Underneath The Moonlight
10 Bilhete
Vesti depressa o meu pijama, estava na gaveta aonde eu guardei.
Minha mãe subia depressa a escada, e eu sentei-me em minha cama para poder ter algum equilíbrio.
Sei que é bobagem ficar totalmente perdida porque um canalha que era para estar morto, ou ao menos desaparecido, tinha beijado-me, mas eu estava.
Vi minha mãe, ela estava com um sorriso no rosto.
- Como foi sua tarde, Annie? — ela perguntou com uma voz tranquilizante.
- Boa, os homens da mudança vieram, eu fiquei sentada na escada indicando aonde eles deveriam colocar as coisas e foi só.
Minha sorriu mais ainda.
- Amanhã, quando a senhorita voltar da escola, você vai me ajudar a colocar tudo no lugar.
- Sim — eu disse em um suspiro pesado.
Minha mãe encarou-me por uns segundos e tombou a cabeça de lado.
- Por que você está corada, querida?
Eu corei mais ainda.
- Eu estou? Deve ser o frio...
Minha mãe riu, inclinou-se e deu um beijo em minha testa.
- Boa noite, querida — sussurrou ela.
E ela levantou-se e caminhou em direção a porta.
- Quer que eu feche?
Balancei a cabeça negativamente.
Eu não queria mais ficar no meu quarto, de repente o bilhete que estava no bolso do meu ropão pareceu pesar uns dez quilos. Eu precisava ler aquele bilhete.
Desci as escadas e fui caminhando pelo corredor até as portas de vidro que davam para o quintal, abri a porta. Eu sentei na pequena calçada de paralelepípedos, ligando a luz ao passar. Ouvi o som do chuveiro de nosso único banheiro sendo ligado. Minha mãe não incomodaria-me tão cedo.
Eu suspirei fundo umas duas ou três vezes antes de abrir o bilhete.
Annie, dizia:
Eu estarei vigiando esta noite, tenha uma boa noite de sono. Nada de mau vai acontecer com você.
Cristopher.
Eu suspirei. Por que eu suspirei?
Se existia uma coisa que eu realmente deveria ter medo era de Cristopher, porque ele tinha o incrível dom de aparecer e desaparecer quando bem entendesse. Ele deveria estar morto! Por que ele não estava? Ou será que eu estava ficando louca? Será que aquele bilhete era real?
Para provar para mim, que tudo o que aconteceu nos últimos minutos, era real. Cristopher apareceu ao meu lado.
Eu levei minhas mãos ao coração e fechei os olhos.
- Ele não está ali, ele não é real! — eu falei para mim mesma.
- Eu não sou real? Até parece que você teria tanta imaginação para criar-me — Cristopher bufou.
Eu olhei para ele.
- Por que você está torturando-me?
- Eu? Torturando-te? Nunca faria isso. Você é quem tortura-me.
Eu olhei para ele com um olhar mortal.
- Então por que você está disposto a aparecer só para mim?
- Porque eu estou cansado de lutar contra isso.
Ele pegou meu rosto que nem naquela hora no meu quarto, o polegar também em meus lábios. Seus olhos olhavam para os meus.
- Se eu fizer-te uma pergunta, você irá responder?
Precisava saber tudo o que estava acontecendo.
- Depende da pergunta — ele disse com um sorriso maligno no rosto.
- Por que que sua voz pareceu tanto com a voz de meu pai, pouco antes de você desaparecer?
Ele sorriu, estava pensando se contaria-me ou não.
- Não tenho permissão para contar isso.
Eu bufei.
- O que você está fazendo aqui, então?
Ele só precisou inclinar-se um pouco e seus lábios estavam de novo nos meus. Movendo-se em sincronia, seu hálito era tão doce na minha boca. Eu queria mais, ele parou de repente.
- Eu estou aqui, porque eu não consegui parar de pensar nisso.
E voltou a colocar aqueles lábios doces nos meus, ele não estava sendo doce comigo, seus braços passaram para minha cintura e meus braços passaram para seus ombros, ele deitou-se de costas para os paralelepípedos gelados, arrastando-me junto com ele. Eu fiquei em cima dele, quando ele começou a desamarrar o laço que eu tinha feito em meu ropão.
Minha consciência voltou a mim, eu virei de lado puxando meus lábios também. Eu o encarei pasma, mas ele já tinha ido.
Amarrei meu ropão, levantei-me e caminhei de volta para dentro de casa. Eu estava ficando confusa.
Será que eu imaginei Cristopher?
Eu subi as escadas correndo, pude sentir que iria começar a chorar a qualquer momento, o Cristopher não era real e eu estava prestes a fazer as preliminares com alguém que não era real.
Eu subi as escadas correndo e entrei no meu quarto trancando a porta ao passar.
Desabei em minha cama, chorando compulsivamente em meu travesseiro.
Peguei meu relógio de pulso no criado-mudo e vi que eram oito horas da noite, eu sentia-me tão cansada que eu não importaria-me de dormir agora.
Tirei meu ropão e o joguei de qualquer jeito no chão, e coloquei minhas cobertas por cima de mim.
Eu dormi.
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