusa de seda vermelha e uma saia preta prendendo a barrinha minúscula da blusa, estava usanda sapatos de salto pretos, suas pernas brancas e definidas parecia destacar-se do restante e estava com os cabelos negros e ondulados prendidos de uma forma que caía delicadamente em suas costas. Ela estava arrumada demais para ir apenas numa concessionária e comprar um carro.

- Eu vou visitar alguns tios meus depois — disse ela tentando explicar-me, enquanto eu fazia uma cara de \"arrumada demais\". — Pode vir se você quiser.

Eu não queria ir com ela ver carros, não queria ver uma família que eu mal conhecia. Tudo o que eu realmente queria era ficar em casa e refletir sobre algumas coisas. Como por exemplo: Eu devo ir na escola amanhã ou não?

Queria poder dar uma desculpa à ela.

- Não, amanhã eu tenho aula.

Minha mãe encarou-me com olhos estreitos e desconfiados.

- Amanhã você irá para a escola? — perguntou. A desconfiança podiia ser ouvida, implicitamente em cada palavra.

- Vou — tomei minha decisão de pronto.

Ela deu de ombros e ouvimos meu avô buzinar na frente de minha casa.

Ela saiu dando saltinhos com seu salto alto.

- Tchau querida, te vejo mais tarde — disse ela por sobre o ombro.

Ouvi a porta da frente bater e então eu finalmente estava sozinha.